Depois de “Love Is All We Share”, o grupo australiano Cut Copy lança mais um single melancólico e contemplativo e embora “Cold Water” tenha um pulso mais firme, ainda não é o delírio de pista de dança característico da banda.
“Cold Water” também foi a deixa para anunciar seu novo disco, o sexto da carreira da banda. Freeze, Melt (já em pré-venda) deve ser lançado em agosto – veja a capa e o nome das músicas abaixo.
“Cold Water”
“Like Breaking Glass”
“Love Is All We Share”
“Stop, Horizon”
“Running In The Grass”
“A Perfect Day”
“Rain”
“In Transit”
O eterno Sonic Youth Thurston Moore segue à toda durante a quarentena e depois de lançar vários singles esporádicos, anuncia o disco By the Fire, puxado pelo clipe do primeiro single. “Hashish” segue a tônica de suas composições neste século, com foco na melodia mas sem perder o noise que o caracteriza, criando um groove hipnotizante a partir de um riff em câmera lenta. O disco teve as participações do guitarrista inglês James Sedwards, da baixista do My Bloody Valentine Deb Googe, do velho compadre de Sonic Youth Steve Shelley na bateria e do produtor Leidecker, do grupo Negativeland.
By the Fire será lançado no dia 25 de setembro pelo selo do próprio Thurston, Daydream Library Series, e estes são os nomes das músicas.
01. Hashish
02. Cantaloupe
03. Breath
04. Siren
05. Calligraphy
06. Locomotives
07. Dreamers Work
08. They Believe in Love (When They Look at You)
09. Venus
O vocalista da Trupe Chá de Boldo Gustavo Galo chega aos finalmentes do disco que lançou ano passado, Se Tudo Ruir, Deixa Entrar o Ruído, ao mostrar single e clipe novos. Primeiro apresentou o clipe de “Nijinski”, chamando amigos para cair na dança, entre eles o parceiro pernambucano Otto, com quem faz dueto em uma canção que exalta a dança.
Depois estreou a inédita e bela “Até Chegar no Mar”, com Mariá Portugal na bateria, Chicão Montorfano nos teclados e Gustavo Ruiz e o pai Luiz Chagas nas guitarras.
A Crime Caqui, uma das minhas bandas novas favoritas lança mais um single, a delicada e grudenta “Your Forehead”, preparando terreno para o disco de estreia…
Com cromaqui e efeitos retrô, o Metronomy produz o clipe de uma das minhas faixas favoritas de seu disco mais recente, Metronomy Forever, e o clipe de “The Light” ainda ganha um trato brasileiro quando o VJ e editor Gabriel Rolim, que faz os vídeos dos shows dos Boogarins, assina a pós-produção do vídeo produzido durante a quarentena.
“Pelota” é mais uma faixa do próximo disco do trio norte-americano Khruangbin, Mordechai, que sai no próximo dia 26 e esbanja suíngue latino num clipe pra lá de psicodélico…
Jarvis Cocker teve de adiar o lançamento do disco de estreia de sua nova banda devido à pandemia. A estreia do grupo Jarv Is, que o vocalista do Pulp criou para compor músicas ao vivo, em frente ao público, durante os shows, estava programada para o começo de maio, mas foi postergada para o meio de julho e, com isso, ele adiantou mais um single, o reggae eletrônico “Save the Whale”, em que sussurra à la Leonard Cohen ao mesmo tempo em que chacoalha com a desenvoltura de Serge Gainsbourg na Jamaica. Coisa fina, claro…
O clipe foi editado pelo próprio Jarvis, isolado em sua casa.
O guitarrista Guilherme Held está preparando lentamente seu primeiro disco solo, chamado de Corpo Nós, projeto que vem acalentando há uma década. “O cara que mais me pôs pilha pra gravar esse disco foi o Rômulo Froes, que vem me falando sobre isso há uns dez anos. Quando o chamei para fazer a direção artística do disco, ele topou”, me conta o guitarrista, que está lançando o terceiro single deste seu disco de estreia, “Sorongo”, uma homenagem ao mítico percussionista autor do clássico Krishnanda, que conta com a participação de ninguém menos que o maestro baiano Letieres Leite, que não só fez o arranjo da banda como providenciou metais e percussão para este afrossamba à paulistana, que será lançado nesta sexta-feira nas plataformas digitais e que ele antecipa em primeira mão no Trabalho Sujo, num vídeo dirigido por Luan Cardoso.
“‘Sorongo’ é uma faixa instrumental que veio como um afrossamba e eu já tinha a ideia de fundir isso com elementos de música eletrônica e timbres que remetessem aos anos 80, apesar de ela soar bem setentista, porque eu uso um fuzz na parte do final que sugere aquela onda na psicodelia setentista nigeriana”, ele me explica, antecipando como convidou o maestro baiano para participar da faixa. “O Let é um amigo de longa data, a gente trabalhou pela primeira vez juntos no disco Cavaleiro Selvagem da Mariana Aydar e ficamos amicíssimos, ele é um ídolo e um cara que tenho uma consideração muito grande. E com isso a gente teve a ideia de chamar a Orquestra Rumpilezzinho, que é um projeto que ele tem em Salvador, que reúne jovens carentes com um talento musical inacreditável – as percussões e os metais são deles. A ideia desta fusão de Bahia com São Paulo, trazendo elementos do synthbass do Marcelo Cabral, da linguagem da bateria do Serginho Machado, para entender essa sacada da música africana com elementos de música eletrônica, foi o time perfeito.” A capa do single (abaixo) foi feita por Diego Max.
“Sorongo” é o terceiro single que o guitarrista já lançou do novo disco, depois de “Pólvora” (que contava com as participações de Tulipa e Gustavo Ruiz) e “Direito Humano” (com Ná Ozzetti e Juliana Perdigão) e as participações em cada single são só uma amostra do time que ele conseguiu reunir um time de artistas, músicos e intérpretes que resumia sua trajetória musical. “Desde o começo, a gente já sabia que era um disco do meu lado compositor mais que guitarrista”, ele continua. “Até porque eu já toquei tanto esse meu lado em tantos discos e shows, que faltava mostrar esse outro lado. Nisso, observando as músicas, percebi que cada música remetia a pessoas que eu já acompanhei, cantores e músicos que fazem parte da minha caminhada. Na empolgação disso tudo, a gente acabou cedendo pra ser um disco de confraternização de meus amigos da música, que tem uma ficha técnica extensa, tem cinco bateristas, cinco baixistas, dezessete cantores…”
Ele começa a enumerar: “Criolo, Maria Gadu, Lanny Gordin, Letieres Leite, Rodrigo Campos, André Lima, Simone Sou, Pedro Fontes, Cuca Ferreira, Daniel Gralha, Thalma de Freitas, Iara Rennó, Douglas Antunes, Thomas Harres, Tulipa Ruiz, Juçara Marçal, Rubel, Curumin, Mariana Aydar, Ná Ozzetti, Péricles Cavalcanti, Fernando Catatau, Ròmulo Froes, Felipe Catto, Juliana Perdigão, Beto Bruno, Marcelo Mitsu, Kika, Thiago França, Sérgio Machado, Décio 7, Felipe Roseno, Dustan Gallas, Fabio Sá, Bruno Buarque, Marcelo Cabral, Rômulo Nardes, Maurício Badé… Até eu canto!”, ri, falando sobre a faixa de abertura do disco.
O processo de produção foi um mergulho naquilo que Rômulo chamou de “o baú do Gui Held”, uma pasta no computador do guitarrista em que ele ia gravando várias ideias musicais. “São inúmeras músicas, completas, incompletas, fatias e pedaços de músicas, só harmonias, riffs, cacos sortidos, que a gente pra juntava um caco de um ano com um caco de outro. Somando tudo devem dar uns três mil arquivos de uns dez, doze anos que venho juntando, sempre guardando daquele jeito que músico compõe e guarda. A gente fez uma peneira, chegamos em 75 músicas, depois em 35 e fechamos em 17”, fechando o disco que é produzido pelo próprio guitarrista, que está começando a mexer com isso.
“É o primeiro disco que eu produzo e foi quase um ano de agendas”, ele explica. “Apesar de não ser um disco tão guitarrístico, ele tem um polimento e cuidado com timbres e escolhas de caminhos de linguagem a partir dos equipamentos que tenho, pedais antigos, guitarras de décadas e estilos diferentes, microfones… Ele tem todo um cuidado estético”.
Quando Tika, Kika, João Leão e Igor Caracas se juntaram para homenagear o disco que Tom Jobim lançou em 1987, mal sabiam o quanto esta união iria durar. “Estamos há três anos tocando o projeto que criamos sobre o álbum Passarim e nesse projeto reduzimos os arranjos de um disco gravado com orquestrações e coro para nossa formação de quatro integrantes – quatro vozes, bateria, piano, guitarra e sintetizador”, Kika relembra o início de Passarim30. “Fizemos uma pesquisa de timbres, escolhemos as frases mais marcantes do disco, tiramos as linhas vocais com fidelidade e gostamos do resultado, da sonoridade que alcançamos”. Agora o quarteto começa a gravitar em direção a outro mestre da música brasileira, João Gilberto, ídolo dos quatro, que é revisitado através de sua versão para “O Astronauta”, de Carlos Pingarrilho e Marcos Vasconcellos, lançada em primeira mão aqui no Trabalho Sujo no dia do primeiro aniversário sem sua presença entre nós, já que João morreu no ano passado.
“João Gilberto é uma grande referência pra nós, todos temos uma ligação muito forte com a obra dele. Quem lembrou de ‘Astronauta’ foi a Tika, que estava tirando essa harmonia no violão”, Kika continua. “Pensamos que a letra tinha um subtexto de despedida, ficamos imaginando o João Gilberto como sujeito da canção – ele agora mora só no pensamento ou então no firmamento… – e então decidimos que seria um presente pra ele, que se despediu ano passado quase em silêncio, sem muitas homenagens, sem uma nota oficial sequer. Concordamos que ele foi o maior artista brasileiro de todos os tempos, quisemos fazer nossa interpretação para ficar mais perto dele, como uma maneira de dizer que temos saudade e que sabemos o valor de tudo que ele deixou pra nós. O clipe é assinado por Guilherme ‘Guime’ Destro, que recolheu imagens do recôncavo baiano, filmadas numa vila de pescadores chamada Santiago do Iguape em Cachoeira, na Bahia, imagens que remetem às origens da nossa cultura e diversidade artística, além de já ser uma homenagem ao nosso homenageado, que é também baiano.”
O resultado, produzido por Victor Rice, é o primeiro registro fonográfico do grupo, que só havia se apresentado ao vivo, e traz o imaginário musical de João numa bossa nova setentista que acena para os timbres elétricos do soul e o jazz, mas sem perder o minimalismo e as harmonias ousadas do mestre baiano. “A mágica do João Gilberto está na interação da voz dele com o violão, na escolha dos acordes e tempos”, Kika continua falando sobre a versão. “Procuramos preservar ao máximo a harmonia dele e certas jogadas de tempo que ele faz. A maior dificuldade é a mesma de revisitar qualquer música da bossa nova, recriar algo que muitos julgam intocável, por isso temos um cuidado com a escolha do repertório, em não trazer temas que já foram exaustivamente revisitados.”
O registro faz com que o grupo pense para além da homenagem que vinha fazendo. “Há um tempo estamos trabalhando essa ideia de expansão do Passarim30”, continua a cantora. “Nós vemos um potencial enorme em um grupo formado por instrumentistas que são também compositores, produtores, cantores e têm o seu trabalho solo. Praticamente desde o início do projeto nós sempre demos um jeito de incluir alguma música autoral em nossos shows. Procuramos compor em parceria também, o que pode gerar um trabalho completamente autoral no futuro, mas esse primeiro passeio do grupo fora da obra do Tom com João Gilberto é uma consequência natural dessa nossa busca.” Além de “Astronauta”, o grupo também gravou “Borzeguim”, do Tom Jobim, que será lançada em breve.
Elvis Costello deixa a delicadeza das canções de lado e volta às suas raízes punk com o single “No Flag”, em que bate de frente com o patriotismo barato que domina esses nossos dias. Gravada em Helsinque, na Finlândia, em fevereiro, ela mostra que o veterano inglês não abandonou seus ideais básicos e volta a falar do que precisa ser dito, em uma época bizarra como esta que estamos vivendo.
Imagina um disco inteiro assim… Imagina…











