Rincon Sapiência reforça sua tradição de fim de ano e lança novo single apontando os novos rumos: em “Mete Dança” ele segue trilhando o fim das fronteiras entre gêneros musicais e acena para a Bahia, além de flertar com o trap, o reggae, o pagodão baiano e o funk – e avisa que está pronto para desbravar 2019.
Vamo lá, rapá!
Alan Palomo encerra o ciclo de seu VEGA INTL. Night School, lançado em 2015 por seu projeto solo Neon Indian, com a música “Heaven’s Basement (Theme from 86’d)”, música tema de seu curta 86’d, primeiro filme dirigido por ele, inspirado no cinema nova-iorquino dos anos 80.
O curta vem abaixo:
O Lambchop de Kurt Wagner segue explorando as fronteiras digitais em seu próximo disco, que será lançado em março do ano que vem. Como os dois discos mais recentes do grupo – o Mr. M de 2012 e o Flotus de 2016, ambos trabalhados no vocoder e inspirados pelo hip hop e o R&B desta década -, seu próximo álbum This (Is What I Wanted to Tell You), agendado para ser lançado em março de 2019, foi composto ao lado do irmão de Matthew McCaughan, dono da gravadora Merge, que já produziu discos do Bon Iver e dos Proclivities. Os dois trocavam arquivos à distância: Matt mandava bases sintetizadas para as canções escritas por Wagner e aos poucos o disco ia sendo composto. “The December-ish You”, o primeiro single do novo álbum, recém-lançado, dá uma prévia do que vem por aí.
Acima você vê a capa do disco (que já está em pré-venda) e abaixo, a ordem das faixas.
“The New Isn’t So You Anymore”
“Crosswords, Or What This Says About You”
“Everything For You”
“The Lasting Last Of You”
“The Air Is Heavy And I Should Be Listening To You”
“The December-ish You”
“This Is What I Wanted To Tell You”
“Flower”
Daniel Medina é mais um dos nomes que vem surgindo na nova cena musical cearense, uma nova renascença em Fortaleza que começou no início da década e agora começa a mostrar frutos maduros, em nomes como Oto Gris, Daniel Groove, Maquinas, Astronauta Marinho, Ilya, Casa de Velho, entre outros. Ele lançou seu primeiro disco Evoé, produzido por Saulo Duarte e Igor Caracas, no ano passado, e agora mostra em primeira mão para o Trabalho Sujo o clipe daquela que julga ser a canção mais simples do álbum, “Cancioneta”. O clipe foi filmado na cidade de Cascavel e conta com integrantes desta nova cena de Fortaleza, que vai para além da música, como a atriz Elisa Porto, o músico Vitor Colares, a fotógrafa Caroline Sousa, o cineasta Tuan Fernandes, a cantora Ilya e a educadora Zu Moreira. “Fortaleza passa por um momento muito forte e bonito artisticamente e toda a equipe envolvida no clipe possui relação afetiva. Esse clipe capta também isso, artistas de estéticas bastante distintas unidos em cena por uma simples canção”, explica.
Ele começa a pensar no segundo álbum, programado para o fim do ano que vem, quando ainda planeja uma pequena turnê pela Europa. Antes disso, também segue o trabalho com o grupo Folia Circular, influenciado pela psicodelia e pela música nordestina.
Em “Pau do Guedes”, o mítico MC carioca De Leve volta a cutucar feridas como fazia em sua primeira vinda (“Pode Queimar“, um clássico) e acerta o novo regime usando a mesma lógica retrógrada que o colocou no poder – quem sabe assim ofendendo-os de verdade.
Manda mais, De Leve.
Um dos segredos do indie brasileiro de 2018 está prestes a ser revelado no início de 2019, quando Yma – pseudônimo artístico da cantora e compositora Yasmin Mamedio – lança seu primeiro álbum, Par de Olhos, logo na primeira quinzena de janeiro. “O disco é um par de olhos que observa, que atravessa os sentidos, que devora e que se fecha às vezes”, ela me conta sem entregar direito o que vem por aí. Flutuando entre o dreampop, a psicodelia e o synthpop, ela canta melodias doces sobre um instrumental onírico, mas o ar de sonho não apenas inocente e delicado, como também esconde uma estranheza e um certo perigo, como dá pra notar no clipe da faixa-título de seu primeiro álbum, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo, que mistura a frieza existencial de Bergman com a excentricidade de David Lynch com Stranger Things com Donnie Darko. “Par de Olhos” ainda conta com a guitarra de Fernando Catatau.
“Tô muito feliz e animada pra lançar esse disco! É o resultado do meu primeiro ano de trabalho, de tudo que experimentei, senti e refleti”, Yasmin não esconde a satisfação. “Os três singles que lancei até agora (“Sabiá”, “Vampiro” e “Summer Lover”, todos abaixo) foram muito importantes pro disco. Acho muito bonito o modo como a música cativa as pessoas, com certeza a receptividade das pessoas em relação aos singles me ajudaram no processo de feitura desse trabalho – fiz um projeto no Catarse que foi bem sucedido, tive bastante apoio de fãs. E quando penso em tudo vem acontecendo, me dá muita força pra continuar escrevendo músicas e esboçando clipes. Que por sinal é outra grande paixão, ano que vem quero fazer mais clipes com as musicas do disco”.
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Chaz Bundick está prestes a lançar mais um disco como Toro y Moi – e já antecipou duas faixas pra dar um gostinho do que vem por aí. “Freelance” e “Ordinary Pleasure” mostram que ele ainda segue no funk sintético e minimalista, mas sem o clima melancólico de seu disco mais recente, o ótimo Boo Boo, lançado no ano passado.
Batizado de Outer Peace, ele sai sai em janeiro do ano que vem – e já está em pré-venda -, a capa é esta acima e a ordem das músicas segue abaixo.
“Fading”
“Oridnary Pleasure”
“Laws of the Universe”
“Miss Me” (Feat. ABRA)
“New House”
“Baby Drive It Down”
“Freelance”
“Who Am I”
“Monte Carlo” (Feat. WET)
“50-50″ (Feat. Instupendo)
O supercorda Pedro Bonifrate manda notícias ao anunciar um single inesperado no fim de ano: “Alfa Crucis” é o início de uma nova fase de composições e gravações que ele começou a desenvolver no meio do ano, depois do que ele chama de “inferno astral elétrico”. “Apliquei um método mega lo-fi nisso, parece mais primitivo que as últimas coisas”, ele me explica sobre a nova música, que define como um “single de consolação, pra ajudar a renovar as energias de forma sonhadora”. Ele aproveita para estrear o clipe em primeira mão no Trabalho Sujo – e explica o novo single logo abaixo:
“Em julho de 2018 aconteceram coisas que eu defini em parte como um inferno astral elétrico: minhas caixas queimaram, minha guitarra caiu e quebrou o nut, a captação do meu violão queimou, um amplificador também, e finalmente meu computador pifou. Eu faria um show solo na Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, aqui em Paraty durante a Flip, e felizmente consegui dar um jeito no violão, porque descobri um muito improvável vizinho que trabalhou anos com luthieria e eletrônica. Então eu consegui ensaiar pro show, com o mínimo que eu tinha funcionando, e nesse esquema de trabalhar com loops que ando fazendo ao vivo.”
“Brincando com o velho tecladinho Casio e um delay analógico eu criei esse loop básico de ‘Alfa Crucis’, e a canção foi feita em poucos dias a partir daí, até cheguei a incluí-la nessas últimas apresentações que fiz aqui. Como eu tenho um gravador Fostex de 4 pistas em cassete e ele pareceu imune ao caos eletrônico, eu resolvi gravar tudo nele. Depois, com um computador novo, exportei os canais, fiz umas poucas edições e mixei digitalmente, mas sem interferir muito no som de fita original, então ficou muito low-fi, como há tempos eu não soava.”
“A vontade de lançar logo essa canção, como um single isolado, veio do fato de ela estar pronta e de eu acreditar que ela pode consolar e energizar alguns corações apreensivos e partidos pela nossa conjuntura política. É uma canção que procura contemplar um futuro em que possamos todos observar as estrelas do nosso céu do sul, apesar de toda a loucura das nossas vidas materiais, e nos entregar ao mistério que é estarmos vivos. Há uma relação temática com um álbum que estou começando a gravar, e provavelmente uma nova versão dela estará nessa coleção, mas não há previsão de que fique pronto tão cedo.”
Já não tem mais quem possa encontrar a medida das coisas
Só os lábios fônicos e vibrações das baleias dentadas
Já não tem mais quem vá suspeitar da folia
Só você e eu a lamentar a ausência de um disco hipotético
Preguiçosos vimos Alfa Cruz brilhar sobre a casa, nossa casa
Você regalou e pegou no sono a declamar asterismos
Polaris
Urodelos
Eridamus
Afa Al Farkadain
Monoceros
Almagesto
Já não tem mais quem possa encontrar a medida do planeta
Já não tem mais
Já não tem mais
Já não tem mais
O jovem mestre da guitarrada Felipe Cordeiro prepara-se para lançar seu terceiro álbum, Transpyra, produzido por Kassin, no início de 2019, e resolveu antecipar aqui no Trabalho Sujo, o primeiro alento deste trabalho: “Demais”. A faixa, cujo clipe foi filmado no Minhocão paulistano, flerta com a new wave (sem abandonar as raízes paraenses) e tem cores explicitamente políticas, mas olhando para o futuro com esperança. “Corpo é nosso núcleo de desejo, resistência e liberdade. Levo para a minha música o corpo, o movimento, a provocação, o pensamento”, explica o músico e compositor.
“Free Yourself”, novo single da dupla eletrônica Chemical Brothers, ganha um clipe produzido pela dupla Dom&Nic (os diretores Nic Goffey e Dominic Hawley, com quem já trabalharam nos vídeos de “Setting Sun”, “Block Rockin’ Beats”, “Hey Boy Hey Girl”, “Believe”, “The Salmon Dance”, “Midnight Madness” e “Wide Open”) em que colocam a inteligência artificial para dançar – sem perder o fascínio e o temor que os robôs exercem sobre a gente.
Fora a sonzeira da dupla.










