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Miley Cyrus ♥ Cocteau Twins

Parece um sonho febril de tão surreal. Olha que foda essa versão pra “Heaven or Las Vegas” dos Cocteau Twins que a Miley Cyrus fez num show em 2021 justamente em Las Vegas. “Não se preocupem, tem só um minuto de duração”, ela se justifica no meio da música pros fãs que queriam ouvir as músicas dela. Além de matar sua vontade de tocar esse clássico (de um disco que foi redescoberto por uma nova geração como se fosse a obra-prima do grupo inglês), ela fez bonito e certamente fez alguns de seus fãs saírem atrás daquela música e talvez tenham descoberto os Cocteau Twins. Só por isso essa versão já estava valendo. E como se não bastasse tudo isso, espere até o final do vídeo, quando ela ganha um presente de um fã.

Assista abaixo:  

Thom Yorke + Flea ♥ Marvin Gaye

Flea lançou um belo disco solo no começo do ano (chamado Honora, vale conferir) e ao passear pela Europa tocando ao vivo o novo trabalho, convidou o chapa Thom Yorke para dividir o palco no show que fez em Londres nesta terça-feira. Parceiros na banda Atom for Peace, o baixista do Red Hot Chili Peppers e o vocalista do Radiohead já quebraram o gelo de cara quando Flea convidou Thom para subir ao palco para acompanhá-lo em “Traffic Lights”, música da banda que têm juntos, logo na segunda música. O show realizado na casa Koko ainda contou com a participação de Warren Ellis (na faixa “Frailed”) e versões para músicas de Jimmy Webb (“Wichita Lineman”), Frank Ocean (“Thinkin Bout You”) e Funkadelic (“Maggot Brain”) e logo após esta última Flea chamou Thom de volta ao palco para dividir uma versão de dez minutos para a irresistível “Got to Give It Up”, do Marvin Gaye. Que delírio.

Assista abaixo:  

Paulo Miklos intérprete

Ao cogitar seu quinto disco solo, Paulo Miklos resolveu atacar de intérprete e transformou a seleção das canções do novo álbum em uma “playlist afetiva” – daí o título Coisas da Vida, pinçado da conhecida faixa de Rita Lee (uma das escolhidas), do álbum que lança nesta sexta-feira. “As escolhas são muito pessoais e elas vêm de diferentes experiências de vida – e de momentos e épocas diferentes também”, explica o eterno titã. “Incluí a primeira música que eu aprendi no violão, a música que cantava no bar Café Teatro A Pulga antes dos Titãs, a música que eu sofri o luto pela perda de um ente querido e assim por diante…”

Para instigar o lançamento, ele liberou o clipe que fez para “Mestre Jonas”, épico prog-bíblico de Sá,Rodrix & Guarabyra em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Sinto uma identificação muito grande com ‘Mestre Jonas’”, ele explica falando da escolha da canção. “Estive, e ainda estou, num processo de reconstrução da minha vida e a baleia é aqui o meu apartamento, novo endereço, pra onde, aos poucos, eu trouxe tudo o que é meu. Agora está mais parecido com um lar. Mas não pretendo ficar no isolamento como o Jonas, quero sim, levar pra o mundo esse novo projeto que está lindo demais!”

“Além disso, ‘Mestre Jonas’ sempre me impressionou muito”, continua falando sobre a faixa que abre o disco. “A fúria do órgão e do piano do Zé Rodrix é contagiante! Adoro Sá, Rodrix & Guarabyra! Nunca vi show deles ao vivo, mas fez parte do meu imaginário na adolescência.” Assista ao clipe abaixo, além de ver a capa e as outras músicas que escolheu para seu novo repertório:  

Theodora + Oklou ♥ Beatles

Mais uma vez o Festival de Cinema de Cannes começa com música. Depois de Zaho de Sagazan requentar bem “Modern Love” de David Bowie na edição de 2024 e de Mylène Farmer celebrar David Lynch em 2025, na edição deste ano as cantoras francesas Oklou e Theodora saudaram o festival, o diretor neozelandês Peter Jackson (que recebeu uma Palma de Ouro honorária por ter “transformado” o cinema) e os Beatles ao trazer, sozinhas no palco, uma versão para “Get Back”, que também batiza a série que Jackson dirigiu sobre os quatro de Liverpool. Assista abaixo:  

Helado Negro ♥ Sly & The Family Stone

Desde o início de abril, o senhor Helado Negro vem usando seu Instagram para mostrar demos de músicas que está compondo (mostrou inclusive uma colaboração com sua nova amiga, a mineira Luíza Brina), abrindo processos de gravação e tornando pública sua rotina como autor, algo que nunca havia feito. E começou o mês de maio com sua primeira novidade fonográfica desde o EP The Last Sound on Earth, lançado em setembro do ano passado, mostrando uma versão lo-tech para o hit soul funk “Dance to the Music”, do Sly & The Family Stone, que rebatizou “Dance 2 Tha Music”. Ficou fino.

Ouça abaixo:  

Last Dinner Party ♥ LCD Soundsystem

O grupo inglês Last Dinner Party apresentou-se duas vezes no Brooklyn Paramount em Nova York neste fim de semana e para saudar a cidade, visitou o hino do LCD Soundsystem à grande maçã, “New York, I Love You but You’re Bringing Me Down”, uma música que funciona pacas com o repertório da banda. Bom demais.

Assista abaixo:  

Charli XCX via shoegaze

Enquanto a Charli XCX fica dando entrevista por aí falando sobre o fim da pista de dança e como ela vai cair no rock, Becca Harvey, que também atende pelo codinome Girlpuppy, já atirou uma das músicas do Brat (a triste balada “I Might Say Something Stupid”) num pântano shoegaze que só peca pela curta duração. A faixa é um dos extras da versão deluxe do disco Sweetness que ela lançou no ano passado e que chega encorpada às plataformas digitais no fim do mês que vem. Ficou joia.

Ouça abaixo:  

Hayley Williams + Jeff Tweedy ♥ Unknown Mortal Orchestra

Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!

Assista abaixo:  

Alice Cooper ♥ Nirvana

Na vigésima oitava edição de seu próprio festival Coopstock, que aconteceu neste fim de semana na cidade de Mesa, nos Estados Unidos, Alice Cooper pegou todo mundo de surpresa ao tocar nada mais nada menos que “Smells Like Teen Spirit”, numa versão à altura da música original do Nirvana – levando em conta que o vocalista tem 78 anos! Espírito juvenil é isso aí! Bom demais!

Assista abaixo:  

Bruce Springsteen (e Tom Morello) ♥ Prince

No último dia do mês passado, Bruce Springsteen deu início à sua nova turnê pelos Estados Unidos e escolheu a dedo a cidade inicial: a mesma Minneapolis que viu no primeiro mês deste ano, agentes da milícia de Donald Trump contra imigrantes matar dois inocentes sem nenhum motivo. Bruce, que tornou-se um dos artistas mais ativos contra o atual presidente dos EUA, não apenas participou de protestos e lançou uma música contra a infame ICE (“Streets of Minneapolis”), como transformou sua nova turnê numa contínua manifestação contra o déspota estadunidense. Batizada de Land of Hope and Dreams, a turnê conta com o ex-Rage Against the Machine Tom Morello (outro forte antagonista de Trump no mundo da música) como show de abertura e, em sua primeira noite, fez várias versões para músicas alheias, como sua reverência à Patti Smith (em “Because the Night”), e outras que confrontam o belicismo dos EUA, como “Chimes of Freedom” de Bob Dylan e “War” dos Temptations, que abriu a noite. Mas o ápice do show foi quando chamou Morello ao palco para celebrar o músico nativo mais importante daquela cidade, ao tocar “Purple Rain” do Prince pela primeira vez em dez anos. “Para o maestro!”, cumprimentou o público ao entoar os primeiros acordes em sua guitarra. Emocionante

Assista abaixo: