
Já já às 15h converso com o animador e cinegrafista Richard Swarbrick, dentro da programação do festival Cultura na Rede, no Itaú Cultural, ali na Paulista. Saca só:
Updeite: Rolou um problema e o papo foi transferido pra terça, no mesmo lugar, às 19h.

/CICLO DE FILMES E BATE-PAPO
Domingo – 15h00
Sala Itaú Cultural – 219 lugaresCiclo de filmes sobre futebol criados pelo ilustrador e videoartista inglês Richard Swarbrick (richardswarbrick.com). Na sequência haverá um bate-papo com o artista, mediado por Alexandre Matias.
Mais informações no site do Itaú Cultural.

Não tenho palavras pra descrever isso:
Vai ser difícil alguém superar essa bobagem esse ano.

A mesma Amanda Ghassaei que usou uma impressora 3D há alguns meses para criar um disco a partir de um MP3 se propõe um desafio ainda maior: fazer discos de madeira. E ela começou testando com uns clássicos, como, por exemplo, “Sunday Morning”, do Velvet Underground. Saca só:
Aí embaixo seguem os vídeos com os testes de gravação feitos com “Femme Fatale”, também do Velvet Underground, e “Idioteque”, do Radiohead.


O fotógrafo Leo Caillard e o designer Alexis Persani ambos franceses, decidiram vestir digitalmente algumas estátuas clássicas, que perdem todo o ar épico com apenas uma calça jeans ou um par de óculos escuros:



Tem mais no portfólio do Persani.
Na edição da Galileu que está nas bancas, há uma entrevista que fiz com Tobias Andersson, porta-voz do PirateBay que vem ao Brasil no início do mês que vem para participar do YouPix. Segue a matéria abaixo.

OS RÉUS E O PORTA-VOZ:Fredrik Neij, Gottfrid Svartholm e Peter Sunde recorrem no processo que estão sendo julgados na Suécia; Tobias (à direita), não
Um pirata no Brasil
Porta-voz do maior site de compartilhamento de arquivos do mundo é a atração do Youpix deste ano
Quando pergunto a Tobias Andersson qual é o seu papel no PirateBay, o maior site de compartilhamento de arquivos do mundo, nem ele sabe responder direito: “Estou no site desde o início”, explica por e-mail, “mas o trabalho no PirateBay é muito anárquico, para dizer o mínimo. Não há papéis específicos na equipe, da mesma forma que não há um líder ou um dono. Todo mundo faz o que quer. Falamos todos os dias pelo mesmo canal de informações, todo mundo participa de todos os processos. Pensamos de forma bem parecida e quase não há controvérsia entre nós”. Mas, para todos os efeitos, Andersson age como o porta-voz do grupo, que é representado pelas figuras de Fredrik Neij, Gottfrid Svartholm e Peter Sunde. Os três, suecos como Andersson, são os réus em um julgamento que teve seu veredito em fevereiro do ano passado, mas que ainda se arrasta através de novos recursos e instâncias. E Andersson vem a São Paulo como principal convidado do festival de cultura da internet YouPix, que acontece no início de julho e também terá mesas de debates oferecidas pela GALILEU. No evento, o pirata vem falar sobre sua experiência no PirateBay, política mundial e o futuro da internet. Ele também prepara um livro sobre os 10 anos do site — “e minha estada em São Paulo fará parte do livro”, adianta.
Qual é a situação do PirateBay? Os servidores de vocês foram para a Islândia?
Não, apenas o domínio está hospedado na Islândia. Nossos servidores estão espalhados pelo planeta eestamos transferindo todos os dados para serviços na nuvem. O domínio deve continuar mudando sempre, para estarmos um passo adiante. Há também um plano para começar um projeto via Kickstarter para comprarmos o domínio .bay.
O que você acha da pirataria digital ter virado uma bandeira política, com os Partidos Piratas pelo mundo?
Mark Getty, da agência de fotos Getty, disse que “a propriedade intelectual é o petróleo do século 21” e esta frase é bem interessante. Nós do PirateBay anunciamos que 2012 seria o ano da tempestade e foi isso que aconteceu: tivemos as brigas contra a Sopa [projeto de lei norte-americano que endurecia a vigilância e a punição aos direitos autorais], o Acta [tratado internacional com fins semelhantes] e o veredito de culpado contra os três fundadores do site — um deles está preso por um ano e os outros dois aguardam julgamento em liberdade, mas o site continua funcionando independentemente do julgamento. Acho que os próximos anos serão ainda mais inquietos.
Então você acha que a legislação digital deve endurecer nos próximos anos?
Acho que teremos duas opções: ou um estado de vigilância ou uma internet independente. Todos ganhariam caso a última alternativa prevalecesse. Modelos de negócio prosperariam e pessoas de todo o mundo usariam a internet para aprender sozinhas. Mas isso não acontecerá sem briga. Por outro lado temos outros fatores, como o crescimento da capacidade de armazenamento. A Lei de Krysder diz que o espaço de um HD dobra a cada 20 meses, o que quer dizer que, em 10 anos, teremos toda a história da música em nossos bolsos.
O que você acha de Kim Dotcom, do Megaupload, que foi caçado pela justiça norte-americana?
Kim Dotcom é um esquisito megalomaníaco que poderia ter se dado melhor se não pensasse apenas em ganhar dinheiro. Sites de armazenamento como o Mega não são a forma certa de agir. A internet precisa ser aberta e não se tornar um festival de “pague pelo arquivo”.
Você acha que o streaming de serviços como o Spotify irá suplantar o download?
Remixando as clássicas palavras do Chuck D, do Public Enemy: desculpe-me, mas foda-se o Spotify. Ele não resolve nada, pois é parcialmente mantido pelas três grandes gravadoras, que não submeteriam seus catálogos caso não fossem sócias. O que quer dizer que eles ainda ganham mais dinheiro que os artistas a cada execução. Isso inclui artistas que não são contratados por estas três gravadoras. Acredito que a evolução da tecnologia terá seu papel e veremos redes descentralizadas e anônimas onde amigos trocam conteúdo gratuitamente.
E quais são os próximos passos do PirateBay?
Espero que apareça algum sistema que torne o PirateBay obsoleto. Dez anos é muito tempo para um site como este. Adoraria ver um aplicativo com um cliente torrent embutido que poderia utilizar todos os agregadores de metadados disponíveis. Algo que nos tornasse livres de sites e domínios…
TPB: AFK | Lançado no início de 2013, o documentário TPB: AFK (The PirateBay: Away From Keyboard, Longe do teclado, em inglês), do sueco Simon Klose, acompanha o julgamento dos três fundadores do site desde o meio de 2008 até o veredito, no início do ano passado. O filme foi disponibilizado gratuitamente para download no próprio PirateBay. Tobias Andersson diz ter achado o filme “meio entediante”.

Um dos grandes trunfos de Random Access Memories, o recém-lançado e alardeado novo disco do Daft Punk, é o fato de ele ser uma obra fechada, um disco conceitual sobre o universo disco nos anos 70 e a influência sobre a sonoridade da dupla francesa. Isso também o tornou alvo de várias críticas, vinda de gente que esperava que os dois explorassem novas fronteiras dos universos paralelos que habitam – a música eletrônica e a música para dançar. Eu particularmente entendo Random Access Memories como um disco de época, que dá uma grandiosidade épica à disco music que o gênero só foi adquirir ao ser cooptada pela indústria do disco.
Aí vem o prodígio Nicolas Jaar e seu compadre Dave Harrington e remixam, na íntegra, todo o disco lançado há menos de dois meses sob o nome de Darkside – ou Daftside, neste caso. Random Access Memories Memories picota trechos do disco, altera a ordem das músicas, enfatiza a guitarra de Niles Rodgers, praticamente elimina todos os vocais e dá ênfase às distorções digitais, tanto glitches quanto timbres. Um exercício consciente e ousado de plunderfonia, que contesta a sonoridade setentista e a provoca para refletir o estranho ano que estamos vivendo: saem os sorrisos felizes típicos da disco e entra uma obscuridade desconfortável mas familiar, filtrado por uma ótica digital torta. Dá pra ouvir essa jóia na íntegra aí embaixo:


