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Clipe

DanielMedina

Daniel Medina é mais um dos nomes que vem surgindo na nova cena musical cearense, uma nova renascença em Fortaleza que começou no início da década e agora começa a mostrar frutos maduros, em nomes como Oto Gris, Daniel Groove, Maquinas, Astronauta Marinho, Ilya, Casa de Velho, entre outros. Ele lançou seu primeiro disco Evoé, produzido por Saulo Duarte e Igor Caracas, no ano passado, e agora mostra em primeira mão para o Trabalho Sujo o clipe daquela que julga ser a canção mais simples do álbum, “Cancioneta”. O clipe foi filmado na cidade de Cascavel e conta com integrantes desta nova cena de Fortaleza, que vai para além da música, como a atriz Elisa Porto, o músico Vitor Colares, a fotógrafa Caroline Sousa, o cineasta Tuan Fernandes, a cantora Ilya e a educadora Zu Moreira. “Fortaleza passa por um momento muito forte e bonito artisticamente e toda a equipe envolvida no clipe possui relação afetiva. Esse clipe capta também isso, artistas de estéticas bastante distintas unidos em cena por uma simples canção”, explica.

Ele começa a pensar no segundo álbum, programado para o fim do ano que vem, quando ainda planeja uma pequena turnê pela Europa. Antes disso, também segue o trabalho com o grupo Folia Circular, influenciado pela psicodelia e pela música nordestina.

pau-do-guedes

Em “Pau do Guedes”, o mítico MC carioca De Leve volta a cutucar feridas como fazia em sua primeira vinda (“Pode Queimar“, um clássico) e acerta o novo regime usando a mesma lógica retrógrada que o colocou no poder – quem sabe assim ofendendo-os de verdade.

Manda mais, De Leve.

yma2018

Um dos segredos do indie brasileiro de 2018 está prestes a ser revelado no início de 2019, quando Yma – pseudônimo artístico da cantora e compositora Yasmin Mamedio – lança seu primeiro álbum, Par de Olhos, logo na primeira quinzena de janeiro. “O disco é um par de olhos que observa, que atravessa os sentidos, que devora e que se fecha às vezes”, ela me conta sem entregar direito o que vem por aí. Flutuando entre o dreampop, a psicodelia e o synthpop, ela canta melodias doces sobre um instrumental onírico, mas o ar de sonho não apenas inocente e delicado, como também esconde uma estranheza e um certo perigo, como dá pra notar no clipe da faixa-título de seu primeiro álbum, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo, que mistura a frieza existencial de Bergman com a excentricidade de David Lynch com Stranger Things com Donnie Darko. “Par de Olhos” ainda conta com a guitarra de Fernando Catatau.

“Tô muito feliz e animada pra lançar esse disco! É o resultado do meu primeiro ano de trabalho, de tudo que experimentei, senti e refleti”, Yasmin não esconde a satisfação. “Os três singles que lancei até agora (“Sabiá”, “Vampiro” e “Summer Lover”, todos abaixo) foram muito importantes pro disco. Acho muito bonito o modo como a música cativa as pessoas, com certeza a receptividade das pessoas em relação aos singles me ajudaram no processo de feitura desse trabalho – fiz um projeto no Catarse que foi bem sucedido, tive bastante apoio de fãs. E quando penso em tudo vem acontecendo, me dá muita força pra continuar escrevendo músicas e esboçando clipes. Que por sinal é outra grande paixão, ano que vem quero fazer mais clipes com as musicas do disco”.
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toroymoi2019

Chaz Bundick está prestes a lançar mais um disco como Toro y Moi – e já antecipou duas faixas pra dar um gostinho do que vem por aí. “Freelance” e “Ordinary Pleasure” mostram que ele ainda segue no funk sintético e minimalista, mas sem o clima melancólico de seu disco mais recente, o ótimo Boo Boo, lançado no ano passado.

Batizado de Outer Peace, ele sai sai em janeiro do ano que vem – e já está em pré-venda -, a capa é esta acima e a ordem das músicas segue abaixo.

“Fading”
“Oridnary Pleasure”
“Laws of the Universe”
“Miss Me” (Feat. ABRA)
“New House”
“Baby Drive It Down”
“Freelance”
“Who Am I”
“Monte Carlo” (Feat. WET)
“50-50″ (Feat. Instupendo)

Bonifrate-2018

O supercorda Pedro Bonifrate manda notícias ao anunciar um single inesperado no fim de ano: “Alfa Crucis” é o início de uma nova fase de composições e gravações que ele começou a desenvolver no meio do ano, depois do que ele chama de “inferno astral elétrico”. “Apliquei um método mega lo-fi nisso, parece mais primitivo que as últimas coisas”, ele me explica sobre a nova música, que define como um “single de consolação, pra ajudar a renovar as energias de forma sonhadora”. Ele aproveita para estrear o clipe em primeira mão no Trabalho Sujo – e explica o novo single logo abaixo:

“Em julho de 2018 aconteceram coisas que eu defini em parte como um inferno astral elétrico: minhas caixas queimaram, minha guitarra caiu e quebrou o nut, a captação do meu violão queimou, um amplificador também, e finalmente meu computador pifou. Eu faria um show solo na Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, aqui em Paraty durante a Flip, e felizmente consegui dar um jeito no violão, porque descobri um muito improvável vizinho que trabalhou anos com luthieria e eletrônica. Então eu consegui ensaiar pro show, com o mínimo que eu tinha funcionando, e nesse esquema de trabalhar com loops que ando fazendo ao vivo.”

“Brincando com o velho tecladinho Casio e um delay analógico eu criei esse loop básico de ‘Alfa Crucis’, e a canção foi feita em poucos dias a partir daí, até cheguei a incluí-la nessas últimas apresentações que fiz aqui. Como eu tenho um gravador Fostex de 4 pistas em cassete e ele pareceu imune ao caos eletrônico, eu resolvi gravar tudo nele. Depois, com um computador novo, exportei os canais, fiz umas poucas edições e mixei digitalmente, mas sem interferir muito no som de fita original, então ficou muito low-fi, como há tempos eu não soava.”

“A vontade de lançar logo essa canção, como um single isolado, veio do fato de ela estar pronta e de eu acreditar que ela pode consolar e energizar alguns corações apreensivos e partidos pela nossa conjuntura política. É uma canção que procura contemplar um futuro em que possamos todos observar as estrelas do nosso céu do sul, apesar de toda a loucura das nossas vidas materiais, e nos entregar ao mistério que é estarmos vivos. Há uma relação temática com um álbum que estou começando a gravar, e provavelmente uma nova versão dela estará nessa coleção, mas não há previsão de que fique pronto tão cedo.”

alfacrucis

Já não tem mais quem possa encontrar a medida das coisas
Só os lábios fônicos e vibrações das baleias dentadas

Já não tem mais quem vá suspeitar da folia
Só você e eu a lamentar a ausência de um disco hipotético

Preguiçosos vimos Alfa Cruz brilhar sobre a casa, nossa casa
Você regalou e pegou no sono a declamar asterismos

Polaris
Urodelos
Eridamus
Afa Al Farkadain
Monoceros
Almagesto

Já não tem mais quem possa encontrar a medida do planeta
Já não tem mais
Já não tem mais
Já não tem mais

felipecordeiro

O jovem mestre da guitarrada Felipe Cordeiro prepara-se para lançar seu terceiro álbum, Transpyra, produzido por Kassin, no início de 2019, e resolveu antecipar aqui no Trabalho Sujo, o primeiro alento deste trabalho: “Demais”. A faixa, cujo clipe foi filmado no Minhocão paulistano, flerta com a new wave (sem abandonar as raízes paraenses) e tem cores explicitamente políticas, mas olhando para o futuro com esperança. “Corpo é nosso núcleo de desejo, resistência e liberdade. Levo para a minha música o corpo, o movimento, a provocação, o pensamento”, explica o músico e compositor.

chemical-brothers-free-yourself

“Free Yourself”, novo single da dupla eletrônica Chemical Brothers, ganha um clipe produzido pela dupla Dom&Nic (os diretores Nic Goffey e Dominic Hawley, com quem já trabalharam nos vídeos de “Setting Sun”, “Block Rockin’ Beats”, “Hey Boy Hey Girl”, “Believe”, “The Salmon Dance”, “Midnight Madness” e “Wide Open”) em que colocam a inteligência artificial para dançar – sem perder o fascínio e o temor que os robôs exercem sobre a gente.

Fora a sonzeira da dupla.

good-bad-queen

O grupo The Good, The Bad & The Queen reúne três gerações diferentes para cantar o blues do Reino Unido – liderado por Damon Albarn, do Blur, o quarteto ainda conta com o baterista de Fela Kuti Tony Allen, o baixista do Clash Paul Simonon e o tecladista do Verve Simon Tong e anuncia o lançamento de seu segundo disco no próximo dia 16. Merrie Land já teve dois singles lançados, a faixa-título…

…e a segunda faixa do disco, “Gun to the Head”.

O disco foi produzido por Tony Visconti (o principal produtor de David Bowie), já está em pré-venda e é descrito por Albarn como “uma ode ao norte da Inglaterra”. Abaixo, a capa do disco e o nome das faixas, na ordem:

merrieland

“Merrie Land”
“Gun to the Head”
“Nineteen Seventeen”
“The Great Fire”
“Lady Boston”
“Drifters & Trawlers”
“The Truce of Twilight”
“Ribbons”
“The Last Man to Leave”
“The Poison Tree”

catpower-wanderer

O disco novo da Cat Power, Wanderer, traz nossa querida Chan Marshall na medida certa, sem excessos…

E ainda tem essa música com a Lana Del Rey, putamerda…

jonnatadoll-passaroazul

Uma marcha fúnebre para estes tempos nefastos: assim é “Pássaro Azul”, música nova que o cearense Jonnata Doll lança em primeira mão no Trabalho Sujo e que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira. Gravada dentro do programa Dragão Sessions, do Centro Cultural Dragão do Mar, ela foi produzida por Yuri Kalil – o sexto integrante do Cidadão Instigado – e foi inspirada pelo poema homônimo de Charles Bukowski.

“Um dia estava andando na rua da Consolação em São Paulo, lembrado do poema mais famoso do velho Bukowski, Pássaro Azul – se não, vá ler agora”, explica Jonnata. “O passarim do velho safado para mim, parecia ser a fragilidade, sensibilidade e a tristeza que ele escondia do mundo por baixo de uma casca de durão. Mas aí pensei: E eu? O que eu guardo dentro de mim e não mostro para geral? Luto, pelos amores perdidos, amigos mortos e amigos que morrerão, luto pela morte da minha capacidade de entender totalmente meus vícios a fim de extingui-los. Luto e ansiedade pelo sério risco de uma política governamental que pensa a diferença morrer de forma precoce neste país.”

Composta a letra, ela foi musicada pelo guitarrista dos Garotos Solventes, Edson Van Gogh, e juntos encontraram o andamento da música entre a batida de “Pavão Mysteriozo”, do conterrâneo Ednardo, e do maracatu cearense, “que é mais lento que o pernambucano e que para nós evoca a algo parecido com uma marcha fúnebre.” A bateria, gravada pelo paulistano Clayton Martin, também do Cidadão Instigado, segurou o ritmo original: “Acabou que não ficou exatamente um maracatu e sim uma intenção de maracatu, pois muitas vezes uma ideia que te inspira é só um ponto de partida”

Jonnata já está na pré-produção de seu novo álbum, que, segundo me contou, refletirá ainda mais as tensões políticas destes nossos dias e será produzido pelo guitarrista Fernando Catatau no final deste ano, para ser lançado do início de 2019.