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Curadoria

É muito ver uma banda crescer e é nítido perceber como cancha de palco e a convivência mútua contínua fizeram a Boia tornar-se um dos melhores segredos da nova cena paulistana. Com os dois pés fincados na MPB, o sexteto se conheceu na Unicamp e há pouco mais de um ano assumiu o primeiro show autoral, quando ainda traziam na manga versões para músicas de Moacir Santos e Hermeto Pascoal. De lá pra cá, não só azeitaram melhor o próprio repertório como lançaram um primeiro EP e consolidaram sua reputação em shows contagiantes. Mas ao tocar nesta quinta-feira numa das salas do Cine Belas Artes dentro de mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta que realizo no local, eles deixaram o clima de festa em segundo plano para abraçar a atmosfera da sala de cinema, temperada pelos visuais assinados por Rosa Albergaria, preferindo quase não conversar com o público, que lotou a sessão. E assim, sem conversa entre as músicas e exercitando os silêncios que os shows que normalmente fazem não permitem existir, o flautista e saxofonista Renato Quirino, o guitarrista Murilo Costa Rosa, o baixista Murilo Kushi, do baterista João Decco e os principais compositores e vocalistas Leo Bergamini – que também toca violão – e Luli Mello usaram aquela apresentação como uma espécie de marco final de uma primeira fase do grupo, entre a indecisão sobre como assumir uma assinatura musical própria à consolidação desta mesma, materializada com música ao vivo. Já andando com as próprias pernas, a Boia parece pronta para um próximo salto: o primeiro álbum. Está tudo ali.

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Vamos à mais uma sessão de música no cinema, quando faço mais uma edição da noite Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes, desta vez trazendo a banda Boia, que preparou o espetáculo audiovisual Viajante Marginal, que fará no dia 24 de setembro. Formada em Campinas, a banda conta com Luli Mello (vocal), Murilo Kushi (baixo), Leo Bergamini (violão), Murilo Costa Rosa (guitarra), Tato Quirino (sopros) e João Decco (bateria) e acaba de lançar seu primeiro EP, que ganha uma camada audiovisual graças às intervenções da artista Rosa Albergaria. Os ingressos já estão à venda.

Valendo, Danislau!

Valendo! Danislau começou a colocar sua carreira solo em público nesta terça-feira, quando mostrou, pela primeira vez para além de seu círculo de amigos, as músicas que formarão seu disco de estreia para além de sua banda original, Porcas Borboletas. Ele bolou um repertório composto por letras faladas e refrães cantados em coro e o executou com uma bandaça para acompanhá-lo, formada pelo produtor do disco Arthur Kunz na bateria, o baixista Gabriel “Bubu” Mayall, o guitarrista aMoita Mattos e o tecladista Wagner Bernardes. Ao seu lado, por quase todo o show, Bruna Lucchesi fazia as vezes dos vocais de apoio, cantados depois que Danislau encarnava um Fausto Fawcett otimista, mesmo quando estava cantando sobre os perrengues da vida. O show ainda contou com uma participação impagável de Juliana Perdigão – com quem o protagonista dividiu um diálogo carnavalesco -, outra romântica de seu companheiro de Porcas Enzo Banzo e um momento introspectivo com o cineasta Filipe Franco na guitarra, materializando o sonho conversado com o qual Danislau tem trabalhado desde o fim do ano passado. Agora é esperar pelo lançamento do disco, que será no ano que vem!

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Imensa satisfação receber mais uma vez Danislau no palco do Centro da Terra, desta vez apresentando o início de sua carreira solo – mesmo que continue no lendário Porcas Borboletas. Nesta terça-feira, ele começa a mostrar o que será seu primeiro disco solo Não Me Leve a Mal, previsto para ser lançado no próximo ano e que ele está gravando à frente de uma banda formada por Arthur Kunz (bateria), Gabriel Mayall (baixo e guitarra), Moita Mattos (guitarra e voz), Wagner Bernardes (teclado), além de ter participações de seu compadre de banda Enzo Banzo, do formidável Rafael Castro, da mestra Juliana Perdigão e da excelente Bruna Lucchesi. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Beats latinos

Em mais uma apresentação dentro de sua temporada Coexistência, que está fazendo nas segundas de setembro no Centro da Terra, Sandra X convida o companheiro e parceiro musical Craca Beat para recriar no palco do teatro o espetáculo Terra Tremesse, em que entre beats e loops disparados pelo produtor – que também toca guitarra e controla a projeção mapeada -, mergulha num universo dançante da América Latina em que forró, guitarrada, reggae, carimbó, lambada, funk e cumbia se encontram entre timbres eletrônicos. Acompanhados dos vocais e percussões de Rafa Ella Voa e das flautas de Gil Duarte, os dois ainda receberam a cantora Luiza Lian ao final da apresentação, que cantou sua “Pomba Gira do Luar” antes de encerrar a noite agradecendo à dupla que inspirou seu trabalho ao lado do produtor Charles Tixier e cantando “Oxossi”, do trabalho apresentado nesta segunda.

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Linda demais a homenagem que Caio Colasante e Carol Maia fizeram ao ídolo e mestre Jards Macalé nesta terça-feira no Centro da Terra, dando início a um trabalho em dupla que reúne o guitarrista paulista e a cantora carioca num espetáculo que joga luz na própria obra dos dois. Revezando-se entre guitarras e violões, a dupla passeou por hits inevitáveis do velho Macau (abrindo com “Mal Secreto” seguida de “Anjo Exterminado”, passando por “Soluços”, “Hotel das Estrelas” e encerrando a noite com “Pano Pra Manga”), os dois também buscaram músicas menos óbvias de Jards, como a versão que ele fez para “Imagens” (de Valzinho e Orestes Barbosa) e “Dente no Dente”. Mas o que mais marcou a noite foi a conexão das músicas de Macalé com composições de cada um deles e assim Caio mostrou “Fantasma Supersônico”, “Atropelado” e “Vida Nova”, enquanto Carol trouxe “Vermelha Rosa” e “A Boca do Cão”, esta composta quando ela soube da morte de Jards. O show contou com a dupla o tempo todo no palco dividindo instrumentos e vocais mesmo nas composições próprias, reforçando que aquela invocação era a dois (Caio até brincou com as interferências no som como sendo uma materialização do próprio Jards). E um dos grandes momentos da noite foi quando cantaram outra de Carol, “Sinal Fechado”, que acabou por ser um belo resumo da noite, tanto com a guitarra precisa de Caio e o vocal completamente solto de Carol. Uma beleza.

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Imenso prazer em receber o espetáculo Estrela Vulgar a Vagar nesta terça-feira no Centro da Terra, quando seus idealizadores – o paulistano Caio Colasante e a carioca Carol Maia – se reúnem para celebrar a obra de Jards Macalé, criando um diálogo entre o repertório de Macau e sua influência em suas próprias composições. Ambos começando suas carreiras solo, saltam neste universo pela primeira vez só com suas vozes e violões. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Poetas ao piano

Na segunda noite da temporada Coexistência que Sandra X está fazendo no Centro da Terra, ela pôs em prática uma obra em parceria com o velho camarada pianista Lincoln Antonio quando, na apresentação batizada de Sol à Beça, visitou obras de Mário de Andrade, Pagu, João Cabral de Mello Neto, dos irmãos Campos e Oswald de Andrade sempre em dupla com o amigo, dividindo vocais enquanto ele conduzia a musicalidade de cada novo poema às teclas. A noite ainda contou com a participação de Priscila Brigante, com quem Sandra havia dividido a noite anterior, que assumiu sua percuteria para acompanhar a dupla em dois momentos diferentes da noite.

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O Inferninho Trabalho Sujo desta sexta-feira começou com um pé no pós-punk e outro na eletrônica, quando Leo Stroka trouxe seu Real No Ficción pela primeira vez para o palco da festa, que aconteceu no Picles. O clima gótico apocalíptico tiinha timbres sintéticos oitentista e um excelente jogo de guitarras, quando João Manoel e Rapha Carapia traziam referências de rock progressivo nos anos 80, noise, punk-funk e rock lisérgico, uma mistura aparentemente contraditória que funcionava de forma impressionante, deixando aquele clima dark wave perfeito para as canções ao mesmo tempo lúgubres e dançantes de Leo, que disparava bases eletrônicas enquanto cantava com seu vocal grave e distorcido, tudo sobre a bateria precisa de João Pedro Dentello.

Depois foi a vez de GG di Martino fazer seu show de despedida do Brasil, trazendo suas referências sessentistas e setentistas com um rock enxuto e de forte influência nova-iorquina, que passeava pela Factory de Andy Warhol, o Max’s Kansas City e ao CBGB’s, ecoando glam rock, protopunk e punk clássico, com o vocalista deixando sua verve classuda à flor da pele, enquanto era acompanhado por dois integrantes da apresentação anterior, com o Raphael Carapia deixando sua guitarra sessentista abraçar as referências de Detroit (como Stooges, MC5 e Alice Cooper – os dois primeiros citados literalmente durante a apresentação), enquanto João Manoel, guitarrista do Real No Ficcion, assumia a bateria com a pressão rock exigida por aquele tipo de apresentação, que ainda contava com a presença sutil mas decisiva da baixista Fernanda Minillo. “Ouçam Velvet Underground!”, disse GG ao final da apresentação, como um último conselho antes de sair do Brasil.

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Começando setembro com mais um Inferninho Trabalho Sujo à vista, desta vez no Picles, quando reúno, na próxima sexta, dia 11 de setembro, a nova banda do GG Martino – sua No Wall Noise Band – e o projeto Real No Ficción, ambos trabalhando rock pesado, pós-punk e dance music na mesma medida, enquanto eu e a Bamboloki mais uma vez nos reencontramos praquele set desmedido que há tempo não fazíamos. Quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Vamos nessa!