Trabalho Sujo - Home

Clipe

barnett

“You don’t have to pretend you’re not scared, everyone else is just as terrified as you” – dona de um dos melhores discos de 2018, Courtney Barnett solta mais um vídeo de seu ótimo Tell Me How You Really Feel e “Charity” mais uma vez mistura uma melodia grudenta com uma letra depressiva, como é de praxe.

aphex-twin-t69-collapse

O senhor Richard David James nos dá notícias ao anunciar mais um disco-relâmpago: o EP Collapse, que apresentado ao mundo através do intenso clipe “T69 Collapse”, que iria ao ar no Adult Swin na semana passada, mas não passou no teste para quem sofre de epilepsia devido às mudanças bruscas de cores e luzes que saltam da tela. Por isso, esteja avisado.

Foto: Helena Cooper

Foto: Helena Cooper

A jovem mestra pernambucana Alessandra Leão mostra sua trilogia Língua, composta pelos EPs Pedra de Sal, Aço e Língua, na íntegra no Centro Cultural São Paulo a partir das 18h neste domingo (mais informações aqui) e aproveita para lançar o clipe de “Prolonga” em primeira mão no Trabalho Sujo.

A vinda de Edgar

amor-esta-preso

Edgar está vindo e quem sabe, sabe. É até redutor chamá-lo de rapper, uma vez que este arauto de Guarulhos caminha tanto pelas fronteiras do texto falado que também abrangem o rap, mas que também ecoam no rádio-jornalismo, na poesia slam, no spoken word, na locução e em outras formas narrativas que usam a voz não-cantada como veículo. Embrenhando-se como um cigano em diversos lugares do país (já morou na casa de amigos no sul, em Minas Gerais, no Pernambuco – cada um destes lugares influenciando sua arte), ele não para apenas na música como vai além: seu figurino, presença online e fotos reciclam cacos de nosso imaginário para criar um ser novo e mutante, retrô e futurista, assustador e encantador na mesma medida. Seu primeiro disco, Ultrassom, será lançado pela Deck agora em agosto e foi produzido pelo jovem mestre Pupillo, baterista da Nação Zumbi. Edgar antecipa o clipe de “O Amor Está Preso?” em primeira mão para o Trabalho Sujo.

Abaixo, a capa do disco e a ordem das músicas, duas delas com a participação de Céu e Rodrigo Brandão.

edgar-ultrassom

“Líquida”
“Felizes Eram os Golfinhos”
“Go Pro”
“Print”
“O Dia é Meu” (participação: Céu)
“Plástico”
“Saúde Mecânica”
“Adorno” (participação: Rodrigo Brandão)
“O Amor Está Preso?”
“Antes Que as Libélulas Entrem em Extinção”
“Charles Lynch”

lava-sky

Dia de barulho no Centro do Rock do Centro Cultural São Paulo, quando as bandas Sky Down (do ABC paulista) e Lava Divers (do interior de Minas Gerais) se encontram no clássico palco da Sala Adoniran Barbosa a partir das 19h, com entrada gratuita (mais informações aqui). O Sky Down ainda aproveita para lançar o clipe da faixa “Low”, todo feito a partir de vídeos verticais do stories do Instagram, que a banda antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“Low” é a terceira faixa do próximo disco da banda, o primeiro com a baixista Amanda Butler na formação (as outras duas são “Wound” e “Wish“, sendo que esta última conta com um clipe feito com imagens da banda Test tocando ao vivo), que conta com produção do Bernardo Pacheco.

DingoBells

O trio gaúcho Dingo Bells continua rodando com seu disco Todo Mundo Vai Mudar, lançado no semestre passado, e mostra, em primeira mão no Trabalho Sujo, o clipe da faixa “Na Carona”. Filmado no estúdio durante a gravação do álbum, o clipe flagra o trio trabalhando no disco atual, em uma canção que sempre foi pensada em ser registrada ao vivo. “Essa é a música que desde o inicio já sabíamos que teria um registro da banda tocando junta, em oposição à gravação por canais, onde cada um grava seu instrumento separado. E isso se deu por sua natureza soul, bebendo da música negra norte-americana feita nas décadas de 60 e 70, na qual as interações registradas em um take único são mais importantes do que a sobreposição de elementos de forma artificial. É um registro mais íntimo e caloroso, assim como essa música também é”, conta o baterista Rodrigo Fischmann.

Foto: Silvia Costanti

Foto: Silvia Costanti

“Eu acho que este é um disco bastante autoral, onde eu compus quase tudo sozinha e que traz letras bastante confessionais, não conseguia pensar em um nome melhor que sintetizasse o que eu estava dizendo ali”, me explica a cantora paulistana Stela Campos quando pergunto porque seu sétimo álbum leva apenas seu nome como título. “A esta altura da minha carreira, achei que poderia dar o meu próprio nome. É a primeira vez também que eu apareço na capa, embora seja difícil de me identificar”, ri.

Stela Campos, o disco, chega às plataformas digitais até o final do mês, mas já nesta sexta-feira o primeiro single, “Take Your Time”, começa a abrir caminho, mas ela antecipa a bela canção para o Trabalho Sujo revelando o clima invernal do disco. “Foi uma coincidência (lançar o disco na estação), mas acho que sempre pensei nele mais como inverno. Tanto que as imagens que eu fiz na Patagônia que acabaram entrando no clipe e na capa se encaixaram muito bem com a proposta do disco, mesmo depois que ele já estava pronto”, ela continua. “As músicas foram compostas em uma mesma época, logo após os shows do disco Dumbo, então pensei muito na banda enquanto compunha – estou falando de Clayton Martin, Monstro, Diogo Valentino e Felipe Maia -, sabia que ficaria muito legal com eles. As gravações aconteceram em vários períodos, com intervalos grandes entre eles, mas a unidade sempre esteve lá por conta das composições que eram muito fortes para mim e que foram pensadas para esse formato.”

“O clipe foi resultado de algumas filmagens que eu fiz quando fui para a Patagônia e que foram depois editadas pelo Monstro, que ‘psicodelizou’ tudo”, prossegue. “Eu me divido em várias pessoas e pensando na minha vida de profissional, mulher, mãe e compositora, acho que simbolizou muito bem quem eu sou. Tanto que a capa do álbum acabou saindo de uma cena desse clipe. A Patagônia com as suas geleiras, aquela imensidão fria e vazia, sempre me fascinou. Era o lugar que eu mais tinha vontade de conhecer na vida e quando fui não me decepcionei. Um dia ainda quero morar numa cabana por lá. Foi uma viagem simbólica para mim e acho esse cenário fazer parte do primeiro disco que leva o meu nome tem tudo a ver.”

Ela também antecipa a capa e a ordem das músicas a seguir:

stela-campos-2018

“Take Your Time”
“Cats”
“Lost”
“Move On”
“Long”
“Walk With Me”
“Don’t Give it Up”
“Into the Night”
“Hate”
“Shadow”

Os títulos curtos e as letras em inglês encaixam-se perfeitamente com as influências pinçadas por Stela no disco, embora sua voz esteja firme e com mais personalidade do que nunca, talvez fruto da zona de conforto criada por esta nova banda. “Na época em que estava compondo esse disco, estava ouvindo muito Neil Young, mas vejo também surgirem coisas do passado como David Bowie, Blondie, e tem um lado meio impressionista também, de natureza remota, de Vashity Bunyan, Nick Drake – e até punk rock”, explica. “Acho que musicalmente, ele foi composto com bastante liberdade e conversa com o que eu fazia lá no começo da carreira, só que com mais maturidade, mais sutileza.”

Veterana da cena independente, ela compara seu próprio =amadurecimento musical com o da cena. “Eu comecei com meu trabalho solo no início dos anos 2000 com o disco Céu de Brigadeiro, mas já frequentava a cena indie há um bom tempo. Tive uma banda com o Cadão Volpato, Jair Marcos e o Ricardo Salvagni (os ex-Fellini) em 91 chamada Funziona Sensa Vapore e também tive a minha banda, o Lara Hanouska. A gente fazia panfleto, cartaz, fita cassete – aliás fiz uma para o disco de remix Dumbo Reloaded e estou fazendo outra para o disco novo -, enfim, a divulgação muito era no boca a boca e os shows saiam sem muita infraestrutura. Em Recife, onde fiquei de 94 até 2000, a cena mangue também era feita na raça, shows improvisados nos puteiros, tudo do mesmo jeito. Hoje com a internet a gente consegue dar um alcance maior ao nosso trabalho, mas eu acho que a lógica do gueto e do boca a boca continua. Não adianta você estar em todas as plataformas se as pessoas não te ouvem. As playlists, a panelinha, o mainstream continuam existindo, só que de outro jeito. Não é jabá na rádio mas é quase. As pessoas estão mais seletivas do que antes, porque não são obrigadas a escutar o que toca no rádio, mas se perdem com tanta informação. Elas acabam vivendo no seu próprio mundo paralelo e é difícil se aventurarem por outras esferas para ouvir coisa nova. O mangue era muito abrangente, incorporava vários estilos musicais, hoje não vejo tanto essa mistura entre as bandas.”

“Um artista como eu, nos Estados Unidos, por exemplo, conseguiria se sustentar da música. Existe uma estrutura por trás, lugares para tocar com som bom e cachê, um circuito, a música independente circula. Aqui é tudo muito precário ainda. Você conta nos dedos os lugares com som legal e que respeitam o artista. Os lugares grandes são para artistas grandes, então acho que falta um meio termo”, conclui.

Ela equilibra sua carreira musical com sua vida como jornalista. “Trabalhar dá trabalho”, ri. “Ainda mais hoje quando a gente se preocupa com o futuro do emprego e com tantas questões que abalam a nossa indústria. Eu escrevo sobre carreira, então imagine que eu sofro mais do que todo mundo falando diariamente sobre essas incertezas. A música ocupa um lugar especial para mim, mas sempre conciliei com o trabalho. Talvez hoje por conta de tudo que eu falei seja mais difícil dedicar mais tempo a ela. Mas a música é parte da minha essência e quando eu penso que não quero fazer tudo de novo, ralar para gravar, lançar etc lá vou eu e faço tudo de novo. Ser artista independente não é fácil, custa caro, mas daí começo a compor, os amigos músicos se juntam, incentivam e pronto caio na estrada novamente.”

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

O grupo sergipano The Baggios começou os trabalhos de seu festejado disco mais recente, o pesado Brutown, lançando o single de “Saruê” no Trabalho Sujo, em 2016, e agora voltam ao site para encerrar o ciclo deste álbum com o clipe da mesma canção, que tem a participação de Jorge Du Peixe. “É uma música forte que traduz bastante o mundo doido que vivemos, e foi esse universo que quis descrever no disco. Justamente nesse clipe que chegamos mais próximo de retratar a Cidade Brutal”, me explica o vocalista e guitarrista da banda, Julio Andrade. “A ideia do clipe partiu de quando uma amiga me apresentou o filme paraibano O Matador de Ratos, de Arthur Lins. Logo de cara eu me identifiquei com ambiente sombrio do filme e associei ao clima do Brutown. Guardei a ideia até esse ano, quando colocamos em prática as ideias que tive de somar as imagens do filme com a banda tocando num ambiente similar . A música fala sobre os seres almas sebosas que habita esse plano, seja em forma de politico ou de cidadão, e no clipe existe um personagem que extermina os ratos-humanos, uma especie de anti-herói viciado em pesticida.”

“A cabeça vive fervilhando de ideias, desde o ano passado venho trabalhando em novas músicas e já planejava que gravaríamos um disco neste ano”, continua o vocalista. “A chegada do novo sempre nos anima, é massa pensar ‘o que o povo vai pensar desses sons?’, ‘o que podemos aprontar dessa vez?’ e é justamente esse momento que estamos vivendo. Estamos na gestação de um novo disco, e somos muito gratos por todo reconhecimento que o Brutown teve, e onde ele nos levou. Agora é hora de encarar o novo.”

Brutown também se encerra como um disco em um show no Sesc Pompeia, no dia 14 de julho (mais informações aqui), quando o grupo, que agora é um trio, mostra suas canções acompanhado de um naipe de metais. “Os metais nos acompanham desde o primeiro disco, em 2011 e todos os nossos discos têm metais, mas é raro conseguirmos circular com eles. Fizemos alguns shows pelo Brasil em 2014 nesse formato, mas estamos numa outra época, com outras músicas e acredito que sera ainda mais massa esse show no Pompeia. Traz um clima mais soul para nosso show e eu me amarro em soul.”

Sobre o próximo trabalho, Julio explica que é uma espécie de continuação de Brutown, embora seja “uma outra viagem, um outro conceito”. “É como se o ser cansasse do caos urbano e fosse em busca de sua nova natureza no mato, e essa busca naturalmente influencia na sonoridade das músicas.” O disco será lançado ainda este ano.

barbara-felipe

Começando a preparar seu quarto disco, batizado de Tuda, Bárbara Eugenia lança mais um single reforçando a vibe “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style” que determinou ao novo disco no início do ano, quando apresentou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira. “Confusão”, faixa em parceria com Felipe Cordeiro, e não só produziu a faixa, como fará durante seu próximo disco, como também dirigiu o clipe, reforçando a ideia que irá segurar ela mesma as rédeas do próximo trabalho, prometido para o segundo semestre. A faixa também mostra sua afeição em relação aos timbres eletrônicos, que devem dominar o disco, e que serão sublinhados pela nova aquisição de sua banda, a tecladista Cris Botarelli, que também toca e canta no Far from Alaska.

chromatics-bluegirl

Os Chromatics mal lançaram a faixa “Black Walls” e já emendaram uma curta série de lançamentos que nos leva a crer que talvez o tão aguardado Dear Tommy esteja finalmente numa agenda de novas obras do grupo (espero que para ainda esse ano!). Primeiro, a banda de Johnny Jewel lançou o EP Camera, posto à venda apenas em vinil em seu site oficial, com faixas com títulos como “The Taste Of Blood”, “Flashback To Forever” e “Magazine (Club Instrumental)”, todas elas curtíssimas, entre dois e três minutos cada.

chromatics-camera

Depois foi a vez do single “Blue Girl”, que veio acompanhado de quatro outras versões, cada uma com seu subtítulo (“Say Goodbye”, “Don’t Say a Word”, “Drumless” e “Instrumental”), posto para audição nas plataformas digitais.

Dear Tommy, o sucessor do maravilhoso Kill for Love, vem sendo prometido há anos e, aparentemente, está sendo recriado do zero depois que Jewel destruiu todas as cópias físicas que vinham com a versão anterior do disco, que deveria ter sido lançado em 2016. Mas, pelo jeito, agora vai…