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Curadoria

E a temporada de abril no Centro da Terra começou devagarinho, como quem não quer nada, e aos poucos dominou o público que saiu de casa numa segunda-feira chuvosa para encher o teatro do Sumaré. Rodrigo Campos, Rômulo Froes e Thiago França começaram pelo projeto mais recente dos dois primeiros (o ótimo Elefante, lançado no ano passado), contando com a presença de Marcelo Cabral e Anna Vis como convidados. Cabral esteve no palco desde o início, quase um quarto integrante da temporada, e enquanto Rômulo e Rodrigo dividiam-se nos violões, ele e Thiago alternavam de instrumentos a cada nova canção: Thiago ia do sax pra flauta pro surdo pro cavaco e pra caixinha de fósforos, enquanto Cabral alternava seu contrabaixo acústico (tocado com ou sem arco e com ou sem efeitos) com outros instrumentos de percussão. Da metade da apresentação em diante, Anna Vis veio sem instrumentos para o centro do quarteto, dobrando vozes com os outros dois vocalistas, que expandiam o repertório para além do disco de 2023, puxando músicas em comum aos envolvidos, desde canções solo de Rômulo e Rodrigo (que estreou uma inédita, “Cadê o Dinheiro?”) a uma natalina fora de época (e triiiiste) “Boas Festas” de Assis Valente até “Da Vila Guilherme até o Imirim”, do Passo Torto, e “Dono da Bateria”, do disco Conversas Com Toshiro, de Rodrigo, que encerraram a apresentação.

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Eita que abril já começou desequilibrando tudo – e a temporada das segundas-feiras no Centro da Terra reúne um trio da pesada que só aumenta a responsa do mês. Imensa honra receber Rodrigo Campos, Rômulo Froes e Thiago França, que brilham em quatro datas diferentes no nosso querido teatro do Sumaré em uma temporada em que cruzam e misturam obras e canções feitas em várias mãos na temporada 3 na Ribanceira. A primeira noite, dia 8, vê os três passeando pelas canções do disco que Rômulo e Rodrigo lançaram no ano passado, como Anna Vis e Marcelo Cabral como convidados da apresentação chamada Elefante, O Oráculo da Noite. Na próxima segunda, dia 15, eles recebem Victória dos Santos, Fernanda Sangirardi e Bia Falleiros para uma roda de samba montada no palco do teatro, batizada de Samba de Tablado. Na terceira segunda-feira, os três apresentam apenas músicas inéditas sem convidados na noite chamada Sem Paralelo e encerram a temporada chamando mais uma vez Marcelo Cabral e desta vez Juçara Marçal para desfilar seus repertórios conjunto na noite chamada Coisas Nossas. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos para todas as noites já estão à venda neste link.

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Plena transição

A apresentação que o grupo Orfeu Menino fez nessa terça-feira no Centro da Terra, flagrou-os começando a tatear o próprio repertório enquanto deixa o passado de versões pra trás, sem deixar as referências de jazz brasileiro de lado. O grupo começou com uma música da vocalista Luiza Villa, passou por interlúdios bolados pelo jovem maestro Pedro Abujamra, uma canção do baixista João Pedro Ferrari e inspirados solos tanto de Pedro, quanto do guitarrista Tomé Antunes e do baterista Tommy Coelho. No percurso, passaram por “Estrada do Sol” (Tom Jobim e Dolores Duran) e “Beijo Partido” (Toninho Horta), antes de mexer em uma versão mais jazz da primeira composição desta nova leva, “Pega Mal”. Tá ficando bonito…

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O novíssimo quinteto formado por Luíza Villa (vocais), Pedro Abujamra (teclado), Tomé Antunes (guitarra), João Chão (baixo elétrico) e Tommy Coelho (bateria) está começando a desenvolver sua fase autoral e começa a mostrar suas primeiras canções no espetáculo Orfeutanásia – Presságios da Metamorfose, quando mesclam suas influências de folk, jazz e música brasileira ao mesmo tempo em que exploram essas referências para além das versões que já estavam em seu repertório. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente nesse link.

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O líder do Tangolo Mangos mostrou nessa primeira segunda-feira de abril no Centro da Terra a promissora carreira solo que tem pela frente. Ao desbravar desfiladeiros musicais bem diferentes do rock de sua banda, Felipe Vaqueiro mostrou que, mais que exímio músico e compositor, mistura essas duas qualidades em uma só, fazendo seu instrumento soar como continuação de sua voz e vice-versa (me sopraram Moraes Moreira depois da apresentação, tem muito a ver). E por mais que sua apresentação tenha contado com ótimas participações ao chamar Sophia Chablau e o percussionista de sua banda, Bruno “Neca” Fechine, para dividir o palco, foram nos momentos solitários no palco que Vaqueiro mais brilhou, mostrando o completo domínio de suas canções que ao mesmo tempo esbarram no seu jeito extrovertido e atrapalhado ao conversar com o público, tornando a noite ainda mais leve. Vai longe!

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Imensa satisfação em começar a safra de apresentações do Centro da Terra em abril deste ano com o espetáculo Dando Nome Aos Bois, idealizado por Felipe Vaqueiro, vocalista e guitarrista da banda baiana Tangolo Mangos, em que ele começa a mostrar formalmente o início de sua carreira solo, trazendo à tona canções que diferem das que apresenta com seu conjunto. A apresentação acontece no formato voz e violão, mas Felipe convida tanto o percussionista de seu grupo Bruno Fechine (que tocará pandeiro) quanto a vocalista Sophia Chablau para participarem desta noite. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda neste link.

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Inferninho Trabalho Sujo sextou e sextou BONITO. Depois de pouco mais de um semestre esquentando as quintas-feiras, mudamos a festa pra sexta e não poderia ser em melhor companhia. Pra começar, pelo fato de sermos a sede pra primeira Paixão de Castro em anos, este evento de proporções bíblicas que não acontecia literalmente há anos pois seu protagonista esteve fora dos palcos. Não mais! Tal Jesus dois dias depois, Rafael Castro está de volta, mostrando que não morreu e segue vivão vivendo vívido, dedicando o repertório de seu grande retorno unicamente ao disco que compôs e gravou em fevereiro deste ano, o sensacional Vaidosos Demais, um clássico contemporâneo desde o dia de seu lançamento. E reuniu no palco os mesmos cúmplices, tanto banda quanto convidados, que o ajudaram a erguer o disco, uma das vantagens do calor da hora. Outra era que todos os presentes bem sabiam da importância daquele momento. Além da reunião de dinossauros proporcionada por este instante único (praticamente uma Santa Ceia da Casa do Mancha, repleta das santidades da cena independente dos anos 00), todos sabiam cantar todas as músicas, o que deu uma profundidade emocional a hits instantâneos como “A Esquerda Errou Nesse Sentido” (uma crítica mais profunda que a do Vladimir Safatle), “O Algoritmo Te Escolheu”, “Pessoal da Claro”, “Fiscal de Foda”, “Nunca Em Nome de Satã” e a já imortal “Bar e Lanches”, que abriu o show e voltou no bis, como seu próprio protagonista! Que noite!

E depois recebemos o quarto show da carreira solo da vocalista dos Pelados e do Fernê. Manuela Julian subiu mais uma vez aos palcos acompanhada pela guitarra de Thales Castanheira e desfilou canções novíssimas, músicas de suas duas outras bandas e uma versão excelente para “Você Não Vai Passar” da Ava Rocha. Bom ver que, mesmo pilotando teclado e guitarra às vezes na mesma música, ela está se soltando e vindo pra frente, como faz em seus outros trabalhos, deixando de usar os instrumentos como escudo cênico e encarando – e hipnotizando – o público com sua voz grave e seu domínio de cena, fazendo todos acompanharem seu show melancólico atentamente (ou “pianinho”, como ela pediu no começo) mesmo depois da catarse que foi o show do senhor Picles. E a festa começou quando eu e Fran assumimos a discotecagem logo após seu show, fazendo o público dos shows tornar-se a pista fervida que pede toda sexta-feira – e foi só a primeira! E vem mais novidades por aí!

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Agora o sextou subiu alguns degraus quando nosso efervescente Inferninho Trabalho Sujo deixa as quintas-feiras para atingir um novo patamar ao abrir o fim de semana. E a primeira festa no novo dia não podia ser mais ilustre, pois marca o retorno aos palcos de Rafael Castro, o senhor Picles ele mesmo, lançando seu vigésimo disco, Vaidosos Demais. A noite ainda tem mais uma apresentação da vocalista das bandas Pelados e Fernê, Manuela Julian, aos poucos moldando sua carreira solo e, claro, depois da meia-noite, eu e Fran incendiamos a madrugada com hits pra não deixar ninguém parado – inclusive músicas do disco novo da Beyoncé, claro! Vamos nessa? O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, e a noite vai ser booooa…

Março chegando ao fim, é hora de anunciar as atrações de música do Centro da Terra em abril. Como o mês tem cinco segundas-feiras, começamos no dia primeiro com uma segunda sem temporada, deixando a abertura do mês para a primeira apresentação solo do baiano Felipe Vaqueiro, líder da banda Tangolo Mangos. Sozinho com seu violão, ele recebe convidados como Bruno Fechine e Sophia Chablau para dar início aos trabalhos no espetáculo Dando Nome aos Bois. No dia seguinte, dia 2, é a vez do quinteto de jazz e música brasileira Orfeu Menino começar sua mutação no espetáculo Orfeutanásia – Presságios da Metamorfose, quando misturam músicas alheias e autorais com sua verve de improviso, finalmente incorporada à apresentação. A partir do dia 8, segunda segunda-feira do mês, o trio Rodrigo Campos, Rômulo Fróes e Thiago França misturam trabalhos na temporada 3 na Ribanceira, trazendo convidados e obras diferentes a cada segunda, recebendo velhos conhecidos para apontar para novos rumos. Na segunda terça do mês, dia 9, é a vez do grupo Música de Selvagem apresentar-se mais uma vez no Centro da Terra, abrindo o processo ao redor do disco que criaram durante a pandemia pela primeira vez, reunindo-se ao trompetista Rômulo Alexis e à vocalista Inês Terra. No dia 16, quem sobe no palco central do Sumaré é a querida Juliana Perdigão, em que convida Chicão, Boi, Barulhista e Filipe Franco para um jogo de perguntas sem respostas chamado Fraga? Quem vem dia 23 é o gaúcho Pedro Pastoriz, que encerra o ciclo de seu disco mais recente, Pingue-Pongue com o Abismo, no espetáculo Replay, em que recebe vários convidados, que participaram do disco ou não. E fechamos o mês com a cearense Soledad apresentando o espetáculo Desterros, em que disseca as canções do grupo conhecido como Pessoal do Ceará, um dos grandes segredos da nossa música popular. As apresentações começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda neste link.

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Quem foi ao Centro da Terra nesta terça-feira pode contar com uma pequena grande revelação chamada Manda Conti. Desfilando suas canções maravilhosas ao lado de um time de músicos que só as engrandecia, ela apresentou o espetáculo Um Segredo Meu em que justamente torna público seus talentos – que não são poucos. Além da presença tímida mas convincente de palco, ela rege uma banda montada especialmente para esta noite que realça suas qualidades, desde a sutileza inebriante de suas canções às letras que atravessam o coração sem dó, passando por seu violão sutil e envolvente e, seu trunfo, a voz mágica. O timbre delicado mantém-se firme mesmo quando toca apenas com seu instrumento, mas quando é envolta pelo piano de José Pedro (que dividiu vocais com ela em três canções, inclusive uma sua), o violão de Luis Cunha (que a ajudou a conceber a apresentação), as texturas de Batata Boy e o baixo melódico de Helena Cruz ela sobe para outros planos e transforma o mundano em sublime com poucos gestos, notas e sílabas, alcançando uma força que a tira da promessa e lhe verte em fato. Além do repertório maravilhoso (que passou por uma peneira que deixou dezenas – sério – de canções de fora), a aniversariante do dia ainda passeou por “Night Visions” de Suzanne Vega, “Dreaming of You”, da saudosa Selena, e “Meu Mundo e Nada Mais”, de Guilherme Arantes, que não só caíram como uma luva no repertório como mostraram que essa geração nascida neste século ainda vai dar muito trabalho. Lindo demais, não vejo a hora de ver o próximo.

Assista a um trecho aqui.

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