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Toro y Moi x The Office

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Chaz Bundick, o homem-Toro y Moi, resolveu celebrar o ótimo The Office inglês com uma versão para “Slough”, a terrível homenagem musical que o gerente David Brent (Ricky Gervais, em seu melhor papel) faz à sua cidade natal. Não era muito difícil deixar a música melhor que o original, mas esse clima esparso, bucólico e sintético só poderia vir do Toro y Moi.

Se você não lembra da versão original, cuidado, ela pode ser ouvida aí embaixo:

 

Mundo Livre S/A toca Nação Zumbi que toca Mundo Livre S/A

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E vocês viram esse disco que tá pra sair, em que a Nação Zumbi toca músicas do Mundo Livre S/A e vice-versa? Olha duas amostras aí embaixo…


Nação Zumbi – “O Velho James Browse Já Dizia”


Mundo Livre S/A – “Samba Makossa”

Seria foda mesmo se as duas bandas fizessem uma turnê desse disco fazendo shows juntos, como já fizeram.

Cazuza x Silva

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E quem arriscaria dizer que o Silva gravando Cazuza solo seria uma boa idéia?

Pois é, funcionou – e assim o Silva vai consagrando-se ainda no primeiro disco.

“Blurred Lines”: Melhor música de 2013?

“I know you want it…”

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“I know you want it…”

Melhor eu não sei, mas que “Blurred Lines”, esse pastiche de Prince com groove new wave feito pelo Robin Thicke, já é um dos grandes hits desse ano, sem dúvida. Não é à toa que tá gerando versão atrás de versão, seja do Vampire Weekend…

…ao Queens of the Stone Age…

…passando pelos Muppets…

…e com os Roots e o Jimmy Fallon…

…e não vai parar tão cedo (fico impressionado de ninguém ter tentado abrasileirá-la ainda). Minha versão favorita é a do clipe NSFW, abaixo:

 

Anitta ain’t no joke

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Depois eu explico porque eu acho que “Show das Poderosas”, da Anitta, é uma das músicas mais importantes de 2013. Por enquanto, fiquem com essa versão espetacular e infame – na mesma medida – que o grupo Ain’t No Joke fez pra esse hit:

Lee Ranaldo, o cientista maluco

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O fim do Sonic Youth parece ter liberado seus integrantes do ruído e da microfonia – pelo menos foi isso que deu para entender a partir dos primeiros trabalhos que dois de seus fundadores lançaram. Demolished Thoughts, o segundo disco solo de Thurston Moore, lançado em 2011, era quase todo composto ao violão e a produção do Beck enfatizava o lado bucólico e solitário das canções. O de Lee Ranaldo, Between the Times and the Tides, também segundo disco, lançado no ano passado, também tinha maior foco em canções quase sessentistas de tão perfeitinhas. Mas os shows dos dois guitarristas no Brasil mostrou que o que eles gostam mesmo é de barulho. Thurston, em abril do ano passado, trouxe uma banda de apoio que meses depois se tornaria o Chelsea Light Moving, uma banda elétrica o suficiente para não ter nada a ver com o disco que a reuniu. Agora é a vez de Lee Ranaldo, que se apresenta no Brasil em quatro datas – duas no formato rock e a banda The Dust, e duas no formato arte, ao lado da esposa Leah Singer.

Na tradição do Sonic Youth, Lee Ranaldo era o cientista maluco, o desbravador das fronteiras da eletricidade sonora, enquanto Thurston era o maníaco do punk rock, o autor de “Teen Age Riot”. E por mais que seu disco mais recente soasse domesticado e pop, quando ele o trouxe para o palco da choperia do Sesc Pompéia, abria espaços entre refrões, introduções e letras para espasmos sonoros descontrolados e eufóricos, sendo acompanhado por músicos na mesmíssima sintonia de sua antiga banda – um deles, o mestre baterista Steve Shelley, eterno baterista do SY. O guitarrista Alan Licht ia da microfonia e ao discreto apoio ao líder da banda, enquanto o baixista Tim Luntzel criava contrapontos musicais impensáveis na formação do Sonic Youth, com um dedo no jazz e outro no rock clássico. Mas por mais que brilhassem como músicos, o holofote caía sempre em Lee Ranaldo.

Muito à vontade, ele não apelou para o populismo de tentar falar em português e assumiu que seu público entendia o inglês que falava – e não parava de falar. A cada nova música, conversava com a platéia explicando a origem da música (“Xtina as I Knew Her” era sobre sua colega adolescente mais promissora, uma pessoa que ninguém nunca mais sobre dela; “Shouts” foi composta a partir do movimento Occupy Wall Street, etc.) e todos reagiam como se estivessem assistindo a um velho conhecido contar o que fez da vida o tempo todo que esteve fora. Além das músicas do disco do ano passado, emendou algumas que ainda não existem em disco, como “Lecce”, “Keyhole”, “Fire Island (Phases)” e “Last Night on Earth”.

E matou a vontade do público brasileiro de ouvir suas faixas no Sonic Youth mesmo sem tocar nenhuma música da banda há mais de ano em seus shows. Na sexta-feira foi de “Genetic” e no sábado foi de “Karen Revisited (Karenology)”. No mesmo sábado ainda brincou com o público, anunciando “Teen Age Riot” antes de rir dizendo que era uma piada. E além do Sonic Youth, discorreu por outras versões, ao lembrar que, quando tinha apenas as músicas do primeiro álbum, gostava de tocar músicas que o influenciou – e para não perder a oportunidade, tocou “She Cracked” dos Modern Lovers na sexta-feira e outras três – “Everybody’s Been Burned” dos Byrds, “Thank You for Sending Me an Angel” dos Talking Heads e “Revolution Blues” do Neil Young – no sábado.

Ao final dos dois shows, correu para falar com os fãs. No primeiro dia, estava conversando com um amigo quando Lee Ranaldo, seguido de Steve Shelley, saiu correndo dos bastidores para o público, perguntando “cadê as pessoas?”. Conversou, tirou fotos e autografou discos – demorou tanto tempo que, no sábado, a casa de shows achou melhor organizar o encontro do lado de fora. E, mais uma vez, cruzei com ele quando estava saindo, ele fazendo a mesma pergunta (“cadê as pessoas?”) com os olhos esbugalhados e ar impaciente. Era ainda o mesmo cientista louco que tornou o Sonic Youth uma das bandas mais importantes de sua geração.

Agora é a vez de seus shows performáticos. Vamos ver o que acontece.

Fiz uns vídeos aí embaixo, saca só:

 

Vanessa Paradis: “I’m Waiting for the Man”

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E por falar no Velvet, que tal essa versão feita para “I’m Waiting for the Man” com a cantora francesa Vanessa Paradis (autora da canção que originou “Vou de Táxi”, da Angélica; ícone teen francês aos 14 anos)? Na guitarra, o ator e futuro marido Johnny Depp: