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Curadoria

Depois de transformar o palco do Centro da Terra em pista de dança, Juliana Perdigão misturou música e imagem com sua comadre Ciça Lucchesi, com quem já fez várias apresentações. Mas nesta terça-feira, segunda noite de sua temporada Em Caráter Experimental, elas ressuscitaram o projeto Versom, em que ambas mesclam suas disciplinas específicas num espetáculo sinestésico de altíssimo nível. Mais do que simplesmente improvisar conjuntamente, elas apresentaram módulos de som e imagem que funcionavam, ao mesmo tempo, como clipe e canção – muitas vezes distanciando-se do formato tradicional desta última para trabalhar novas criações em durações de tempo específica, mostrando possibilidades diferentes para o casamento da música com o cinema. A imagem era projetada na tela de cinema do teatro, enquanto as duas, às vistas do público na coxia da primeira fila, iam trabalhando com seus instrumentos o que víamos na tela, que passava de fotos de São Paulo a abstrações geométricas. O ponto alto da apresentação foi quando Juper subiu ao palco para tocar “Crack pra Ninar” de Kiko Dinucci seu clarinete em frente à tela, enquanto Ciça fazia um holofote às avessas com a imagem, antes de entrar no poema “Só Com Muito Vento” de Bruna Beber e outras duas instrumentais próprias que acabaram de levar todos para uma outra dimensão. Foi incrível.

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A tensão de uma semana pesada pairou no início do Inferninho Trabalho Sujo desta sexta-feira no Picles, como bem diagnosticou João Pedro Haddad do Eliminadorzinho, logo no início do show que abriu a noite – e o próprio baixista logo reforçou que a noite era pra desanuviar aquele clima pesado com o que o trio sabe melhor fazer: muito barulho. Mostrando músicas de diferentes discos – com ênfase no mais recente, Eternamente, do ano passado -, os três meteram o dedo na tomada desde o primeiro minuto, mostrando porque são uma banda de guitar rock da estirpe do indie rock dos EUA antes do Nirvana, ecoando Hüsker Dü, Dinosaur Jr., Sebadoh e, claro, Sonic Youth. É impressionante como o som da banda cresce ainda mais ao vivo, principalmente a partir do entrosamento redondinho entre o baixo de João Pedro, a guitarra de Gabri Elliott e a batera de Thiago Schützer, todos revezando-se nos vocais de cada música. Além de terem contado com a participação Nickolas Marchioretto no início do show, a apresentação ainda contou com um momento emocionante em que a guitarrista falou do peso da paranoia de um futuro governo fascista cai sobre todos nós, mas mais especificamente em seu caso, como mulher trans. Showzaço que lavou a alma de todos os presentes.

Depois do Eliminadorzinho, a Nevoara seguiu a noite com suas canções dramáticas que equilibram-se entre o math rock, cortesia do entrosamento entre a guitar heroine Duda Freitas e o baixista Felipe Mollo, e o emo, escancarado nas melodias cantadas pela vocalista Laura Mendes, todos firmes pelo pulso ditado pelo baterista Vitor Gonçalves. Com um entrosamento igualmente elétrico, o quarteto passeia por músicas que podem soar tão melódicas quanto pesadas, bebendo também no rock alternativo dos anos 90, do grunge em diante. O público cantava as músicas junto com eles, mesmo as que ainda não foram lançadas e devem compor seu disco de estreia, mostrando que a banda está no caminho certo.

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Em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles, trago duas bandas pela primeira vez no palco da festa: o barulhento Eliminadorzinho e a eletrizante Nevoara. Os shows começam a partir das 22h e se você pegar o ingresso antes e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Depois dos shows sigo discotecando na festa… Vamos? Pega os ingressos aqui.

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Ecos do futuro

É muito bom ver como um estilo musical criado a partir da negação de uma revolução estética conseguiu criar referências sonoras profundas que atravessaram décadas erigindo a fundação de um novo gênero musical. O pós-punk, que surgiu a partir da reinvenção do punk do final dos anos 70 por artistas ingleses tão diferentes quanto Joy Division, Fall, Cure e Public Image Ltd., entre outros, segue firme e intacto em artistas como a banda paulistana Inês é Morta, que apresentou seu próximo disco, Sala de Espelhos, em primeira mão no Centro da Terra nesta terça-feira, trazendo ecos de um futuro próximo. Todos os preceitos musicais básicos do gênero encarnam-se perfeitamente na atmosfera musical conduzida pelo pulso firme do baterista Danilo Grilo, o baixo cavalgado constante de Lucas Jimenez, a guitarra ruidosa, rítmica e melancólica de Daniel Lima e a voz grave e soturna, além da presença de palco cativante de Camila Kohn, que ecoam não apenas o clima apocalíptico oitentista das bandas originais do gênero como de seus pares contemporâneos paulistas, como Mercenárias, Voluntários da Pátria, Fellini, Akira S & As Garotas Que Erraram e Smack, com letras que combinam com esses dias pesados que atravessamos em 2026. A banda encerrou a noite de músicas inéditas com “Dias de um Futuro Esquecido”, primeiro single do novo trabalho, que estreia na próxima sexta-feira e abre uma sequência de novas canções que, até o fim do ano, pavimentam o caminho para o novo disco da banda, que deve ser lançado ainda no mês de janeiro. A pedidos, voltaram prum bis não combinado com o hit “Noite Vazia”, uma das faixas de seu EP Abismo, de 2019.

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Na primeira terça-feira de outubro, a banda pós-punk paulistana Inês é Morta estreia no palco do Centro da Terra mostrando músicas do trabalho que vêm finalizando. Batizando a apresentação com o mesmo nome deste futuro disco, Sala de Espelhos traz o grupo refletindo sobre a sensação de presente contínuo que atravessa nossos dias, ao mesmo tempo em que cantam sobre a desconexão entre pessoas, natureza e contexto social. Para esta apresentação, o grupo formado por Camila Kohn (voz), Daniel Lima (guitarra), Lucas Jimenez (baixo) e Danilo Grilo (bateria) conta com a participação de Fidelis Costa (teclados e guitarra base). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Palco/pista

O público que chegou no Centro da Terra nesta segunda-feira para assistir ao início da temporada Em Caráter Experimental que Juliana Perdigão, agora assinando como Juper, estranhou não ser direcionado para as poltronas do teatro e sim para o palco. Lá chegando, aos poucos foram entendendo que o show já havia começado e que, à medida em que a audiência entrava e via Juper e Dudu Tsuda (assinando como DJ Shima) soltando loops e beats em cima de synths, teclados e computadores (com o clarinete da dona da temporada temperando a eletrônica) sob um globo de espelhos, que transformava o palco do teatro numa pista de dança. Mas passado o estranhamento inicial, que fez o público ficar paralizado como se estivesse entrando numa instalação artística (com as luzes sempre fantásticas do Paulinho Fluxuz), logo as pessoas começaram a dançar e entraram no clima da recém-lançada dupla Kombini, que deve fazer mais pistas em breve. E isso foi só o início da temporada…

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Maior satisfação trazer Juliana Perdigão – ou Juper, como assina desta vez – para tomar conta das segundas-feiras de outubro no teatro com sua temporada Em Caráter Experimental, em reúne-se a cada apresentação com alguém diferente para testar processos no palco a dois. A primeira delas, neste dia 5, chama-se Kombini, em que apresenta-se ao lado de Dudu Tsuda (que apresenta-se como DJ Shima), transformando o palco do teatro em uma pista de dança pra exorcizar as energias ruim em movimento. Nas semanas seguintes, ela traz primeiro o projeto Versom, ao lado dos visuais de Ciça Lucchesi (dia 13, porque dia 12 cai num feriado), depois a noite Sung Songs, ao lado de Gustavo Infante e finalmente no Passeio Macio, no final da temporada, quando toca ao lado do conterrâneo mineiro Davi Fonseca. Os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra e os espetáculos começam pontualmente às 20h.

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Chama comunidade

Mais um Chama pra conta e cada vez mais o festival caminha para o que eu e o Arthur vislumbramos quando pensamos num evento voltado para bandas que estão começando a colocar a cabeça pra fora da água por conta própria. Artistas que, seguros da própria musicalidade (sempre única e própria), dispõe-se a mostrá-las para um público disposto a descobrir novidades, justamente por saber que este é um espaço para abrir-se para o desconhecido. E ao tornar o convite para outros artistas participar de cada um dos shows reforça cada vez mais o que percebemos desde antes da primeira edição, no final do ano passado. Não estamos falando de cena, de sucesso, de fama ou de dinheiro – e sim de realização pessoal coletiva, muito mais do que individual. É a formação e a fomentação de uma comunidade, de artistas que descem do palco e conversam com o público e ficam para ver os outros shows, misturando-se e tornando-se eles mesmos público de outros artistas. E o público em si nem é só público, mas formado por artistas de outras áreas, sempre querendo ver o que outras pessoas estão fazendo. Então mais do que showzaços da Jambu, Boasorte, Pedro Lanches, Vinco, Possanti, Unhas e Dentes, Caruma e Technobalde (todos com excelentes participações), o que vimos neste sábado em véspera de eleição (e que eleição!) e tão bem verbalizado pelo Gabriel Mar, vocalista da Jambu, e pela Ingrid Rocha, vocalista da Boasorte, é como estamos juntos neste mesmo barco e poder viver para fazer arte é um privilégio que deveria ser estendido a todas as pessoas. Noitaça que já nos faz pensar em quando será nosso próximo encontro…

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Vamos à quarta edição do festival, que acontece mais uma vez na Casa Rockambole, no dia 3 de outubro. Desta vez teremos mais uma safra de novas bandas que estão em ascensão na cena independente brasileira desfilando pelos dois palcos da Casa Rockambole, em mais uma parceria entre A Porta Maldita e Inferninho Trabalho Sujo. Nesta edição teremos Unhas e Dentes, Possanti, Jambu, Boasorte, Technobalde, Pedro Lanches, Vinco e Caruma trazendo indie rock, pós-rock, techno, MPB, jazz, rock, shoegaze, math rock e emo para os dois palcos do festival. Os ingressos já estão à venda e quem comprar antes paga mais barato.

Dez anos no palco

O Oruã começou as comemorações de seu aniversário de dez anos em grande estilo nesta terça-feira, quando seu integrantes Lê Almeida, Bigú Medine, João Casaes e Ana Zumpano repassaram músicas de diferentes álbuns, sempre mantendo a linha entre o krautrock, o indie rock, a psicodelia e o noise em canções entoadas pela voz marcante de Lê, que, nesta apresentação, contou com as participações de outras vocalistas, como Grisa (que desta vez só tocou theremin), Laura Lavieri e da poeta Marcela Mara, que encerrou a noite que ainda teve os monitores de Danilo Sansão e balões sobre as cabeças da banda expandindo ainda mais a consciência desta primeira década do grupo do Rio de Janeiro. Muito bom.

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