
Baita prazer receber no palco do Centro da Terra o Test, projeto musical que já transcendeu os limites do grindcore e do death metal para abraçar a plenitude do barulho extremo, tratando os limites do ruído como fronteiras a serem desbravadas por sua vanguarda noise. A dupla formada por João e Barata toma conta das segundas-feiras de junho em uma temporada chamada de Curadoria do Medo, em que, a cada nova apresentação traz diferentes formatos a partir de seu disco mais recente, o Disco Normal. Na primeira segunda, dia 3, recebem a videoartista Carol Costa, que traduz em imagens a sonoridade do grupo. Na segunda, dia 10, recebem a iluminadora Mau Schramm, o vocalista Carlos James e Douglas Leal, que dispara efeitos e recombina o som, para manipular o ruído da dupla em tempo real. No dia 17, a terceira segunda, eles destróem as paredes do barulho numa noite que contará com uma orquestra noise formada por Leandro Conejo, Rayra Pereira, André Damião e Fabio Gianelli. A última segunda do mês é dedicada ao elemento mais livre de sua música, quase free jazz, quando recebem os músicos Miazzo, Bernardo Pacheco, Sarine, Flavio Lazzarin, Tomas Moreira, Alex Dias e Chris Justtino. As apreentações comeeçam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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Quando reuni a sofrência pernambucana ao dance desconstruído paulistano no último Inferninho Trabalho Sujo de maio sabia que, por mais díspares que fossem as experiências ao vivo dos novos discos do Tagore e do Lauiz, havia um ponto em comum nessa formação. Algo que misturava uma sensibilidade fora do comum à necessidade de explorar novos caminhos sonoros atrairia públicos distintos (inclusive no quesito etário), mas prontos para aceitarem-se mutuamente. Dito e feito. Tagore começou a noite celebrando lembranças de sua juventude no início dos anos 90, mostrando principalmente as novas canções do disco Barra de Jangada, feito em homenagem a duas figuras importantes em sua formação que o deixaram recentemente: seu pai, o artista plástico Fernando Suassuna e o guitarrista Paulo Rafael, que tocou no Ave Sangria e acompanhou boa parte da carreira de Alceu Valença. Acompanhado de uma banda formada pelo guitarrista Arthur Dossa, o baixista e principal parceiro musical João Cavalcanti e pelo baterista Arquétipo Rafa, Tagore não só passou o disco recém-lançado como visitou pérolas de seu repertório como a já clássica “Movido a Vapor” e a bela “Olho Dela”, tocada num bis improvisado, como convidou o vocalista do Mombojó, Felipe S, para dividir os vocais do maior hit do mestre Alceu Valença, “Morena Tropicana”. Que vibe boa.
Depois foi a vez de Lauiz mostrar – a caráter, vestido de caubói – o repertório de seu disco lançado nessa sexta, Perigo Imediato. Cantando canções irônicas que perdem o cinismo ao serem desconstruídas num formato indie dance, o produtor dividiu-se entre piadas sem graça (como de praxe), vocais com vocoder e um keytar enquanto seu dupla, o DJ Marquinhos Botas-de-Ferro, disparava bases e tocava guitarra, sempre mantendo a seriedade que contrapunha à autodepreciação promovida pelo vocalista. Com timbres sintéticos que soam simultaneamente cafonas e modernos, os dois mantiveram o público sempre animado, mesmo quando zoavam da própria postura no palco. O show só pecou por ser curto e durou apenas meia hora. Mas o foi o suficiente para deixar o Picles em ponto de bala para que eu e Bamboloki, que estava completando seu primeiro aniversário como DJ, fizéssemos um dos nossos melhores sets, misturando Kasino e Siouxsie & The Banshees, Yo La Tengo e Arrigo Barnabé, Gang of Four e Jonata Doll e os Garotos Solventes. Quem foi sabe.
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Temos que dar um jeito nesse frio polar que só entristece a vida das pessoas – e esse jeito chama-se Inferninho Trabalho Sujo, que acendemos em mais uma sexta-feira no Picles, a última antes do mês de junho e uma fogueira de boas vibrações. A começar pelos shows, que materializam não só um, mas dois lançamentos quentinhos que acabaram de sair do forno. Quem abre a noite é o produtor Lauiz, mostrando pela primeira vez ao vivo seu recém-lançado Perigo Imediato, que vem acompanhado do grande Tagore, este lançando seu belo Barra de Jangada. E depois dos shows assumo a pista ao lado da minha intrépida parceira de alucinações musicais coletivas Bamboloki, ambos disposotos a esquentar por dentro os corpos que se entregarem à nossa discotecagem. O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde e a noite começa a esquentar a partir das dez. Venham!

Maio não terminou mas a queda na temperatura já anuncia a chegada de junho – e assim podemos anunciar a programação de música no Centro da Terra, que começa já na semana que vem. Quem toma conta das segundas-feiras é a dupla de noise extremo Test, que em cada uma das quatro noites, convida diferentes músicos para releituras ainda mais experimentais das faixas de seu álbum mais recente, Disco Normal, numa temporada que estão chamando de Curadoria do Medo. Nas duas primeiras terças-feiras do mês, dias 4 e 11, Juçara Marçal retoma as apresentações que tínhamos começado a fazer no infame março de 2020, quando ela iria fazer apresentações tocando seu primeiro disco solo, Encarnado, em versão completamente acústico, cuja única eletricidade da apresentação seriam as luzes – acompanhada de Kiko Dinucci (violão), Rodrigo Campos (cavaquinho) e Thomas Rohrer (rabeca), ela percorre o disco que agora completa 10 anos sem microfones nem amplificadores. Na terceira terça do mês, dia 18, é a vez do brasiliense Paulo Ohana fazer a transição entre seu disco mais recente e o que está prestes a lançar num espetáculo que mistura os dois títulos, O Que Aprendi Com a Língua dos Homens na Minha Orelha, ao lado dos músicos Fernando Sagawa (saxofone e flauta), Ivan Gomes (baixo), Ivan Santarém (guitarra), Bianca Godoi (bateria) e Gabriel Milliet. O mês termina na terça 25 com a apresentação conjunta do casal mineiro Clara Castro e Nathan Itaborahy que mostram seus respectivos trabalhos solo na apresentação dupla Prefixo Quase. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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As atrações de música no mês de maio no Centro da Terra encerraram nesta terça-feira, quando o duo (I)miscível, formado por Guilherme Marques e Amilcar Rodrigues, recebeu o contrabaixista Marcelo Cabral para explorar novas fronteiras musicais a partir de uma sessão de improviso livre que, como é característica do trabalho do duo, busca novas sonoridades a partir das já estabelecidas por seus instrumetos. Enquanto Amílcar reveza-se entre o trompete, o trompete piccolo e o bombardino, Guilherme buscava detalhes e nuances de uma bateria desconstruída enquanto Cabral ia para além das quatro cordas de seu instrumento, usando tanto o corpo, quanto arco e pedais para deformar seus timbres característico, numa apresentação que ia da quietude à expansão, com direito ao público assistindo a tudo no próprio palco.
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E nesta terça-feira encerramos a programação de música no Centro da Terra deste mês de maio com a apresentação do duo (I)miscível, formado pelo baterista Guilherme Marques e pelo trompetista Amilcar Rodrigues, que recebe o contrabaixista Marcelo Cabral para uma noite de improviso livre batizada de Música para um Futuro Presente. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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O encerramento da temporada Cosmofonias de Romulo Alexis nesta segunda-feira no Centro da Terra foi apoteótico, quando chamou seu compadre Wagner Ramos, que, com Romulo, forma o duo Rádio Diáspora, para uma versão intensa dessa formação, chamada de Ensemble Cachaça!, que contou ainda com o trombone de Allan Abbadia, o contrabaixo de Clara Bastos, a voz e o berimbau de Paola Ribeiro e o sax de Stefani Souza. O sexteto partiu de momentos soturnos e silenciosos para picos de estridência e dissonância, quando timbres graves e agudos se encontravam canalizados pelo trompete e bateria do duo proponente do encontro, com direito a instrumntos de sopro desmontados para buscar novas sonoridades e um berimbau tocado com arco, além da voz livre e espacial de Paola. A última de quatro intensas noites de improviso e exploração musical foi um encerramento desnorteador.
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Entre uma peça musical e um show encenado, Sofia Botelho e Ernani Sanchez entraram no imaginário de (e sobre) Marina Lima no espetáculo Eu, Marina que fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Não era só o desfile de seus grandes sucessos, impregnados em nosso subconsciente, mas também um mergulho nesta personagem-autora que tanto encantou e confundiu o pop do fim do século passado. Transitando entre a MPB, a música pop e o R&B, Marina também abriu uma caixa de Pandora de sensações que vieram junto com as transformações comportamentais do Brasil que saía de uma ditadura militar, explorando tabus e fronteiras de forma difusa e discreta e assim atingiu diferentes ambientes musicais, todos explorados pela dupla de atores transformados em músicos – seja o programa de auditório, o karaokê ou o luau na beira da praia, passando pela poesia musicada e o canto falado e pela sempre presente sugestão sexual de um pop ambíguo. Ao explorar estes universos paralelos – usando recursos cênicos como figurino, iluminação, atuação e a quebra da quarta parede -, Eu, Marina reforça a importância de homenagear uma artista única em nossa cultura. A questão é que como Sofia está grávida – e prestes a parir – uma próxima sessão desta celebração vai ficar fora do ar por alguns meses…
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Maior prazer receber os atores Sofia Botelho e Ernani Sanchez para um desafio musical chamado Eu, Marina, em que os dois viajam pelo repertório e pelo legado de Marina Lima para compor uma apresentação musical que mistura canções, crônicas sobre a história da cantora e dos autores com poemas de Eduardo Galeano, Ana Cristina César e Angélica Freitas para explorar este universo musical. O espetáculo acontece nesta terça-feira, começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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A terceira apresentação da temporada Cosmofonias que Romulo Alexis está realizando no Centro da Terra foi feita em parceria com o núcleo Leviatã e aconteceu nesta segunda-feira, quando o trompetista reuniu-se ao lado de Edbras Brasil, Inès Terra, Thayná Oliveira e Sarine para uma sessão de improviso intensa, que começou com momentos solo de cada um dos instrumentistas – Thayná abrindo a noite entre os sussuros e seu violoncelo, entregando para os synths e percussões de Sarine, passando para o tamborim e canto de terreiro de Edbras e as texturas improváveis da voz de Inês, além do próprio trompete do anfitrião -, culminando em uma celebração conjunta, quando timbres e tempos se encontravam e se entrelaçavam em uma cama musical ao mesmo tempo experimental e familiar.
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