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Curadoria

A cantora e compositora paulista Tika passou o período pandêmico burilando as canções que se tornarão seu segundo álbum e começa a mostrar os dentes deste seu novo repertório. Para isso, montou uma banda só com outras mulheres para apresentar uma primeira versão nesta terça-feira, no Centro da Terra. Ao lado de Lilian Cueto (teclados), Beatriz Lima (baixo), Caroline Calê (bateria) e Skylar VJ (luz e projeções), ela apresenta o espetáculo Marca de Nascença que, aos poucos, apresenta esta nova fase de sua carreira. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Ordem e caos

Especial esta terceira apresentação da temporada Mil Fitas que Sue e Desirée Marantes estão fazendo no Centro da Terra, pois foi quando elas puderam materializar uma das mais intensas versões da Mudas de Marte Improvise Orquestra, projeto de Sue que, como o nome entrega, abraça a regência de músicos tocando livremente. A técnica de condução do improviso livre é uma bandeira artística levantada pelo maestro e músico Guilherme Peluci, que criou a Ad Hoc Orquestra, que esteve na formação montada pelas duas e regeu uma das três partes da noite, além de explicar o conceito para o público. Além de Peluci, que foi para o clarone quando deixou a batuta de lado, o time reunido por Sue e Desi contava com a voz e a percussão de Paola Ribeiro, o saxofone de Sarine, os beats de Ricardo Pereira, o violino Gylez, a percussão de Melifona, a guitarra de Luiz Galvão, o trompete de Rômulo Alexis, a bateria de Rafael Cab e o contrabaixo acústico de Vanessa Ferreira (além do violino de Desirée e da guitarra de Sue, anfitriãs da noite). Além de Peluci, Alexis e Sue também puderam reger outros dois atos, cada um deles conduzindo a massa sonora para um lugar que, apesar de nascido no improviso livre, está muito mais próximo ao que nosso inconsciente classifica por música, mesmo que num processo individual nascido coletivamente e conduzido por uma única pessoa. Esse equilíbrio entre ordem e caos transforma o que poderia tornar-se apenas em uma maçaroca sonora, numa onda fluida de melodias, ritmos e harmonias espontâneas, num espetáculo mágico e envolvente. Na lateral do palco, Kiko Dinucci também esteve presente mas não fez música, desenhando os músicos enquanto a apresentação se desenvolvia e tendo suas ilustrações projetadas no fundo da apresentação. “Na próxima eu toco!”, ele desabafou no final. Uma noite única.

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Mal chegamos à metade de junho, mas já temos aí a programação musical do Centro da Terra neste mês de julho. A temporada das segundas-feiras fica com Maria Beraldo, que mergulha em conexões afetivas e musicais numa série de apresentações que batizou de Manguezal. Na primeira segunda da temporada, dia 10, Beraldo recebe sua irmã de Quartabê Mariá Portugal para uma noite de improviso livre. Na segunda, dia 17, é a noite em que Maria escolheu para reverenciar Cássia Eller num encontro com Josyara. Depois, dia 24, ela junta-se a Rodrigo Campos abraçando o pagode para finalizar dia 31 com músicas novas que poderão estar em seu próximo disco, tocadas com os compadres Lello Bezerra e Marcelo Cabral. E como julho tem cinco segundas-feiras, a primeira delas, dia 3 de julho, ficou para o encontro dos duos Retrato e Antiprisma que apresentam a noite Reflexvs em que recebem participações diferentes (Raquel Diógenes nas projeções Debbie Hell na performance, narração dpoeta Rodrigo Qohen e synths de John Di Lallo, além de algumas surpresas). No dia seguinte, dia 4, a cantora Tila mostra o que virá a ser seu primeiro álbum no espetáculo Estelar, que conta com a participação de Izzy Gordon. Na segunda terça do mês, dia 11, o músico e produtor pernambucano Rodrigo Cøelho mostra o espetáculo Six Sines, uma performance, que, como ele mesmo descreve, “é um estudo sobre caos e dualidade, baseado no álbum composto sem instrumentos musicais, apenas com seis filtros ressonantes que se auto influenciam”. No dia 18, é a vez do músico, produtor, compositor e sócio do selo Desmonta, Luciano Valério mostrar seu trabalho solo MNTH, em que compõe peças ambient a partir de ruídos e texturas que cria com seus convidados. Às vésperas de lançar o disco Lume Púrpuro, ele testa essas novas composições ao lado de Paula Rebellato, Sarine, Aline Vieira e Nathalia Carvalho. E fechando julho, na última terça-feira do mês, dia 25, a banda Glue Trip, liderada pelo paraibano Lucas Moura, revê sua primeira década de carreira repassando diferentes momentos de sua discografia num novo espetáculo, 10 anos de psicodelia. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já podem ser comprados neste link.

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles pegou fogo e quem foi sabe como foi a temperatura – e a colisão de corpos, tribos e faixas etárias. Mas não vou resenhar minha própria festa e sim me ater à breve e passional explosão de calor que fez o ar do sobrado-resistência de Pinheiros pesar mesmo antes de Sopha Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo subir no micropalco. Num dos últimos shows antes do lançamento de seu aguardado segundo disco, o quarteto lotou a casa e trouxe camadas intensas de emoção sobre novos clássicos que em breve sairão dos shows recorrentes da banda – os quatro cogitavam quais músicas iriam parar de tocar ao vivo a partir do segundo semestre -, todos cantados a plenos pulmões por um público mais jovem do que a própria banda, que por sua vez já é jovem pacas. Depois, eu e a Fran seguimos madrugada adentro transformando o público de um show de rock em uma pista suada de música pop de todos estilos, épocas e nacionalidades em que só uma regra era determinante: botar todo mundo pra dançar. E se você foi ou perdeu essa noite, já anote aí que a próxima é no dia 30 de junho, uma sexta-feira, por isso não tem conversa… Mas antes vai pintar outra festa – o que você vai fazer no próximo sábado?

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Vocês querem festa? Então toma! Nessa quinta-feira inauguro mais um puxadinho da minha zona de influência como parte das comemorações dos cinco anos de vida do sensacional Picles, que acabou de ser reformado e apresenta sua nova cara ao público nesta semana de aniversário. Inferninho Trabalho Sujo é uma festa quinzenal em que faço todo mundo dançar logo depois de uma das atrações da noite, o show de uma banda, essa espécie em extinção. E começo com um grupo exemplar desta nova safra, os queridos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo que acompanho desde antes do primeiro single. Às vésperas de lançar seu segundo álbum, o grupo faz um dos últimos shows de seu disco de estreia e sintoniza a frequência dessa minha nova onda, de fazer o lugar queimar de tanta música. E quem chamei pra ferver a pista é a comadre Francesca Ribeiro, a Fran, que repete a divisão de MP3 que fizemos naquele baile de carnaval no Cortina. O Picles fica na Cardeal, 1838, e quem chegar até às 21h não paga pra entrar (quem chegar depois, paga R$ 25). Bora?

Encerrando a minitemporada Notas e Sílabas nesta terça-feira no Centro da Terra, o trio Atønito recebeu Luiza Lian para uma celebração ecumênica de música e poesia. Como explicou o saxofonista Cuca Ferreira no meio da apresentação, a relação de Luiza com o trio vem desde antes da pandemia, quando ela participou do segundo disco do grupo, Aqui, mas nunca pode cantar a faixa que dividiu com os três num palco – até essa semana. Além de passear pelo próprio repertório e por músicas do Azul Moderno de Luiza (como “Sou Yabá”. “Pomba Gira do Luar” e a faixa-título do disco de 2018), o grupo tocou pela primeira vez a suíte “Sentido”, num improviso em que o sax de Cuca, o baixo de Ro Fonseca, a bateria de Priscila Brigante e a voz de Luiza num amálgama sonoro intenso, uma febre de jazz de culminou a apresentação.

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Só um semitom

Na segunda noite da temporada Mil Fitas que Sue e Desirée Amarantes estão fazendo às segundas-feiras no Centro da Terra, a violinista e produtora Desi tomou conta do palco ao recriar no Centro da Terra o clima de sua garagem estúdio, onde toca com o casal vizinho Carabobina – Raphael Vaz nos synths e vocais e Alejandra Luciani nos synths, efeitos e guitarra-, convidando a violoncelista Fer Koppe para uma hora de imersão em camadas de dream pop com sensações camerísticas. E no espírito de experimentação da temporada, Desi não só tem matado saudade dos palcos com suas próprias músicas, de onde estava distante há tempos, quanto arriscou-se a cantar, puxando um transe a partir de um metamantra: “Parece o Thom Yorke, mas é só um semitom”, cantou repetidas vezes ao piano antes de entrar na parte final da apresentação deste início de semana. A contribuição de Sue desta vez não foi musical e a produtora projetou imagens sobre os quatro músicos no palco, amarrando ainda mais o clima psicodélico e onírico da apresentação.

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Nesta quarta-feira acontece a última exibição de um filme no Centro da Terra antes da realização da edição deste ano do festival de documentários In Edit (cês viram que saiu a programação completa? Depois comento aqui), com quem firmamos esta parceria no início do ano. E para fechar esta fase, o filme escolhido foi Manguebit, de Jura Capela, que conta a história de um dos movimentos mais importantes da música brasileira nos últimos 50 anos, que não apenas lançou a geração de artistas como Chico Science & Nação Zumbi, Otto, Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio e Karina Buhr, como influenciou cenas locais de todo o país a valorizar a sua própria cidade. Com entrevistas com todo mundo que esteve envolvido com o movimento e cenas de arquivo maravilhosas, o documentário é uma introdução perfeita àquela transformação cultural e o melhor documento sobre aquele período já feito. O filme começa a ser exibido a partir das 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo: Continue

Depois do pesadelo

A primeira apresentação da minitemporada que o Atønito está fazendo no Centro da Terra não apenas brincou com comunicação na música instrumental (como é a premissa dos dois shows, batizados Notas e Sílabas), como também apontou para os novos rumos do trio formado por Cuca Ferreira, Ro Fonseca e agora Priscila Brigante. Como explicou o saxofonista no meio do show desta terça-feira, o grupo foi fundado em 2016, quando começamos a entrar no pesadelo que assolou nossos últimos anos e sua motivação artística era uma resposta à carga pesada desses dias, o que deu a tônica da primeira metade do show, impecável. A segunda metade parte de uma nova fase do grupo, que passa a compor sem o clima trágico dos anos passados e para isso convidou o guitarrista Lucio Maia para juntar-se ao grupo e inspirá-lo para novos horizontes. E na semana que vem quem conduz a segunda parte do show é Luiza Lian.

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Quem toma conta das próximas terças-feiras no Centro da Terra é o trio instrumental Atønito, formado pelo saxofonista e pelo baixista Ro Fonseca e que agora conta com a baterista Priscila Brigante como convidada. Os três brincam, em duas terças-feiras, com os limites da música sem voz e sua capacidade de comunicação na minitemporada Notas e Sílabas, em que a cada apresentação convidam um artista diferente para desbravar este questionamento: na primeira terça-feira, dia 6, o convidado é o guitarrista Lúcio Maia e na semana que vem, no dia 13, quem sobe ao palco com o trio é a cantora Luiza Lian. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.