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4:20

peito

É real.

instagugu

E não dá pra desver!

hexasujo

Já estou ficando mal acostumado – todo ano começa com a votação de melhores do ano anterior feita pelo Scream & Yell. A de 2012 acabou de sair e entre os vários primeiros lugares apresentados lá estã o meu Trabalho Sujo mais uma vez entre os melhores blogs do ano – e pela sexta vez em seis anos consecutivos! Desta vez ficou engraçado, porque, ao juntar blogs e sites na mesma categoria, o Sujo ficou na frente do Twitter, do Facebook e do Buzzfeed. Me resta agradecer a confiança de quem me colocou neste posto e manter mais uma vez o compromisso de fazer o melhor blog do Brasil. A íntegra da votação (bem como os votos de cada um dos 119 votantes) pode ser conferida lá no S&Y.

Eis a primeira foto de divulgação do ator que encarnou o melhor Sherlock Holmes de todos os tempos (Sherlock, da BBC, é nota 10) no papel de Julian Assange (a seu lado, o Daniel Bruhl de Adeus Lênin posa como Daniel Domscheit-Berg). O filme The Fifth Estate, sobre a rápida e polêmica ascensão do site WikiLeaks e a popularização do nome de seu criador, estréia nos EUA no segundo semestre; mas esta notícia me lembrou que tenho de falar sobre o próprio Sherlock (quem já viu? Comentem aê!) e da participação do ator no próximo Jornada nas Estrelas…

bennedict-assange

Vi no Vírgula.

aaron-swartz

E a minha coluna no Link dessa semana foi sobre a morte de Aaron Swartz (que a Tati entrevistou pra uma capa do Link em abril do ano passado

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Swartz não se contentava com uma vida confortável
O ativista seguiu seus ideais e não o mercado

Como acontece com quase tudo online, o trecho do clássico poema beat Grito (Howl, em inglês), de Allen Ginsberg, virou piada há algum tempo. A épica constatação que “vi as melhores mentes da minha geração destruídas pela loucura” ganhou um tom jocoso feito para ridicularizar uma das principais obsessões profissionais deste século digital: “Vi as melhores mentes da minha geração pensando em como fazer as pessoas clicarem em anúncios”.

Parece só uma piada, mas não é exagero: há muita, mas muita, gente talentosa que, devido às preocupações do mercado, se vê obrigada a deixar suas melhores qualidades em segundo plano para queimar neurônios para fazer com que as pessoas curtam posts no Facebook, deem RT em tweets, cliquem em banners ou para que façam galerias de fotos para que os usuários fiquem mais tempo online. Palavras como “engajamento”, “monetização”, “publieditorial” e “multiplataforma” (além de termos em inglês “buzz”, “app”, “newsfeed”, “e-commerce”, “startup”, “brainstorm”) causam urticária em pessoas que gostariam de estar fazendo outras coisas, mas se veem presas à obrigação de gerar audiência para uma marca.

O norte-americano Aaron Swartz, que nasceu em 1986, preferiu o outro caminho. Gênio da programação, o rapaz de 26 anos que cometeu suicídio há dez dias pode ser considerado não apenas um dos desbravadores da web que habitamos hoje, mas um de seus principais arquitetos. Ainda adolescente, trabalhou com nomes como o criador da World Wide Web Tim Berners-Lee (em um projeto de web semântica, a tão esperada web 3.0) e com o advogado Lawrence Lessig (Aaron o ajudou a traduzir a lógica das licenças livres do mundo do direito para a linguagem técnica dos computadores). Mas não bastou estar nos ombros dos gigantes. Foi além.

Não tinha nem 20 anos quando criou o web.py, framework para desenvolvimento web na linguagem Python que não só foi a base da criação de um dos primeiros sites sociais do mundo, o FriendFeed, como mais tarde serviu tanto para a criação do Facebook quanto para os vários projetos de rede social do Google. Ajudou a criar o Reddit, uma das redes sociais mais importantes e ativas da última década, cuja relevância e importância crescem a cada ano – não por acaso Barack Obama ofereceu-se para ser sabatinado na rede social, na campanha para a reeleição no ano passado. Aaron também era um dos principais articuladores do ativismo digital do século, escrevendo artigos e defendendo causas sempre à favor da liberdade de expressão e da internet aberta.

O tom grave de sua morte parece piorar o cenário descrito na paródia do poema do início do texto. Aaron poderia se juntar aos muitos geninhos que preferiram o conforto do emprego seguro e da vida corporativa e hoje estaria vivo, talvez ganhando muito dinheiro, mas inquietado. Preferiu seguir seu coração e todos nós ganhamos com isso.

Os mais cínicos dirão que ir atrás do próprio sonho foi o que determinou o fim de sua vida – um argumento ridículo. O motivo pelo qual Aaron tirou a própria vida não é claro, embora tudo indique que tenha a ver com o processo que o Massachusetts Institute of Technology (MIT) movia contra ele. Um processo que, se fosse considerado culpado, poderia colocá-lo na cadeia por até 50 anos.

Aaron era a favor da difusão livre da informação e hackeou o Jstor, um banco de dados de teses científicas, para mostrar que este conhecimento deveria estar na rua, ao alcance de todos. A ironia desta situação vem do caso que Aaron só virou programador porque, aos 11 anos, descobriu que o próprio MIT oferecia cursos gratuitos online.

Claro que ele aprenderia a programar de outra forma – mas, ao hackear o Jstor, não tenho dúvida de que ele queria aumentar a possibilidade de que mais pessoas como ele pudessem seguir seus sonhos – e não ficar pensando em como fazer os outros clicarem em anúncios.

stephen

Usei o gancho do vazamento online do Django para falar do novo filme de Tarantino na minha coluna do Link.

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O novo filme de Tarantino e o amadurecimento digital
Formatos piratas já não satisfazem as pessoas

Assisti a Django Livre, que estreia no Brasil na sexta-feira. Era dia de Natal (data da estreia oficial do filme de Quentin Tarantino) e eu estava em uma viagem no exterior. E fui com a minha mulher ver Django numa telona. Gosto de assistir a filmes e séries na TV, já vi muitos filmes no computador, mas nada substitui o cinema para alguns filmes.

O elemento social talvez seja seu aspecto mais encantador: sentar-se no meio de desconhecidos e conduzir-se por uma viagem de sons e imagens que passaram-se na cabeça de um autor, numa sala escura. É um processo completamente diferente da literatura. No cinema, as cores, formas e sons vêm antes da mensagem e da linguagem, e a comunicação é feita por instintos puramente estéticos. Todo mundo vê e ouve a mesma coisa, mas a história é interpretada por cada espectador. E absorver essas sensações coletivamente, uma viagem cerebral cujos condutores são apenas nossos olhos e ouvidos, é uma das grandes experiências sociais que o século 20 deixou para as gerações futuras.

Prefiro assistir aos meus cineastas favoritos assim. Tarantino é um dos meus prediletos entre os vivos (ao lado dos Coen, Cronenberg, Lynch, Scorsese, Herzog e mais alguns) – e por isso cedi à expectativa e resolvi ver o novo filme em inglês mesmo. Na semana passada, no entanto, pude revê-lo em português em uma sessão para a imprensa (que é chamada de cabine), dois dias depois de uma versão screener vazar na internet.

Versões screeners são DVDs enviados a jornalistas que não podem ir às cabines. Elas não têm a qualidade técnica de uma projeção cinematográfica nem a alta definição dos DVDs comerciais. Servem para que o crítico de cinema assista ao filme antes da estreia.

No mundo do download ilegal, essas versões recebem nomenclaturas específicas. Screener, abreviado SCR, é a versão mais apresentável nas primeiras vezes em que o filme vaza online, diferente de outras categorias.
CAM, abreviatura de “câmera”, é o filme pirata mais rasteiro possível, aquele em que o pirateiro filma a tela do cinema. É a qualidade mais tosca que se pode imaginar: iluminação ruim, silhuetas de espectadores e som fora de sincronia são características frequentes. A versão TS – telesync – é um pouco melhor, pois o pirateiro pega o áudio do projetor. Em seguida vem a versão SCR, como a que vazou de Django na semana passada.

Desta vez, o rebuliço que normalmente acompanha o vazamento de obras esperadas há muito tempo – como é o caso do filme de Tarantino – não foi tanto. Parte do público preferiu esperar o filme estrear no cinema (eu estaria entre eles, se já não tivesse visto o filme). Outra parte baixou sem saber da qualidade. E um terceiro grupo preferiu esperar o vazamento de uma versão melhor, em alta definição, ripada do DVD.

O que mostra que estamos vivendo um amadurecimento digital considerável. O mesmo vale para o vazamento de discos ou para a qualidade do áudio de músicas vendidas legalmente online. Há audiófilos que se recusam a ouvir música com bitrate – que mede a qualidade da frequência – menor do que 320 kbps. Dez anos atrás, muitos estavam comemorando o simples fato de o disco ter aparecido online – mesmo que a qualidade fosse inferior ao padrão mais baixo, o de 128 kbps.

Esta mudança está diretamente associada ao tipo de equipamento que temos hoje em casa. Com esses equipamentos, aos poucos estamos exigindo mais qualidade digital. Mas temos que nos acostumar com o fato de que o digital não necessariamente exige suporte para ser consumido. Você não precisa de um DVD para ver um filme como não precisa de um CD para ouvir um disco. Falo mais disso em colunas futuras.

E assistam a Django no cinema. Alguns momentos são de pura catarse coletiva. E saber que você tem que ficar quase três horas sem poder dar pause, olhar a internet no celular ou correr para pegar algo na geladeira torna a exibição ainda mais intensa.

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Na minha primeira coluna no Link em 2013, aproveitei para falar da maior feira de tecnologia do mundo – e como ela está deixando de ser importante.

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O ano em que a CES deixa de ser o maior encontro da tecnologia
Feira parou de emplacar tendências

Todo ano é sempre assim: começa janeiro e lá vem a Consumer Electronics Show (CES) – alardeada aos quatro cantos como “a maior feira de tecnologia do mundo”. E os olhos do planeta se voltam para Las Vegas, quando as principais empresas desta área exibem seus lançamentos para o recém-iniciado ano. Alguns estão na fila para chegar ao mercado, outros são protótipos de tecnologias que ainda vão se tornar mais baratas, outros tantos foram lançados às pressas apenas para fazer frente à concorrência.

Ao começar o ano do mercado de tecnologia com o dedo na tomada, a CES bate o bumbo para reforçar sua importância. Há uma esperteza estratégica no fato de o evento acontecer em janeiro. O mês é tradicionalmente morto no que diz respeito a notícias em geral, e até março a pasmaceira noticiosa na área de tecnologia é clássica.

Acontece que, há alguns anos, a feira perdeu a importância que tinha. Muitos podem apontar a edição de 2012 como o grande termômetro desta mudança. Foi a última vez que a Microsoft participou do evento; a CES 2013 não contará com os lançamentos da empresa que popularizou o Windows e a computação pessoal. A saída da Microsoft, no entanto, não é o primeiro sinal de que a feira já não é o que era; mas sim, o derradeiro.

Há outras razões que ajudam a chegar a este diagnóstico. Para começar: pelo menos há dois anos, não há uma grande tendência que toda a indústria se reúna para celebrar. Antes, toda CES era pautada por uma grande novidade que se desdobrava em diversos aparelhos. Foi assim com as telas de toque, com as telas de plasma e de LCD, com os smartphones antes e depois do iPhone, com os notebooks, etc.

Desde 2009, logo após a crise financeira que atingiu os EUA, a CES não consegue emplacar sua grande tendência. No ano seguinte, tentou dizer que o futuro eram os aparelhos 3D, mas as pessoas não estavam tão interessadas nisso. A CES 2011 teve um monte de clones do iPad, mas nenhum deles conseguiu fazer frente ao tablet da Apple.

As tendências desta nova edição da CES são bem esparsas e soltas. Há apostas em relação à saúde monitorada por aparelhos, discussões sobre “a segunda tela” (a relação do celular com a TV e com o computador), muita ênfase em carro e casa conectada e pouca referência a um novo tipo de produto, a algo que faça o mercado e os consumidores acompanharem o que acontece em Las Vegas para saber qual será o grande produto que precisa ser comprado em 2013. Pode ser um eletrodoméstico, um televisor, algum acessório para o carro… Tudo girando ao redor da internet.

E é a rede um dos motivos que me parece ter esvaziado a importância da CES. Graças à popularização em massa da internet durante a década passada, os aparelhos perderam sua importância para os serviços oferecidos online. E os grandes deste cenário estão mais preocupados em fazer seus próprios eventos do que em participar de feiras em que fabricantes de todo mundo mostram suas máquinas. Afinal, por que montar uma barraquinha do Google ou o do Facebook num evento gigante?

O segundo motivo também está ligado à internet, mas passa pelos telefones celulares – que, há menos de uma década, agem como pequenos computadores de bolso com acesso à rede. Os telefones móveis hoje são os principais objetos de desejo do consumidor de tecnologia (competindo de perto com os tablets) e há pelo menos cinco anos estes produtos se encontram em outro grande evento, realizado dois meses depois, do lado de lá do Atlântico, em Barcelona, na Espanha.

O Mobile World Congress cresce mais a cada ano e não duvide que sua edição de 2013 seja mais popular – e faça mais barulho – do que a CES deste ano.

***

Esta é a primeira coluna do ano novo, por isso não posso deixar passar a oportunidade de desejar um feliz 2013 para todos que acompanham o Link. O ano promete!

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Minha última Impressão Digital de 2012 cogita um 2013 mais móvel e menos preso aos desktops. Será?

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2013: O ano em que o celular pode ultrapassar o computador
Futuro pertence aos nichos e à mobilidade

Todo mundo quer saber quando é que o Facebook vai perder a importância – e, principalmente, qual será a nova rede social que vai substitui-lo. Acho que são dois movimentos distintos e uma coisa não está propriamente relacionada à outra.

A rede social de Mark Zuckerberg começou 2012 forte e imponente, rumo ao primeiro bilhão de usuários e disposta a abrir capital. Cumpriu as duas promessas, mas o crescimento já não é mais intenso e o IPO não chegou nem perto da expectativa entusiasmada do início do ano. Por outro lado, cada vez mais gente deixa o Facebook por motivos diversos – discordam de sua política de privacidade, não aguentam mais discutir com desconhecidos horas a fio, não querem mais ver imagens de culto ao ódio, cansaram de misturar trabalho, amigos e família no mesmo ambiente, não gostam do aplicativo móvel, acham que virou uma plataforma de anúncios.

Sobre o último caso, é fato. Seu concorrente direto, o Google, também se sustenta em publicidade, mas enquanto recolhe dinheiro graças à sacada do Ad Sense, a empresa também tem o sistema operacional móvel mais popular, mapeia e digitaliza o mundo em seu serviço cartográfico, tem tablets, celulares e uma tentativa de fundir TV com internet, além dos futurísticos Google Glasses… Enquanto isso, o Facebook apenas vende formas de socializar conteúdo de seus domínios. Repete a lógica da America Online em seus primeiros dias, algo que se provou insustentável. As pessoas não ficam no mesmo site o tempo todo.

Sem contar que um dos motivos do fracasso da abertura de capital do Facebook foi a insegurança que investidores têm em seu futuro móvel. O aplicativo da rede social para celulares não chega aos pés da experiência em desktop. Tentaram entupi-lo com recursos: mensagens, chat, eventos, fotos, jogos… O app é lento e difícil de usar.

No início do ano comentei como a simplicidade é a razão do sucesso de um aplicativo. E isso aconteceu pouco antes de o Facebook anunciar a compra do Instagram. Os motivos da aquisição são especulação, mas têm a ver com o fato de a rede social não ter um aplicativo móvel tão bom quanto o Instagram e também com a possibilidade de estar comprando um possível rival.

Mas o Instagram não deve atingir os níveis do Facebook – mesmo se não fosse comprado. Porque o futuro das redes sociais pertence aos nichos. E, principalmente, o futuro da internet pertence aos celulares.

Esta fábula em que um aplicativo para celulares é comprado por uma rede social criada para ser usada em computadores é uma amostra do futuro que veremos nessa década. A força da internet móvel é comprovada por nós diariamente – seja em programas de geolocalização que nos ensinam caminhos inusitados, na possibilidade de se assistir à TV individualmente em um ônibus (com fones de ouvido, por favor), em inúmeros jogos mais complexos que os primeiros Super Mario e agora cabem em nossos bolsos. Carregamos sempre aparelhos que podem tirar foto, editar texto, vídeo e áudio e publicá-los na internet.

Ao mesmo tempo, nos tornamos mais livres. Livres do mouse e do teclado, da posição arqueada ao debruçarmos nos computadores, de ficarmos sentados o tempo todo. A era pós-PC tão alardeada por Steve Jobs tem menos a ver com tablets e mais com a internet móvel nos celulares. Em pouco tempo, veremos os tablets como trambolhos gigantescos, smartphones para idosos que não conseguiam digitar em teclados touchscreen. Isso acontecerá quando vier o triunfo da internet móvel via celular.

Eis a minha aposta para 2013: menos olhos na telona, mais olhos na telinha. Menos tempo sentado, mais tempo em pé. Menos escritório, mais rua. É claro que temos que esperar melhorias drásticas no nosso parco 3G e num utópico 4G que nem sequer é realidade. Mas, com certeza, usaremos mais celulares que computadores. Se é que já fazemos isso hoje, sem nos dar conta.

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Acho meio irônico o fato de a primeira foto que postei no Instagram ser a da imagem uma versão 8-bits para o jogo Angry Birds (acima). Até o lançamento do aplicativo com filtros de fotos vintage para o Android, meu app favorito era o joguinho dos pássaros e eu achava que o Instagram era só isso – um jeito de tirar onda de fotógrafo cool com a câmera de seu celular. Ledo engano. Ao me embrenhar na versão orkutizada do aplicativo antes restrito para iPhone, descobri que os filtros das fotos são o de menos. O que importa no aplicativo é o elemento de rede social minimalista, onde as longas discussões do Facebook e bate-bocas do Twitter ficam em segundo plano em detrimento de monólogos contemplativos de alto astral. Com um celular no bolso e a internet móvel, começamos a experimentar a sensação de independência do desktop, com seu teclado e mouse tão impositivos como grilhões com bolas de ferro ao tornozelo. O Instagram é o primeiro ambiente digital e social em que o celular é o protagonista e o texto é acessório. Não por acaso desbravei uma das únicas áreas da comunicação que ainda não tinha explorado (a da fotografia), ao entender que o recorte oferecido pelo aplicativo-rede social era um ponto de vista introspectivo e bem pessoal, bem diferente do coro de links e opiniões repetidos em outros ambientes digitais. Não dá pra discordar no Instagram (a fonte de todas imagens desta retrospectiva).

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Entrei no Estadão no mesmo ano em que saí da Trama. O Trama Universitário, projeto da gravadora em que eu trabalhava, encerrou suas atividades em fevereiro de 2007 e dois meses depois o Guilherme Werneck me chamava para ocupar sua vaga como editor-assistente do Link Estadão, o caderno de cultura digital criado três anos antes por Ricardo Anderaos, que substituiu o antigo caderno de Informática do jornal. Entrei no Link quando ele ainda era um caderno de avaliação de produtos, numa época em que o Orkut era soberano, quando a economia dos aplicativos ainda engatinhava, no mesmo ano em que Steve Jobs lançou o iPhone. Dois anos depois, eu me tornaria o editor do caderno, quando comecei a finalmente, botar as mangas de fora e mostrar como poderia ser um caderno de tecnologia e cultura digital na segunda década do século 21. Junto ao novo cargo veio a coluna Impressão Digital, que começou aos domingos no Caderno 2 e que continuou mesmo após a minha saída do Link, em outubro. Destes cinco anos no Limão, não custa lembrar a satisfação que foi trabalhar num dos principais veículos do jornalismo brasileiro (o mesmo que publicou Os Sertões, que brigou contra a censura na ditadura militar e que declara o voto no dia da eleição – e que também foi o mesmo lugar em que publiquei meu primeiro frila pago, quando Syd Barrett completou 50 anos, em 1996), cujo clima de tranquilidade e franqueza sempre dominou seus corredores (a não ser em períodos tensos específicos, como Copa do Mundo, eleições e passaralhos). Mas a principal recordação destes cinco anos trabalhando ao lado da Marginal Tietê é, sem dúvida, o monte de amigos que fiz naquela redação, seja entre meus amigos e colegas do Link (todos vocês, vocês sabem quem vocês são – não preciso citá-los mais uma vez), até a vizinhança com as turmas do Divirta-se, do Paladar, dos tradutores, da arte, do portal, do pessoal do dia e de todos que conheci nestes anos todos. Lembranças que também se perdem entre as múltiplas referências internas, como os almoços no Puras, as idas à rádio, as noites que terminavam com Seu Matos, os gritos de “Thunder!” do Santana (que confundia o meu HAL 9000 de descanso de tela com o olho de Thundera), as travessuras do Thiagueira, as idas ao Brooklyn ou ao Central Park para fumar um cigarro, as risadas com a Denise. 2012 viu o fim deste ciclo, que foi bem importante para o jornalismo de tecnologia no Brasil (veja o que aconteceu com a Info Exame e o Folha Informática depois de 2009) e para mim, que consegui atingir um novo parâmetro em minha carreira profissional – e juntar tantos amigos nesta jornada. Foi incrível, valeu!