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Digital

Eis minha coluna no Caderno 2 de ontem

“Aquela da sanfoninha”
“Stereo Love”, um ringtone do inferno

Aconteceu na redação. O mês de junho ainda não havia começado, era tarde da noite no jornal e, na calma noturna da quase meia-noite, uma pequena sanfoninha tocou a distância. E tocou. E tocou. Era o celular que alguém havia esquecido sobre a mesa enquanto ia tomar água, ao banheiro, fumar um cigarro. A sanfoninha tocava uma melodia simples e chorosa, quase um forrozinho, com um mínimo ritmo dançante, daquele de bater o pé e só. Dada a época do ano, pensei que o dono do aparelho pudesse estar em clima de festas juninas. Vai saber.

Até que comecei a ouvir aquela musiquinha repetidas vezes. Em situações diferentes, ela vinha aos poucos acrescida de uma batida de dance music (hã?) e um vocal sussurrado num inglês com sotaque, cantando uma letra genérica sobre amor. Sempre trechos, quase sempre iniciados pela sanfoninha brega, ouvidos a distância, de passagem – sempre ouvidos através do celular de alguém.

Descubro, tardiamente, graças à repórter Ana Freitas, que trabalha comigo no Link, que “Stereo Love” foi o hit que lançou a carreira do DJ romeno Edward Maya no final do ano passado, em parceria com a DJ e vocalista russa Vika Jigulina. Tão sem graça quanto grudenta, a música tornou-se sucesso de downloads na França (justamente para se tornar ringtone de celular) e depois começou a crescer entre os países da Europa central – Bélgica e depois Suíça, para finalmente, em abril deste ano, ser lançada nos EUA e, finalmente, chegar aos ouvidos brasileiros. A música é sucesso nas rádios dance do Brasil e Vika Jigulina já até veio para cá, quando se apresentou em uma festa no Rio de Janeiro, no dia 10 deste mês.

Três dias antes, o dono do perfil /konelindo no YouTube subia um vídeo que resumia o drama que eu havia começado a sentir. Sem imagens, o clipe apenas apresenta uma tela preta que mostra letras em branco que, aos poucos, formam a frase “eu odeio quem coloca essa música como toque de celular”, seguida da infame sanfoninha de forró dos Bálcãs que vinha me perseguindo. Foi assim, através da Ana, que me passou o tal vídeo, que matei uma dúvida que eu nem sabia que tinha.

Mas o ponto dessa história toda não diz respeito apenas a uma música semidesconhecida que virou sucesso de uma hora para outra, e sim ao fato desta ser usada como toque de celular. Se fosse apenas Stereo Love, já seria motivo para essa coluna. Mas não é só ela.

Donos de celulares que permitem trocar o tom de chamada por músicas muitas vezes nem pensam ao escolher uma canção favorita para ser seu ringtone. Mas se esquecem que aquela música será tocada toda vez que seu celular for acionado – ou se lembram, mas esquecem que aquela música será repetida para todos os que estiverem ao seu redor. E não pense com os seus botões que a música que você escolheu é boa e que seus amigos não ligam. É bem provável que eles liguem sim e comentem sobre a música chata que toca toda vez que o seu telefone toca.

Quer personalizar o toque do seu celular? Escolha uma música discreta e que não seja facilmente reconhecível – o telefone pode tocar em uma reunião com alguém que odeia aquela música, aí já viu…

É só uma questão de etiqueta digital. Nem vou entrar no mérito daqueles que ouvem música no celular sem fone de ouvido (você já deve ter dividido o elevador com um tipo desses). Porque aí não é etiqueta – é só falta de noção mesmo.

4:20

4:20

O jornal deu uma matéria hoje sobre um processo da Procuradoria Geral do Rio de Janeiro contra o Google e o pessoal do caderno Metrópole me pediu para escrever um texto sobre os problemas que o site enfrenta com a lei, no mundo. Olha ele aí:

Problemas da maior empresa da internet são internacionais

É inevitável que a maior empresa de tecnologia do mundo em tempos de internet tenha problemas legais, já que um dos motivos do sucesso do Google – e da internet – é sua natureza transnacional.

O caso mais grave foi no fim de 2009: hackers invadiram e-mails de chineses antigoverno, o que iniciou constrangimentos entre o Google e a China. O episódio culminou com a saída da empresa do país, há pouco mais de um mês.

Na Europa, o carro do Google Street View causa reclamações de invasão de privacidade. Ele registra cenas em lugares privados e, no percurso, poderia coletar dados de redes Wi-Fi.

Outro braço da empresa, o YouTube, é motivo de constante briga. Além das infrações de direito autoral, foi punido por abrigar um vídeo em que estudantes assediavam um autista na Itália. No Brasil, ficou famoso o caso em que a modelo Daniela Ciccarelli quis tirar o site do ar.

Em alguns locais, o problema é com a internet: diversos países – entre eles Turquia e Líbia – interromperam o acesso de seus cidadãos ao Google já que, por meio do site, é possível receber informações indesejadas pelos governos.

4:20

Não é só em tempos de Twitter que a rainha dos baixinhos se atrapalha com o mundo digital. A Bia fez uma matéria comparando a evolução de alguns sites conhecidos (das Casas Bahia ao do Vaticano, passando por UOL, Globo, Madonna e MTV Brasil) e no meio tinha essa comparação entre os medonhos sites que a Xuxa em sua trajetória. Os grifos são da própria Bia.

Of Montreal avisa

O False Priest que vazou não era pra valer:

False Priest – Please Wait!

Please do not listen to the leaked version of False Priest. Some “enthusiastic” person allowed people to listen over Skype to an advance copy he somehow got his hands on, and then one of those people recorded the live stream, and that is the version of the album that has “leaked”. It would be unfortunate enough for False Priest to leak this early, but it’s made even worse by the fact that its an extremely low rez version that is now floating around. Please be patient and wait a couple more months, I promise you it will be worth it.

P.S. This is not a call for someone to leak a better quality version of the album, just thought I should add that:-)

Ah bom. No vídeo acima, o Kevin toca “Tonight”, da cantora folk alemã Sibylle Baier, só ao piano.

Facebook Weirdo

O clipe do Beavis & Butthead foi cortesia do Lucio, que lembrou do trecho ao linkar o trailer final do filme sobre o Facebook, The Social Network, que tem o primeiro hit do Radiohead como trilha sonora. O filme teve como base o livro Accidental Billionaires, uma biografia não-autorizada sobre a criação do site, que deve ser lançado no Brasil em breve (e que, er, foi traduzido por mim :P). Não custa lembrar que hoje foi o dia em que a rede social chegou ao meio bilhão de perfis online.

Vi aqui.