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Dave Brubeck à indiana

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E que tal essa espetacular versão indiana para a faixa-símbolo de um dos maiores discos de jazz de todos os tempos?

Essa versão de “Time Out”, do Dave Brubeck Quartet, é apenas uma das versões feitas pelo grupo paquistanês Sachal Studios Orchestra, que também fez versões parecidas para “Eleanor Rigby”, dos Beatles, e “Everybody Hurts”, do R.E.M. Ouça:

Refletor #006: BBC além dos limites da breguice

bbc

Minha coluna no Brainstorm9 essa semana foi sobre esse clipe brega que a BBC fez pra dizer que agora ela tem um site que permite às pessoas fazerem suas playlists, deixando de lado um legado quase centenário para alinhar-se aos titãs do mundo digital.

Tudo errado
No clipe de lançamento do novo serviço BBC Music, a decana estatal inglesa rebaixa-se ao nível do novo mercado

Todos sabemos da importância da BBC para a história da comunicação, para a Inglaterra e para a história da música gravada. Por isso quando a estatal britânica resolveu reunir todas suas vertentes musicais numa mesma plataforma chamada BBC Music, nos preparamos para o aplauso. Afinal, estamos falando da BBC.

O gesto é uma evidente tentativa de fazer sua grife manter-se atual, reunindo sua produção ao redor do tema “música” num mesmo canal, sejam playlists, programas de rádio, entrevistas ou shows em seus estúdios. A interface do site é voltada para dispositivos móveis e tenta reunir diferentes conteúdos em abas diversas – nomes de programas, gêneros musicais, nomes de artistas, notícias – e oferece um serviço chamado Playlister, que além de disponibilizar sequências de músicas assinadas pelos canais da emissora também permite ao ouvinte fazer suas próprias seleções e descobrir músicas novas. Resumindo, a emissora criou um Spotify próprio para reorganizar seu conteúdo online e assim tenta fazer valer seu nome no atual cenário global de música.

Assistimos, desde o início do século, a uma briga de logotipos de todas as áreas ao redor deste tema e é neste cenário que o novo BBC Music quer brigar, entre velhas gravadoras e novos aplicativos, fabricantes de aparelhos portáteis e empresas de telefonia móvel.

A empresa gaba-se que seu novo projeto é “uma ambiciosa onda de novos programas, parcerias inovadoras e iniciativas pioneiras que afirmam o mais forte compromisso da BBC com a música em 30 anos”, reza o release. Um blablablá corporativo pesado, que parece mais disposto a equivaler-se a um cenário musical mutante do que a impor sua própria importância.

A nova plataforma chega ao mundo acompanhada de um clipe. Uma versão cheia de artistas conhecidos – de diferentes gêneros, épocas e países – para regravar o clássico dos Beach Boys “God Only Knows”. Ok, vamos ver…

O resultado é espetacularmente brega. Aliás, brega é pouco. Transcende os limites do brega. Brega é só o conceito de reunir vários artistas para cantar uma música conhecida por todos. O “We Are the World” era menos brega porque pelo menos lançou uma musica nova. Mas esse clipe, essa versão, esse conceito… Tudo errado.

Não apenas pela escolha dos artistas, que funciona até a página três. Há clássicos de menos (Stevie Wonder, Elton John, Brian May e o próprio Brian Wilson) e pop contemporâneo de mais (Dave Grohl, Lorde, Pharrell, Chris Martin, Florence Welch, Sam Smith, Jake Bugg, Kylie Minogue e Jamie Cullum), um inevitável Jools Holland e um evitável One Direction, além de artistas eruditos (Eliza Carthy e Danielle de Niese) e “do resto do mundo” (Baaba Maal) para dar aquele molho de “pluralidade”, além da BBC Concert Orchestra e um coral com 80 vozes.

Se no quesito música o resultado é mediano, na parte visual é constrangedor. A direção de arte do clipe deixa tudo pior ao colocar asas negras na Lorde, Elton John coberto de borboletas azuis, um tigre pulando sobre o piano de Brian Wilson, Kylie Minogue flutuando em uma bolha, Stevie Wonder cercado de diamantes… Trata artistas não como personagens mais sensíveis que nós, mas como um circo de pessoas estranhas. É um delírio psicodélico careta, uma caricatura musicada da direção de arte de Tim Burton filtrada pelo filme As Aventuras de Pi.

O clipe coroa uma iniciativa que parece tirar a majestade da BBC. Ao descer de seu próprio pedestal, a emissora perde seu tom austero e tenta criar um universo particular clean e higienizado, mais próximo das campanhas publicitárias de marcas de celular ou de serviços de streaming do que de um padrão BBC de qualidade. Basta comparar essa versão com outra, feita pela emissora há dezessete anos, quando ela também reuniu veteranos e novatos para cantar uma música conhecida, no caso “Perfect Day”, de Lou Reed.

Além do próprio Lou Reed (fazendo “air piano”), a versão de 1997 ainda tinha participações de Bono, David Bowie, Suzanne Vega, Elton John, Burning Spear, Emmylou Harris, Tammy Wynette, Shane MacGowan (dos Pogues), Robert Cray, Skye Edwards (do Morcheeba), Dr. John, Emmylou Harris, Brett Anderson (do Suede), Laurie Anderson e Tom Jones – tudo bem, também tiveram os meninos do Boyzone. Mas ao comparar a “Perfect Day” de 1997 e a “God Only Knows” de 2014, percebe-se que até o fim do século passado a BBC ainda mantinha alguma austeridade, mesmo que um filtro visual no clipe quisesse deixá-la com uma cara moderna.

E o lançamento da canção de 1997 não tinha nenhum intuito inovador – era apenas um comercial feito para a TV para reforçar que, com como dizia a mensagem ao final do anúncio, “não importa qual é seu gosto musical, ele é saciado pela BBC Rádio e Televisão. Isso só é possível graças à forma incomparável como a BBC é paga por você. BBC. Você faz o que ela é.” “Você vai colher o que plantar”, como cantava escancaradamente o refrão.

“God Only Knows”, por outro lado, parece uma súplica para não perder ouvintes – “Só Deus sabe o que eu seria sem você”, canta a canção perfeita de Brian Wilson mas também parece cantar a BBC, que perde seu rigor para exibir-se como mero zoológico de personagens exóticos, estes tais artistas que fazem música. Havia uma empolgação para aplaudir, uma antecipação otimista sobre como a emissora marcaria sua entrada no século digital e assistimos a uma campanha de marketing mediana cheia de celebridades e efeitos especiais. O oposto do que se esperaria da BBC.

Tudo errado.

Haim ♥ Fletwood Mac

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A revista T do New York Times conseguiu reunir integrantes distantes de uma família musical para um longo papo sobre música pop, carreira e ser mulher entre Stevie Nicks, o rosto e coração da fase clássica do Fleetwood Mac, e suas pupilas, as irmãs Danielle, Este e Alana Haim. E não foi só o papo – o trio Haim ainda se juntaou à velha loba para uma interpretação ao piano da clássica “Rhiannon“.

Fãs da banda, as Haim já tocam uma versão de uma música da fase bluesy do Fleetwood Mac, do final dos anos 60, “Oh Well“. Saca só:

“Rolling in the Deep” com Aretha Franklin

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Você já deve ter ouvido a versão que Aretha Franklin fez para “Rolling in the Deep”, da Adele, certo? Senão, segue a apresentação da diva soul dos anos 60 cantando o hit da diva pop dos anos 00 no programa do David Letterman, na TV americana ontem.

Muita gente veio comemorar como a música havia “melhorado” na voz de Aretha – puro preconceito contra Adele ou contra hits que tocam demais. “Rolling in the Deep” tocou em tudo quanto é lugar até dar no saco, mas se Aretha Franklin resolve cantá-la, este é o maior elogio que a canção e sua autora poderiam receber. Sua interpretação soa melhor porque nós nos acostumamos ao furacão Aretha, mas isso não quer dizer que a música original era fraca. Mas quando Aretha emenda o hit da década passada com outro contemporâneo seu (“Ain’t No Mountain High Enough”), o resultado não soa tão natural…

George Harrison via Beck

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O apresentador de TV Conan O’Brien abriu uma semana de homenagens a George Harrison começando com uma versão acelerada do Beck pra favorita (como quase todas as músicas do All Things Must Pass) “Wah Wah”. Aperta o play:

Miley Cyrus x Led Zeppelin

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Não dá pra acusar Miley Cyrus de ser previsível – e ela acaba de publicar uma versão que gravou para “Babe I’m Gonna Leave You”, imortalizada no primeiro disco do Led Zeppelin. E, olha, ruim não ficou…

Mac DeMarco x Angel Olsen

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E o Mac DeMarco tocando “Lights Out” da Angel Olsen? Que conexão!

Não custa voltarmos à original, já que a senhorita Olsen tá garantindo seu lugar no ranking de 2014.

Say Lou Lou x Daft Punk

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E as irmãs do Say Lou Lou continuam galgando seu caminho rumo ao topo do hype de 2015 – desta vez elas fizeram uma versão na macia pro hit “Instant Crush”, aquele que o Julian Casablancas canta no disco mais recente do Daft Punk. Sente só: