
A safra de 2026 do Inferninho Trabalho Sujo tem trazido bandas que cada vez mais fogem dos rótulos fáceis e nesta sexta-feira duas delas apresentaram-se no Redoma. A primeira delas foi a estreia do trio Nesga Mosquito, fundado pelo casal Lua Belle e Tomás Dos Reis ao lado do baterista Kauê Commi, que nasceu a partir da influência de diferentes fases da MPB e passeia por referências ao pop contemporâneo, ao jazz e ao indie rock, diluindo bem tais fontes musicais a ponto de elas não ficarem tão evidentes. Lua e Tomás (o geninho do baixo que também toca no Caruma, Pé de Vento e Besta Fera) completam os vocais da maioria das faixas enquanto trocam constantemente de instrumentos – indo do baixo pra guitarra e vice-versa -, deixando o imaginar possibilidades estranhas e improváveis como bossas novas tortas, blues que misturam-se ao rock brasileiros dos anos 80, funk setentistas com pitadas de pós-punk e jazz mineiro. E além do já mencionado baixo virtuoso de Tom (que não faz feio quando vai pras mãos da parceira), vale sublinhar a versátil voz de Lua, que por vezes soa pequena e precisa como se Nara Leão cantasse no Stereolab, outras solta-se dramática como poucas cantoras de sua geração sabe fazer. E na bateria Kauê não deixa por menos e acompanha de perto os delírios musicais propostos pela dupla à frente – incluindo fazer um terceiro vocal. Showzão.
Depois foi a vez de mais um show da Outra Banda no Fim do Mundo na festa, estreando no Redoma. E o show da banda liderada por Otávio Malta segue o patamar sério estabelecido pelo guitarrista, vocalista e líder do grupo, puxando rock direto e de groove reto que condizem com as letras desesperançosas e sem meias palavras deste autor. Ao seu redor, dois integrantes da banda Orfeu Menino mostram sua força rock, com o baterista Tommy Coelho assumindo a guitarra solo e perseguindo as bases de Otávio sempre bem de perto, enquanto o baixista João Chão esmerilha seu instrumento como se fosse uma guitarra. Acompanhando-os sem trégua vem o intrépido baterista Méqui Lovin e os quatro juntos têm uma conexão quase ígnea de tão próxima e pesada, reforçando a dureza do gênero que tentam reinventar, elevando referências como o rock pesado e o heavy metal para um outro nível de alquimia sonora, que soa referente e reverente aos cânones dos dois gêneros sem necessariamente soar com alguma banda específica, pressionando mais o clima (apocalíptico, como reforça o nome do grupo) do que as eventuais citações ou menções. Olho neles!
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Lá vem mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, que acontece na próxima sexta-feira, dia 21, quando reúno as bandas Nesga Mosquito, fazendo sua estreia na festa, e o quarteto de rock pesado Outra Banda no Fim do Mundo em sua segunda aparição no palco da festa. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A, no Bixiga, e abre a partir das 21h. E eu discoteco antes, entre e depois dos shows. Os ingressos já estão à venda.

Encabeçado por dois mestres do improviso da noite paulistana, a dupla Qmar pousou mais uma vez no Centro da Terra mostrando como a química musical entre Paula Rebellato e Cacá Amaral é um lento fogo contínuo que busca novas fronteiras sem exceder na intensidade, diferente dos trabalhos anteriores que os dois fizeram. O nível de conexão sonora pode até levar a picos de tensão de ruído, mas sempre dentro de uma mesma amplitude musical, mais interessada em ampliar sua área de atuação do que chocar pelos gritos, modulações eletrônicas ou microfonias elétricas. E mesmo que estes elementos façam parte da paleta artística da apresentação, eles nunca transbordam, o que fez a presença das madeiras da convidada da noite Juliana Perdigão, que participou do início e do final do espetáculo com seus clarinete e clarone, encaixando-se magicamente com o enlace musical de Cacá (entre a bateria e a guitarra) e Paula (entre os synths, vocais, eletrônicos e baixo) e provocando quase uma sessão de hipnose guiada no público. A luz sem cores de Karin Santa Rosa deixou esse encontro ainda mais implacável.
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Mais uma vez a dupla Qmar volta ao Centro da Terra, desta vez apresentando o espetáculo Espírito Espião, que fazem em parceria com a musicista e compositora Juliana Perdigão. Formada por Paula Rebellato (Rakta, Madrugada) e Cacá Amaral (Rumbo Reverso, ex-Firefriend), a dupla trabalha texturas eletrônicas e arquitetura rítmica, expandindo o universo da canção rumo ao improviso. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Em mais uma noite de sua temporada no Centro da Terra, Sara Não Tem Nome reuniu três parceiros para, em momentos separados, celebrar conexões a partir da sombra, do fantasmagórico, do oculto. A apresentação começou com a presença de Lorena Hollander, que trouxe sua guitarra, seu koto e sua espada para ritualizar o início da noite. Depois foi a vez de chamar Marina Mole, que está prestes a lançar seu disco, para mostrar canções inéditas, encerrando a apresentação com Vladimir Safatle ao piano, fazendo uma versão para “Mad World”, dos Tears for Fears. E num bis improvisado, Sara voltou sozinha para encerrar seu ritual só com sua guitarra, puxando sua “Ponto Final” depois dos agradecimentos e antes de chamar os três convidados para a saudação do fim, único momento em que os três dividiram o palco.
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Semana que vem já é setembro (quatro meses pra 2027!) e assim anunciamos a programação de música das segundas e terças no Centro da Terra. As segundas-feiras do mês ficam com a cantora, compositora e performer paulistana Sandra X, que reúne diferentes facetas de seu trabalho na temporada Coexistência, quando reúne artistas tão diferentes quanto Luiza Lian, Priscila Brigante, Jovem Palerosi, Barbarelli, Lincoln Antonio, Craca, Angela Quinto, Daniel Minchoni, Eveline Sin e Heloísa Abdalla, entre outros. Como uma das segundas do mês cai num feriado (o sete de setembro), a temporada começa no primeiro dia do mês, uma terça, e depois segue às segundas nos dias 14, 21 e 28. A segunda terça do mês, dia 8, fica com a banda carioca Gueersh, que apresenta o espetáculo Coletivas Mãos, em que tocam, na íntegra, seu próximo álbum, Macarrão de Guerrilha, que será lançado no fim deste mês, com a participação do produtor Eduardo Manso. Na terça seguinte, dia 15, é a vez da dupla Caio Colasante e Carol Maia (ele paulista e ela carioca) começar a colocar em prática seu tributo a Jards Macalé, batizado de Estrela Vulgar a Vagar. Depois, no dia 22, Danislau, da banda Porcas Borboletas, antecipa seu próximo disco no espetáculo Não Me Leve a Mal, em que apresenta as novas canções com uma banda formada por Arthur Kunz, Gabriel Mayall, Moita Mattos, Wagner Bernardes e participações de Enzo Banzo e Rafael Castro. A última terça do mês fica com outra banda do Rio de Janeiro, o Oruã, que celebra sua primeira década de atividade no espetáculo 10 Anos!, que ainda conta com as participações das cantoras Laura Lavieri, Ämarcel e Grisa. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

A Tubo de Ensaio soube realmente como aproveitar a enorme tela de cinema sobre suas cabeças no show que fizeram nesta quinta-feira no Cine Belas Artes dentro de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que venho fazendo no local. Ao convidar o videocientista Gibaa para tomar conta da parte visual da noite, aproveitou o apreço deste por televisores decanos para criar o espetáculo TV de Tubo, em que estes aparelhos funcionavam como decoração e acessórios à tela principal, que ele manipulava imagens do grupo feitas simultaneamente como aquele efeito VHS vintage. Mas mais do que voltar no passado, Gibaa acertou ao experimentar abstrações visuais retrô que caíram feito uma luva com a progressão hipnótica de canções que o grupo escolheu para fazer na apresentação, deixando músicas mais intensas e pesadas do repertório de fora para garantir um transe lento que aos poucos foi comendo os cérebros dos presentes, boquiabertos e transfixados, quase sem pegar o celular para registrar o que estavam vendo. Um passo importante que o grupo de prog psicodélico eletrônico dá em sua carreira, preparando terreno para o sucessor de seu disco de estreia lançado no ano passado, Endofloema. Quase não mostraram músicas novas, mas mostraram o clima que querem conduzir seu público – uma delirante escada espiral que desce ao mesmo tempo que parece subir. Música surrealista.
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Nesta quinta-feira temos mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes com a banda Tubo de Ensaio mostrando o espetáculo TV de Tubo que conceberam para fazer no próprio cinema! A apresentação começa às 20h30 e os ingressos estão quase acabando, corre que ainda dá pra garantir lugar nesse showzaço que eles vão fazer – aquele momento em que o rock progressivo, o rock psicodélico e a música eletrônica encontram-se com a sétima arte, com visuais a cargo do Giba. Dá pra comprar na hora, na bilheteria, mas corre o risco de não ter mais, por isso corre!

Luíza Villa e GabirotoX colidiram suas carreiras nesta terça-feira no Centro da Terra no espetáculo Só Mais Uma Vez, que apresentaram pela primeira vez depois de quase um ano de relacionamento – artístico e pessoal. E a apresentação foi como assistir à lenta fusão destas duas personalidades: o guitarrista GabirotoX acompanhado de seu pai, o baixista João Monteiro, e o compadre Pietro Benedan, que também é baterista do grupo Naimaculada, enquanto Luíza veio com o mesmo Pedro Abujamra que faz parte de sua banda Orfeu Menino nos teclados e o percussionista Jorge Bento, com quem já tocou em algumas apresentações. E foi quase didático a evolução da apresentação, à medida em que reconhecíamos as músicas do guitarrista, com viés clássico do rock e fortes pitadas de Raul Seixas, e as de Luíza, com os dois pés na MPB dos anos 70. Os dois chegaram ao equilíbrio perfeito de suas influências quando cantaram juntos o último número da noite, abrindo vozes numa balada folk que ecoava as raízes folk rock dos ídolos de Gabiroto e a presença de Joni Mitchell no trabalho de Villa. A pedidos, voltaram para um último número, visitando “Escrito nas Estrelas” de Tetê Espíndola, com o guitarrista citando o clássico solo do recém-falecido Carlini em “Ovelha Negra”, do Tutti Frutti. Agora começou!
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Maior satisfação em receber nesta terça-feira o encontro de dois novos talentos da cena de São Paulo num show conjunto, quando os incansáveis GabirotoX e Luíza Villa misturam influências e repertórios pela primeira vez no mesmo palco, mostrando inclusive músicas compostas a dois. O espetáculo Só Mais Uma Vez também reúne instrumentistas que acompanham os respectivos trabalhos solo dos dois, como o tecladista Pedro Abujamra e o percussionista Jorge Bento do lado de Luíza e o baixista João Monteiro e o baterista Pietro Benedan do lado de GabirotoX, enquanto os dois dividem vocais e violões à frente do grupo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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