Malu Maria começa a mostrar seu segundo disco, Ela Terra, a partir da faixa-título, que apresenta o conceito do álbum, a conexão feminina com a natureza, com um clipe gravado antes da quarentena. Ela abandona a musicalidade urbana e noturna de seu primeiro disco, Diamantes na Pista, sem deixar a linguagem eletrônica, presente nos arpeggios dos sintetizadores do Cidadão Instigado Dustan Gallas.
O primeiro disco solo do vocalista do grupo norte-americano The National, Matt Berninger, foi anunciado há quase seis meses, mas só agora ele começou a mostrá-lo. E quem abre os trabalhos é justamente a faixa-título, Serpentine Prison, que deixa clara a interferência do inusitado produtor que o compositor chamou para conduzir este disco: ninguém menos que o mestre Booker T. Jones, tecladista que liderada o clássico grupo Booker T. & The MGs, a alma dos discos da gravadora Stax, um dos berços da soul music. Os arranjos de metais e os imortais teclados esparramados dão uma bossa e um groove, ainda que lento, que distancia este seu novo trabalho, embora o DNA inevitavelmente seja o mesmo das canções de seu grupo. Uma bela introdução.
O disco, cuja capa (abaixo) também foi mostrada junto com o single, será lançado em outubro, pelo selo Concord Records, fundado por Matt e Booker T. Nada mal.
Conhecendo a natureza da sonoridade do trio norte-americano de funk dub psicodélico Khruangbin, era claro que seu próximo disco seguiria o clima tranquilo e despreocupado dos trabalhos recentes, mas a partir dos dois singles que anunciam o lançamento de seu terceiro álbum, Mordechai, que deve chegar para os fãs dia 26 de junho (e já está em pré-venda), o grupo mostra que consegue deixar as coisas ainda mais sussa. Além dos suingue sinuoso de sua formação, o grupo ainda flerta com sonoridades de todo o mundo – do oeste africano, do oriente médio, do leste asiático, das ilhas caribenhas – a partir de um tripé bem estabelecido: a guitarra clara e deliciosa de Mark Speer, o baixo encorpado e redondo de Laura Lee Ochoa e o peso funky e preciso da bateria de Donald Ray “DJ” Johnson Jr. As duas faixas que o grupo já mostrou do próximo disco (“Time (You and I)” e “So We Won’t Forget”), flagram o trio ainda mais tranquilo, contagiando qualquer ser vivo com seu groove doce e hipnótico.
Abaixo, a capa do novo disco e o nome das músicas do álbum.
“First Class”
“Time (You and I)”
“Connaissais de Face”
“Father Bird, Mother Bird”
“If There Is No Question”
“Pelota”
“One to Remember”
“Dearest Alfred”
“So We Won’t Forget”
“Shida”
“‘If There is a God’ é parte desta meditação sobre vida e morte, amor e ideias, sobre quem somos como pessas e seres”, o líder do Rapture, Luke Jenner, explica na descrição do clipe da segunda faixa que mostra de seu primeiro disco solo, batizado apenas de 1. “É um pouco Beach Boys e um pouco Krautrock e um tantinho banal. Quem diabos sabe o que vai acontecer depois nessa vida?” Como o primeiro single do disco, a melancólica “You Are Not Alone“, esta nova faixa aponta para um disco mais intimista e com ares nostálgicos.
1, que já está em pré-venda, será lançado no final de julho.
Trancafiado em seu apartamento, como todos que podem, Rincon Sapiência escreve, rima, produz e dirige o clipe de seu single-relâmpago, a ótima “Quarentena (Verso Livre)”.
No clipe de “Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo)”, canção feita em homenagem ao grande Wilson das Neves, Emicida transforma-se numa versão brasileira do super sayajin Goku, herói da infância do rapper que ele já havia citado em várias letras, e com isso seus parceiros de canção – Zeca Pagodinho, a banda Tokyo Ska Paradise Orchestra e os Prettos – também se metamorfoseiam em personagens do anime do estúdio Toei.
Mais uma joia deste encontro entre dois seres humanos sublimes – depois de cantarem juntos “Não Existe Amor em SP” como primeiro gostinho do EP Existe Amor, que será lançado nesta sexta, a dupla Milton Nascimento e Criolo faz o jogo de volta e dessa vez cantam uma canção do primeiro, a eterna “Cais”. Como na primeira música, esta também tem arranjo do gigante Amaro Freitas e produção de Daniel Ganjaman – que, por sua vez, antecipou a capa do disco e as outras duas músicas que completam o repertório, as inéditas “Dez Anjos” – parceria de Criolo com Milton – e “O Tambor” – que junta Criolo e o maestro Arthur Verocai.
Precisamos de beleza nestes tempos tão duros
Gravado no meio do ano passado, o terceiro disco do gaúcho Pedro Pastoriz, Pingue-Pongue com o Abismo, finalmente começa a ver a luz do dia. O disco, produzido por ele, Arthur Decloedt (baixista do Música de Selvagem) e Charles Tixier (que toca com a Luiza Lian), deveria ter sido lançado no mês passado, com shows em São Paulo e Porto Alegre, mas, como a maioria dos discos previstos para este período, foi adiado para um futuro próximo e só agora dá a cara a tapa.
Os trabalhos começaram com o lançamento do primeiro single, “Dolores” (abaixo), que saiu em primeira mão na Noize, e com a capa (acima), que foi revelada para o blog do jornalista Mauro Ferreira, no G1, e o disco todo deve surgir nos próximos meses.
Enquanto isso, Pedro inventou um programa semanal de comédia chamado Comitê, em que começa a explorar os temas do disco, além de abrir uma campanha de financiamento coletivo para bancar a finalização do disco. Venho trabalhando com ele há mais de um ano fazendo a direção artística deste lançamento e penamos para inventar uma nova forma de apresentar o disco, uma vez que não há previsão para o retorno dos shows. Mas Pedro tirou de letra e vem mostrando como o trabalho realmente expande seus horizontes para além da música – de cara, ele é muito engraçado. Se liga:
As irmãs Haim iriam lançar seu terceiro disco neste mês, mas acabaram de deixar Women in Music Pt. III para o dia 26 de junho. Antes disso lançam outro single – “I Know Alone” é o quinto desde que começaram a mostrar músicas novas no ano passado (depois de “Summer Girl”, “Hallelujah”, “Now I’m In It” e “The Steps”) e, mesmo que tenha sido composta antes do período da quarentena, acabou ressoando com o período, como explicou a vocalista Danielle Haim num tweet nesta terça:
“A primeira letra que escrevemos foi ‘eu sei estar só como ninguém mais conhece’ e isso veio do sentimento de que eu estava no mais profundo espírito de estar sozinha e de sentir a solidão mais profunda do que qualquer um possa ter sentido… Agora, com tudo o que está acontecendo, ‘sozinho’ parece um ritual. Só eu conheço minha própria rotina secreta nesses dias em que estou só e quase me sinto confortável nela. Espero que tudo isso faça sentido – tentar descrever uma música é sempre um pouco assustador para mim – mas sempre quero que vocês saibam de onde venho. Esperamos que essa música possa trazer um pouco de conforto neste momento louco … “
Já o clipe acima foi gravado durante a quarentena, mesmo tendo sido dirigido e coreografado à distância. E a música é ótima.
O cantor e compositor paulistano Dr. Morris abandona o prenome ao anunciar seu segundo disco solo. “O apelido vem de uma forma carinhosa como era chamado por músicos pernambucanos em meados dos anos 90”, ele me explica por email. “Até o final do ano passado assinava assim, agora, nessa nova fase, somente Morris” e assim ele começa a mostrar seu Homem Mulher Cavalo Cobra, produzido por Romulo Froes, a partir do clipe de “OnÇa-Çá”, que apresenta em primeira mão no Trabalho Sujo.
“O disco originalmente era para ser inspirado na exposição do artista chinês Ai Wei Wei, mas o Romulo achava que devíamos deixar que o processo de criação determinasse o que seria, dizendo para trabalhar com canções vira-latas, sem raça definida”, ele continua, explicando que o repertório é dividido em quatro blocos: Morte, Identidade, Pessoas e Mitologia. O single que abre os trabalhos faz parte do último bloco: “A escolha foi pela sua variedade estilística e de significados que sintetizam o álbum, como as questões dos direitos dos povos originários, da destruição do meio ambiente e seus resultados, vide a pandemia, e da relação animista, em que o homem enxerga a natureza e os animais horizontalmente, do homem que é onça e vice e versa. Uma forma mais fraterna de se relacionar com o planeta e, consequentemente, com as pessoas.”
Ele ressalta a participação de Anderson Karibáya, representante indígena que leu um poema em seu idioma. “Ele nos impressionou muito com a forma como contava as histórias de cada instrumento e do fazer musical, sobre a música que vira divindade no fazer”. A música ainda conta com a participação do guitarrista Allen Alencar, do baixista Marcelo Cabral, de Rodrigo Campos no cavaquinho, de Igor Caracas na bateria e do percussionista Felipe Roseno. O disco ainda conta com outras tantas participações, como Juçara Marçal, Mauricio Pereira, Romulo Fróes, Juliana Perdigão Benjamim Taubkin, entre outros.
Ele lembra quando entrou em contato com esta turma pela primeira vez: “Em 2009 notei que se reunia uma geração paulista de músicos incríveis, entre eles, Romulo, Rodrigo Campos – que já tinha sido meu parceiro – , Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Juçara Marçal, que estavam explorando algo diferente, para além do virtuosismo ou da tradição, mas apoiado em ambos. Percebi neles mais a arte do que a música.” A parceria com Romulo surgiu daí, a partir de uma composição conjunta, mas foi retomada para o novo álbum no ano passado. “Sempre convivendo com esse desejo primal de compor e cantar com o violão, fiz uma melodia, e toda vez que eu voltava nela ouvia voz do Romulo. Mandei para ele e no dia seguinte ele devolvia uma letra maravilhosa, ‘Doía’. Algum tempo depois, chamei ele para ouvir as canções que estava compondo inspirado pela retrospectiva de Ai Wei Wei. Nessa tarde já estávamos trabalhando no disco.” O álbum completo deve ser lançado em junho.












