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Música social

Cada vez mais compartilhada, a música do século 21 mudou nossos hábitos e a internet; mas a lei ainda não acompanhou essas mudanças


Todos de fone de ouvido em festa silenciosa na Virada Cultural de 2008 (foto: Mônica Bento/AE – 26/04/2008)

Nunca se fez tanta música quanto hoje. As possibilidades abertas a quem não tinha recursos ou técnica para fazer música permitiram que gerações inteiras finalmente pudessem produzir sua própria trilha sonora.

Seja criando música nova, remixando hits do passado ou regravando velhas canções, pessoas de diferentes faixas etárias se descobriram artistas e puderam finalmente reconhecer-se como músicos, independentemente de profissionais ou amadores. Mais: com a internet, essa produção passou a ser ouvida por gente que não tinha outros canais senão o rádio, o show e a loja de discos para descobrir e curtir música nova.

Ao mesmo tempo, nunca se ouviu tanta música quanto atualmente. A mesma rede que permitiu que músicos finalmente tivessem acesso direto a seu público fez que cada vez mais pessoas ouvissem cada vez mais música.

Hábitos como garimpar raridades, gravar fitas cassetes (ou CD-R) com músicas escolhidas a dedo e até mesmo manter uma coleção de discos foram acelerados pela rede de tal forma que praticamente foram reinventados.

Em vez de prateleiras, falamos em gigabytes; disco raro é aquele que nunca saiu da casa – ou da cabeça – de seu autor.

Assim, aos poucos, um termo técnico que designa a forma de adquirir um arquivo digital da rede tornou-se praticamente sinônimo de música nesta década: o download. Graças à popularização do MP3, iniciada há exatos dez anos, baixar música virou uma atividade rotineira e um hábito típico de nossos tempos.

Mas esse monte de gente produzindo e ouvindo música não está isolada em seus computadores ou em seus fones de ouvido, mesmo porque isso não é novidade – o marco zero deste isolamento musical, a invenção do walkman, completa trinta anos este mês.

E o mesmo ponto de partida para a música digital como a conhecemos hoje – a criação do Napster, o primeiro software de compartilhamento de arquivos sonoros digitais – também deu origem a uma nova forma de se ouvir música.

Se o rádio, a loja de disco e a gravadora aos poucos se tornam obsoletos, a internet oferece opções que vêm sendo abraçadas por milhões de pessoas, que estão descobrindo músicas que nunca ouviram e mostrando-as umas às outras.

O download ilegal ainda é um problema no que tange os direitos autorais e várias iniciativas têm insistido em punir uma prática que já é corriqueira.

Numa época em que ouvir música torna-se uma atividade cada vez mais social, resta achar uma solução que recompense quem produz mas que não puna quem ouve.

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Há 10 anos, Napster tornava a web social

Shawn Fenning só queria ouvir as músicas que seus amigos guardavam em seus PCs – e também permitir que eles ouvissem as suas. Entediado com a faculdade que fazia, começou a escrever um software que permitisse essa troca de arquivos em janeiro de 1999. Ele tinha acabado de completar 18 anos e, poucos meses depois, no início daquele junho, há dez anos, terminou o programa, que batizou com seu próprio apelido (“Napster” quer dizer algo como “dorminhoco”). Distribuiu para uns amigos e, como quem não quer nada, mudou a história da música – ao mesmo tempo em que resgatou um dos cernes da rede – seu aspecto social.

Voltando mais no tempo, quando o criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, tornou público seu projeto, o fez postando uma mensagem num fórum de notícias, no dia 6 de agosto de 1991. Nela, anunciava que “estamos muito interessados em espalhar a web para outras áreas (…). Colaboradores são bem-vindos!”

Sem querer, Shawn Fenning repercutiu a mensagem do criador da web para o planeta. E se no início dos anos 90 a rede apareceu como uma forma de facilitar a troca de dados e informações, no final da década esta troca seria acelerada graças à popularização do MP3.

Mas trocar músicas era só o começo. Logo o mundo compreendeu que a música poderia funcionar longe do disco, coisa que a indústria fonográfica não quis entender – o que a levou a processar seus próprios clientes e abrir espaço para a Apple, uma empresa sem tradição no mercado de música, tornar-se líder em comercialização de música digital.

Fenning não inventou apenas um software. Com o Napster, ele sublinhou que a rede não é compostas de máquinas que se conectam a grandes servidores – mas também de computadores que podem se conectar entre si sem precisar passar por um computador central. E que esses computadores são pilotados por seres humanos que querem conhecer não só mais músicas, mas outros seres humanos. Não é exagero: ao liberar a possibilidade das pessoas trocarem MP3 entre si, o Napster foi o embrião daquilo a que chamamos de “rede social” – que, na verdade, é uma metáfora para a própria web.

Afinal, a internet é social. E Fenning nos lembrou disso há dez anos, quando resgatou um verbo que estava um tanto em desuso e que tem sido vilanizado pelos motivos errados: compartilhar.

Aaaah, jogos de plataforma com profundidade!

…não tinha visto essa animação que fizeram pro Rock Band deles.

O vídeo acima faz parte da campanha européia pró-compartilhamento de arquivos online, que acaba de eleger seu primeiro representante para o Parlamento Europeu.

Mas volto em seguida. Na real, chego pela manhã e participo de um bate-papo sobre música e internet dentro do evento Coca-Cola Parc, que, além dos shows de bandas como No Age, Matt & Kim, Copacabana Club, Pata de Elefante, entre outros, ainda conta com esse ciclo de debates chamado Indústria Criativa, que reúne bambas e compadres como o Miranda, Frank Jorge, Lucio Ribeiro, Claudia Assef, Pena Schmidt, entre outros. Minha participação acontece no Módulo Música e Tecnologia, onde converso com o Ronaldo Lemos e o Ivo Correa, do Google, com mediação da Ana Carla. Não fico pros shows porque a vida continua uma pilha, mas quero ver se pego pelo menos algum deles aqui em São Paulo, no finde. Na verdade, o que mais me chama atenção é o bom & velho Mickey Gang, que podem até me arrastar pra ver o show do The View. Vamos ver se topo.

Pra quem estiver em Porto Alegre, o papo acontece no auditório da Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2000) e, pra participar, você tem que confirmar presença no email imprensa@opuspromocoes.com.br. Cola lá.

Já viram as duas primeiras coisas que apareceram?


Project Natal: videogame sem controles


Beatles Rock Band: de chorar

Pode ficar melhor do que isso? Pode: do mesmo jeito que aconteceu com a internet, o videogame já está em todas partes de nossas vidas. Há pouco o próprio Guillermo del Toro declarou que o Cidadão Kane dos videogames não demora a aparecer

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A ficha ainda não caiu. Conheci o Marcelo no começo de 2001, quando eu editava a Play na Conrad e ele bateu na minha porta oferecendo frilas – que, pautas boas que eram, aceitei de pronto. Desde então, sempre trombava com o cara – em shows, eventos de tecnologia, festas e em minhas idas solitárias ao Rio de Janeiro no início desta década. Eram encontros rápidos, em que continuávamos algum papo recente que tivemos via email ou comunicador instantâneo ou a estranha coincidência de conhecermos mais uma – dezenas! – pessoa em comum. Piadas idiotas sobre coisas que aconteciam em nossa frente, sorrisos sempre amplos e gargalhadas explosivas, súbitos comentários sérios sem ser chatos e uma capacidade instantânea de se adaptar a qualquer papo: as conversas com Marcelo, por mais pontuais e esporádicas que fossem, eram parecidas umas com as outras, como um grande e longo papo picotado por períodos de desencontro. Mudava-se o ambiente, as pessoas ao redor, a quantidade de barulho – mas Marcelo era sempre o mesmo, com o mesmo tipo de humor e temperamento, reflexos de sua personalidade e caráter. Quem me falou de sua morte repentina (um ataque cardíaco no meio da madrugada de sexta) foi a mesma Marsílea que, após mudar-se para o Rio, falou que estava trabalhando com um amigo meu no Jornal do Brasil – era o próprio Marcelo. Não foi fácil entrar no site do cara e ver ele comentando o assunto de uma matéria que eu estava editando para o Link da semana que vem – a sensação de lê-lo comentando algo tão recente fazia parecer que sua morte pudesse ser uma espécie de transferência para o meio digital, sua consciência blogando o que achava das coisas mesmo depois de ter deixado nossa realidade analógica. Eu disse que a ficha ainda não tinha caído.

O Bruno, a Elis, o Fabio, o Dória, o André e o Henrique também falaram sobre Marcelo. E a foto que ilustra o post – e que está no Flickr do Marcelo – fui eu quem tirei, quando fomos a San Francisco no início de 2008 cobrir o lançamento do Macbook Air).