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Theodora + Oklou ♥ Beatles

Mais uma vez o Festival de Cinema de Cannes começa com música. Depois de Zaho de Sagazan requentar bem “Modern Love” de David Bowie na edição de 2024 e de Mylène Farmer celebrar David Lynch em 2025, na edição deste ano as cantoras francesas Oklou e Theodora saudaram o festival, o diretor neozelandês Peter Jackson (que recebeu uma Palma de Ouro honorária por ter “transformado” o cinema) e os Beatles ao trazer, sozinhas no palco, uma versão para “Get Back”, que também batiza a série que Jackson dirigiu sobre os quatro de Liverpool. Assista abaixo:  

Helado Negro ♥ Sly & The Family Stone

Desde o início de abril, o senhor Helado Negro vem usando seu Instagram para mostrar demos de músicas que está compondo (mostrou inclusive uma colaboração com sua nova amiga, a mineira Luíza Brina), abrindo processos de gravação e tornando pública sua rotina como autor, algo que nunca havia feito. E começou o mês de maio com sua primeira novidade fonográfica desde o EP The Last Sound on Earth, lançado em setembro do ano passado, mostrando uma versão lo-tech para o hit soul funk “Dance to the Music”, do Sly & The Family Stone, que rebatizou “Dance 2 Tha Music”. Ficou fino.

Ouça abaixo:  

Last Dinner Party ♥ LCD Soundsystem

O grupo inglês Last Dinner Party apresentou-se duas vezes no Brooklyn Paramount em Nova York neste fim de semana e para saudar a cidade, visitou o hino do LCD Soundsystem à grande maçã, “New York, I Love You but You’re Bringing Me Down”, uma música que funciona pacas com o repertório da banda. Bom demais.

Assista abaixo:  

Charli XCX via shoegaze

Enquanto a Charli XCX fica dando entrevista por aí falando sobre o fim da pista de dança e como ela vai cair no rock, Becca Harvey, que também atende pelo codinome Girlpuppy, já atirou uma das músicas do Brat (a triste balada “I Might Say Something Stupid”) num pântano shoegaze que só peca pela curta duração. A faixa é um dos extras da versão deluxe do disco Sweetness que ela lançou no ano passado e que chega encorpada às plataformas digitais no fim do mês que vem. Ficou joia.

Ouça abaixo:  

Hayley Williams + Jeff Tweedy ♥ Unknown Mortal Orchestra

Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!

Assista abaixo:  

Alice Cooper ♥ Nirvana

Na vigésima oitava edição de seu próprio festival Coopstock, que aconteceu neste fim de semana na cidade de Mesa, nos Estados Unidos, Alice Cooper pegou todo mundo de surpresa ao tocar nada mais nada menos que “Smells Like Teen Spirit”, numa versão à altura da música original do Nirvana – levando em conta que o vocalista tem 78 anos! Espírito juvenil é isso aí! Bom demais!

Assista abaixo:  

Bruce Springsteen (e Tom Morello) ♥ Prince

No último dia do mês passado, Bruce Springsteen deu início à sua nova turnê pelos Estados Unidos e escolheu a dedo a cidade inicial: a mesma Minneapolis que viu no primeiro mês deste ano, agentes da milícia de Donald Trump contra imigrantes matar dois inocentes sem nenhum motivo. Bruce, que tornou-se um dos artistas mais ativos contra o atual presidente dos EUA, não apenas participou de protestos e lançou uma música contra a infame ICE (“Streets of Minneapolis”), como transformou sua nova turnê numa contínua manifestação contra o déspota estadunidense. Batizada de Land of Hope and Dreams, a turnê conta com o ex-Rage Against the Machine Tom Morello (outro forte antagonista de Trump no mundo da música) como show de abertura e, em sua primeira noite, fez várias versões para músicas alheias, como sua reverência à Patti Smith (em “Because the Night”), e outras que confrontam o belicismo dos EUA, como “Chimes of Freedom” de Bob Dylan e “War” dos Temptations, que abriu a noite. Mas o ápice do show foi quando chamou Morello ao palco para celebrar o músico nativo mais importante daquela cidade, ao tocar “Purple Rain” do Prince pela primeira vez em dez anos. “Para o maestro!”, cumprimentou o público ao entoar os primeiros acordes em sua guitarra. Emocionante

Assista abaixo:  

Wedding Present ♥ Pavement

Houve um período entre os anos 80 e os anos 90, no final do século passado, que a música pop que dominava as paradas de sucesso pelo mundo começava a parecer cada vez mais artificial e distante da vida das pessoas, fazendo com que vários novos artistas buscassem outro tipo de som para fugir dos clichês que dominavam as rádios da época – e nessas buscas, encontravam outros artistas iniciantes com as mesmas frustrações. Antes do indie inglês explodir no britpop, aquela cena musical buscava expandir suas fronteiras misturando melodia e ruído, algo sintetizado na clássica fita C86, que revelou uma nova safra de bandas britânicas em 1986 que, mais tarde, mudaria o pop daquela ilha. E entre nomes como o Primal Scream, os Pastels, os Soup Dragons, os Shop Assistants e o McCarthy (a semente do Stereolab), estava o Wedding Present, que três anos depois lançaria o clássico álbum Bizarro. Na época deste disco, o baixista da banda, Keith Gregory, foi para os EUA e voltou com alguns discos de bandas desconhecidas e escolheu a música “Box Elder”, de uma delas para incluir em seus shows. A faixa era uma das músicas do primeiro lançamento de uma banda completamente desconhecida, o EP Slay Tracks (1933-1969), de um grupo chamado Pavement. A versão chamou atenção do histórico radialista inglês John Peel, que, curioso como só ele, foi atrás da tal banda e ajudou-a a ser mais conhecida para além de seu grupo de amigos em Nova York. A versão do Wedding Present para “Box Elder” depois foi incluída na edição em CD do disco Bizarro e muitos achavam que, quando o Pavement começou a chamar atenção do público em seu país, eles é que estavam tocando uma música da banda inglesa. Para lembrar esse impulso inicial a uma das bandas mais importantes do indie rock, o Wedding Present voltou a incluir a faixa do Pavement no repertório da turnê que acabou de começar a fazer pelos Estados Unidos.

Assista abaixo, quando emendam “Box Elder” com sua ótima “Kennedy”, no show que fizeram na quarta passada, em Cambridge:  

Arlo Parks ♥ PinkPantheress

A britânica Arlo Parks acaba de lançar seu terceiro álbum Ambiguous Desire e na rodada de divulgação do disco acabou por saudar sua conterrânea PinkPantheress ao cantar a grudenta “Stateside” (a mesma que foi causou a sensação ao ser escolhida pela patinadora norte-americana Alysa Liu para ser sua trilha sonora nas Olimpíadas de Inverno) em sua participação no programa BBC Radio 1 Live Lounge, deixando a canção suave mas sem perder seu ritmo. Ficou joia.

Assista abaixo:  

Luna ♥ Television, Cars, Lou Reed, Donovan, Dream Syndicate e muito mais…

O Luna está transformando sua residência de três dias no Bowery Ballroom, em Nova York, em um evento anual como faz o Yo La Tengo todo ano em seu hanukkah. Já que seus integrantes não moram mais na maior cidade dos EUA (o casal Dean Wareham e Britta Phillips está Los Angeles, o baterista Lee Wall foi pro Texas e o guitarrista Sean Eden pra São Francisco), esse acaba sendo o vínculo da banda com a cidade. E como o evento do Yo La Tengo, eles resolveram abrir para versões nos três shows que fizeram no fim de semana. Começaram sexta com o tema do filme Perdidos na Noite e depois passaram pelo já tradicional cover que fazem de “Sweet Child O’Mine” dos Guns N’ Roses, que emendaram com outra versão que fazem sempre do Donovan (a sensacional “Season of the Witch”) e duas do Dream Syndicate (“That’s What You Always Say” e Tell Me When It’s Over”) com a presença do guitarrista da banda original Steve Wynn. No sábado tocaram a balada “Drive” dos Cars e “Femme Fatale” do Velvet Underground logo de saída, para depois arrematar com duas versões de Lou Reed (“New Sensations” e “Satellite of Love”), uma do Suicide (“23 Mnutes in Brussels”) e a lendária “Marquee Moon” do Television), repetida também no domingo, que também teve repetecos de “Drive” e da música do Suicide, além de uma versão para “Blue Thunder”, música do Galaxie 500, a banda anterior de Dean. E não custa lembrar que Dean e Britta estão vindo pro Brasil pra tocar as músicas do Galaxie no início de maio.

Veja os vídeos abaixo: