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Destaque

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Na Galileu deste mês, que já está nas bancas (com duas capas diferentes), falamos que as mudanças que mudarão a cara do mercado de trabalho do futuro já estão virando as profissões atuais do avesso. O Tiago Cordeiro traz uma extensa matéria sobre o futuro do trabalho hoje, para quem está às vésperas de entrar na faculdade ou querendo mudar de ramo depois de anos numa mesma área. Além disso, entrevistei a viúva de Stanley Kubrick sobre a exposição que estréia em São Paulo em homenagem ao diretor, o Rafael Tonon escreve sobre uma cidade que criou um sol artificial, além de explicar o que é gentrificação e como ela está mudando a cara das cidades no mundo todo. A Ana Freitas explica o que é o Wi-Vi, que usa ondas Wi-Fi para ver através das paredes e a Luciana Galastri entrevistou, na Rússia, o papa da segurança digital do país, Eugene Kaspersky. Traduzimos uma matéria da New Scientist sobre mitos da saúde, o Alexandre Rodrigues conta a eterna saga em busca do moto-contínuo, o Carlos Orsi fala de Atlântida e o Diogo Rodriguez sobre armas químicas. A Tatiana de Mello Dias escreve sobre os hackers que querem reescrever a constituição brasileira, o Ramon Vitral entrevistou o brasileiro diretor do filme The Flying Man e falamos da onda de bons filmes de ficção científica no cinema americano (como Elysium, Gravidade, o novo Robocop e o filme que os Wachoswki irão lançar no ano que vem). Ainda há o atlas do grafitti no mundo, o personal trainer dos olhos, uma startup que cuida do tempo que você não tem livre, um brasileiro que inventou uma lâmpada de garrafa pet, um helicóptero movido a propulsão humana, a taxa de poluição de todos os países do planeta, esterco que gera eletricidade, a Copa mexendo com as startups brasileiras, doenças autoimunes e um pesquisador que quer a proibição do boxe e do MMA. Abaixo, a Carta que escrevi no início da edição (e um dos meus salves à passagem de um grande amigo).

Mutações

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AQUELA VELHA MÁQUINA DE ESCREVER: Uma relíquia do século passado, minha Lettera 82 portátil me lembra das constantes mudanças que mexeram na profissão

Sou do tempo em que se fumava em redação. Não cheguei a ver máquinas de escrever em ação, embora tenha minha própria máquina de escrever, em que escrevia os trabalhos na faculdade e os primeiros frilas — a velha Olivetti Lettera 82 repousa hoje solene à entrada do meu escritório em casa (ao lado). Comecei a frequentar redações no momento em que os computadores começaram a invadi-las. Eram computadores com monitor de fósforo preto, terminais ligados a um servidor central da redação. Permitiam que se escrevesse num processador de texto, programado ainda nos anos 80.

De lá para cá, vi a internet entrar na redação, o telex ser aposentado para ser substituído pelo fax, a chegada dos e-mails, o milagre que pareciam ser os primeiros laptops, que permitiam que o repórter escrevesse a matéria entre o fato apurado e a redação. Vieram os blogs, os telefones celulares, as redes sociais e o modem 3G. O filme das fotos foi aposentado, programas de diagramação e ilustração foram substituindo métodos analógicos de riscar páginas.

Estas transformações não foram sentidas apenas no jornalismo. Qualquer profissão foi drasticamente transformada com a chegada dos computadores, da internet e das mídias digitais. Pergunte a qualquer um que, como eu, tenha quase duas décadas de trabalho na mesma área e confirme: o mundo era bem mais tacanho e menos divertido no final do século passado.

Mas essas mudanças não param e, nesta edição, nos dedicamos a mostrar que a natureza do trabalho entrou numa mutação constante, em que poucas coisas são dadas como certas. O repórter Tiago Cordeiro e o redator-chefe Tiago Mali se debruçaram em estudos sobre os profissionais do futuro e o resultado está na matéria de capa, que pode assustar os incautos, mas olha com otimismo para os dias que virão. Pode ser que em pouco tempo eu possa dizer com a mesma naturalidade que abri esta carta que “sou do tempo em que existia redação”. Mesmo porque o cigarro eu já estou disposto a abandonar em 2013.

***

Termino esta carta despedindo-me de um amigo que foi embora cedo. Conheci o carioca Fred Leal (1982-2013) em 1999, quando ele ainda era adolescente e eu tinha 20 e poucos anos e colaboramos juntos tanto online (quando escreveu no site da Play que editava em 2002) e no impresso (quando o convidei para entrar na equipe do Link Estadão que editava). Não colaborou com a GALILEU por pouco e deixa, além da saudade, uma lição de amor à vida. Um abraço, meu irmão.

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

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O comediante Norman McDonald ficou intrigado com o final de Breaking Bad e desenvolveu uma teoria que deixa o final bem mais interessante, veja abaixo (cuidado com os spoilers se você não terminou de ver a série):

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Uma viagem… E como não seria? Afinal Fernando Catatau, Régis Damasceno, Dustan Gallás, Clayton Martin e Rian Batista pareciam ser os candidatos óbvios à tão árdua tarefa – tocar todo o principal disco do Pink Floyd pós-Syd Barrett ao vivo. Este trabalho já havia começado a existir quando o Instituto homenageou Gilmour, Waters, Mason e Wright num show há três anos – contando com os cidadãos Régis Damasceno e Fernando Catatau nas guitarras. E é famoso o apreço da banda cearense pelo grupo inglês, por isso não foi difícil para os Radiolas Urbanas pensarem no show que aconteceu sexta passada no Sesc Santana dentro do projeto 73 Rotações, idealizado pelo site de Ramiro e Filipe.

Mas uma coisa é falar da inevitabilidade (ou obviedade) da escolha, outra coisa é vê-la funcionando. Quem esteve presente no palco do pequeno teatro foi transportado para a dimensão emocional abordada por Roger Waters ao cogitar um disco conceitual sobre o sentido da vida. Tempo e dinheiro, vida e morte, loucura e sanidade – os temas abordados por Dark Side of the Moon eram amplificados pela atuação da banda – além do peso da melodia, dos riffs, dos versos e vocais, havia o fato da maioria do público presente ter assistido a ascensão do Cidadão Instigado na última década, que de banda retirante liderada por um barbudo com jeito de maluco tornou-se um dos principais nomes do pop brasileiro do século 21. Não parecia apenas inevitável (ou óbvio) que o Cidadão pudesse tocar seu disco mais influente e central do Pink Floyd, parecia natural. Uma herança que cruzou o Atlântico e o Equador para renascer nova na zona norte da cidade de São Paulo, tocada por um grupo do Ceará. Uma interseção de valores improváveis que mostrava aos novatos ao disco do prisma (se é que havia alguém ali) as principais referências musicais e conceituais reverenciadas pelo Cidadão Instigado. E o grupo foi feliz tanto ao escolher a cantora Nayra Costa para segurar os vocais de apoio do disco (que fez arrepiar ao assumir a épica “The Great Gig in the Sky”) quanto ao dividir os vocais principais entre as diferentes vozes do grupo. Em vários momentos a importância emocional do Dark Side of the Moon se misturava àquela relativa ao Cidadão Instigado e era possível perceber a união entre público e banda em torno de um sentimento puro – aquele que nos leva a gostar de música.

Foi pura emoção. Um disco cerebral tornado passional ao vivo, que ainda contou com “Have a Cigar”, do disco seguinte, Wish You Were Here, no bis. Esperamos outras aparições deste espetáculo – ou pelo menos outras versões (adoraria ver o grupo tocando o The Wall, “Shine On You Crazy Diamond” ou o subestimado Animals, entre outros).

Fiz uns vídeos e eles estão logo abaixo. A foto que ilustra o post é de Vinícius Nunes e eu peguei no site do Radiola.

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Segura…

Essa capa do Extra de hoje é daquelas que fazem o jornal em papel ainda ter sentido:

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Parabéns ao jornal, que registrou essa vergonha na escala devida.

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O especial que o grupo liderado por Kurt Cobain gravou para a MTV em dezembro de 1993, na íntegra, no YouTube – assista enquanto é tempo (se não der, sugiro que dê um pulo no blog do Bracin, onde ele separou um tanto de outros vídeos do Nirvana):

O setlist segue abaixo:

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Curuma manda avisar que está com clipe novo na área: mais uma bela fatia do excelente Arrocha que ganha uma versão audiovisual – “Afoxoque” é capitaneada pelo ilustrador e animador Vinicius “O Vico” Sanchez, que deu ao clipe esta textura roots. Ficou massa, veja aí:

BreakingBadFelina

O post abaixo contém spoilers:

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foto: Helena Yoshioka

O frio do domingo era perfeito para não sair de casa, porém mais de 70 heróis compareceram ao Neu para prestigiar a primeira SUSSA, a Tarde Trabalho Sujo que começamos a fazer neste domingo. Músicas pra curtir na boa, sem afobação nem adolescência, gente legal e até comida de primeira linha (os hambúrgueres do Bruno fizeram sucesso), como dá pra sacar pelas fotos da Helena, logo abaixo. A próxima acontece no mês que vem – e quando chegar mais perto, dou novos detalhes.

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Não gostei de Cavalo. Ouvi a primeira vez com cuidado, a segunda com descrença e na terceira larguei no meio. Tem boas letras (nada excepcional) e bons momentos (três, sendo que “Maná” destoa muito do resto do disco, e pro bem), mas como disco, ele é morno, frouxo, preguiçoso, frágil. Mas vai que é o disco? Vai que funciona ao vivo? E foi com vários desses “vai que” coçando atrás da orelha que encarei o show de Amarante na quinta-feira da semana passada no Sesc Pompéia.

Quase dormi. De tédio. O show é sonolento e esparso – é o disco encarnado no palco. Não é por falta de talento: Amarante é bom músico, compõe bem, tem presença de palco e está com uma boa banda (metade do Do Amor – Gabriel Bubu e Gustavo Benjão -, um hermano, Rodrigo Barba, na bateria e o Lucas Vasconcellos no teclado), mas há uma timidez forçada, uma vontade de não aparecer, que é oposta às suas qualidades. Tanto que o show só foi engrenar lá pelo final, quando emendou uma versão para um clássico de Tom Zé (“Augusta, Angélica, Consolação”, que teve trecho da letra puxado para o século 21 de Steve Jobs, citando iPods e iPads entre as “outras bobagens” de seu extenso refrão) e atingiu a catarse sonora na ótima “Maná” – a primeira música do disco a dar as caras, ainda no semestre passado, e que driblou as expectativas de quem esperava um disco com mais chacundum.

Antes disso, músicas lentas e arrastadas, contemplativas e vazias, convidavam o público – surpreendentemente morno para um show de um ex-Los Hermanos – a entrar em alfa – mas, no meu caso, só me deu sono. A sensação de relaxamento piora quando Amarante deixa o violão, instrumento que já domina, para assumir sozinho os teclados, dando a impressão de que aprendeu a tocar na semana anterior ao show e que estava satisfeito com qualquer balbucio que cantarolasse sobre determinada seqüência de acordes. Há uma espécie de autodeslumbre que nega admitir-se, o que torna plausível as comparações com a fase Londres de Caetano Veloso, embora sem motivo real além do puramente estético. Caetano ao menos tinha saudade de casa…

Cavalo consagra o primeiro disco de um ex-Los Hermanos como fuga de um populismo natural que sempre incomodou a banda. Resolver não tocar “Anna Julia” nos shows, a estética samba-indie do Bloco do Eu Sozinho e radicalizada no indie-MPB do quarto disco do grupo foram passos diferentes desta negação, que pouco aflige seus pares de geração. Sou, o primeiro de Camelo, afirmou-se propositadamente distante, qualidade felizmente esquecida no segundo disco, Toque Dela. Amarante fez um caminho torto: juntou-se a uma trupe de gringos brasilianistas para lançar-se fora da banda dentro de outra, com o ótimo Little Joy. Mas ao aparecer sozinho, repete o nervosismo do primeiro disco de Camelo e refuga logo à saída – é parecido quando ele pede pra quase que tirar a luz do palco, para não aparecer. Atenção Amarante, você é um artista e está no palco, deixe-se iluminar. O disco – e o show, portanto – isola-se demais em si mesmo e perde-se em rascunhos de canções que até poderiam brilhar com menos falsa modéstia.

Entendo, é o primeiro disco solo, há um peso considerável. Mas é preciso assumir a responsa de ser um artista. Se o caso não for esse, melhor voltar a ser aquele cara que, depois de jantares nos apartamentos dos amigos, sempre assume o violão, canta umas versões e outras músicas próprias, que alguns acham fofo e outros acham chato. Estou no segundo time.

Abaixo, alguns vídeos que fiz do show.

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