
A semana começou bem com Juliano Gauche mostrando pela primeira vez no palco do Centro da Terra as canções que se tornarão seu próximo álbum, A Balada do Bicho de Luz. Descendente direto da estética incisiva e direta de sua última incursão puramente elétrica (no disco Afastamento, de 2018), o novo trabalho busca um minimalismo rock que conversa tanto com a introspecção de seus discos anteriores, mas de forma expansiva. Pilotando a guitarra à frente dos velhos comparsas Klaus Sena, o baixista que também é coprodutor do próximo álbum e tocou xilofone quando apresentaram a faixa-título, e o baterista Victor Bluhm, Gauche também antecipou algumas participações que estarão no disco, como Fernando Catatau e Julia Valiengo, e encerrou o show com versões de velhas canções, como as impositivas “Alegre-se” e “Cuspa, Maltrate, Ofenda”, além de repetir a faixa de trabalho do próximo disco, “a única com refrão”, como mencionou, “Jesus Cristo Açoitando Belzebu”. Que venha o disco!
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Nesta segunda-feira Juliano Gauche volta ao palco do Centro da Terra para novamente apresentar um disco antes de seu lançamento. A Balada do Bicho de Luz, que deve ser lançado ainda neste semestre, reconecta o cantor e compositor mineiro tornado capixaba com suas influências roqueiras, depois do período introspectivo marcado pelo EP Bombyx Mori e pelo álbum Tenho Acordado Dentro dos Sonhos. Ele vem acompanhado de Klaus Sena, que produziu o disco junto com ele, e Victor Bluhm, que o ajudam a erguer as canções do disco inédito pela primeira vez no palco do teatro. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Mais uma edição do Chama que funcionou lindamente, mas noutra escala. Além de ter mais público que a primeira (em setembro de 2025), as bandas desse ano entenderam a chance de trazer participações como convites para shows espetaculares – e todos fizeram apresentações quentíssimas a partir de desafios que se propuseram. Desde a peça de teatro que intercalou as músicas do primeiro show do Copo e Água – que deixou o convidado Rafaekx o tempo todo no palco – à invasão do Nigéria Futebol Clube, que transformou sua apresentação num misto de happening e fluxo, subvertendo expectativas com inúmeros de convidados a mais, além dos anunciados J.Cruz e Tuzin. O trio Los Otros seguiu confiante de seu rockinho básico e a presença da guitarra endiabrada do Fepa deixou-os ainda mais à vontade para conquistar o público, seguido do Celacanto que fez seu show hipnótico e preciso de sempre com direito ao Giba no theremin (e soltando a voz em “Desamarrado”), Yma entregue ao grupo por três canções (incluindo a linda versão para “Queremos Saber” do Gil) e a aparição surpresa da clarinetista Laura Santos. A Nevoara fez um show absurdo, em especial pela presença e magnetismo da guitarrista Duda Freitas, uma guitar heroine de outro planeta. Com a presença de outro ás da guitarra, Samuel Xavier, do Naimaculada, e o coro formado por Rita Martinez, Naty Oliveira e Lara Zanon, o grupo fez um dos shows mais fodas da noite, também graças ao carisma da vocalista Laura Mendes. Depois foi a vez do prog purinho baixar com toda a intensidade do Baile do Peixe, que ainda convidou Sol para várias canções, inclusive trechos do musical Jesus Christ Superstar. Na finaleira, a Cianoceronte fez seu melhor show, com a mesma Duda do Nevoara fazendo a guitarra da banda, e a participação incendiária do poeta Igor Celestino, enquanto o Naimaculada encerrou a noite em seu espetáculo mais ousado, cheio de participações especiais (Dinho dos Boogarins, Cyro do Menores Atos, Francisca Barreto, Nabru e a Sol em sua segunda apresentação na noite) e completamente entregues ao público, tirando onda em tocar “Saídas e Bandeiras” do Milton Nascimento ao lado de Dinho e Chica. Uma noite que terminou em êxtase e exaustão, todos felizes de terem visto e participado das oito apresentações que reunimos neste sábado. Vamos ao próximo! Quando seria bom?
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A simples reunião de Maurício Takara, Carla Boregas, Marcelo Cabral, Juliana Perdigão e Philip Somervell num mesmo palco já basta por si. Cinco dos principais improvisadores instrumentais da cena contemporânea paulistana, cujo amplo espectro de atuação sonora só é comparável aos saltos no escuro dados por eles mesmos em inúmeras situações ao vivo nos últimos anos, os cinco estiveram reunidos nesta terça-feira em mais uma das já tradicionais apresentações anuais da dupla Takara e Boregas no Centro da Terra, quando convidaram o contrabaixista, a clarinetista e o pianista para um transe de temas inéditos. Fora a primeira parte da noite, quando os dois anfitriões deram início à apresentação sozinhos, todo o resto do espetáculo Par Expandido foi sobre novos temas compostos pela dupla e experimentados pela primeira vez ao vivo ao lado dos três convidados. O êxtase estático que os cinco conduziam as atenções compenetradas do público até tiveram intervalos que suscitaram aplaudos entre determinadas passagens, mas por quase uma hora, o quinteto improvisado esticou o tempo em vastas paisagens de transcendência sonora, por vezes interrompidas por impulsos rítmicos ou circulando em sequências hipnóticas, numa noite à altura da reputação dos cinco. Magistral.
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Nesta terça-feira recebemos mais uma vez no palco do Centro da Terra a dupla M. Takara e Carla Boregas, que tocam juntos desde 2018 e retornam ao teatro do Sumaré ampliando sua formação com participações especialíssimas. No espetáculo Par Expandido, os dois ampliam seu instrumental para além de eletrônicos e percussão, recebendo o contrabaixo de Marcelo Cabral, o clarinete e clarone de Juliana Perdigão e o piano de Philip Somervell para uma noite que vai do improviso à ambiência, percorrendo diferentes fronteiras da música e do ruído. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.
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Começamos o ano tranquilos no Centro da Terra tocados com o belo espetáculo familiar que os irmãos Ná e Marco Ozzetti puderam nos proporcionar nesta primeira segunda-feira de fevereiro. Antecipando Música na Poesia, disco que lançarão no final deste mês que partiu da intenção de Marco em musicar a poesia da baiana Simone Bacelar que foi abraçada pela irmã Ná. Foi ela que montou a banda formada pela sobrinha Thata Ozzetti, filha de outro irmão, Dante, que também estava na plateia, na percussão e pelo baixista Xantilee Jesus, que a própria Ná se referiu como família devido ao tempo que trabalham juntos – citando o contrabaixo de “Nós”, segunda música de seu primeiro disco solo, lançado em 1988. Juntos passearam por um repertório em que a voz de Ná e o violão de Marco ecovam a musicalidade brasileira de um século atrás, quando nossa música começou a se movimentar pelas ondas do rádio. A apresentação ainda contou com mais familiares no percurso, quando a cantora Mariana Furquim e a percussionista Luana Ozzetti, que tocou lindamente cuíca em uma música, as duas filhas de Marco, deixando o clima desta primeira apresentação do ano ainda mais confortável e aconchegante.
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Nesta primeira segunda de fevereiro damos início ao oitavo ano da curadoria de música no Centro da Terra e Ná Ozzetti foi a convidada para abrir essa nova série de apresentações, quando vem ao lado de seu irmão Marco Ozzetti celebrar a poesia de Simone Bacelar em canções que estarão no primeiro disco que lançarão juntos, ainda este ano, chamado de Música na Poesia. O espetáculo ainda conta com as participações de Thata Ozzetti na percussão e Xantilee no contrabaixo ,mantendo a mesma formação que registrou o futuro disco. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados pelo site do Centro da Terra.
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A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles em 2026 começou com um show assertivo de Leon Gurfein, que cada vez mais toma conta do percurso que está disposto a recorrer, seja com suas canções próprias, tocando guitarra e baixo ou músicas alheias. Acompanhado do guitarrista Marcos M7i9 (que depois seguiria no palco acompanhando Lauiz) e do beatmaker Charles Tixier, Leon derramou sua carga dramática em canções “Escândalo” imortalizada por Ângela Ro Ro, “Little Trouble Girl” do encontro de Kim Deal e Kim Gordon no Sonic Youth em uma versão em castelhano, a argentina “Viento Helado” da líder da banda Suárez Rosario Bléfari e até David Lynch, quando cantou “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” do filme Eraserhead para encerrar sua apresentação, seu melhor show até aqui.
Depois foi a vez de Lauiz assumir o palco do Picles e pela primeira vez fazer um show tocando guitarra, apontando os rumos para seu próximo álbum, inevitavelmente mais rock. Mais uma vez tocando ao lado da cozinha do Celacanto (Giovanni Lenti na bateria e Matheus Costa no baixo) e do eterno compadre Marcos M7i9, que havia acabado de tocar com Leon Gurfein e se revezava entre os eletrônicos e a guitarra. Além de tocar músicas antigas (cantadas a plenos pulmões por seus fãs enlouquecidos), Lauiz preferiu mostrar algumas novas e exibir-se na guitarra, chegando até a usar um slide para deixar o som mais Estados Unidos, como foi a tônica da noite. Que encerrou com outra música do mesmo país, quando resolveu encarnar os White Stripes na clássica “Fell in Love With a Girl”. Depois coube a mim e a Fran a segurar uma pista de quinta até quatro e pouco da manhã, mas o que não é uma festa em janeiro, né?
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Não para, não para, não para! Nesta quinta-feira tem mais uma edição do @inferninhotrabalhosujo, a primeira de 2026 no querido Picles, que quando trago dois shows daqueles: estreando no palco da casa e da festa vem o drama pop performático de Leon Gurfein, seguido de uma apresentação experimental do programador dos Pelados Lauiz, que mostrará novas músicas! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no canteiro de obras chamado Pinheiros, e a festa começa às 20h – quem pegar o ingresso online não paga pra entrar se chegar antes das 21h30. Os shows começam às 22h! E depois, eu assumo a discotecagem da noite ao lado da querida Francesca Ribeiro. Vai ser daquele jeito, vamos lá!

Bons presságios do primeiro Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira, começando o ano com uma série de sinais que dão uma ideia de como o ano promete. A começar pela casa anfitriã da noite, quando o compadre Arthur Amaral mostrou sua Porta Maldita após uma pequena mas agradável reforma que deixou a área do bar mais espaçosa – e propícia pra virar uma pistinha. A noite abriu com a banda do Vale da Paraiba Infinito Latente, que lança seu primeiro álbum bem nesse início de ano, aproveitando a festa para mostrar as músicas ao vivo pela primeira vez desde o lançamento. Baseada na harmonia da dupla que lidera o grupo, a vocalista Maira Bastos e o violonista João Dussam, o grupo ainda conta com Igor Sganzerla nos teclados, Pedro Sardenha no baixo e Caio Gomes na bateria, mostrando as canções de seu Sem Início Nem Fim na fronteira entre o indie rock e a MPB que tão bem caracteriza essa nova geração.
Depois foi a vez da Schlop aproveitar a oportunidade para mostrar a versão física e palpável do ótimo projeto “O Mapa da Música Autoral de SP”, concebido pelo companheiro da vocalista e líder da banda, Isabella Pontes, Alexandre Bazzan. O levantamento de Bazzan (que pode ser encontrado digitalmente em sua newsletter) reúne tanto casas de show quanto novas bandas e depois falo mais sobre esse ótimo projeto. E o show da Schlop também trouxe novidades: além de consolidar a formação com Lúcia Esteves no baixo e o aniversariante Antonio Valoto (na bateria), a banda começa a mostrar as músicas que lançarão em seu próximo disco, em que regravaram as músicas que Isabella lançou quando a banda ainda era um projeto de uma garota só em seu quarto. A apresentação terminou com Isabella entregando a guitarra para Gustavo Esparça (que toca em bandas tão diferentes quanto Apenas Animais, Onda Quadrada, Elipsismo, Miragem, entre outras) para o momento mais grunge da noite.
A edição terminou com a primeira apresentação da banda Turmallina na festa, com o quinteto paulistano comemorando dois aniversários na banda, quando a baterista Paula Janssen e o baixista Eduardo Campos ganharam parabéns no palco da Porta Maldita. O grupo caminha por essa improvável vertente da nova cena indie de São Paulo que mistura emo com shoegaze e aproveitou a oportunidade para mostrar músicas novas que estarão presentes em seu primeiro álbum, que está gravado agora. À frente da banda está o guitarrista Caio Silva, que, mesmo sem chamar atenção, equilibra-se entre duas duplas, dividindo os vocais com Gabe Jordano e as guitarras com Marcos Marques, dando uma personalidade específica o grupo.
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