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Mad Max 8-Bit

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Fury Road recebe o já clássico tratamento retrô digital do pessoal do Cineflx, saca só:

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Escrevi sobre o industrial magnata Elon Musk para o site da editora Intrínseca, que está lançando sua biografia,

Um futuro longe do online
Elon Musk quer colonizar Marte, popularizar os carros elétricos e a energia solar — independentemente do que aconteça com a internet

“As melhores mentes da minha geração estão pensando em como fazer as pessoas clicarem em anúncios.” A frase, dita por um dos primeiros programadores do Facebook, sintetiza o sentimento de frustração com o futuro trazido pelo Vale do Silício: em vez de viagens interplanetárias, teletransporte ou energia sustentável, o futuro que o século XXI nos apresentou foi o de pessoas grudadas em monitores de todos os tamanhos, inflando seus próprios egos em redes sociais.

A promessa de futuro vendida pelo Vale do Silício misturou-se com o mundo de fama e sucesso de Hollywood, e, em pouco tempo, CEOs atingiram status de popstar. Steve Jobs talvez seja o melhor exemplo desse domínio do mundo dos negócios como uma variação do show business. Mas não se engane, filmes sobre Bill Gates e Mark Zuckerberg já foram produzidos e currículos de executivos bem-sucedidos continuarão sendo vendidos como biografias de pessoas incríveis nos próximos anos.

De lá para cá, a internet mudou. Deixou de ser o reino aberto de trocas de links para se tornar um ambiente de feudos de marcas, clusters de usuários obstinados em reter todos os dados pessoais de seus clientes para vendê-los a outras marcas em forma de publicidade personalizada. Google, Facebook, Microsoft, Apple, Amazon e uma meia dúzia de empresas querem mantê-lo sob seu único guarda-chuva, silos de entretenimento que combinam redes sociais, aplicativos para celulares e tablets, games, serviços de streaming, sites de compras e de armazenamento digital. Todo mundo permanece cada vez mais grudado a uma matrix de distrações, e aquele futuro Jetsons que antevíamos em meados do século passado parece sumir enquanto migramos de uma tela para outra, de uma marca para outra.

Mas para o sul-africano Elon Musk um futuro de viagens interplanetárias e energia sustentável ainda permanece no horizonte. Alheio aos deslumbres do digital, ele preferiu investir seu dinheiro em desafios verdadeiramente transformadores. Ele pertence ao grupo de programadores e engenheiros que ficou conhecido mais tarde como “a Máfia do PayPal” por ter surgido em meio à criação do serviço de transferências financeiras — um grupo de empreendedores que criaram uma espécie de lado B do Vale do Silício mais pop, desenvolvendo aplicativos e redes sociais que orbitam de forma pacífica ao redor das principais, como LinkedIn, Yelp, Reddit e fundos de investimento.

spacex

Musk, no entanto, radicalizou. Preferiu investir em outras formas de conexões humanas ao entender que a internet havia se convertido em uma nova corrida do ouro, fazendo todos apostarem alto no ciberespaço como único futuro viável. Após ficar bilionário com a venda do PayPal, dedicou-se às próprias empresas para atingir suas metas futuristas, que incluem a exploração do espaço, viagens interplanetárias, terraformação de Marte, carros elétricos, transportes suspensos, energia solar… E tem dado certo.

Com sua SpaceX, Musk já realizou viagens tripuladas para fora da órbita da Terra e estuda como criar uma biosfera artificial em Marte que suporte a colonização do Planeta Vermelho — empreitada que ele pretende iniciar ainda em vida. Com a Tesla Motors está mostrando que o carro elétrico não apenas é viável como também pode ser criada uma malha de recarga gratuita para seus carros em três continentes. Sua SolarCity já é a segunda maior empresa em vendas de painéis solares nos Estados Unidos. E sua Hyperloop, que cogita o transporte suspenso entre cidades por tubos de ar comprimido, já começa a fazer testes com um tubo que liga Los Angeles a São Francisco.

A internet atual vive uma transição drástica que equilibra uma geração que viu a chegada da rede como tábua de salvação de um futuro em colapso (a popularização em massa da internet e o surgimento das redes sociais aconteceram logo após o atentado do 11 de Setembro de 2001) com outra que já nasceu on-line e não percebe a rede como novidade. Ambas se encontrarão quando a esperança reluzente do mundo digital se provar apenas uma forma de manipulação e vigilância das pessoas, quando o futuro brilhante da internet se reduzir apenas a uma rede de monitoramento de dados, seja para uso comercial ou governamental. Quando isso acontecer, Elon Musk estará nos esperando com seu futuro megalomaníaco já em andamento.

Eu e PC, PC e eu

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Participo nessa quarta-feira do YouPixCon, a nova encarnação do YouPix, num bate-papo com o novo bróder PC Siqueira. Vamos discutir os dramas e dilemas da produção individual de conteúdo no século 21 – e anunciar uma novidade. O papo acontece no palco How to Stage e tem o seguinte resumo:

Terapia de conteúdo: estou criando o que eu amo?

Consistência x liberdade criativa. Chega um momento na vida de um criador de conteúdo em que ele fica refém do formato que ele mesmo criou no início do seu canal, blog e afins. O que fazer quando o seu estilo saturou? O que fazer quando você já não se identifica com o próprio conteúdo que você cria mas a sua audiência quer o de sempre? Como pivotar e se reinventar sem perder os fãs do seu trabalho?

Com PC Siqueira (youtuber do canal MasPoxaVida e d’O Role Gourmet) e Alexandre Matias (jornalista, editor e fundador do Trabalho Sujo)

Nossa participação é às 12h30 e dá pra acompanhar ao vivo pelo site do evento.

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Um executivo desumano? Um nerd bem sucedido? Um popstar do mundo dos negócios? Um gênio sem coração? As diversas facetas da personalidade do fundador da Apple parecem se confrontar no próximo filme de Danny Boyle. O novo trailer de Steve Jobs, com Michael Fassbender no papel do guru hi-tech, ainda mostra-se indeciso ao retratar seu biografado.

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A vitória dos taxistas de São Paulo contra o Uber na semana passada é apenas passageira, como escrevi no artigo que o pessoal do Aliás me pediu para sua edição de domingo, que reproduzo abaixo:

Ponto dentro da curva

Os taxistas que comemoraram a proibição do aplicativo Uber em São Paulo na semana passada podem ir tirando seu cavalinho da chuva. Queimem os fogos de artifício enquanto é tempo, pois mesmo que o próprio Uber venha ser proibido no mundo inteiro (algo pouco provável), ele aponta para o futuro inevitável. A era eletrônica começou a engatinhar nos anos 50 e desde seus primeiros passos nos anos 80 pelo menos a cada cinco anos nos apresenta a uma novidade faceira que parece ser transitória, mas se embrenha cada vez mais em nossos dias.

Faça as contas: videogame, computador pessoal, web, sites, banda larga, redes sociais, smartphone, internet móvel, aplicativos, tablet. Cada uma dessas novas invenções impulsionou ainda mais a próxima sem necessariamente anular as anteriores. O dispositivo móvel de acesso à internet que carregamos no bolso (e por pura conveniência linguística ainda chamamos de “telefone”) talvez seja o primeiro a começar a anular alguns dos anteriores, mas ainda vai demorar um tempo para que desktops e laptops desapareçam da paisagem como máquinas de escrever, videocassetes, mapas de papel e listas telefônicas já desapareceram.

Lembra do tempo em que você tinha que chegar em casa na hora em que o telejornal começasse senão você o perdia? Ou da época em que você esperava ansiosamente que determinada música tocasse no rádio pra que você conseguisse gravá-la? E quando você tinha que comprar um disco de plástico prateado com 12 canções quando queria ouvir apenas uma? Pois é, felizmente esse tempo acabou.

Muita gente ainda vê a era digital como uma fase passageira, um modismo histérico ou uma bobagem de adolescente. Mas essas mesmas pessoas conversam com a família inteira pelo WhatsApp (pais, primos, filhos, netos, tios, avós), matam a saudade de amigos distantes pelo Skype, brigam sobre política com reaças e comunas e postam fotos dos próprios filhos no Facebook e tiram foto e fazem vídeos que nunca cogitariam fazer na época do filme.

Ainda falamos em “entrar na internet” por resquício de comunicação. Estamos online o tempo todo, mesmo quando não estamos olhando pra um de nossos monitores (o “espelho negro” como tão bem definiu o autor inglês Charlie Brooker na série da BBC que leva essa nova era a extremos bem pessimistas). Duas das maiores empresas do mundo – Google e Facebook – não existiam há vinte anos. As profissões da vez em 2015 não existiam em 2005, algumas delas nem em 2010.

Quem nasceu no século 21 não faz essa distinção, que é o futuro inevitável. Você alguma vez pensa em acionar a rede elétrica da sua casa quando precisa iluminar um cômodo? Quando dispara o mecanismo de evacuação de seus dejetos orgânicos? Quando se conecta à rede hídrica para ter acesso à água? Não, você simplesmente acende a luz, dá descarga ou abre a torneira (que, em 2015, às vezes não “liga” a água). A geração nascida depois da internet sabe que está na internet, ponto. Não escreve um e-mail, não manda mensagem, não envia um “torpedo” (ugh) ou um “zap-zap” (argh). Simplesmente fala, escreve, chama.

Todos estamos em contatos com todos e a tendência é piorar. Nem George Orwell imaginaria um pesadelo tão paranoico que as pessoas levariam seus próprios rastreadores no bolso e voluntariamente contariam tudo sobre suas vidas para todos. Nem Aldous Huxley cogitaria a quantidade de desdobramento de futilidades e preocupações múltiplas que habitam cada recanto da internet. Mas esta é apenas a visão de copo vazio da história.

O outro lado desinventa a cidade. A Revolução Industrial foi crucial para atingirmos um novo patamar de progresso, mas para isso abrimos mão de nossas individualidades para nos encaixar nas engrenagens do sistema. Para o mundo funcionar, era preciso assumir um papel predefinido e segui-lo à risca – da escolha do emprego à criação dos filhos, do sistema educacional ao mercado financeiro, do núcleo familiar à política internacional.

Isso retirou a humanidade do campo e trouxe a civilização para uma nova realidade, a urbana. Em dois séculos saímos da fazenda e superlotamos as cidades, que estão em seu limite, de diversos pontos de vista.

O século 20 foi o século das multidões (nunca houve tanta gente no planeta), mas também o do modernismo, que expandiu e colocou pra fora a mudança de comportamento que estava presa na caixa de Pandora aberta por Freud. E aos poucos as multidões foram percebendo-se formadas por indivíduos, cada um deles era uma pessoa diferente da outra. Precisamos aprender essa tolerância, mesmo que na marra.

A era digital crava o final da revolução industrial justamente ao começar desatar o grande nó que é a metrópole, engrenagens urbanas criadas para abrigar multidões a partir de uma série de parâmetros preestabelecidos (séculos atrás) que estão sendo implodidos um a um.

Faz sentido esperar debaixo de uma marquise, na chuva, que um táxi passe, quando no quarteirão de trás há um taxista literalmente dormindo no ponto porque não sabe onde o passageiro está? Por que eu tenho que comprar um volume de papel se eu quero ler apenas um artigo? Não posso hospedar um desconhecido quando não estiver usando meu apartamento? Por que preciso esperar uma semana para assistir ao próximo episódio?

As respostas podem divergir, mas apontam para o mesmo lado: o futuro. Acostume-se.

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Dos brinquedos inspirados nos novos personagens e veículos do Episódio VII de Guerra nas Estrelas, nenhum deles é tão simpático quanto a versão mini do robôzinho BB8 – tem mais detalhes sobre ele no meu blog no UOL.

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O novo disco solo de Lou Barlow, chamado de Brace the Wave, sai por esses dias. E além das duas músicas que ele já havia mostrado (“Moving” e “Wave”), ele vem agora com um clipe da última faixa do disco, “Repeat”, todo pé no chão e de coração partido:

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Nosso português favorito vai lançar o primeiro livro – e é de gastronomia! Faça 50 pratos (49 são iguarias…) existir e bancar mais uma áudio-temporada da série de Bruno Aleixo. Eis o conceito do livro:

Livro onde falo dos meus 49 pratos preferidos. Inclui textos apreciativo-descritivos, contextualização histórica, críticas e receitas.

Já muitas vezes me têm perguntado pelos 50 pratos do Jogo dos 50 Pratos. Só são conhecidos 3: carapaus à espanhola (calhou-me a mim), jardineira (calhou ao Manuel João Vieira) e cocó (calhou ao Nuno Markl). Sobram 47. Alguns bons, outros mais ou menos, metidos à força só para perfazer os 50.

Resolvi escrever um livro sobre eles. Como são, onde os comi a primeira vez, que recordações me trazem, porque é que gosto deles, como se fazem, etc. Tudo isto vai lá estar. E com ilustrações feitas por mim, em esferográfica, sobre guardanapo ou toalha de mesa.

Bónus: por cada 25 livros vendidos, faço um episódio de Aleixo FM para a internet

SOBRE O PROMOTOR
Sendo uma personalidade influente da vida portuguesa, já estava na altura de lançar um livro sobre mim. O povo assim o pediu. E nada diz mais sobre o carácter dum homem do que aquilo que ele põe no prato, sobretudo a nível de quantidade.

Vivo em Coimbra. Tenho 58 anos mas pareço mais novo. Estudei na Faculdade de Direito mas sei falar sobre assuntos relativos a todas as outras faculdades (mais que muita gente que la tenha tirado o curso).

Considero-me uma autoridade a nível de cozinha na óptica do utilizador. Sou a pessoa que Portugal precisa neste momento, uma vez que sou imune às pressões da Era da Gourmetização em que vivemos. Já ameacei e/ou insultei, à conta disso, diversos jornalistas.

Mais informações no site do crowdfunding. Abaixo, Bruno explica a aposta que originou o nome do livro:

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A parceria de Jean Michel Jarre com M83 era, na verdade, o prenúncio de uma volta do pioneiro da eletrônica francesa. Electronica Part 1: The Time Machine, o novo disco de Jean Michel Jarre, será lançado no mês que vem e trará composições do francês ao lado de novos nomes como Air, Fuck Buttons, Boys Noize e Massive Attack, além de parcerias com veteranos como Laurie Anderson, Pete Townshend, Tangerine Dream e John Carpenter! O projeto foi sacramentado com o dueto de Jarre com Little Boots, “If I…!”, que já nasceu com clipe.

E o projeto deve ter uma parte 2, já agendada para o primeiro semestre do ano que vem.

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Não sei por quê ,mas esse vídeo me fez lembrar do monolito de 2001: