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Curadoria

A Tubo de Ensaio soube realmente como aproveitar a enorme tela de cinema sobre suas cabeças no show que fizeram nesta quinta-feira no Cine Belas Artes dentro de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que venho fazendo no local. Ao convidar o videocientista Gibaa para tomar conta da parte visual da noite, aproveitou o apreço deste por televisores decanos para criar o espetáculo TV de Tubo, em que estes aparelhos funcionavam como decoração e acessórios à tela principal, que ele manipulava imagens do grupo feitas simultaneamente como aquele efeito VHS vintage. Mas mais do que voltar no passado, Gibaa acertou ao experimentar abstrações visuais retrô que caíram feito uma luva com a progressão hipnótica de canções que o grupo escolheu para fazer na apresentação, deixando músicas mais intensas e pesadas do repertório de fora para garantir um transe lento que aos poucos foi comendo os cérebros dos presentes, boquiabertos e transfixados, quase sem pegar o celular para registrar o que estavam vendo. Um passo importante que o grupo de prog psicodélico eletrônico dá em sua carreira, preparando terreno para o sucessor de seu disco de estreia lançado no ano passado, Endofloema. Quase não mostraram músicas novas, mas mostraram o clima que querem conduzir seu público – uma delirante escada espiral que desce ao mesmo tempo que parece subir. Música surrealista.

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Nesta quinta-feira temos mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes com a banda Tubo de Ensaio mostrando o espetáculo TV de Tubo que conceberam para fazer no próprio cinema! A apresentação começa às 20h30 e os ingressos estão quase acabando, corre que ainda dá pra garantir lugar nesse showzaço que eles vão fazer – aquele momento em que o rock progressivo, o rock psicodélico e a música eletrônica encontram-se com a sétima arte, com visuais a cargo do Giba. Dá pra comprar na hora, na bilheteria, mas corre o risco de não ter mais, por isso corre!

Luíza Villa e GabirotoX colidiram suas carreiras nesta terça-feira no Centro da Terra no espetáculo Só Mais Uma Vez, que apresentaram pela primeira vez depois de quase um ano de relacionamento – artístico e pessoal. E a apresentação foi como assistir à lenta fusão destas duas personalidades: o guitarrista GabirotoX acompanhado de seu pai, o baixista João Monteiro, e o compadre Pietro Benedan, que também é baterista do grupo Naimaculada, enquanto Luíza veio com o mesmo Pedro Abujamra que faz parte de sua banda Orfeu Menino nos teclados e o percussionista Jorge Bento, com quem já tocou em algumas apresentações. E foi quase didático a evolução da apresentação, à medida em que reconhecíamos as músicas do guitarrista, com viés clássico do rock e fortes pitadas de Raul Seixas, e as de Luíza, com os dois pés na MPB dos anos 70. Os dois chegaram ao equilíbrio perfeito de suas influências quando cantaram juntos o último número da noite, abrindo vozes numa balada folk que ecoava as raízes folk rock dos ídolos de Gabiroto e a presença de Joni Mitchell no trabalho de Villa. A pedidos, voltaram para um último número, visitando “Escrito nas Estrelas” de Tetê Espíndola, com o guitarrista citando o clássico solo do recém-falecido Carlini em “Ovelha Negra”, do Tutti Frutti. Agora começou!

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Maior satisfação em receber nesta terça-feira o encontro de dois novos talentos da cena de São Paulo num show conjunto, quando os incansáveis GabirotoX e Luíza Villa misturam influências e repertórios pela primeira vez no mesmo palco, mostrando inclusive músicas compostas a dois. O espetáculo Só Mais Uma Vez também reúne instrumentistas que acompanham os respectivos trabalhos solo dos dois, como o tecladista Pedro Abujamra e o percussionista Jorge Bento do lado de Luíza e o baixista João Monteiro e o baterista Pietro Benedan do lado de GabirotoX, enquanto os dois dividem vocais e violões à frente do grupo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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…mas não falha

Confia que vem: assim foi o começo da temporada que a mineira Sara Não Tem Nome está fazendo nas segundas de agosto no Centro da Terra, quando finalmente pode reunir um de seus vários projetos paralelos pela primeira vez no palco. A estreia ao vivo de seu grupo Tarda acontece seis anos após o lançamento de seu único disco, lançado no infame 2020 pandêmico que nos confinou sem shows por quase dois anos seguidos, e com mudanças na formação – a entrada do baterista Wallace Schmidt no lugar de Julia Baumfeld, que acaba de ser mãe e não pode comparecer à estreia, sendo lembrada na estampa de uma camiseta vestida num dinossauro inflável num dos cantos do palco (este assinado pelo quinto integrante da banda, o cenógrafo Randolpho Lamonier). A espera por este momento ainda foi temperada por minutos de espera para a banda subir ao palco, instaurando uma tensão levada por toda a apresentação, em que o grupo não trocou palavras com o público, esticando-a em transições entre as músicas que levavam mais tempo que o normal porque seus integrantes trocam de instrumentos constantemente. Mas a liga criada pela mistura dos talentos de Sara (entre vocais, sintetizadores, baixo, guitarra e bateria), Paola Rodrigues (entre synths e vozes, muitas vezes loopadas), Victor Galvão (entre baixo e guitarra) e Wallace (da bateria para a guitarra), aguçou o clima de fim de mundo instigado pela execução da íntegra do disco bilíngue Futuro, indo do pós-punk ao noise e por experimentos eletrônicos, e deixando a sensação de desesperança e melancolia crescer intensamente junto com o volume do som. Uma ótima estreia para uma temporada promissora.

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Imenso prazer em receber a mineira Sara Não Tem Nome para ocupar as segundas-feiras de agosto no Centro da Terra com a temporada que, como seu pseudônimo, é batizada de Não Tem Nome. São quatro facetas diferentes desta multiartista e a primeira delas, neste dia 10, conta com a primeiríssima apresentação de seu grupo Tarda, formado por Sara, Julia Baumfeld, Paola Rodrigues, Randolpho Lamonier e Victor Galvão, que lançaram seu único disco, chamado Futuro, no infame 2020, o que os impediu de fazer quaisquer apresentações ao vivo, que finalmente se materializa nesta temporada. Depois, no dia 17, ela recebe Lorena Hollander, Marina Mole e Vladimir Safatle para uma noite que fala sobre magia, sombras e assombrações. No dia 24 de agosto ela mostra outro de seus grupos paralelos, este criado este ano, chamado Cachorro Pessoa, em que reúne-se com Carime Elmor, Clara Castro, Wallace Schmidt e a dupla Elisa Moreira e Victor José (do Antiprisma), para celebrar a amizade e fidelidade canina com canções feitas para estes animais. A temporada termina no dia 31, quando ela recebe Luiza Brina, Marcelo Callado e Beto do Teatro Oficina para experimentar sobre as músicas de seu disco mais recebe, chamado de A Situação. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Refinada e moderna

Curioso – embora pouco improvável – Sofia Freire mencionar o conterrâneo e contemporâneo Vítor Araújo em sua primeira apresentação no Centro da Terra, ao dizer que começou a pensar em tocar no teatro quando assistiu a uma das apresentações da temporada Mercúrio que o pianista fez naquele mesmo palco em julho de 2018 – e justamente após o assombro que foi a apresentação de Vítor por três datas no Sesc Pinheiros, ao lado da Orquestra de Câmara da USP. Habitando o mesmo espaço entre a música erudita e a música eletrônica que viu o colega crescer, Sofia estreou no teatro no extremo oposto – estético e formal – do pianista, ao subir no palco sozinha apenas com seus aparelhos eletrônicos, que preferiu assumir como Traquitanas (título desta apresentação) do que chamá-los por nomes em inglês, disse, tirando onda com palavras como “gadgets” ou “hardware”. Às vésperas de entrar em mais uma turnê internacional, ela experimentou este formato extremamente solo para cutucar sua natureza mais sintética, disparando loops, beats e efeitos enquanto abraçava a natureza artificial desta sonoridade de forma orgânica e intensa – até se afeiçoando com o timbre do teclado DX7, já tornado clássico. Assim, ela conduziu o público para um recital que poderia ser um live P.A., passeando por músicas de seus discos anteriores, visitando uma canção da conterrânea Izaar e outra de Björk (a quem chamou de “mãinha”), além de soltar duas músicas de seu próximo disco, ainda em gestação, e fez um espetáculo complementar ao que Vítor fez anteriormente, mostrando que a antiga nova geração da música pernambucana já vive sua maturidade que, embora criada com o solo adubado pelo mangue beat, soa refinada e moderna, sem perder o vínculo natal. Muito fina.

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Imenso prazer em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a pernambucana Sofia Freire, que apresenta um espetáculo solo ao lado dos instrumentos eletrônicos que comanda e que batizam esta apresentação. Traquitanas é um show em que a cantora, compositora, musicista e produtora mostra o repertório de seus mais de dez anos de carreira experimentando um formato com o qual irá passear mais uma vez pela Europa, dessa vez sem o acompanhamento de outros músicos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Vôo solo

João Denovaro colocou suas próprias canções para além de sua terra no início da programação de música de agosto no Centro da Terra, quando abriu o mês nesta segunda mostrando seu espetáculo Circunstâncias Inacreditáveis. Ele começou a noite sozinho no palco, alternando entre o violão e a guitarra, e aos poucos convidando diferentes amigos que tornaram menos autocentrado seu vôo solo para além dos palcos soteropolitanos. O baixista do Tangolo Mangos contou com a presença de dois compadres de banda – o percussionista Bruno Fechine, que neste show tocou violão, e o guitarrista Felipe Vaqueiro – que vieram em momentos diferentes da noite para voltar no tempo e no início de suas amizades, tocando canções com mais de dez anos de existência (ou mais ainda, ao evocar a jovemguardística “Diana”), além de músicas de seu próprio conjunto. As participações da noite foram encerradas com a presença da vocalista dos Pelados Manu Julian, que foi acompanhada por Deno em sua própria “E Aí, Beleza?”. Mas quando estava sozinho no palco é que o músico encontrava sua essência para além dos Tangolo Mangos, seja fazendo o público repetir como um coral um refrão que não conhecia ou transformando uma URL de internet em base rítmica para desdobrar uma questão afetiva sobre venda de merchandising de artista (em uma espécie de mutação século 21 para o “Jingle do Disco” do conterrâneo Tom Zé), sempre usando seu instrumento como arma e escudo ao mesmo tempo, seja em riffs frenéticos, em solos assertivos ou em harmonias precisas.

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Imensa satisfação em receber em São Paulo pela primeira vez o espetáculo solo do baiano João Denovaro no palco do Centro da Terra. O baixista e vocalista dos Tangolo Mangos apresentou-se sozinho apenas duas vezes em sua cidade-natal e agora vem para o palco paulistano apresentar o espetáculo intimista Circunstâncias Inacreditáveis, quando convida seu colegas de banda Felipe Vaqueiro e Bruno Fechine para participações na apresentação. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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