
Um Inferninho caprichado nesta sexta-feira no Redoma, quando a noite começou com a apresentação da banda Boia, voltando ao palco de seu primeiro show (que aconteceu em junho do ano passado) e depois de ter seu primeiro EP lançado. É nítida a evolução do grupo formado por Luli Mello (voz), Murilo Kushi (baixo), Leo Bergamini (violão), Murilo Costa Rosa (guitarra), Tato Quirino (sopros) e João Decco (bateria), que começou há um ano ainda terminando as músicas que estavam rascunhando e colocando-as ao lado de versões de mestres Moacir Santos e Hermeto Pascoal. Mas o crescimento diz menos em relação às composições, mas à presença de palco, química de conjunto e à própria postura em relação ao público. Mirando aquele conjunto de canções para a realização de seu primeiro álbum (que é um dos planos para esse semestre), o grupo só fugiu do próprio repertório ao tocar “Dominó”, do grupo baiano Tangolo Mangos, que marcou a estreia do guitarrista Murilo como vocalista. Coisa fina.
Depois foi a vez do Caruma subir ao palco do Redoma, quando levou sua mistura de jazz mineiro com rock progressivo pela segunda vez num Inferninho Trabalho Sujo, mas pela primeira vez tocando apenas músicas próprias, à exceção de “Come Together” dos Beatles, que tocaram logo de cara, criando uma nova tradição (pois tocaram “Don’t Let Me Down” no outro show que fizeram na festa). Também começando a trabalhar o repertório para seu primeiro disco, o grupo formado por Tom dos Reis (vocais e baixo), Pedro Caldeira (vocais e guitarra), Ma Vettore (flauta), Daniel Gerecht (sax e flauta) e Tommy Coelho (bateria) está cada vez mais afiado e versátil, como quando por exemplo Ma Vettore deixou a flauta para assumir a guitarra e cantar uma música em espanhol. O Caruma está só começando…
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Semana que vem tem Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, quando reúno duas bandas reincidentes na festa que são da pesada: a banda Boia, que estreou no mesmo palco do Redoma no ano passado e já está começando a pensar em seu primeiro álbum, depois de lançar um ótimo EP homônimo, e o grupo Caruma, que mistura rock progressivo com jazz mineiro com uma sensibilidade e firmeza que só dá pra acreditar vendo. Antes, entre e depois dos shows eu discoteco pra manter o clima da noite e os ingressos já estão à venda.

“Viva o povo tucuju!”, gritou alguém do público no meio da primeira apresentação da temporada Planeta Arrepiado que Patrícia Bastos começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, reforçando a presença da cultura do norte brasileiro naquela noite. Transitando no epicentro das três raças que fundaram o país, a cantora amapaense trouxe canções que sintetizam diferentes tradições musicais de sua região, como marambiré, cacicó, batuque e marabaixo, cantadas tanto em português (como “Rodopiado”, cujo primeiro verso – “veneno, veneno, veneno pinga da boca daquela cobra” – já deixa o público aceso), como no português de corruptela de seu estado, em que as pessoas falam rapidamente engolindo sílabas e encurtando palavras mais pela fonética do que pelo sentido. Sempre acompanhada por Dante Ozzetti ao violão, que é seu produtor, arranjador e diretor musical há três discos, como, ela ainda trouxe a comadre Ná Ozzetti para dividir vários momentos no palco, muitas vezes ficando à distância para mostrar que a estrela da noite era Patrícia, além de ter um convidado surpresa com a presença de Mario Manga, que alternava entre a guitarra e o violoncelo, encorpando ou diluindo com precisão o violão minucioso de Dante. Tudo isso só reforçando a voz e presença de palco da cantora do Amapá, que ainda contou histórias e chamou duas amigas da plateia para cantar uma outra música com ela e começou lindamente esta série de apresentações no teatro.
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Imensa satisfação em receber pela primeira vez no palco do Centro da Terra a cantora amapaense Patrícia Bastos, que apresenta sua temporada Planeta Arrepiado nas segundas de julho. Ao lado do compadre e diretor musical Dante Ozzetti, ela atravessa três segundas diferentes fazendo releituras únicas de seu repertório autoral, cada uma delas com sua formação de músicos. Nesta primeira apresentação, dia 13, ela divide vozes com a gigantesca Ná Ozzetti. Na próxima segunda, dia 20, ela recebe os músicos Marcelo Cabral e Guilherme Held para crescer ainda mais sem som e encerra a safra de shows na última segunda do mês, dia 27, quando recebe os congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, a percussionista Thata Ozzetti e o cantor e guitarrista Skipp. Serão noites maravilhosas! Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Que beleza de aniversário! A festa de três anos do Inferninho Trabalho Sujo foi intensa e emocionante com a presença de duas atrações que estão ligadas à história da festa que comecei no Picles no meio de 2023. Dinho Almeida, dos Boogarins, voltou ao palco do sobrado caótico de Pinheiros dois anos depois de ter subido ali no primeiro aniversário da festa com sua banda, induzindo todos em uma sessão intensa de libertação e cura. Desta vez sozinho com sua guitarra, ele submeteu o público a uma sessão de mesma intensidade, só que agora individual e, diferente do que fez com os Boogarins, verbal. E ao fazer isso, ele transformou sua apresentação em um confessionário emotivo em que falou de sua relação com a música, da centralidade da música em sua vida desde pequeno, do papel de sua família ao dar a base que ele precisava para tornar-se o mestre da psicodelia brasileira que se tornou. Acanhado e saindo de uma gripe (que parece que pegou São Paulo inteira), ele entregou-se de corpo e alma para o público e, além das canções apaixonadas, vocais emotivos e sua guitarra cheia de eco de seu recém-lançado EP Dias Fora Almeida, e também visitou músicas de sua banda (“Sombrou Dúvida”, “6000 Dias” e “Chuva dos Olhos”), além de “Nilo” da excelente dupla Guaxe, que criou com o líder dos supercordas Pedro Bonifrate em 2019. “Eu juro que eu entreguei meu coração pra vocês, moçada”, disse ele depois do bis. A gente sabe – e agradece.
Depois Ottopapi voltou ao palco do Inferninho Trabalho Sujo pela terceira vez, logo depois da turnê de dez dias e sete shows que acabou de fazer com o próprio Dinho Almeida. A versão enxuta do seu grupo (que além de trazer o próprio Otto por vezes na guitarra, seu irmão Yann Dardenne no baixo, Thales Castanheira na guitarra solo, o mundo vídeo Gael Sorkin na firme bateria kraut e Danilera no synth) voltou ainda mais enfurecida após essa breve mas intensa série de shows e isso estava explícito neste no show, quando deixaram a vibe Velvet Underground fase Doug Yule misturar-se com a eletricidade dos B-52’s, principalmente quando Thales ficava sozinho na guitarra, pendendo para a surf music e para os Pixies. À frente de todos, o dono da banda se entregava para o público com suas letras que misturam o nonsense e o literal como faz o melhor rock. O público respondeu à altura com rodas de pogo, cantando junto músicas que acabaram de ser lançadas e todos completamente entregues à urgência zoeira de canções que grudam desde a primeira audição. E palmas para a performance do Danilo durante “Perdi o Controle”! Depois foi só deixar a pista correr solta comigo e com a Fran até o final da madrugada gelada de sexta!
#inferninhotrabalhosujo #ottopapi #dinhoalmeida #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 158 e 159

Três anos de Inferninho Trabalho Sujo! Há três anos idealizei uma festa para acompanhar a crescente cena musical que começava a ferver no pós-pandemia paulistano e pelo resto do Brasil e quando os caras do Picles me chamaram pra discotecar lá no início de 2023, sabia que ela tinha que começar por lá, sendo também a inspiração para seu nome. De lá pra cá, o Inferninho Trabalho Sujo espalhou-se por outras casas de show de São Paulo, teve edições fora da cidade e já recebeu mais de cem bandas e artistas novos – e não apenas da nova geração – em quase cem festas nestes três anos, além de dar origem ao festival Chama, sempre acompanhando o crescimento e a profusão desta nova safra de bandas que lentamente está mudando o cenário independente brasileiro. E nesta edição comemorativa tenho o prazer de receber dois ícones de épocas diferentes desta mesma cena: o elétrico Ottopapi, que depois de azeitar seu Seloki Records saiu numa enfurecida carreira solo no ano passado que é puro rock’n’roll, e o onírico Dinho Almeida, boogarinho velho de guerra que aos poucos vasculha sua carreira solo em composições emotivas e intimistas. A festa acontece na próxima quarta, véspera de feriado, e depois dos shows fecho a noite ao lado da minha comadre de discotecagem no Inferninho desde a primeira hora, discotecando comigo na festa desde a primeríssima edição há três anos, sempre fazendo corações e quadris derreterem com nosso beats e refrães. Vai ser quente e os ingressos já estão à venda!
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Lavínia encarou o desafio de atravessar um ícone de sua terra de meio século de idade sem medo e com um sorriso no rosto nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando apresentou sua homenagem ao clássico baiano Gal Canta Caymmi. O disco original, com apenas pouco mais de meia hora de duração, fluiu em um espetáculo que chegou em uma hora de duração graças à interação de Lavínia com o público e a leveza robusta da banda dirigida pelo guitarrista Júnior Boca, desta vez ao violão, que chamou um timaço para acompanhar a cantora, com Meno Del Picchia entre o teclado e o piano, Regis Damasceno no baixo, Beto Gibbs na bateria e Marcelo Monteiro nas flautas. Com direção do companheiro Otto Ferreira, o espetáculo ainda contou com figurino, luz e projeções que sublinhavam tanto a paixão de Caymmi pelo mar como pelo amor, tão bem desenhados pelas escolhas de Gal no disco original. A apresentação ainda contou com músicas-extra, quando Regis pegou o violão como único músico no palco para acompanhar a cantora primeiro em “Morena do Mar” e depois “Oração de Mãe Menininha” (quando a banda aos poucos foi voltando ao palco) para finalizar com os clássicos “Suíte do Pescador”, “Caminhos do Mar” e “Maracangalha”, terminando com o astral lá em cima,
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A baiana Lavínia sobe ao palco do Centro da Terra nesta terça-feira para um desafio pessoal: recriar o clássico Gal Canta Caymmi, lançado há meio século, no palco do teatro. Ela vem acompanhada de uma bandaça formada por Junior Boca (violão), Meno Del Picchia (teclados), Regis Damasceno (baixo), Beto Gibbs (bateria) e Marcelo Monteiro (flauta) para passear pelo repertório épico de Dorival Caymmi pinçado pela imortal Gal Costa, num álbum que exala baianidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Absurda a apresentação que o grupo Besta-Fera fez nesta segunda-feira no Centro da Terra, pinçando algumas canções de seu repertório prog fusion para entortar a marretadas musicais o inconsciente dos presentes, num revezamento de tempos ímpares em que o grupo azeitadíssimo submeteu o público presente. A liga entre a guitarra intensa de Arthur Sardinha, o ritmo sincopado frenético da bateria de João Pedro Dentello, o delirante baixo desenfreado de Tom dos Reis e as teclas enfurecidas de André Damião, desta vez entre o synth e o piano, é um dos melhores segredos da cena paulistana desta década e a simbiose orgânica com a qual o grupo conduz suas obras parece ao mesmo tempo rígida e solta, improvisada e ultraensaiada, pegando os ouvintes em surpresas constantes. À entrada simultânea dos convidados da noite – o guitarrista Kiko Dinucci e a vocalista Paola Ribeiro – apenas abriu novas camadas para essa sintonia, com o grupo convidando os dois para improvisar sobre dois temas próprios e depois visitando duas músicas de cada, começando pelo faroeste brasileiro “Marquito” do Rastilho de Kiko, passando pela faixa de abertura do Circus de Paola (“Faca da Palavra”), emendada com seu recém-lançado novo single “Furtacor” e outra do disco que lançou Kiko antes da pandemia, “Febre do Rato”. Uma noite intensa.
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Começamos a safra de apresentações musicais de julho no Centro da Terra com a estreia da banda Besta-Fera no palco do teatro, quando eles mesmos encerram um ciclo que veio com o fim do estúdio Páprica, em que compuseram suas primeiras músicas e celebram este capítulo de sua carreira com o espetáculo Morte e Páprica. Nesta apresentação, o grupo – que transita entre as fronteiras do jazz fusion, do rock progressivo e do math rock – toca pela primeira vez ao lado do guitarrista Kiko Dinucci e da vocalista Paola Ribeiro, que faz o quarteto formado por Arthur Sardinha (guitarra e efeitos), João Pedro Dentello (bateria), Tom dos Reis (baixo) e André Damião (synth e piano) a ampliar ainda mais suas fronteiras musicais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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