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Curadoria

Muita satisfação ao receber o primeiro show autoral de Victor Kroner no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, ele que já trabalha há anos como guitarrista e produtor resolveu tirar as próprias composições da gaveta e reuniu um time de músicos de confiança para essa apresentação Entrepulso, título tirado dos intervalos entre um pulso e outro. Ele vem acompanhado de Gabriel Quinto (violão e guitarra), Francisca Barreto (violoncelo) e Gabriel Eubank (bateria), além de contar com visuais de Bruna Braga para esse primeiro ato de sua carreira autoral. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A catarse do final

Sophia Chablau encerrou lindamente sua temporada Guerra nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando repetiu a mesma estrutura das três apresentações anteriores – primeiro com sua nova banda (formada por ela na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e synthbass e Theo Ceccato na bateria), depois sozinha com seu instrumento e depois com os convidados da noite -, mas conseguiu expandir cada um desses módulos justamente devido ao padrão desenvolvido durante a temporada. Desta vez, ela inverteu o início e começou sozinha, chamando os músicos para a segunda parte da noite e a liga com os dois que escolheu para acompanhá-la é patente: cada vez mais os três se comportam como um único organismo, acelerando e encorpando as músicas que ela escolheu para a primeira parte (a maioria delas tocada ao vivo pela primeira vez neste mês de março). Finalmente ela chamou os convidados da noite, primeiro recebendo Vítor Araújo ao piano para a versão definitiva de “Qualquer Canção”, música do disco que o maestro pernambucano produziu para o segundo disco da banda da paulistana. Chamou a banda de novo para acompanhá-la com Vítor e juntos atravessaram a bela “Canção de Retorno” que fez com Felipe Vaqueiro e a ainda inédita “Eu Não Bebo Mais” da Enorme Perda de Tempo, antes que Sophia chamasse o outro convidado da noite, Zé Ibarra, com quem primeiro dividiu sua “Hexagrama 28” (que o carioca eternizou em seu disco do ano passado), e depois a inédita “Tomada de Belém” criada em uma residência de composição no ano passado que contou com a participação de Zé, Sophia, Dadá Joãozinho, Felipe Vaqueiro e Joaquim. O show – e a temporada – chegou ao ápice quando Sophia chamou de volta Vítor e juntos os cinco atravessaram primeiro a versão mais forte de “Quantos Serão no Final?” (em que Sophia entrou em catarse e praticamente destruiu seu instrumento) e uma catártica “Segredo”, encerrada depois que as cortinas se fecharam, cortando inclusive a possibilidade de bis. “A guerra só começou, caralhoooo!”, gritou a vocalista, extática, depois que o show acabou. Foda demais.

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Em transformação

Com duas datas lotadas no teatro do Sesc Pinheiros neste fim de semana, Ana Frango Elétrico brincou que estava fazendo uma microtemporada de um show de transição ao fazer a estreia no sábado e o encerramento no domingo. Mas realmente não dá pra dizer que os shows que aconteceram nestes dias são os mesmos que ela vinha fazendo até o final do ano passado ao divulgar seu terceiro álbum, Me Chama de Gata Que Eu Sou Sua, de 2023. Mais próximo de um show de carreira – passando por seus três álbuns – do que de um dedicado ao disco mais recente, a apresentação já começava diferente ao isolar Ana no meio dos músicos, reforçando seu papel de intérprete e performer, mais do que o de band leader. Seu papel de instrumentista mesmo ficou em segundo plano, ainda que tenha tocado guitarra parte considerável do show, preferindo ornar sua figura à luz deslumbrante de Olívia Munhoz, que optou por degradês de tonalidades intensas projetadas sobre um telão ao fundo, emoldurando a figura da cantora em Rothkos de luz coloridas (quase sem verde, principal cor do show anterior). Trocando poucas palavras com o público, sem fazer bis e emendando uma música na outra, ela deixou os fãs – que cantavam todas as letras – enfeitiçados, mesmo em trechos que desconheciam, que podem apontar os próximos rumos musicais da artista, como as versões que fez para “O Leão e o Asno” de seu compadre e guitarrista de sua banda Vovô Bebê e de “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil. Um show intenso que ainda contou com assinaturas do show do disco anterior, como “A Sua Diversão” e o mashup de “Não Tem Nada Não” de Marcos Valle com “Gyspsy Woman” de Crystal Waters (marca registrada dos show do Me Chama de Gato…), além de novos arranjos para músicas já conhecidas e uma versão furiosa para “Mulher Homem Bicho”, que encerrou o show. Ana está pegando fogo!

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Apesar de pertencerem a universos distintos – uma é essencialmente roqueira, a outra passeia pelas diferentes vertentes do pop -, a banda Belladona e a Tiny Bear de Beatriz Brasil fizeram uma ótima noite em dupla nesta sexta-feira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma. O trio novato formado por Amanda Gumesson (guitarra), Giulia Dora (baixo) e Paula Janssen (bateria) abriu a noite mostrando personalidade e coerência estética ao determinar sua sonoridade nos anos 90 que viram a ascensão do rock alternativo com o surgimento das riot grrls, misturando a pegada punk com o barulho grunge do início daquela década. Com o repertório ainda em formação (lançam seu primeiro single ainda este ano, mas já estão pensando no álbum), elas também tocaram versões para músicas do Hole (uma ótima versão de “Violet”), Babes in Toyland e da banda australiana Lash (da trilha sonora da versão de 2003 de Sexta-Feira Muito Louca) e mostraram que estão prontas para correr a nova cena paulistana.

Depois foi a vez de Beatriz Brasil mostrar a amplitude do pop de seu Tiny Bear, que passeia pela dance music, por canções que poderiam estar na trilha sonora de animes e por baladas, com ótima presença de palco e uma banda – formada pelo guitarrista e braço-direito Rafael Ohira, a baixista Julia Magalhães e o baterista Denno Ragonha – que a ajuda a chegar nas fronteiras que ela busca, soltando sua voz e seu corpo, enquanto inclusive toca teclados. Bia passeou por músicas de seu recém-lançado primeiro solo – chamado de UMi -, mas também mostrou músicas que deverão estar no próximo álbum.

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Esta semana não tem Inferninho, mas na próxima sim quando mais uma vez volto ao Clube Redoma no Bixiga trazendo dois artistas em ponto de bala. O trio noventista Belladona toca pela primeira vez na festa, abrindo para a reincidente Tiny Bear, que está prestes a lançar seu primeiro álbum. O Redoma fica em frente à pracinha do Bixiga, no número 825-A da Rua Treze de Maio, a casa abre às 21h e os ingressos já estão à venda!

Os ingressos já estão à venda.

Tenho conversado com o L_cio há um tempo sobre ele fazer algo no Centro da Terra e quando surgiu essa oportunidade, ele sugeriu de reunir outros dois artistas para participar de sua apresentação: a cantora cearense Nayra Costa (que muitos devem conhecer como a vocalista que cantava “The Great Gig in the Sky” nas versões que o Cidadão Instigado fazia do Dark Side of the Moon do Pink Floyd) e o percussionista e trombonista Bica Tocalino, que eu não conhecia. E pelo que ele havia explicado, queria reunir o trabalho dos dois com o que vinha fazendo pois tinha encontrado um rumo comum para os três e que, na apresentação, iria mostrar um pouco do que cada um deles estava desenvolvendo. Qual minha surpresa ao perceber na apresentação Vértice: Ato Único que não há separação entre as partes de cada um dos três, que entrosam fluentemente suas habilidades artísticas – L_cio disparando samples e bases eletrônicas enquanto também toca flauta transversal e berimbau, Nayra soltando a voz de forma linda e potente e Bica dividindo-se entre o arsenal de percussão na parte de trás do palco ou quando vinha à frente com o seu trombone. Foi uma obra construída ao vivo, iluminada pelas texturas líquidas da artista Via Moras, que mudava as cores da noite com seus pincéis.

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Três artistas de diferentes áreas musicais se encontram no espetáculo Vértice: Ato Único, que acontece nesta terça-feira no Centro da Terra. Regido pelo maestro e produtor L_cio, que aproveita a oportunidade para deixar a eletrônica em segundo plano para abraçar os instrumentos orgânicos (como berimbau e flauta transversal), a noite ainda conta com as presenças da cantora cearense Nayra Costa e do percussionista e trombonista Bica, quando os três deixam-se levar por um fluxo contínuo de som em apresentação única. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Uma joia de noite

Uma joia essa penúltima noite que Sophia Chablau conduziu no Centro da Terra nesta segunda, quando convidou Ava Rocha e Negro Leo para entrar em na Guerra que vem fazendo no início das semanas deste tenso março de 2026. Pegou todo mundo de surpresa à saída do espetáculo, ao sentar-se ao piano e colocar o baixista Marcelo Cabral tocando guitarra no centro do palco, cantando sua belíssima recém-lançada “O Herói Vai Cair”. Logo depois pegou a guitarra e seguiu azeitando ainda mais o belíssimo trio que criou ao lado de Cabral e de seu compadre baterista Theo Ceccato, tocando as músicas inéditas que vem apresentando nesta temporada e uma versão quase thrash de “Quantos Serão no Final?” do repertório de seu trabalho em parceria com o baiano Felipe Vaqueiro (com direito à própria Sophia tocando piano enquanto tocava guitarra). Depois, ela começou a segunda parte da noite, cantando sozinha no palco (à exceção da primeira música, feita para Dora Morelenbaum, que contou com Cabral tocando seu baixo com um arco de violoncelo). E depois de mais uma dose de ótimas inéditas (incluindo uma em parceria com Ana Frango Elétrico), chamou os convidados da noite: primeiro Negro Leo (que sentou-se ao piano para acompanhar Sophia à guitarra na parceria “Quem Vai Apagar a Luz?”) e depois Ava, que trouxe Theo e Cabral de volta ao palco para uma sequência de onírica de hits, que incluía “Mar ao Fundo” de Ava, uma versão maravilhosa para “Esferas” de Leo e outra elétrica para “Segredo” de Sophia, além de uma parceria dos três em inglês. A noite fechou com o sambinha “Deus Tesão” com Leo na bateria, Cabral no synth e Theo no baixo, fechando as cortinas enquanto a banda ainda tocava. Noite linda.

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O primeiro semestre de 2026 está chegando na metade e essas são as atrações musicais de abril no Centro da Terra. As segundas-feiras ficam por conta do guitarrista Guilherme Held, que resolve mergulhar em seu instrumento sempre em dupla com velhos camaradas das seis cordas, na temporada Abriu o Fuzz. A cada segunda-feira, Held reúne como outros guitar heroes – e ele só reuniu cobras. Na primeira (dia 6), ele convida Fernando Catatau, na segunda (dia 13) ele vem com Lúcio Maia, na terceira (dia 20) é a vez de chamar Kiko Dinucci para concluir a saga na última segunda do mês (dia 27) ao lado de Edgard Scandurra. Às terças começamos com o encontro das vozes e violões de Ítallo França, Marina Nemesio, Tori e João Menezes, que reúnem-se na primeira terça (dia 7) pela primeira vez para celebrar seus próprios repertórios, na apresentação que chamaram de De Banda, que também pode ser entendido como o embrião de um grupo. Na segunda terça-feira do mês (dia 14), Kiko Dinucci sobe sozinho com sua guitarra no palco do teatro do Sumaré para mostrar, pela primeira vez, o repertório de seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre e batizado de Medusa. Nesta apresentação, que ele chamou de Pré-Medusa, ele mostra as novas canções e o clima elétrico-etéreo do sucessor de Rastilho. A última terça-feira do mês fica a cargo da poeta Heloiza Abdalla, que finalmente materializa no palco seu livro Ana Flor da Água da Terra, lançado há dez anos. Poemas que tornam-se música com a presença de improvisadores como Sandra X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano). Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.