
A semana começou quente, mas depois baixou esse frio nada a ver e a gente só sabe combatê-lo de uma forma: se acabando! Então toma mais uma Inferninho Trabalho Sujo que vem em dose dupla de rock deste século. Quem começa a noite é a explosão de ruído e melodia dos paulistanos Os Fadas, que são seguidos logo depois pelo quarteto de Juiz de Fora André Medeiros Lanches, enfileirando mais doses de canções e barulho na cabeça dos presentes. E depois eu e a comadre Francesca Ribeiro derretemos a pista com aquela mistura quente de dance music, R&B, hip hop, rock e música brasileira (e uma pitada de Kpop, por que não?) que deixa a pista cheia até o fim da madrugada. O Picles fica no no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se você chegar antes das 21h não paga para entrar. Vem!

“Tem um negócio aí nesse negócio de trio”. O formato trio tem uma força magnética que aproxima e afasta os envolvidos exatamente à mesma medida, fazendo com que a presença individual de cada um acabe buscando um equilíbrio a partir da ausência dos outros e a busca por essas lacunas acaba abrindo suas próprias aberturas para que tudo flua naturalmente. E não importa que tipo de trio, mas quando estamos falando de música, a fluência dessa conexão é exatamente o corpo que a torna possível, como se esse magnetismo se traduzisse em som. E assim foi a apresentação do Thiago França Trio nesta terça-feira no Centro da Terra, encontrando um ponto em comum entre as apresentações que fazia com o codinome de Sambanzo (quando tocava ao lado de seus dois compadres da percussa tanto de Xepa Sounds quanto da Charanga do França, Wellington “Pimpa” Moreira e Samba Sam, e de dois integrantes do Clube da Encruza, Kiko Dinucci e Marcelo Cabral, tocando baixo elétrico) e o trio de free jazz Marginals, composto por Cabral (tocando baixo acústico) e Tony Gordin. Reunindo-se apenas a Cabral e Pimpa, ele enxuga ainda mais o Sambanzo e abre novas janelas de ritmo com o formato trio, apresentando tanto temas que já gravou em seus dois primeiros discos solo (Etiópia e Coisas Invisíveis) e alguns inéditos que deverão materializar-se num novo disco (com outras formações) em breve, entre elas inspirada na coulrofobia do carnaval periférico do Rio chamada apropriadamente de “Fear of the Bate-Bola”. Mas não posso deixar passar minha empolgação ao ouvir um dos meus temas favoritos do saxofonista, a originalmente elétrica “Capadócia”, quase um Talking Heads com o dedo na tomada, vertida a instrumentos acústicos, com pouquíssima interferência elétrica. Foda demais.
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Prazer receber no Centro da Terra mais uma das invenções de Thiago França, que reuniu-se com o baixista Marcelo Cabral e o baterista Welington “Pimpa” Moreira pare retomar composições dos discos que assinou como Sambanzo, Etiópia e Coisas Invisíveis, e buscar novas criações instantâneas e improvisos livres. A formação, chamada de Thiago França Trio, passeia do jazz ao samba a partir da condução da cozinha proposta por Pimpa e Cabral para que o saxofonista e flautista percorra livremente por todo esse espectro musical. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Sozinho no palco, só com sua guitarra, pedais e máquinas para disparar efeitos, Dinho Almeida se submeteu a uma sessão de terapia em público. Ergueu véus e projetou imagens para criar um efeito cênico que deveria ser central na apresentação que fez nesta segunda, abrindo sua temporada Águas Turvas no Centro da Terra, para logo em seguida começar a conversar com o público sobre aquele processo: subir num palco sozinho e mostrar canções que nunca havia mostrado para mais que alguns amigos, em eventos domésticos. E entre lindas canções de natureza sentimental e confissões espontâneas no palco (e os gritos de seu filho pequeno, que estava brincando na sala de entrada do teatro, aumentando ainda mais a carga emotiva da noite), Dinho abriu-se completamente no palco como se estivesse sentindo a temperatura da água, ele que não sabe nadar. E entre composições inéditas, uma música feita para Ava Rocha (“João 3 Filhos”), outra para Céu (“Make Sure Your Head Is Above”), uma da banda que tinha antes dos Boogarins (Ultravespa, que o fez chorar enquanto tocava) e algumas de sua querida bandinha, o guitarrista goiano começou uma nova fase em sua carreira. É um caminho sem volta.
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Que satisfação poder assistir ao início da carreira solo de Dinho Almeida, que atravessa todas as segundas-feiras de setembro no Centro da Terra, às vésperas do aniversário de dez anos dos seus Boogarins. Em Águas Turvas, o guitarrista caça canções com sua voz de passarinho, deixando a psicodelia elétrica de lado para enveredar em território desconhecido, como ele mesmo batiza no título destes shows. Nas próximas segundas Dinho divide o palco com Bebé e Felipe Salvego (dia 11), com a dupla Carabobina, Desirée Marantes e Bruno Abdala (dia 18) e com sua irmã, Flavia Carolina (no dia 25), mas dá início aos trabalhos sozinho neste dia 4, enfrentando o público somente com seu violão. Os espetáculos começam sempre às 20h e ainda há ingressos para a apresentação desta primeira segunda (neste link).

Que beleza o show que Rubinho Jacobina fez no Centro da Terra nesta terça-feira, desfilando seu repertório balançado com dois compadres de longa data, cuja química musical vem de tempos imemoriais: quando Gustavo Benjão assumiu o baixo e Marcelo Callado a bateria, metade do quarteto Do Amor tornou-se base para o show do compositor carioca, que não teve dificuldade para se soltar. Seu suíngue irrefreável conduzia a apresentação sempre cima e para a frente, mesmos nos momentos mais delicados, quando, por exemplo, convidou Iara Rennó para sua participação a partir da música que compuseram juntos para seu disco mais recente, Amor Universal, a hipnótica e triste “É Demais”. Mas logo o show partiu literalmente para memórias de outros carnavais e os quatro dispararam marchinhas modernas de um carnaval do século 21 com tempero do século passado, numa noite muito astral.
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Encerrando a temporada de música em agosto no Centro da Terra, chega a vez do carioca Rubinho Jacobina estrear em nosso palco, trazendo músicas de seu disco mais recente, Amor Universal, e outras de sua carreira ao lado de uma banda que é metade do grupo Do Amor: Marcelo Callado na bateria e Gustavo Benjão no baixo. Rubinho repassa os dez anos que esteve na França num show que ainda terá a participação de Iara Rennó. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Desde o dia em que convidei Sandra Coutinho para fazer a temporada no Centro da Terra ela comentava, mesmo antes de confirmar se conseguiria conciliar sua agenda com a proposta, que uma das noites tinha de ser dedicada ao que ela chamava de “lado B das Mercenárias”: todo um repertório do clássico grupo de pós-punk que moldou parte da cena paulistana dos anos 80 que nunca tinha sido gravado de verdade, sendo tocado apenas em shows e circulando em gravações domésticas não-oficiais. Depois que confirmou sua temporada para este mês de agosto, ela deixou essa data como sua última participação e em vez de simplesmente trazer a atual formação da banda – com ela no baixo, Sílvia Tape na guitarra e Pitchu Ferraz na bateria – resolveu convidar reforços de peso para essa noite histórica. Além do único integrante do sexo masculino nas décadas de carreira da banda, Edgard Scandurra (que foi baterista da primeira formação da banda, mas que nesse show tocou guitarra), ela também reuniu um coro da pesada – Bibiana Graeff, Amanda Rocha e Mayla Goerisch – que assumiu vocais de canções que, mesmo com quase quarenta anos de idade, ainda soam atuais. Foi a coração de uma temporada que nasceu clássica – agora vamos ver se essas músicas inéditas finalmente podem ser registradas!
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Vamos para mais um mês de atrações no Centro da Terra? Além da temporada de segunda-feira e dos shows de terça, neste mês teremos música ao vivo também às quartas, por isso são mais quatro shows durante o mês que começa na semana que vem. E é com maior satisfação que apresento o dono das segundas-feiras do mês: boogarinho Dinho Almeida, que começa a investigar seu trabalho solo na temporada Águas Turvas, primeiro tocando sozinho no palco (no dia 4 de setembro), depois acompanhado de Bebé e Felipe Salvego (dia 11), da dupla Carabobina, Desirée Marantes e Bruno Abdala (dia 18) e finalmente ao lado de sua irmã, Flavia Carolina (no dia 25). A primeira terça do mês, dia 5, traz mais um novo projeto de Thiago França, que volta-se ao free jazz acompanhado de Marcelo Cabral e Welington Pimpa, apresentando seu Thiago França Trio. No dia seguinte, a primeira quarta do mês (dia 6), é a hora de conhecer o trabalho autoral da instrumentista brasiliense Paola Lappicy, que antecipa seu primeiro disco solo no espetáculo Que Mágoa é Essa?, ao lado de Dustan Gallas, Caio Chiarini, Leandrinho, Léo Carvalho e Luciana Rosa. Na terça seguinte, dia 12, é a estreia do conjunto Comitê Secreto Subaquatico, formado por João Barisbe, Helena Cruz, Clara Kok Martins, Lauiz Orgânico e Fernando Sagawa, que apresentam-se no espetáculo Perigosas Criaturas Amigas. Na segunda quarta do mês, dia 13, Maurício Takara encontra-se com Guizado em uma noite de improviso livre chamada Hábitos Generativos. Na outra terça, dia 19, o palco do Centro da Terra recebe o encontro das bandas Bike e Tagore no espetáculo MPB ou LSD?, em que contam a história da psicodelia no Brasil desde os anos 60 até hoje, desenhando uma genealogia da qual as duas bandas fazem parte. Na quarta, dia 20, é a vez de Marília Calderón fazer terapia no palco no espetáculo Que Cida Decida, acompanhada de Felipe Salvego. Na última terça-feira do mês, dia 26, o baiano Enio e o pernambucano Zé Manoel misturam seus trabalhos autorais no espetáculo Encontros Híbridos seguido, no dia 27, do espetáculo Canta pra Subir, em que a cantora paulistana Sophia Ardessore, acompanhada de Nichollas Maia, Abner Phelipe, Fi Maróstica, Matheus Marinho e Lucas Alakofá dão passos além de seu primeiro disco, Porto de Paz. Um bom mês, diz aí. Lembrando que os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda neste link.

Lá vou eu de novo comentar sobre a festa que eu mesmo faço, mas o Picles ficou pequeno pro Xepa Sounds do Thiago França. Cheguei logo depois do show do Garotas Suecas e o bicho já estava pegando – Juka me chamou num canto e falou: “cê tá fudido Matias, eles já tocaram todas as músicas que você toca”. É que a verve mundana do projeto mais low profile do maestro da Santa Cecília toca nos mesmos pontos da minha discotecagem: é Spice Girls e Dua Lipa por um lado, Rouge e Caetano Veloso por outro e o cabra ainda terminou a noite mandando “Total Eclipse of the Heart”. Restou pra mim e pra Bamboloki a inglória tarefa de manter a pista cheia, mas depois de uma sequência nortista emendamos Wanderley Andrade com electrosummerhits, passando por RBD e Maria Bethania, Strokes e New Order, Madonna e Run DMC, Lady Gaga e Specials. Foi insano – quem foi sabe. E a próxima é no dia 7 de setembro, com DUAS bandas.
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