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Digital

O papo no YouPix foi sobre influência nos meios digitais e a TVO conversou comigo, com o PC Siqueira e com o Maurício Cid no vídeo abaixo.

E o comecinho do debate, quando PC Siqueira explicou como se tornou um fenômeno online, foi filmado no vídeo abaixo. O cara tem mais de 200 mil seguidores no YouTube, se você não o conhece, a culpa é sua.

Mais uma vez participo do YouPix, o evento organizado pela revista Pix que discute e apresenta novidades da cultura digital brasileira. Medio um debate cujo título é Os Novos Influenciadores e juntam-se a mim nomes como o Bob Fernandes do Terra Magazine, o PC Siqueira do Mas Poxa Vida, o Marcelo Tripoli da iThink e o Mauricio Cid do Não Salvo. O debate rola no MIS, a partir das 21h, e tem mais informações no site do evento. Apareçam!

E a minha coluna no Caderno 2 de ontem foi sobre os shows de Paul McCartney no Brasil.

Que músicas ele toca?
O mesmo show do Paul

Hoje e amanhã Paul McCartney faz mais dois shows no Brasil, quase vinte anos depois de ter vindo ao País para se apresentar pela primeira vez (dois shows no Rio em 1990 e dois shows em São Paulo e Curitiba em 1993). Mas, se no início dos anos 90 havia uma enorme expectativa sobre o que Paul poderia tocar em seus shows no Brasil, hoje não há motivo para especulação. Basta entrar no site setlist.fm para saber quais músicas que o ex-beatle tocou em todos seus últimos shows desde… 1990! O site, na verdade, reúne até informações sobre apresentações de Paul em 1972, mas desde o início dos anos 90 seu calendário de shows é bem completo.

O setlist.fm usa uma plataforma chamada wiki, que permite que qualquer um edite um texto online – é a mesma utilizada pela enciclopédia colaborativa Wikipedia. É um sistema de publicação que permite que os próprios fãs organizem as informações a respeito de seus ídolos. No caso do setlist.fm, dedicado apenas ao repertório de músicos em shows (e não apenas os de Paul), depois que o fã chega em casa após o show, ele abre um tópico relacionado ao show em questão e lista a ordem de músicas que reuniu. Se alguém escreve algo errado vem outra pessoa e corrige.

Por isso, quando fui assistir aos shows de Paul McCartney em Buenos Aires, na semana passada, já sabia de quase todas as músicas que ele iria tocar nas quase três horas de show. Mais do que isso: além da ordem das músicas, há um script muito bem ensaiado e imutável de show para show. Há a hora em que ele tira o paletó e fala que é “a única grande troca de figurino da noite” ou a homenagem aos dois ex-colegas de banda que já morreram ou as gracinhas que faz com o público. É tudo igual, muda só a bandeira que ele agita ao fim do show.

Mas tudo bem. Afinal foi Paul McCartney quem ajudou a inventar este sistema de música para as massas. Natural que ele queira repetir o mesmo show. Mesmo porque na segunda noite na Argentina, ele tirou da cartola a ainda inédita na turnê Bluebird. Ou seja: ainda cabe espaço para o improviso.

O Homem-Mashup
Você conhece o Girl Talk?

E na mesma semana em que se apresentou pela segunda vez no Brasil (ele encerrou, na noite de ontem, a edição deste ano do festival Planeta Terra), o DJ e produtor norte-americano Gregg Gills, conhecido pelo apelido de Girl Talk, ofereceu seu disco gratuitamente para download no site de sua gravadora, devidamente batizada de Illegal Art. Gills é conhecido por, desde 2006, compor álbuns usando apenas pedaços de músicas alheias – daí o peculiar nome de sua gravadora. Nada do que está no disco foi composto ou gravado pelo produtor, que apenas usou seu computador para misturar pedaços de músicas alheias e compor mais uma longa sinfonia esquizofrênica dentro da estética do mashup, em que canções de diferentes estilos se colidem para gerar músicas novas. All Day, o nome do novo disco, pode ser baixado de graça no site da gravadora (www.illegal-art.net/allday) e se alguém quiser saber todas as músicas que Gills usa no disco, basta entrar no site alldaysamples.com, feito por fãs, para ouvi-lo com a descrição de cada música utilizada para compor seu novo álbum.

Beatles à venda
Os Beatles finalmente chegam ao formato digital, com atraso de mais de uma década

O anúncio veio com menos alarde do que o previsto. Por muito tempo, a Apple brincou com a possibilidade de, em uma de suas já históricas coletivas motivacionais, apresentar a chegada dos Beatles à era digital.

Como dois de seus principais produtos são um aparelho (o iPod) e um serviço (a loja iTunes) que estão diretamente ligados à música, a magistral Mac máquina de publicidade aludia a alguma referência beatle – um trocadilho, uma forma de dispor as palavras – que levava a especulação fervorosa dos fãs da marca e da imprensa especializada a quase sempre cogitar o encontro das duas maçãs mais famosas do showbusiness: a gravadora dos Beatles e a grife de Steve Jobs.

Mas o tempo foi passando e, se negociar com gravadoras e editoras já havia sido um árduo aprendizado para a Apple, lidar com os Beatles foi uma longa novela que durou mais de uma década. Até que, na segunda-feira da semana passada, o site da loja online anunciava que “amanhã seria um dia como qualquer outro. Que você não irá esquecer”.

A única pista dada para o anúncio ser o catálogo dos Beatles em formato digital oficialmente pela primeira vez era elegantemente discreta – e dispunha quatro relógios de ponteiros anunciando a hora em que o anúncio seria feito na terça. O par de ponteiros de cada relógio imitava a famosa capa de Help!, dos Beatles, em que o grupo teoricamente soletra o título do álbum com os braços, usando o alfabeto de bandeira usado em aeroportos (embora, na prática, o que os quatro escrevam com bandeiras seja… NUJV!).

Talvez a discrição no lançamento tenha a ver com o fato de o grupo ter adiantado sua entrada no universo digital no ano passado, ao lançar o game Beatles Rock Band e não ter convidado a Apple para a estreia.

O fato é que, desde a terça-feira passada, mais de dez anos depois do Napster ter permitido que qualquer um baixasse qualquer disco no conforto de seu lar, os Beatles finalmente se dispuseram a lançar seu catálogo no formato digital. São os 13 discos oficiais e a coletânea Past Masters, que reúne as faixas que só saíram em single. E eles podem ser comprados separadamente por US$ 12,99 (US$ 19,99 no caso da coletânea e do Álbum Branco, ambos discos duplos, em CD) ou num só pacote, por US$ 149. A discografia completa ainda vem com a íntegra do primeiro show dos Beatles nos EUA em vídeo. E as faixas podem ser vendidas separadamente, a US$ 1,29.

E mesmo com o atraso, o lançamento pode ser considerado um sucesso, ainda levando em conta o preço das faixas avulsas e o fato de que faz quase 10 anos que dá para comprar a discografia dos Beatles em MP3 em CD-Rs de camelô. Antes tarde do que nunca.

Mashupman

Ilegal de propósito
Desrespeitando os direitos autorais, o produtor Girl Talk lança mais um disco de graça

Exatamente no mesmo dia em que os Beatles colocavam seu catálogo online à venda, o DJ e produtor norte-americano Greg Gillis surgia com um novo disco prontinho para download. E, diferentemente dos discos de John, Paul, George e Ringo, All Day não custa nada para ser baixado – embora o ouvinte seja convidado a contribuir com o lançamento pagando a quantia que achar justa, mesmo que ela seja zero.

O novo disco do produtor, mais conhecido pela alcunha de Girl Talk, segue exatamente o mesmo padrão dos dois trabalhos anteriores, Night Ripper (2006) e Feed the Animals (2008): ele está para download no álbum de sua gravadora (chamada Illegal Art) de forma gratuita mesmo que nenhum dos envolvidos tenha direito sobre as músicas usadas para a composição do álbum. Explico: em vez de gravado, All Day – como os outros discos do Girl Talk – é composto apenas usando trechos de músicas alheias, grande parte delas hits de artistas consagrados.

Justamente por isso ele se tornou uma espécie de símbolo da cultura livre que ajuda a reinventar os conceitos de direitos autorais na era digital. O DJ foi um dos principais personagens do documentário Good Copy Bad Copy e sua entrevista era pontuada por observações do advogado Lawrence Lessig, criador da licença alternativa Creative Commons, que tratava Gillis como exemplo de um artista do século 21 que, se fosse atuar pelas leis do século 20, não conseguiria fazer música. Talvez por isso consiga lançar seus discos sem se preocupar com processos da indústria fonográfica. A menor menção a uma ação judicial contra ele já seria o suficiente para acionar advogados e ativistas da cultura livre e transformá-lo em mártir desta nova realidade. Enquanto isso, ele segue lançando seus discos – e fazendo shows inacreditáveis, apenas com seu laptop.

Vou de brasileira vestindo camisa dos Beatles, que tal. Mirian não é mais da categoria t-girls 2.0, uma vez que é uma típica celebridade de internet brasileira – motivo justamente que a pôs desnuda na Trip. A foto acima é da safra de fotos que não saíram na edição impressa e me foi indicada pelo Louback. Valeu, rapá! Carlão, tua vez.

Beatles digital

Agora foi – e os Beatles finalmente chegaram à era do MP3, oficialmente, nesta terça-feira. Botei os outros comerciais para a TV que a Apple fez no meu blog no Link, vê lá.

E bem na semana em que ele toca no Terra – que timing. Dá pra baixar aqui, por mil jeitos diferentes.

Minha coluna no Caderno 2 neste domingo foi sobre o Scott Pilgrim.

Muito além da MTV
A geração déficit de atenção

Scott Pilgrim Contra o Mundo estreou na semana passada e segue em cartaz em poucas salas, mas vale o esforço para assisti-lo na telona. Baseado nos quadrinhos de mesmo nome, escrito e desenhado pelo canadense Bryan Lee O”Malley, o filme começa contando o cotidiano de uma banda de rock iniciante, com foco em um de seus integrantes, o Scott do título.

Parece que vamos apenas acompanhar o cotidiano trivial de uma turma de universitários largados, mas em pouco tempo a história dá um salto e mexe completamente no ritmo bucólico e entediante daquela rotina.

A história em si – Scott tem que enfrentar os sete ex-casos de uma nova paixão, uma menina de cabelo colorido chamada Ramona – não é grande coisa.

Mas a forma como ela é apresentada talvez faça do filme um dos mais influentes deste ano, principalmente no que diz respeito à estética.

Um tanto dessa culpa vem do próprio quadrinho original, que transforma a briga de Scott com seus rivais em um cenário de videogame em que cada ex de Ramona é o equivalente a um chefão de fase, como nos jogos eletrônicos.

Mas o filme vai além de simplesmente adaptar a linguagem dos games para o cinema, coisa que já foi tentada por vários diretores antes desse filme.

O trunfo do inglês Edgard Wright é usar o videogame como mais um dos elementos para compor uma narrativa moderna, de edição ágil e cortes rápidos, e que fuja do padrão MTV, quase sempre associado a esse tipo de recurso.

O problema é que o formato inventado pela MTV já tem mais de 30 anos – e ainda é associado a uma narrativa “jovem” e “descolada” (adjetivos entre aspas, pois são normalmente ditos por pessoas que não são jovens nem descoladas).

Em Scott Pilgrim, Wright leva esse conceito para linguagens que estão mais associadas à modernidade do que um canal de TV que exibe videoclipes.

É aí que ele injeta os games e a internet como referência. Os jogos são evidentes desde a primeira cena – o logo do estúdio Universal exibido como se fosse um game do Mega Drive – e a internet entra junto com a onipresença atual do texto escrito, em que palavras, termos, frases e listas surgem como links ou tags junto às cenas.

Assim, Scott Pilgrim Contra o Mundo pode parecer rápido demais até para quem é acostumado à linguagem MTV. Talvez porque tenha sido feito mirando em uma geração que, vista de fora, parece sofrer seriamente de déficit de atenção. Só isso já vale o filme.

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