
O encontro de Kiko Dinucci e Lucio Maia no Centro da Terra nesta terça-feira mostrou como duas escolas musicais completamente diferentes podem se encontrar, se estranhar e se complementar numa noite de improviso que contrastou os efeitos psicodélicos e paisagens ambient desenhadas pelo guitarrista pernambucano com o violão punk e percussivo do músico de Guarulhos. Enquanto Lucio pilotava sua pedaleira que incluiu até uma inusitada talkbox, Kiko espetava seu violão rústico com pregadores de roupa, pedaços de papel e gravetos, além de cantar – seja em português ou iorubá – canções sobre bases apenas ruidosas. E ao mesmo tempo que pareciam terem vindo de planetas diferentes, se encontravam em complexas camadas de harmonia atonal e melodias esparsas. Bem foda.
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Nesta terça-feira, o palco do Centro da Terra recebe o primeiro encontro de duas lendas-vivas da guitarra elétrica brasileira, quando Lucio Maia e Kiko Dinucci se encontram no espetáculo Arquitetura do Caos. Só os dois e seus instrumentos abrem caminhos para explorar possibilidades musicais inéditas cruzando a linhagem do samba punk noise do jovem mestre de Guarulhos às acrobacias psicodélicas do mestre pernambucanno. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

Sandra Coutinho começou sua temporada Linha do Tempo Contínuo no Centro da Terra voltando para regiões de sua carreira que há tempos não visitava. Ela abriu a apresentação sozinha no palco para logo depois ser acompanhada do casal Edgard Scandurra e Sílvia Tape, que a ajudaram a executar temas compostos no período em que ela morou em Berlim, na Alemanha, na virada do milênio. Depois o baterista Rodrigo Saldanha juntou-se a eles, quando visitaram as composições de Maluf 111, projeto que Sandra e Edgard criaram no início dos anos 80 e fizeram apenas alguns shows, sem nunca ter gravado nenhuma daquelas composições, que ficavam em algum lugar entre o ska e a surf music numa paisagem paulistana poluída daquele período. Depois o guitarrista Tadeu Dias juntou-se ao trio para revisitar o seminal Smack, uma das principais bandas pós-punk do Brasil, que contava com Sandra e Edgard na formação original. Uma noite histórica – e foi só a primeira.
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Imensa satisfação de materializar, nas segundas-feiras de agosto, toda a diversidade musical de uma das principais cabeças da música contemporânea paulistana. A líder das Mercenárias, Sandra Coutinho, apresenta sua temporada Linha do Tempo Contínuo, mostrando as diferentes facetas de sua personalidade artística, sempre acompanhada de novos e velhos parceiros. A temporada começa neste dia 7 de agosto, quando ela mostra primeiro composições da época em que morou em Berlim (entre 1997 e 2004) e outras mais contemporâneas, ao lado de Silvia Tape e Edgard Scandurra para, em seguida, se juntar a Scandurra, Rodrigo Saldanha e Tadeu Dias para visitar temas de bandas clássicas dos anos 80, como Smack e a nunca gravada Maluf 111. No dia 14, ela vem acompanhada primeiro da dupla Espelho (formada pela dançarina Mariana Taques – dança e pelo guitarrista Bernardo Pacheco) e depois apresenta-se com Guilherme Pacola, dos Vermes do Limbo, e Rafael Crespo, guitarra do Herzegovina. No dia 21, ela primeiro divide o palco com Paula Rebellato (que toca equipamentos eletrônicos, teclado e percussão) e Mari Crestani (no saxofone), e depois volta aos tempos do AKT ao lado de Bibiana Graeff, Silvia Tape e Rodrigo Saldanha. Ela finalmente encerra sua temporada no dia 27 convocando suas Mercenárias (com Silvia Tape, Pitchu Ferraz e Edgard Scandurra) para tocar músicas do lado B da clássica banda paulistana. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já podem ser comprados antecipadamente neste link.

E o espetáculo que Laura Lavieri realizou nesta terça-feira no Centro da Terra, por mais que tivesse cânticos indígenas e mantras indianos que justificassem o título da noite (Mântrica), não ficou apenas em repetições e círculos musicais ancestrais e, auxiliada por Estevan Sincovitz, Regis Damasceno e Igor Caracas, ela invadiu o terreno da canção popular e levou essa lógica musical cíclica para clássicos de Cole Porter, Tincoãs, Radiohead, Beatles (e George solo!) e até Can, fazendo tudo correr como parte de um mesmo fluxo criativo, como por exemplo quando enfileirou a eterna “É Preciso Perdoar” com “As Esferas” de Ava Rocha e Negro Leo. Uma noite plena.
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Começamos os trabalhos de agosto no Centro da Terra com uma apresentação que Laura Lavieri criou especialmente para esta ocasião. No espetáculo Mântrica, a cantora e compositora abraça poemas circulares pelas ondas da música, trabalhando elementos que estão ligados à sua produção artística e à forma de relacionar-se com o mundo, como controle, proteção, concentração, expurgo. Nessa imersão musical e terapêutica, ela vem acompanhada dos amigos Estevan Sincovitz, Regis Damasceno e Igor Caracas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda neste link.

Maria Beraldo encerrou sua temporada no Centro da Terra nesta segunda-feira convidando seus compadres Lello Bezerra e Marcelo Cabral para tocar músicas que ela compôs depois do lançamento de seu primeiro disco solo, Cavala, e entre canções feitas por encomenda para outros artistas e estudos de músicas que ainda estão tomando forma, ela burilou seus rascunhos e mostrou o rumo que seu próximo trabalho pode tomar. Algumas canções estão completas (como “Baleia” que escreveu para o Delta Estácio Blues de Juçara Marçal, completamente desconstruída, logo na abertura do show, e “Truco”, composta para o filme Regra 34, de Julia Murat, e a inédita “Ninfomaníaca”), outras estão sem letra (como uma que fez para uma série que pediram uma música “meio Clube da Esquina”), outras têm apenas um trecho e algumas são exercícios instrumentais. Entre as músicas, Maria foi explicando seus contextos e traçando um possível rumo em que elas podem se encontrar num futuro – álbum – próximo. Foi lindo.
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Mais uma noite quente no Picles – e nesta quinta quem começou os trabalhos no Inferninho Trabalho Sujo foi a dobradinha feita pelos shows do carioca Perdido e da pernambucana Lulina, ambos afiados para deixar tudo daquele jeito que a gente gosta. Os dois dividiram o palco ao compartilhar os vocais em uma versão synth para “Fuga pelo Miojo”, do CD-R Aos 28 Dei Reset na Minha Vida que Lu lançou há 15 anos, com sua clássica contagem regressiva para a fervura. Depois, eu e Fran seguimos costurando hits e pérolas feitas pra aquecer a madrugada (e toquei até uma do disco novo da Luiza Lian!).
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Bora tacar fogo nessa quinta-feira que neste dia 27 de julho tem mais um Inferninho Trabalho Sujo não com uma, mas com duas atrações ao vivo. O carioca Perdido abre os trabalhos ainda às 21h seguido da querida mestra indie pernambucana Lulina, que ajudam a aquecer a noite com canções que vão fazer todos arder de emoção. Depois eu e a Fran embebedamos esse incêndio com gasolina porque você sabe que quando a gente se junta a pista entra em ebulição e só termina antes do sol raiar porque a casa tem hora pra fechar (que é um pouco antes do sol raiar, diga-se de passagem). Nossa acabação feliz acontece no querido Picles (no número 1838 da Cardeal, no coração de Pinheiros) e quem chegar antes das 21h não paga pra entrar (se chegar depois é 25 contos, tá sussa, vai). Venha!

Casa cheia para assistir à mutação que o Glue Trip está se impondo a partir deste seu décimo aniversário. O grupo liderado pelo paraibano Lucas Moura contou com a direção musical de Zé Nigro (produtor do disco mais recente do quarteto, Nada Tropical) para amarrar canções de seus quatro discos (três álbuns e um EP) de forma linear e coesa no espetáculo 10 Anos de Psicodelia, que o grupo apresentou nesta terça-feira, no Centro da Terra. A apresentação faz o Glue Trip pensar em sua própria sonoridade a partir desta primeira década. O resultado foi um mergulho lisérgico em canções que bebem tanto da música eletrônica quanto da MPB dos anos 70 ao mesmo tempo em que o tempo todo convulsionam uma transformação musical que parte do envolvimento dos quatro músicos com seus instrumentos, fazendo as canções funcionarem como territórios musicais passíveis de exploração improvisada em conjunto. É o pleno processo psicodélico, quando os horizontes se expandem e deixam os instrumentistas libertos nestes novas camadas atmosféricas em formação. É aquele momento em que a música brasileira funde-se com o jazz, que o rock psicodélico aos poucos se metamorfoseia no rock progressivo e que os limites e gêneros musicais parecem desaparecer. Lucas (guitarra), Pedro Lacerda (bateria), João Boaventura (teclados) e e Thiago Leal (baixo) estão debulhando seus instrumentos e o entrosamento conjunto contagia o público. Resta saber o que a banda pode fazer a partir daí…
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