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Feliz aniversário David Bowie

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Hoje é o aniversário de David Bowie e além do lançamento de seu novo disco, também será celebrado o Baile do Bowie, organizado pela Flavia Durante, que acontece no Cine Joia. O nome deixa claras as intenções da festa – é um baile de carnaval pautado pelos personagens e canções do velho inglês. E além das músicas do deus do rock, a festa também vai tocar músicas relacionadas às diferentes fases de sua carreira. A Flavia descolou dois pares de ingressos para quem quiser ir ao Baile – basta responder aí nos comentários qual é a sua música favorita do David Bowie e por que ela tem que ser tocada na festa de hoje, não esqueça de deixar o email para que eu entre em contato. Conversei com ela sobre a ideia da festa e porque ela acontece no começo de 2016… Mais informações na página do evento no Facebook.

Conta a história do Baile de Bowie? Começou por causa do trocadilho, confessa.
Simmm, hahaha! Na verdade foi porque queria fazer uma festa que reunisse rock, maquiagem e fantasia. Como o universo rock anda muito conservador ultimamente, quis trazer a diversidade de volta unindo a montação das festas drag, a maquiagem e o rock. Os fãs e artistas de rock no Brasil encaretaram muito e esqueceram que a maioria de nossos ídolos na música é gay, lésbica ou bi. A ideia foi lembrar isso e também atrair o público LGBTQ que não quer dançar só pop e música eletrônica na noite. Muitos gostam de rock mas não se sentem confortáveis em ambientes onde possam ser encarados ou ofendidos pelos clientes ou pelos donos das casas noturnas. Fiz uma pequena edição ano passado no Alberta #3 mas dessa vez consegui essa data no Cine Joia bem no dia do aniversário do Bowie, o que vai deixar tudo mais legal ainda!

Como vai funcionar? Só David Bowie? Tem hora da música lenta? Vai ter banda? É por fases? Quem discoteca?
Vamos ter DJs fazendo especiais de Bowie e tocando suas influências, artistas influenciados por ele e artistas contemporâneos. Com a imensidão da obra do Bowie seria bem possível tocar só músicas dele a noite inteira mas vamos variar os sets, até pra quem ainda é iniciante no universo bowieano poder curtir bastante também. Vou abrir e encerrar a pista. Quem também vai discotecar tocar vai ser o Daniel MS, que é um super DJ e muito fã de Bowie, e o pessoal do Bloco Tô de Bowie, uma turma de amigos fanáticos por Bowie que estreiam neste Carnaval em São Paulo. Eles vão fazer um DJ set recheado de Bowie, claro, mas prometem surpresas! Vai rolar também uma performance do Ikaro Kadoshi, que é uma das melhores drags do Brasil. Ele faz um estilo andrógino, tudo a ver com o Bowie.

Pode/deve ir fantasiado? Melhor fantasia ganha premio?
A montação é muito bem vinda mas não é obrigatório! Mas pra incentivar, vamos sortear um par de ingressos pra qualquer show no Cine Joia em 2016, além de alguns exemplares do CD de Blackstar, lançado pela Sony.

Como você tem visto a transformação da noite de São Paulo nos últimos dez anos? Estamos em uma nova fase de ouro da música?
Sou uma eterna otimista, mesmo com quase 40 anos continuo me divertindo muito na noite de São Paulo. Gosto de transitar por diferentes estilos musicais tanto como público quanto como DJ e acho que há lugar para todos. Só não gosto quando surgem várias festas com os mesmos temas, acho que há muita música bacana pra gente se prender só em um só universo. Ou olhar só pros EUA e Reino Unido quando aqui ao lado, na América Latina, existem artistas maravilhosos. Não existe fase de música ruim, é questão de saber procurar direito as fontes.

E SP como um todo, como anda? Acha que a cidade melhorou?
Moro em SP há quase 20 anos e como sou de Santos, sentia muita falta de lugares abertos pra passear ao ar livre. Me sentia muito indo de uma caixa pra outra, da casa, pro trabalho e pra boate. Hoje em dia é difícil ficar em algum lugar fechado no final de semana com tantas opções de festas nas ruas, em terraços, feirinhas, parques e avenidas abertas, então melhorou muito nessa questão de sentir a cidade. Reparem que as pessoas que mais amam suas cidades, como Santos e Rio de Janeiro, são as que costumam explorá-la mais a céu aberto. Talvez o efeito disso só seja sentido daqui a alguns anos mas acho que vai ajudar a fazer com que sintam São Paulo como suas terras tambem, não só lugar de trabalhar, ganhar dinheiro ou de simples passagem.

Como foi o show do Thurston Moore em São Paulo

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Thurston Moore montou um mini-Sonic Youth para gravar seu novo disco solo, The Best Day. Primeiro veio o próprio Steve Shelley na batera, velho escudeiro de discos anteriores. Para o baixo chamou uma mulher (ninguém menos que que Debbie Googe, ex-My Bloody Valentine) tão experimetalista em seu instrumento quanto sua ex-mulher, Kim Gordon. E para a outra guitarra chamou um clone inglês de Lee Ranaldo, o inglês James Sedwards, um instrumentista educado no rock clássico (o glam era evidente em certos trechos de seu instrumento), mas completamente inserido no contexto de noise e microfonia proposto pelo velho indie.

Mas em sua recente apresentação em São Paulo, esse formato foi quebrado devido a um problema de saúde – Steve Shelley descobriu, no Brasil, que havia descolado a retina e por isso tinha de se afastar das baquetas. E o quanto antes, tanto que nem pode subir no palco do Cine Jóia. Em vez dele a produção chamou o baterista que acompanha Jair Naves, Babalu, que foi pego de surpresa com o convite e recebeu aulas de bateria do próprio Steve Shelley durante o ensaio (que deveria ser apenas uma passagem de som). O Lucio, que organizou o show, conta como foi a saga sônica de um baterista desconhecido para o palco com um dos grandes nomes do underground mundial.

Babalu entrou completamente em sintonia com o trio e, apesar do (natural) ar de insegurança no início do show, não comprometeu em nenhum momento, seguindo a cartilha que havia aprendido na mesma tarde à risca. Profissa. À sua frente, três veteranos das cordas elétricas duelavam-se entre espasmos de ruído e delicados dedilhados. O fio condutor foi basicamente o Best Day que Thurston acaba de lançar – a única fuga deste script foram “Pretty Bad” e “Ono Soul”, de seu primeiro disco solo, Psychic Hearts, a última também a única música de outro disco que ele tocou quando trouxe seu Demolished Thoughts ao mesmo palco paulistano há dois anos e meio (além de “It’s Only Rock’n’roll (But I Like It)”, dos Rolling Stones).

Thurston e sua guitarra já são um só faz muito tempo, então ele nem sequer precisa pensar para levá-la de um extremo a outro – é sua assinatura de palco, ao lado de seu grave vocal quase balbuciado e seu ar de criança de dois metros de altura. Esticando músicas do disco desse ano para além dos 10 minutos, ele inevitavelmente caía em breaks instrumentais em que desafiava os outros músicos a sair do formato canção, por mais bruta que fosse sua versão, quebrando-se em tsunamis de microfonia e marolinhas ambient, regendo seus músicos com o braço de seu instrumento. Um show catártico, conciso, intenso e reconfortável, uma vez que sempre podemos reconhecer os mesmos traços que desenharam a discografia de um grupo tão importante para aquele meio quanto o Sonic Youth. Venha mais, Thurston!

Abaixo os vídeos que fiz do show:

Noites Trabalho Sujo + Washed Out

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A boa de hoje é que tocaremos antes e depois do show que o Washed Out faz aqui em São Paulo no Cine Jóia. Os ingressos, que foram distribuídos online de graça, já estão esgotados e a dica é chegar cedo – a noite promete!

Yo La Tengo no Brasil!

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Boa notícia: o trio de Hoboken dá mais uma vez suas caras em São Paulo (é a terceira vez, depois de dois shows fantásticos no Sesc Pompéia em 2001 e outro show vespertino no SWU em 2010), dessa vez na Popload do Lucio Ribeiro, no Cine Joia. A má notícia é que o preço de R$ 160 na entrada inteira complica bastante pra quem quer ver a banda…

Retrato de um artista psicodélico quando jovem: como foi o show do Tame Impala ontem em São Paulo

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Cheguei em cima da hora, peguei uma fila gigantesca (dava até a 23), entrei e o show já tinha começado, nem cogitei ficar embaixo e subi para o mezanino do Jóia. O som tava baixo, mas aumentou logo em seguida e a partir daí… Kevin Parker nos conduziu a um delírio sônico em technicolor que, ao mesmo tempo que apontava para o cânone clássico da psicodelia dos anos 60, abria novos horizontes para a lisergia sonora que conduzia a partir de sua guitarra.

Descalço e muito mais seguro de si do que quando apresentou-se no Brasil há um ano (quando Lonerism ainda nem havia sido lançado e só duas músicas do disco haviam aparecido online, “Apocalypse Dreams” e “Elephant”), Parker tem plena certeza dos rumos que quer levar e conta com músicos tinindo pra isso. Jay “Gumby” Watson (que tocava bateria e foi pra guitarra e sintetizadores) e Dominic Simper (baixista no início da banda e hoje nas guitarras e teclados) funcionam como sombras de Kevin, ecoando solos, riffs e texturas sonoras que o líder da banda joga no ar. Os dois novatos da cozinha, o baixista Cam Avery, que entrou no semestre passado, e o baterista Julien Barbagallo, que entrou no ano passado, fazem tudo funcionar com esmero, forçando os limites de seus instrumentos sem precisar apelar pro virtuosismo – Cam passeia pelas belas linhas de baixo compostas por Parker com tranquilidade enquanto Julien equilibra-se nas viradas lentas como um Ian Paice ou um Ginger Baker.

Mas todos trabalham por Kevin, que mesmo tento espasmos de deus do rock – erguendo a guitarra bem no alto, rodopiando, fazendo poses com o instrumentos – é um moleque que passeia feliz pelo céu de diamantes que resolveu habitar. Sem surpresas no repertório, ele esticou músicas em jam sessions memoráveis, intercalou fraseados com espasmos sonoros que fizeram o público no Jóia ficar de queixo caído. Ele adorou a audiência (que cantarolou riffs e solos), além de elogiar o fato da platéia saber a letra de todas as músicas. Um show memorável, mas que parece ser apenas o começo de uma carreira brilhante.

Fiz uns vídeos abaixo, saca só.