Engenheiros do… Japão

Um pequeno mindfuck para nós aqui do Brasil.
~”Nós dois temos os mesmos defeitos…”~

Um pequeno mindfuck para nós aqui do Brasil.
~”Nós dois temos os mesmos defeitos…”~
Beck talvez seja um dos artistas do século passado que melhor entendeu a internet. Em vez de discutir download x streaming, ele entendeu que a rede é um vínculo direto do artista com o público e que esse contato vai além do lançamento de discos, singles, turnês ou clipes. Assim, ele cria uma série de projetos que o fazem reimaginar o conceito de música popular à luz das novas tecnologias, como o Song Reader que lançou no fim do ano passado – uma compilação de canções não-gravadas publicadas no formato de partituras. Quem quiser ouvi-las, que as toque.

Agora ele se junta ao diretor Chris Milk para recriar a clássica “Sound and Vision” de David Bowie de forma que ela circule na cabeça do ouvinte. Por isso, ponha seus fones e aperte o play:
Numa arena circular, Beck gira sozinho com seu violão entre o público e uma orquestra de 160 músicos (que inclui uma seção de cordas, um coral gospel, os Dap-Kings, um tocador de serrote, outro de teremin, uma harpista, integrantes de uma banda marcial, um grupo de música peruana e outro de música da Indonésia – todos regidos pelo pai de Beck, David Campbell). As gravações foram feitas usando uma horrenda Binaural Head e o número de microfones e de câmeras espalhados por todos os ângulos conseguiu registrar cada detalhe da versão épica para o clássico de Bowie, que ressoa em diferentes cantos dos fones de ouvido. Tudo bem que tudo foi bancado por uma marca de carros, mas isso não tira o mérito artístico do baixote, que sintoniza-se até com as lens flare de J.J. Abrams, heheheh…

“Walk On” foi a escolhida, sente o drama:

E por falar em gringo cantando em português, e essa versão que o Charlie Sheen – ao lado da bela Katheryn Winnick – gravou para o clássico brasileiro internacional “Águas de Março”? A música tá no próximo filme do Roman Coppola, A Glimpse Inside the Mind of Charles Swan III.
Vi na Rolling Stone. E se você tem mais de 30 anos, é inevitável lembrar da versão do Cibo Matto, com o baterista do Jon Spencer Blues Explosion Russell Simins fazendo o vocal de Tom Jobim enquanto Miho Hatori faz a de Elis. Classic:

Peça central no disco Pacific Standard Time, a versão que a dupla californiana fez para o clássico de Neil Young transfere a oração de amor dos campos do meio dos EUA para uma praia ensolarada no verão – e mesmo que a lua da colheita pareça sumir no céu azul, ela segue mandando suas vibrações suavemente, ainda que com um beat.
Quem achava que o Bonde do Rolê nem chegaria ao segundo disco (como eu), deve ter se espantado (como me espantei) quando ouviu a versão anglófona do trio curitibano para “Baby Doll de Nylon”, do Robertinho do Recife. Contando com o auxílio luxuoso dos Poolside (grande nome deste ano) e de Caetano Veloso, verteram o xaveco pernambucano em um carimbó indie praiano, “Baby Don’t Deny It” faz muito sentido em um planeta que fica mais quente a cada segundo e dentro do bem sucedido TropicalBacanal, um disco que dá uma sobrevida improvável à existência do Bonde.

2012 foi um ano de entressafra para os Arctic Monkeys, que, mesmo sem disco novo, lançou dois singles bem sucedidos (a ponteaguda “R U Mine?” e o cover que fizeram para “Come Together”, do Beatles, por ocasião dos Jogos Olímpicos em Londres). Mas ao regravar “Katy on a Mission“, o single que colocou a irrelevante Katy B no mapa pop britânico, num especial para a BBC que o grupo de Alex Turner reforçou seu papel de principal banda de rock da Inglaterra no século 21, trazendo o hit insosso da pista de dança rumo ao palco de pub tão afeito ao grupo. Eles ainda vão longe…

A versão pós-rock instrumental que o grupo curitibano submete a triste constatação de Renato Russo ao final do segundo disco do Legião Urbana dá outra leitura ao clássico dos anos 80, que atinge níveis de grandeza, melancolia e desespero apenas cogitados em teoria nas letras do grupo de Brasília, mas nunca sonicamente falando. Até 2012.

E que tal o Francisco Oceano mandando “Fake Plastic Trees”?
Vacilo o cara ter parado no finzinho, hein…