Ótimo saldo da passagem por Floripa, sempre um prazer, resumida na coleção de fotos que as meninas do Donde Estás Corazón?, donas da festa, reuniram no (ótimo) blog, e na reportagem que a Rosielle, da revista Naipe, fez do papo da tarde de sábado. Um trecho:
Às 18h30, o bate-papo sobre os novos caminhos da música digital parecia show de stand up comedy. Sabe-se lá como, os convidados Alexandre Matias, Emerson Gasperin, Fábio Bianchini e Marcos Espíndola conseguiram misturar no mesmo debate temas como profissionalização musical, indústria da música, redes sociais, discos de ouro, funcionalismo público, movimento pós-punk, teoria da cauda longa e Dinho Ouro Preto. Esse último, concluiu-se, adotara o estilo grunge quando o grunge sequer existia e, portanto, merece passar a ser chamado “Dinho, o visionário sem talento”.
Vale ler toda matéria. E valeu Floripa!
O site m ss ng p eces editou um trecho de quase dez minutos de uma entrevista de meia hora de 2006 com o líder do LCD Soundsystem em que James Murphy fala sobre música digital, algoritmos de identificação de gosto musical, o prazer de descobrir música nova simplesmente ao manusear discos e a importância das bandass medianas para chegar às mais importantes (exemplo citado: “Se não fosse o Echo & the Bunnymen eu demoraria para descobrir o Fall”). Dica do Pedro.
Publiquei a entrevista que fiz com o Miami Horror, que toca hoje em São Paulo, na edição de Caderno 2, que comemora 25 anos nesta quarta.
Sem nenhum complexo
“Estamos satisfeito por sermos pequenos”, diz Ben Plant, líder da banda Miami Horror, que se apresenta no Brasil
“Estamos satisfeitos com o nosso tamanho”, explica Ben Plant, vocalista e fundador do grupo australiano Miami Horror, que passa esta semana pelo Brasil em miniturnê. “Não somos uma banda grande, acho que não dá para dizer que não somos nem uma banda média. Somos uma banda pequena, que está em seu primeiro disco, tem alguns singles e remixes conhecidos por um público que é pequeno mas não é minúsculo, o que nos deixa à vontade para tocar uma carreira do jeito que nós queremos e sermos conhecidos fora de nosso país.”
O Miami Horror faz parte de uma cena de dance music que vem mexendo com a paisagem sonora da Austrália há cinco anos. São artistas cuja formação vem tanto do indie rock quanto da música eletrônica, uma cena que misturou alternativas para sobreviver no mercado pós-internet que vinham tanto da cena de rock independente local como da rotina das casas noturnas de Melbourne, principal centro urbano dessa nova safra de bandas. Entre os nomes da mesma geração do Miami estão Bag Raiders, Van She, Midnight Juggernauts, Empire of the Sun e Cut Copy. De todos esses, apenas o último não se apresentou por aqui (vem em junho), numa prova de que o Brasil já se firmou como polo para essa nova dance music da chamada era MySpace.
Mas hoje se o MySpace já não é lá grandes coisas (demissões afetam o portal e especula-se que ele seja vendido para o braço da música corporativa no YouTube, o Vevo), o mesmo não pode ser dito sobre essa geração. São artistas que se estabeleceram mesmo à revelia de uma crise no negócio da música que poderia ter tanto a ver com a chegada da internet e a popularização do MP3 quanto com a má administração econômica dos grandes grupos contratadores de música. Esses fatores fizeram com que uma fábrica de computadores (Apple) se tornasse um dos principais nomes no negócio da música no século 21.
O Miami Horror é um dos milhares de nomes desta geração, artistas que vivem na fronteira da canção tradicional com a cultura DJ, remixando e sendo remixado por outros tantos artistas. Foi graças a dois remixes (da velha “Music Sounds Better With You”, do Stardust, e da nova “Walking With a Ghost”, da dupla Tegan & Sara) que o grupo conseguiu chamar atenção. Sua geração, mais do que viver grudada a um site popular, se espalhava por toda a internet em uma plataforma que surgiu na virada do século, mas ganhou novo formato a partir do meio da década passada: os blogs de MP3. Feitos por amantes de música, eles simplesmente comentavam artistas novos de que gostavam sem o ranço das rádios ou gravadoras.
Os blogs de MP3 funcionam quase como organizadores da nova música na internet. E foi graças a um desses, o IM//UR feito por um brasileiro e uma australiana, que Ben Plant veio ao Brasil pela primeira vez, há dois anos, para discotecar representando sua banda, no já consagrado formato DJ set.
“Devo muito aos blogs de MP3 e ao download indiscriminado da música pela internet”, ele explica. “Tenho certeza de que nem 10% das pessoas que sabem o que é Miami Horror compraram o meu disco, o que, por um lado, é uma pena. Mas por outro, não, porque se dependessem da compra para conhecer nossa música, não estaríamos fora da Austrália e provavelmente não estaríamos vivendo apenas de fazer música. Não vou dizer que não devam fazer isso. Lamento, mas sei que é uma característica desta época.”
A entrevista foi realizada por telefone na semana passada, quando eles terminavam a turnê norte-americana e se preparavam para passar a atual semana no Brasil. Os shows desta semana fazem parte do lançamento do único álbum do grupo, Illumination, do ano passado, que chega às lojas brasileiras este mês pela gravadora EMI.
Pergunto se Ben não vê contradição ao lançar um álbum em uma época que parece ser movida pelos singles, devido ao aspecto viral do MP3, e ele concorda meio a contragosto. “Gosto da ideia de um disco, com uma capa, com um nome, que reúne um número determinado de canções. Pode ser que seja um conceito defasado ou que eu já esteja ultrapassado, mas cresci ouvindo música dessa forma, é assim que quero fazer música e espero que influencie gente a continuar fazendo música assim.”
A banda passou por Porto Alegre ontem e hoje toca em São Paulo em uma festa fechada, em uma casa noturna na Rua Augusta. Amanhã se apresenta no Circo Voador, no Rio, onde toca graças ao financiamento prévio barganhado pelos fãs do grupo – é o conhecido movimento Queremos, que aproveita a vinda de bandas estrangeiras para o Brasil para, reunindo uma quantia mínima de cariocas interessados no show, conseguir trazer a atração para a cidade. Plant elogia a iniciativa: “É mais um motivo para que eu queira estar envolvido nisso, vai ser uma experiência incrível.”
Formada em Melbourne, há quatro anos, o Miami Horror é cria da cabeça de Ben, hoje com 24 anos, que reuniu músicos para dar forma ao seu conceito musical, uma dance music sintética e sinuosa, com elementos da virada dos anos 70 para os 80, quando a disco music se metamorfoseava em house, com elementos de Giorgio Moroder, Prince, Michael Jackson e Electric Light Orchestra, mas atualizando essa linguagem para composições enxutas como as das bandas da geração pós-Strokes. Sua música mais conhecida é “Sometimes”, mas não toca no rádio, embora pareça ter sido feita para isso. Procure por ela no YouTube e confira.
A íntegra do show de sábado, via Nodata. Vai lá.
Quem assistiu ao espetacular clipe de “Friday”, com o Colbert e os Roots, no programa do Jimmy Fallon, se deparou com um súbito QR-Code. Ao ser ativado, ele levava seu espectador para este vídeo online, que por sua vez exibia um novo QR-Code que, por sua vez, levava para este vídeo, que, ao exibir outro destes “códigos de barra para celular”, finalmente, levava para um último (?) vídeo de brinde. E, brincando, o Fallon fez você assistir a alguns comerciais em vídeo online e justificar as gracinhas que o comediante pode fazer em seu programa – seja no site ou na TV. O pequeno problema: todos os vídeos linkados são bestas e não trazem nada demais além de metapiadas sobre o fato de você ter conseguido assistir aos vídeos usando o QR-Code. Piadas tão sem graça que, à luz do espetáculo original que foi o cover inusitado de Rebecca Black, não podem nem ser encaradas como humor.
Cada um tem a sua. Eis uma proposta: aumente o volume e clique em www.definitionofhell.com. Dica do Rodolfo.
Consegue identificar todos?
Via I Raff I Ruse.
Um curta de KookyBone.
Via 9gag.
Minha coluna no Caderno 2 essa semana foi sobre o “Curtir” do Google.
A guerra dos botões
Google copia “Curtir” do Facebook
O início de 2011 tem sido tenso para o Google. Nada que abale sua moral – atualmente. Mas uma série de acontecimentos mexeram com o site mais conhecido do mundo e não há dúvidas sobre o motivo dessas mudanças – chama-se Facebook. A rede social de Mark Zuckerberg não é apenas um Orkut global – mais do que ambiente digital de relacionamento pessoal, o “Feice” (como os brasileiros chamam o site) se tornou uma espécie de território seguro que abriga toda a internet.
As mudanças no Google começaram em fevereiro, quando seu CEO, Eric Schimdt, anunciou que deixaria o cargo em abril, ficando a vaga para Larry Page, um dos fundadores do site. No mesmo mês, o Google também se viu obrigado a mudar seu algoritmo de buscas, pois alguns sites conseguiam entender como trapacear o ranking de páginas oferecido a cada pesquisa, subindo degraus e figurando entre os primeiros resultados.
Na semana passada, o site apresentou mais uma novidade para melhorar suas buscas, um botão chamado “+1”. Após fazer uma busca sobre qualquer assunto e descobrir entre os primeiros resultados obtidos qual é o link que melhor se encaixa à pesquisa, basta clicar o “+1” para mostrar que o link é confiável e que alguém o recomendou.
Familiar? Demais. O botão “+1” é idêntico ao “Curtir” do Facebook, botãozinho mágico que ajudou o Feice a crescer ainda mais no segundo semestre de 2010. Mas por que o Google está copiando o Facebook?
A página inicial do Google pergunta para quem o visita o que ele quer da rede. Isso fazia sentido na virada do século. Hoje em dia, com a tonelada de informações que recebemos, não. Não queremos descobrir coisas novas. Nos anos 10 do século 21, queremos que nos digam o que vale a pena. Eis a sacada do Facebook, que, em vez de perguntar o que quer, oferece dicas de amigos. O Google tenta correr atrás, mas será que o “+ 1” pega?








