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No calar de 2014 Thom Yorke lançou mais uma música nova ao mesmo tempo em que abriu sua conta no Bandcamp.

Segundo Thom, Bandcamp é “menos técnico para algumas pessoas do que o BitTorrent e ele funciona em dispositivos móveis da Apple, incluindo o streaming”. A nova música chama-se “Youwouldn’tlikemewhenI’mangry” – e não custa lembrar que o Radiohead está gravando disco novo para este ano…

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O Kenzo Miura (valeu!) traduziu o quadrinho que Joe Sacco, o autor do já clássico quadrinho-reportagem Palestina, fez sobre o ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo e os limites do humor.

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SOBRE A SÁTIRA – por Joe Sacco

Minha primeira reação aos assassinatos no escritório do Charlie Hebdo em Paris não foi de uma provocação audaciosa. Não me deu vontade de sair por aí batendo em peito e reafirmando os princípios da liberdade de expressão.

Minha primeira reação foi de tristeza. Pessoas foram brutalmente mortas, dentre elas diversos cartunistas – minha tribo.

Mas junto com o pesar vieram pensamentos sobre a natureza de algumas sátiras do Charlie Hebdo. Enquanto pentelhar os muçulmanos possa ser tão permissível quanto cremos ser perigoso atualmente, nunca me pareceu como nada mais do que uma maneira insípida de usar a caneta.

Será que eu posso brincar disso também? Claro, eu poderia desenhar um homem negro caindo de uma árvore com uma banana em uma das mãos – na verdade, eu acabei de fazer isso. Eu tenho a permissão para ofender, certo?

Incidentalmente, você sabia que o Charlie Hebdo demitiu um jornalista – Maurice Sinet, procure por ele – por supostamente escrever uma coluna antissemita?

Então, com isso em mente, aqui está um judeu contando dinheiro nas entranhas da classe trabalhadora. E se você consegue entender a ‘piada’ agora, ela teria sido tão engraçada assim em 1933?

Na verdade, quando a gente ‘desenha uma linha’, estamos ‘cruzando’ outra também. Porque linhas em um papel são uma arma, e a sátira deve cortar na carne. Mas na carne de quem? E qual é exatamente o alvo? E por quê?

Sim, eu confirmo nosso direito de “tirar sarro” – então eis um desenho gratuito de um autêntico fiel fazendo o trabalho de Deus no deserto. Mas talvez quando a gente se cansar de andar por aí com o dedo indicador em riste possamos pensar no por quê do mundo estar do jeito que está.

E no que acontece com o muçulmanos neste nosso tempo e lugar que faz com eles não consigam desencanar de uma simples imagem.

E se a gente responder “Porque existe algo fundamentalmente errado com eles”- certamente existia algo fundamentalmente errado com os assassinos – então deixem-nos leva-los das casas deles até o mar… porque isso seria bem mais fácil do que ficar decidindo como poderíamos encaixar-nos uns nos mundos dos outros.

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Meu broder e sócio nOEsquema Arnaldo Branco deu uma entrevista ao site Livre Opinião em que ele deixa claro sua opinião em relação aos sentimentos gerados a partir do atentado à redação do jornal francês Charlie Hebdo:

““Os cartuns são racistas, retratam os islâmicos como terroristas”. Sim – os que são efetivamente terroristas.Trazendo para o nosso contexto: quando você faz um cartum com um traficante de AR-15 e chinelo, não está chamando todos os favelados de bandidos – você está retratando uma minoria (a Rocinha, por exemplo, tem 200 mil habitantes e é controlada por um bando de 100 caras armados) que efetivamente tem grande efeito na vida da comunidade. Todos conhecem as circunstâncias que levam um sujeito ao crime organizado, mas a prática não é menos odiosa – nenhuma miséria justifica a predisposição para o assassinato, senão muito mais gente estaria formando com os traficantes. Digo isso friamente, sem achar que a pena de morte ou redução da maioridade penal seja a solução pra nada – mas também não vou me compadecer da situação de alguém que acha matar um recurso válido. Quando um bandido morre em uma ação da polícia não sinto pena, mas também não me sinto vingado. Pelo mesmo motivo não senti nenhuma emoção quando a polícia francesa cercou os autores do atentado – nenhum desfecho iria trazer o Wolinski de volta, e quem quer que tome esse caminho de violência na vida entende o próprio assassinato como um revés possível do ofício. Condenar um homem-bomba à pena de morte me parece o cúmulo da inutilidade.

Outra coisa: esses caras do #jenesuispascharlie acham que só eles enxergam as implicações e desdobramentos do atentado, se acham o último farol da humanidade, ficam nas redes sociais exibindo sua pretensa sagacidade, dizendo coisas tipo”será que só eu percebo que o Sarkozy é um hipócrita quando fala em liberdade de expressão?” Não, fera, tem a maior galera que se liga nisso, mas nem todo mundo tem a manha de se aproveitar de uma tragédia pra se sentir especial. O que esses relativizadores estão fazendo é contestar luto em velório.

E pior é esse povo que fica repetindo “não teve toda essa comoção com o massacre tal”, como se fosse um campeonato de tragédia. Geralmente você vai na timeline desse pessoal e tem mais foto de almoço do que solidariedade com os oprimidos.”

Falou e disse. A foto saiu do Instagram dele.

A ilustradora Helen Green comemorou o aniversário de David Bowie este ano produzindo este gif fantástico.

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E ela também publicou os desenhos originais de cada fase representada na animação.

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Um dos primeiros filmes a cantar o revival dos anos 70 ainda no século passado, o excelente Dazed & Confused (abrasileirado como Jovens Loucos & Rebeldes) também foi o primeiro filme de Richard Linklater a ganhar projeção. Muito disso por conta do elenco que ele escolheu para viver a época de sua adolescência, que foi escolhido em testes que agora chegam à reedição caprichada da Criterion. Entre os testes é impossível não destacar o do jovem Matthew McConaughey, que tinha 24 anos em 1993, impagável:

Os outros já rodavam a internet faz tempo, como o de Rory Cochrane…

…o de Wiley Wiggins…

…o de Deena Martin…

…o de Adam Goldberg…

…o de Marissa Ribisi…

…o de Michelle Burke…

…o de Jason London…

…o de Nicky Katt…

…além de dar motivo para dois grandes autores sobre a cultura pop norte-americana escreverem sobre o filme: Chuck Klosterman escreveu sobre sua relação pessoal com o filme e nostalgia em geral enquanto Jim DeRogatis escreve sobre a trilha sonora do filme e a relação daquela história com o rock dos anos 70. Os dois textos estão em inglês.

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O ano mal começou e Pharrell já reativou o grupo em que começou sua ascensão rumo ao topo do pop e voltou a reunir-se com Chad Hugo e Shay Haley para gravar a faixa “Squeeze Me” para a trilha do filme novo do Bob Esponja. A música é bobinha e fica a quilômetros de distância das pérolas do trio, mas só o fato dos três estarem voltando a fazer algo juntos (algo que não acontece desde 2010) já é motivo para comemoração.

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Você já tinha parado para pensar na ciência de arrumar a louça dentro da máquina de lavar? O escritor canadense Joe Clark já – e reuniu num Flickr imagens de inúmeros manuais de instrução destes eletrodomésticos para mostrar a variedade de formas de se arrumar talheres, pratos e outros utensílios de cozinha meticulosamente. Checa lá.

Um planeta celular

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Não lembro quem foi que falou que nem o pior pesadelo de George Orwell cogitaria uma população inteira carregando localizadores que registram a maior parte dos seus movimentos no bolso que espontaneamente filma-se e fotografa-se por puro prazer narcisista. Mas o fato é que os smartphones se tornaram um acessório inseparável da vida no século 21, como esta galeria de fotos reunida pela Atlantic explicita. Nenhuma novidade aqui: é apenas o choque da onipresença de telas e câmeras portáteis em todos os cantos do mundo.

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NWA 2015: o filme

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Ice Cube e Dr. Dre se reuniram novamente para produzir um filme que contasse a história do grupo que fundaram e que virou a história do rap do avesso – e assim o NWA vai pro cinema. Cube é representado pelo próprio filho e o filme, batizado com o mesmo nome de seu clássico e emblemático disco, Straight Outta Compton, é dirigido pelo mesmo F. Gary Gray que tomou conta de outro clássico gangsta, o hilário Friday. Nesta semana, Cube mostrou em primeira mão o trailer do novo filme em um show na Austrália – e ainda bem que tinha um fã com um celular para gravar a pérola.

Cube esteve no ano passado no programa de Jimmy Kimmel falando sobre o filme sobre o punk do hip hop:

E é facinho desse filme lançar uma nova era gangsta – sem contar o fato de servir de inspiração para projetos do tipo. Alô Racionais!

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Maus ventos de 2015 sopram que o mago maestro Lincoln Olivetti já não está mais entre nós. Lincoln Olivetti teria sofrido um enfarto do fim da tarde dessa terça, como já postaram nas redes sociais uma série de amigos e conhecidos do músico, arranjador e produtor, embora não haja uma confirmação oficial.

Lincoln Olivetti é desses raros produtores brasileiros que dominaram a sonoridade de uma época. Bebendo no soft rock do Steely Dan e dos Doobie Brothers, no soul da Filadélfia, nos arranjos suntuosos da disco music e no jazz elétrico dos anos 70, misturando igualmente doses de Quincy Jones e Giorgio Moroder a uma brasilidade reluzente e festiva, no penúltimos dos suspiros de um Rio de Janeiro utópico no imaginário brasileiro. Sua presença musical refletia-se nos teclados elétricos e levadas manhosas de metais, um suingue global rebolado de forma muito brasileira, apesar das críticas da época que falavam em “pasteurização” ou “padronização”, quando, na verdade, era uma clara assinatura musical. Alguns de seus exemplos clássicos falam por si:

Além de seu clássico disco autoral com o guitarrista e parceiro Robson Jorge, de onde saiu sua clássica foto lá em cima:

E a lista vai longe… Muita música boa, uma perda gigantesca pra nossa música. E rola uma história que ele estava com um disco prontinho pra ser lançado…