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Clipe
Foto: Thany Sanches

Foto: Thany Sanches

Depois do ótimo Melhor do Que Parece e do pensativo Recomeçar de Tim Bernardes, o trio paulistano O Terno anuncia o lançamento de seu quarto disco, < Atrás / Além > ao mostrar o primeiro single, “Nada/Tudo”, que expande as fronteiras da banda para além do rock e consolida seu amadurecimento musical.

O disco terá participações do norte-americano Devendra Banhart e do japonês Shintaro Sakamoto (na faixa “Volta e Meia”, que será lançada no próximo dia 16) e será lançado em vinil duplo, além de já estar em pré-venda. A capa é esta abaixo:

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O capo da YB Maurício Tagliari está azeitando a cria e em breve lança seu disco solo, ainda sem título, cheio de participações especiais. O primeiro aperitivo é o single “Bando à Parte”, parceria com o artista plástico Clima, cujo clipe estreia em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“No processo de gestação do disco mandei um tema para o Clima, que devolveu uma letra pela qual me apaixonei. Ele sacou muito da ideia do disco e dos meus gostos cinematográficos”, explica o guitarrista, por email. “Essa faixa foi gravada inicialmente com um duo de bateristas que eu amo: Mariá Portugal e Thomas Harres. Eu estava ao violão, foi uma sessão bem solta, uma jam. Depois me veio a ideia de criar climas – sem trocadilho – cinematográficos com um arranjo de sopros. Chamei o Luca Raele para escrever e os amigos Jorge Ceruto, Maria Beraldo e Antonio Loureiro para executar. A ideia do filme veio de uma conversa entre Clima e meu filho, ambos apaixonados pelo cinema de Godard.”

Não é o primeiro trabalho solo – ele acaba de fazer a trilha do filme Mundo Cão e de lançar o álbum instrumental jazz acústico Utopia Retro, além de ser o mentor da The Universal Mauricio Orchestra -, mas é seu primeiro álbum solo. O disco ainda não tem título, deve ser lançado em maio e conta com as participações de Luedji Luna, Ava Rocha, Pélico, Laya, Negro Leo, Assucena, emtre outros.

Além do disco, Tagliari prevê um ano difícil para a cultura – justamente quando seu selo YB completa 20 anos de existência. “2018 foi uma ano difícil para a cultura. 2019 não será melhor. Na YB estivemos produzindo e resistindo e tem muita coisa boa a ser lançada – Siba, Clima, Felipe Cordeiro, Kafé, Luedji Luna, Alan Abadia, Ava, Héloa, Lulina, Abacaxepa”, lista. E destaca um ápice: “o disco Tudo que Move é Sagrado, de Samuca e a Selva, com convidados em homenagem a Ronaldo Bastos foi um marco para a gente em 2018. Uma reunião linda e de altíssimo nível. Essa deve ser nossa luz guia para os próximos meses.”

E arremata: “O mercado independente inexiste. O que existe é a resistência da música independente. Somos chatos e cutucamos a casquinha da pele da música mainstream. Sem a gente não há evolução nenhuma.”

Foto: Filipa Aurélia

Foto: Filipa Aurélia

“É pura experimentação pra mim, pela primeira vez escrevi músicas a partir de batidas, escrevi sobre minha cor, a iminência da guerra de todo dia escancarada na nossa porta, deixei a porta aberta pra receber direções que não daria, músicas que não ouvia, tentando mudar de verdade, arrumando meu quarto, mais cuidadoso”, Giovani Cidreira se escancara ao falar de sua nova fase, que começa a ser apresentada agora, com seu primeiro single, “Pode Me Odiar”, lançado aqui no Trabalho Sujo. Depois de sair de Salvador com seu disco de estreia Japanese Food debaixo do braço, ele mudou completamente sua abordagem musical ao viver na correria dos festivais independentes pelo Brasil e o corre-corre diário de São Paulo, onde está morando. A faixa é o prenúncio do novo disco, Nebulosa Baby, que está programado para sair no meio do ano e será precedido pela Mixtape/Mistake, complementar ao álbum, que será lançada ainda em março.

Uma balada R&B em câmera lenta, seu ar contemplativo contrasta com a poluição digital sugerida por seu “lírico-vídeo”, feito por Gabriel Rolim, que superpõe o ambiente visual do Whatsapp com suas trocas de mensagens, áudios, vídeos e selfies. “Rolim trouxe o visual no meio pro fim do processo – isso foi louco. Você vai ouvir a mix e vai ver o visual, parece que foram feito juntos”, conta. Citados no vídeo, alguns dos cúmplices da nova faceta do cantor e compositor baiano, como o guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz (produtor do novo disco), o diretor do vídeo, a cantora sergipana Marcelle Equivocada, a multinstrumentista baiana Jadsa Castro, a cantora e compositora baiana Josyara e Rafaela Piccin, uma das donas da Casa Vulva. Não são os únicos: “A mixtape tem seis componentes: Jadsa Castro que canta em ‘Mano Sereia’ e ‘Oceano Franco’, parceria com Caio Araujo – feat com o melhor Frank deste século -; Benke, que fez toda a parte musical comigo; Letícia Brito e Gabriel Rolim sao os outros dois componentes dessa banda. Letícia foi quem olhou esse caminho até antes da gente e juntou todas as ideias, as cartas na mesa, pistola sem trava, aquela coisa.” O disco, gravado no início deste ano, ainda conta com participações de nomes como Ava Rocha, Luiza Lian, Fernando Catatau, Luê, Lucas Martins (baixista que toca com a Céu e com Curumin), Dinho Almeida e Ynaiã Benthroldo (dos Boogarins), Obirin Trio e integrantes da banda Maglore.

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“Tudo começa ao mesmo tempo: as mudanças internas refletem na nossa roupa, no jeito de falar. O caminho mais difícil é o do espelho. Deixei rolar bem mais, Benke e eu trocamos algumas ideias e ele foi lá em casa, a gente não sabia de nada, fomos fazendo na doida, tendo ideias e jogando elas pro ar, eu, ele e Jadsa que participou desde o primeiro encontro e é figura essencial nessa compilação. Algumas músicas foram gravadas em casa ou na rua, por áudio de Whatsapp. Coisas que gravei na Casa Vulva de reuniões que fazíamos lá, tem uma faixa que Benke misturou parte desses áudios que gravei em casa com gravação em estúdio que fizemos na Red Bull. A mixtape tem isso de apresentar retalhos de coisas que vão surgir na segunda parte dela que virá em forma de disco ou clipe ou sei lá”, divaga o baiano sobre esta nova fase.

“Você só percebe que tá entrando num onda quando você está nela”, continua Giovani, falando sobre o processo. “Quando terminei ‘Pode me Odiar’ olhei pra trás, pro caminho que eu estive criando com esse grupo de músicas que vai entrar na mixtape, e vejo como ela sintetiza o que fui e o que sou agora sonoramente, as novas escolhas sem jogar nada fora. Foi um desabafo, mais uma vez fugindo do pensamento de como eu machuco tanto até quem amo tanto. Ano passado encontrei Benke no Recife, entre shows e entrevistas nos gravamos a música no modo bem Benke: primeiro o beat do teclado Casio e os acordes também ao estilo Roberto, depois da voz gravada no celular e Benke foi adicionando efeitos, percussão, vocoder, graves e todo lance que levou a música pra o que ela é agora. E soa leve. Ele é foda, adoro as escolhas dele, admiro sua sagacidade.”

betina-2019

O pop de Hotel Vülcânia segue dando frutos. O segundo disco da curitibana Betina e uma das boas surpresas do cenário independente brasileiro do ano passado agora aparece em forma de clipe, quando ela materializa a faixa-título, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo, numa incursão guiada por um Tatá Aeroplano legendado em um idioma irreconhecível. “Hotel Vülcânia é um lugar fictício, mas que diz muito sobre os bons momentos compartilhados”, explica a cantora e compositora. “Sobre escutar um bom disco – “aquele” do Tatá -, fazer uma boa música e continuar acreditando; persistir na ideia de que arte nos libertará e tornará esses momentos eternos.”

teenagefanclub2019

O grupo escocês Teenage Fanclub dá o primeiro sinal de vida desde a saída de Gerard Love no meio do ano passado com a canção “Everything Is Falling Apart”, que mistura um pessimismo nas entrelinhas em relação ao estado das coisas em 2019 com a insistência de que o pop e o amor vencerão no final. A faixa foi gravada em Hamburgo, na Alemanha, no início do ano com a formação com a qual o grupo está excursionando atualmente: Raymond McGinley nos vocais e guitarra, Norman Blake na guitarra e Francis Macdonald na bateria, além dos novatos David McGowan (que também toca com o Belle & Sebastian) no baixo e Euros Childs (o próprio, do Gorky’s Zygotic Mynci) nos teclados.

A canção anuncia a turnê que o grupo fará pelos EUA neste semestre, mas não há previsão de um novo álbum – por enquanto.

criolo2019

Criolo segue apostando em singles antes de anunciar a vinda de um novo álbum, mas se “Boca de Lobo” (lançada no ano passado) fez muitos acharem que ele estava voltando para o rap, o MC confunde mais uma vez lançando o house “Etérea”, com clipe estrelado por performers LGBTQIA+, mostrando que, por trás do sorvete multicolorido que anunciou o lançamento há duas semanas, também há um questionamento político mais importante que a música lançada em 2018, numa letra que fala que “é necessário quebrar os padrões / É necessário abrir discussões / Alento pra alma, amar sem portões / Amores aceitos sem imposições”.

boogarins-sombrou-duvida

O próximo disco dos Boogarins – Sombrou Dúvida – já tem data de lançamento marcada no dia 10 de maio (a capa é esta acima e o nome das músicas vem logo embaixo) e o grupo acaba de lançar a quase faixa-título (“Sombra ou Dúvida”), uma psicodelia picotada próxima do disco-irmão Lá Vem a Morte, de 2017.

“As Chances”
“Sombra ou Dúvida”
“Invenção”
“Dislexia ou Transe”
“A Tradição”
“Nos”
“Tardança”
“Desandar”
“Te Quero Longe”
“Passeio”

Um Weezer estranho

weezer-takeonme

Rivers Cuomo chamou a banda do ator Finn Wolfhard, o Mike da série Stranger Things, Calpurnia, para dublar sua versão de “Take on Me” do A-ha no primeiro clipe do álbum retrô que sua banda Weezer lançou há pouco.

bob-mould-2019

“Ditadores, terroristas e empresas de tecnologia criaram um estado apocalíptico de vigilaância. O mundo ocidental caiu em estado profundo de paranoia e desinformação” – assim Bob Mould começa o clipe de seu novo single, o desiludido “Lost Faith”, que acompanha o lançamento de seu novo disco, Sunshine Rock, lançado na semana passada.

stephenmalkmus2019

O disco mais recente de Stephen Malkmus, o ótimo Sparkle Hard, um dos melhores discos do ano passado, nem completou um ano e ele já anuncia um disco novo – de synthpop! Assim é o tom de Groove Denied, que ele revelou capa, nome das faixas e o primeiro single, “Viktor Borgia” (tudo abaixo). Influenciado pelo Human League, por “Homosapien” que Pete Shelley lançou em 1981 e pela cena pós-punk eletrônica do início dos anos 80, o ex-líder do Pavement busca uma sonoridade completamente alheia a tudo que já fez na vida, que ele, num tweet, definou como “ew wave”, como se tivesse nojo daquele som.

groove-denied

Eins
“Belziger Faceplant”
“A Bit Wilder”
“Viktor Borgia”
“Come Get Me”
“Forget Your Place”

Zwei
“Rushing The Acid Frat”
“Love The Door”
“Bossviscerate”
“Ocean of Revenge”

Groove Denied já está em pré-venda.