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Caetano Veloso volta a 1968

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Caetano Veloso regrava o clássico dos Beatles “Hey Jude” só ao violão para a trilha de documentário Narciso em Férias, que a dupla Renato Terra e Ricardo Calil fez sobre sua prisão em 1968, ano de lançamento da canção do quarteto inglês. “Essa canção dos Beatles que era um anúncio de luz quando, na prisão, eu a ouvia no rádio de um sargento do PQD”, explica o cantor e compositor baiano em um comunicado. “Reouvindo aqui as canções mais marcantes de Sérgio Ricardo, vi que, mesmo as de maior sucesso na época em que foram lançadas, têm 14 mil, 22 mil, 108 visualizações. Por acaso – por algoritmo -, veio na lista de sugestões do YouTube ‘A Day in The Life’ dos Beatles: 102.196.955 visualizações. Pensei na situação periférica do Brasil”, lamenta. Ele gravou a música no dia em que deu a entrevista para o documentário. “Nunca tinha pegado o violão, sacado a harmonia e cantado mesmo. Nunca sequer aprendi a letra inteira”, lembra, “no dia da filmagem da entrevista para o Narciso em Férias foi a primeira vez. E ainda assim, quase só cantarolei. Por isso gravamos aqui em casa, eu e Lucas Nunes, tecladista e guitarrista da Dônica, ele fazendo o duplo papel de violonista e técnico de gravação,”

Ave Galaxie 500

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No início do ano, para aproveitar o lançamento da versão em vinil do disco ao vivo Copenhagen do Galaxie 500, a gravadora norte-americana Persona Non Grata estava organizando uma apresentação no Record Store Day para trazer bandas para a loja nova-iorquina da Rough Trade e fazer um show com bandas tocando músicas do saudoso grupo indie. Mas com a pandemia e a quarentena, o projeto teve de ser reestruturado e tornou-se uma série de apresentações ao vivo gravadas remotamente incluindo nomes contemporâneos e influenciados pela clássica banda. Separei aqui as versões que o Mercury Rev, Thurston Moore, Glenn Mercer (dos Feelies), Surfer Blood, Barbara Manning, Hamilton (do grupo inglês British Sea Power), Mark Lanegan, Stephin Merritt, Calvin Johnson, Real Estate, Versus, Winter, entre outros, tocando canções imortais do grupo ou variações de versões clássicas feitas pelo grupo para músicas do Velvet Underground, do New Order e dos Rutles.

Você confere todas as versões lá no site oficial do projeto. Que banda!

Yo La Tengo e uma noite sem dormir

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O Yo La Tengo abriu a quarta-feira anunciando o lançamento de mais um EP, o segundo lançado nesta quarentena (depois do ótimo ambient instrumental We Have Amnesia Sometimes). Sleepless Night é um projeto em parceria com o artista japonês Yoshitomo Nara, que escolheu com o grupo versões de músicas para tocar em sua exposição de retrospectiva no Los Angeles Country Museum of Art. São músicas de Bob Dylan, Flying Machine, Delmore Brothers, Ronnie Lane e dos Byrds reunidas no disco com a faixa inédita “Bleeding”. O grupo escolheu “Wasn’t Born To Follow”, composta por Carole King e Gerry Goffin e eternizada pelos Byrds, para mostrar no anúncio do disco, cuja capa é desenhada pelo próprio Nara.

O disco será lançado em outubro e já está em pré-venda. Abaixo, sua capa e a ordem das músicas:

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“Blues Stay Away” (dos Delmore Brothers)
“Wasn’t Born to Follow” (dos Byrds)
“Roll On Babe” (de Ronnie Lane)
“It Takes a Lot to Laugh” (de Bob Dylan)
“Bleeding”
“Smile a Little Smile for Me” (do Flying Machine)

Beneath the Remains em vinil duplo laranja

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Em outra reedição caprichada da Rhino, o disco que consolidou a importância do Sepultura na cena mundial, Beneath the Remains, ganha uma nova versão em vinil com direito ao disco de 1989 remasterizado a partir das fitas originais, além de um segundo disco com faixas gravadas no Rio de Janeiro, algumas em versão instrumental, antes do grupo registrar as versões definitivas na Flórida, e músicas tiradas do show que o grupo mineiro fez no clube Zeppelinhalle, na cidade alemã de Kaufbeuren, no dia 22 de setembro do ano de lançamento do disco, com direito a versões para “Symptom Of the Universe” do Black Sabbath e “Holiday In Cambodia” dos Dead Kennedys:

São apenas 1500 cópias do disco, que já está à venda.

Azymuth nas curvas da estrada de Santos

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“As Curvas da Estrada de Santos” é uma das canções mais emblemáticas de Roberto Carlos, especificamente no ponto de vista musical, quando ele começa a flertar com a soul music, o gospel e o blues, usando a música para extravasar as emoções – tanto que no ano seguinte de seu lançamento, em 1970, Elis Regina a regravou em seu clássico Em Pleno Verão justamente sublinhando as cores rasgadas da canção original. Três anos depois, o grupo instrumental Azymuth regravava o hit numa versão ainda mais pesada, que infelizmente foi engavetada. Só que ao arrumar suas coisas depois de ajudar a coletânea Azymuth – Demos (1973-75) Volumes 1 & 2, lançada no ano passado pelo mesmo selo inglês Far Out, o baterista do grupo, o mítico Ivan Conti, o Mamão, desenterrou essa pérola que agora vai ser finalmente lançada pelo mesmo selo, em um compacto. Na gravação, alem de Conti, o grupo ainda conta com o falecido José Roberto Bertrami nos teclados elétricos, Alex Malheiros tocando contrabaixo acústico e o guitarrista João Américo.

O disco já está à venda no site da Far Out. No lado B do compacto, um improviso entre o tecladista e o guitarrista, cujo apelido era Paraná, batizando a faixa de “Zé e Paraná”. Estas duas faixas, como a coletânea do ano passado, foram gravadas entre 1973 e 1975, na casa de Bertrami, no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Poolside pra esquentar um pouco

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Poolside, o projeto solar do californiano Jeffrey Paradise aumenta a temperatura que estabeleceu no disco que lançou no começo do ano, Low Season, ao lançar o single “Getting There From Here”, regulando com o verão no hemisfério norte, mas sem animar-se muito por motivos de quarentena. Ma dá pra aquecer o coração daquele jeito, pra começar pelo vocal do Todd Edwards…

E ele lançou no fim do mês passado uma versão irresistível (e melhorada) para a funky “Shakedown Street” do Grateful Dead.

O importante é manter-se vivo.

Hayley Williams ♥ Radiohead

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Desde que entramos em quarentena, a vocalista do Paramore, Hayley Williams, que lançou seu disco solo no início do ano, dedicou-se a fazer “autosserenatas” para ela mesma, compartilhando com os fãs versões que fez sozinha para músicas de Björk, SZA, Phoebe Bridges, Coldplay, entre outros. Ela encerra esta temporada com uma belíssima versão para “Fake Plastic Trees”, do Radiohead.

Essa música…

Courtney Barnett segue à toda

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Até a quarentena, os planos de Nossa musa indie australiana Courtney Barnett eram atravessar o primeiro semestre abrindo para a turnê pro Nick Cave, ideia que ficou para um futuro indefinido. Para compensar ela não parou de tocar neste período, mostrando versões para músicas que gosta. Há uma semana ela já tinha revisitado “Everything is Free” que Gillian Welch compôs quando as pessoas começaram a baixar música de graça na internet, há vinte anos. Ao lado de Phoebe Bridger, ela puxou a versão na edição virtual do festival folk de Newport – cada uma em seu canto, harmonizaram bonito os vocais.

Agora ela volta a um de seus ídolos conterrâneos, o herói folk australiano Kev Carmody, que está ganhando uma nova edição do disco-tributo que fizeram em sua homenagem em 2007. Cannot Buy My Soul. A bela versão de Courtney para “Just For You” foi elogiada pelo próprio autor da canção.

Que mulher.

Clash pela Espanha

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A banda madrilenha Hinds faz uma versão apaixonada e largada para um dos hits do London Calling, “Spanish Bombs”. Ficou demais!

Nação Zumbi num forró brabo

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A banda pernambucana arrastou o pé pesado ao regravar o clássico forró “Homem com H”, de Antônio Barros, eternizado por Ney Matogrosso, e chamou a atriz Samantha Schmütz para assumir os vocais. A faixa foi regravada para a continuação do filme Cine Holliúdy, dirigido pelo cearense Halder Gomes, e a sugestão foi da própria atriz.