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Clipe

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O músico, cantor e compositor carioca Pedro Dias Carneiro – melhor reconhecido pela sigla de seus nomes, PDC, ou, mais especificamente, Vovô Bebê – é um dos integrantes de uma turma que está aos poucos desconfigurando a cara sonora do Rio de Janeiro. Com a faixa etária flutuando pelas duas décadas de idade, esta safra de músicos nasceu à sombra da geração + 2 (a turma que unia os experimentos de Kassin, Domenico e Moreno à MPB-indie do Los Hermanos) e foi acalentada na Áudio Rebel com muita experimentação sonora na veia (nutrientes providos pelo selo Quintavant). Seu principal nome é a revelação deste ano Ana Frango Elétrico, mas há vários outros artistas – e não apenas músicos – orbitando-se mutuamente. E PDC, que já passou dos trinta, é o vovô do grupo e o próximo a dar a sua cara, anunciando o lançamento de seu terceiro disco, Briga de Família, pelo selo Risco, que também lançou o disco mais recente de Ana, o maravilhoso Little Electric Chicken Heart. E ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo o clipe da faixa que batiza e abre o disco, uma avalanche sonora que empilha questões como “Quem deixou mamãe descer com o martelo na careca do vovô?” e “Quem deixou o frango em cima da mesa dando sopa pro cachorro?” em menos de dois minutos de uma canção fantasiada de cacofonia bate-estaca.

“O disco é o registro desse show que tenho feito com banda desde 2017. um pouco devagar, feito sem outros apoios, sabe como é”, ele me explica por email. “Foi gravado em basicamente três etapas: bases, sopros e vozes, entre mortos e feridos nos últimos dois anos. Depois o Gabriel Ventura (guitarrista) veio aqui a gente passou umas coisas pelos pedais dele, tudo aqui no estúdio, o antigo 304 do Chico Neves, hoje carinhosamente chamado de Estúdio do Vovô.”

“Nos outros discos eu toquei quase todos os instrumentos, não tinha banda, apenas uma ou outra participação”, ele compara com os trabalhos anteriores. “Nesse além dos amigos músicos absurdos que consegui juntar, ainda tive a sorte de ter a leveza da voz da Luiza Brina em uma das faixas, e o grande Luís Capucho incorporando um inusitado carioca. Na faixa título, aproveitei o tema família pra chamar o Leonardo Musse pra tocar trompete e o Conrado Kempers pra samplear uns sons de rádio, ambos fazem parte da minha primeira banda Dos Cafundó.”

É a deixa para falar sobre esta geração – e apresentar sua banda. “Humildemente, entrei num grupo bão. É Guilherme Lírio no baixo, Uirá Bueno na bateria, Tomas Rosati na percussão, Aline Gonçalves no clarinete, Karina Neves na flauta, Jonas Hocherman no trombone, Ana Frango Elétrico nos vocais, o Gabriel Ventura nos efeitos e o Bruno Schulz pilotando o som. Só mestre guerreiro se virando como pode pra viver de música no Rio.”

E continua: “Eu acho que o sapo tem que pular. E acho que o Rio, apesar de ser historicamente um dos centros culturais do país, se continua sendo é porque o pessoal aqui é quente. Então sim, tem uma galera tocando fogo aqui na música e nas artes, muita gente, em muitos Rios de Janeiro. Eu tenho a sorte de conhecer uma pequena parte dessa turma, e cada um vem de um lugar né, acho que se tem algo parecido com alguma cena que eu faço parte é importante citar a Audio Rebel, o Escritório e agora o Aparelho, espaços que sempre deixaram as portas abertas pra música independente aqui.”

O disco que sai no fim de janeiro é o primeiro com esta formação, uma vez que gravou seus dois discos anteriores praticamente sozinho. O primeiro, inclusive, era em seu próprio nome – e “Vovô Bebê” era o nome de uma das faixas, que acabou sendo a forma que ele começou a se identificar nas redes sociais. “Quando o disco surgiu, a ideia era ser o último Vovô Bebê, a morte do Vovô. Os outros têm uma temática mais de resgate, de busca por serenidade, aceitação acho. Esse tem mais a ver com ruptura, conflito. É briga de família, é briga. mas é família. mas é briga. Então, mesmo que como música não entregue exatamente o que é o disco, achei que hoje em dia fazia sentido começar com a morte do Vovô, com uma martelada na cabeça, e partir daí.” Na cabeça do vovô e dos ouvintes – a faixa é a mais atordoante do disco, pra não deixar dúvidas sobre suas intenções.

cabecadepapel

O BaianaSystem reage a 2019 com o hit “Cabeça de Papel”, em que desmascara o circo que se tornou o mundo neste ano sem poupar dedos na cara e nomes aos bois.

E será que eles vão parar aí?

yumi-zouma-2019

O grupo neozelandês Yumi Zouma deixa a gravadora nova-iorquina Cascine e lança o single “Right Track / Wrong Man” para firmar o contrato com a gravadora de Illinois Polyvynil, tornando-se assim companheiros de grupos como The Dodos, Of Montreal, Xiu Xiu, Get Up Kids e Pedro the Lion. Mas a mudança de casa não mexeu um milímetro no delicioso synthpop do grupo.

mgmt2019

Depois de ter mostrado a inédita “In the Afternoon” em um show em Las Vegas no mês passado, a dupla norte-americana MGMT lança sua versão em estúdio por conta própria.

Dura e estranha como seu disco mais recente, Little Dark Age, a nova faixa (que já está em pré-venda e será lançada em vinil em março do ano que vem, com a inédita “As You Move Through the World” como lado B) é o primeiro lançamento da MGMT Records, selo que o grupo oficializa com este single e marca sua despedida da gravadora Columbia, marcando o início de sua fase verdadeiramente independente. Mas não há previsão de novo disco, pelo menos não por enquanto.

kevinbarnes

O grupo dance psicodélico norte-americano Of Montreal, liderado pelo excêntrico e inconstante Kevin Barnes, anunciou o lançamento do sucessor de White Is Relic/Irrealis Mood, que lançou no ano passado – e Ur Fun, que já está em pré-venda, teve dois singles apresentados ainda este ano, a irresistível “Peace To All Freaks”…

…e a new wave “Polyaneurism”, com seu adorável clipe canino.

O disco segue a nova fase inaugurada no álbum anterior em que Barnes passa a se relacionar – e a compor junto – com Christina Schneider, que assina como Locate S,1, reforçando as referências oitentistas que foram trazidas em White is Relic. A capa de Ur Fun e o nome das músicas seguem abaixo.

ofmontreal2020

“Peace to All Freaks”
“Polyaneurism”
“Get God’s Attention By Being An Atheist”
“Gypsy That Remains” (com Locate S,1)
“You’ve Had Me Everywhere”
“Carmillas Of Love”
“Don’t Let Me Die In America”
“St. Sebastian”
“Deliberate Self-Harm Ha Ha”
“20th Century Schizofriendic Revengoid-man”

Destroyer retrô

danbejar

O canadense Dan Bejar prepara o terreno para mais um disco de seu projeto solo, Destroyer. Depois do ótimo Ken, lançado no ano retrasado, ele anuncia o lançamento de Have We Met, seu décimo terceiro álbum (se contarmos o cassete de Ideas of Songs, lançado em 1997), com inspiração em filmes adolescentes dos anos 80, para o último dia de janeiro do ano que vem. Integrante do coletivo The New Pornographers, ele antecipa o disco com dois clipes, “Crimson Tide”, lançado no mês passado, e “It Just Doesn’t Happen”, que saiu esta semana:

O disco já está em pré-venda e sua capa e ordem das músicas vêm abaixo.

destroyer2020

“Crimson Tide”
“Kinda Dark”
“It Just Doesn’t Happen”
“The Television Music Supervisor”
“The Raven”
“Cue Synthesizer”
“University Hill”
“Have We Met”
“The Man In Black’s Blues”
“foolssong”

Haim introspectiva

HAIM-Hallelujah

Mais um single das irmãs Haim em 2019, sem previsão de lançamento de disco novo, mais um clipe dirigido por Paul Thomas Anderson. Depois de “Summer Girl” e “Now I’m In It“, o trio californiano lança “Hallelujah”, uma balada introspectiva com acento country – e cordas ao final – com clipe filmado no Los Angeles Theater, um dos marcos do entretenimento da cidade, com capacidade para duas mil pessoas – mas apenas as três Haim estão presentes no clipe.

Simples e bonito.

Allen Alencar solo

allen-alencar

O guitarrista sergipano Allen Alencar, que já tocou com Criolo, Curumin, Fafá de Belém, Russo Passapusso, Karina Buhr, Guizado, Junio Barreto e Andreia Dias começa a mostrar seu primeiro disco solo, Esse Não é um Bom Verão pra Nós (capa acima), que será lançado na semana que vem em primeira mão no Trabalho Sujo, ao mostrar o clipe de “Kabul”, música que conta comas participações de Richard Ribeiro, Julia Valiengo e Zé Ruivo, este último coprodutor do disco.

“Kabul é umas das músicas que gosto muito desse disco. Foi uma das primeiras que fiz nessa leva de canções que deram forma a ele. Acho que ela de algum modo capta o espírito fundacional do disco, sintetiza algo que eu queria transmitir nesse trabalho. Fui compondo com a Bruna (Barros), enquanto brincávamos com um mapa enorme do continente asiático que temos em casa, fomos construindo sensações de como seria estar em cada uma dessas cidades da música. Ela tem uma atmosfera onírica, como se fosse uma viagem em sonho por cidades reais imaginárias. A Julia Valiengo cantou lindamente comigo e selou essa atmosfera de viagem onírica”, ele me conta.

BloodOrange

Dev Hynes lança mais um clipe de seu ótimo Angel’s Pulse, desta vez foi a ótima “Dark & Handsome”, que conta com a participação de Chaz Bundick, o Toro y Moi.

O irônico é que Chaz gravou sua participação no clipe (a partir de 2:10) aparentemente a bordo do Bart (Bay Area Rapid Transit, o VLT em São Francisco, nos EUA), que na música “Monte Carlo“, do disco que ele lançou no início do ano, o delicioso Outer Peace, ele dizia não aguentar mais frequentar, pois o deixava paranoico.

deerhunter-2019

Sem alarde, o grupo indie norte-americano lança o épico psicodélico “Timebends”, uma viagem perfeita, com teclados, pianos e guitarras numa deliciosa jam interminável e clipe dirigido pelo próprio Bradford Cox, vocalista e principal compositor da banda.

Que banda!