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Estreia em transe

Sem dirigir nenhuma palavra ao público até o final da apresentação e emendando canções instrumentais próprias com a de autores tão distintos e improváveis quanto o coletivo islandês ADHD, Milton Nascimento, o sueco Peter Sandberg e o trio dinamarquês Hvalfugi, Victor Kroner transformou o palco do Centro da Terra em uma paisagem de contemplação ambient que flertava tanto com o folk quanto com o jazz, o blues e a melancolia que atravessa a solidão nórdica e a saudade latina. Dividindo-se entre efeitos eletrônicos, a guitarra e até uma kalimba, ele abriu a noite acompanhado de uma banda formada por velhos colaboradores como o guitarrista Gabriel Quinto, a violoncelista Francisca Barreto e o baterista Gabriel Eubank, até receber os convidados Pedro Bienelmann no baixo e vocais (quando fizeram a música “Feather” do Ishmael Ensemble) e depois a cantora Nina Fernandes (com quem primeiro dividiram “Habana” do cubano Yaniel Matos, gravada por Francisca e depois “Hey Who Really Cares” de Linda Perhacs). Com a casa lotada para acompanhar sua estreia autoral, Kroner disfarçou bem a timidez ao preferir um show sem texto e hipnotizou o público com uma apresentação que está pronta para correr por outros palcos.

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Victor Kroner: Entrepulso

Muita satisfação ao receber o primeiro show autoral de Victor Kroner no palco do Centro da Terra nesta terça-feira, ele que já trabalha há anos como guitarrista e produtor resolveu tirar as próprias composições da gaveta e reuniu um time de músicos de confiança para essa apresentação Entrepulso, título tirado dos intervalos entre um pulso e outro. Ele vem acompanhado de Gabriel Quinto (violão e guitarra), Francisca Barreto (violoncelo) e Gabriel Eubank (bateria), além de contar com visuais de Bruna Braga para esse primeiro ato de sua carreira autoral. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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A catarse do final

Sophia Chablau encerrou lindamente sua temporada Guerra nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando repetiu a mesma estrutura das três apresentações anteriores – primeiro com sua nova banda (formada por ela na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e synthbass e Theo Ceccato na bateria), depois sozinha com seu instrumento e depois com os convidados da noite -, mas conseguiu expandir cada um desses módulos justamente devido ao padrão desenvolvido durante a temporada. Desta vez, ela inverteu o início e começou sozinha, chamando os músicos para a segunda parte da noite e a liga com os dois que escolheu para acompanhá-la é patente: cada vez mais os três se comportam como um único organismo, acelerando e encorpando as músicas que ela escolheu para a primeira parte (a maioria delas tocada ao vivo pela primeira vez neste mês de março). Finalmente ela chamou os convidados da noite, primeiro recebendo Vítor Araújo ao piano para a versão definitiva de “Qualquer Canção”, música do disco que o maestro pernambucano produziu para o segundo disco da banda da paulistana. Chamou a banda de novo para acompanhá-la com Vítor e juntos atravessaram a bela “Canção de Retorno” que fez com Felipe Vaqueiro e a ainda inédita “Eu Não Bebo Mais” da Enorme Perda de Tempo, antes que Sophia chamasse o outro convidado da noite, Zé Ibarra, com quem primeiro dividiu sua “Hexagrama 28” (que o carioca eternizou em seu disco do ano passado), e depois a inédita “Tomada de Belém” criada em uma residência de composição no ano passado que contou com a participação de Zé, Sophia, Dadá Joãozinho, Felipe Vaqueiro e Joaquim. O show – e a temporada – chegou ao ápice quando Sophia chamou de volta Vítor e juntos os cinco atravessaram primeiro a versão mais forte de “Quantos Serão no Final?” (em que Sophia entrou em catarse e praticamente destruiu seu instrumento) e uma catártica “Segredo”, encerrada depois que as cortinas se fecharam, cortando inclusive a possibilidade de bis. “A guerra só começou, caralhoooo!”, gritou a vocalista, extática, depois que o show acabou. Foda demais.

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O início de uma obra em comum

Tenho conversado com o L_cio há um tempo sobre ele fazer algo no Centro da Terra e quando surgiu essa oportunidade, ele sugeriu de reunir outros dois artistas para participar de sua apresentação: a cantora cearense Nayra Costa (que muitos devem conhecer como a vocalista que cantava “The Great Gig in the Sky” nas versões que o Cidadão Instigado fazia do Dark Side of the Moon do Pink Floyd) e o percussionista e trombonista Bica Tocalino, que eu não conhecia. E pelo que ele havia explicado, queria reunir o trabalho dos dois com o que vinha fazendo pois tinha encontrado um rumo comum para os três e que, na apresentação, iria mostrar um pouco do que cada um deles estava desenvolvendo. Qual minha surpresa ao perceber na apresentação Vértice: Ato Único que não há separação entre as partes de cada um dos três, que entrosam fluentemente suas habilidades artísticas – L_cio disparando samples e bases eletrônicas enquanto também toca flauta transversal e berimbau, Nayra soltando a voz de forma linda e potente e Bica dividindo-se entre o arsenal de percussão na parte de trás do palco ou quando vinha à frente com o seu trombone. Foi uma obra construída ao vivo, iluminada pelas texturas líquidas da artista Via Moras, que mudava as cores da noite com seus pincéis.

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L_cio + Nayra Costa + Bica – Vértice: Ato Único

Três artistas de diferentes áreas musicais se encontram no espetáculo Vértice: Ato Único, que acontece nesta terça-feira no Centro da Terra. Regido pelo maestro e produtor L_cio, que aproveita a oportunidade para deixar a eletrônica em segundo plano para abraçar os instrumentos orgânicos (como berimbau e flauta transversal), a noite ainda conta com as presenças da cantora cearense Nayra Costa e do percussionista e trombonista Bica, quando os três deixam-se levar por um fluxo contínuo de som em apresentação única. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Uma joia de noite

Uma joia essa penúltima noite que Sophia Chablau conduziu no Centro da Terra nesta segunda, quando convidou Ava Rocha e Negro Leo para entrar em na Guerra que vem fazendo no início das semanas deste tenso março de 2026. Pegou todo mundo de surpresa à saída do espetáculo, ao sentar-se ao piano e colocar o baixista Marcelo Cabral tocando guitarra no centro do palco, cantando sua belíssima recém-lançada “O Herói Vai Cair”. Logo depois pegou a guitarra e seguiu azeitando ainda mais o belíssimo trio que criou ao lado de Cabral e de seu compadre baterista Theo Ceccato, tocando as músicas inéditas que vem apresentando nesta temporada e uma versão quase thrash de “Quantos Serão no Final?” do repertório de seu trabalho em parceria com o baiano Felipe Vaqueiro (com direito à própria Sophia tocando piano enquanto tocava guitarra). Depois, ela começou a segunda parte da noite, cantando sozinha no palco (à exceção da primeira música, feita para Dora Morelenbaum, que contou com Cabral tocando seu baixo com um arco de violoncelo). E depois de mais uma dose de ótimas inéditas (incluindo uma em parceria com Ana Frango Elétrico), chamou os convidados da noite: primeiro Negro Leo (que sentou-se ao piano para acompanhar Sophia à guitarra na parceria “Quem Vai Apagar a Luz?”) e depois Ava, que trouxe Theo e Cabral de volta ao palco para uma sequência de onírica de hits, que incluía “Mar ao Fundo” de Ava, uma versão maravilhosa para “Esferas” de Leo e outra elétrica para “Segredo” de Sophia, além de uma parceria dos três em inglês. A noite fechou com o sambinha “Deus Tesão” com Leo na bateria, Cabral no synth e Theo no baixo, fechando as cortinas enquanto a banda ainda tocava. Noite linda.

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Centro da Terra: Abril de 2026

O primeiro semestre de 2026 está chegando na metade e essas são as atrações musicais de abril no Centro da Terra. As segundas-feiras ficam por conta do guitarrista Guilherme Held, que resolve mergulhar em seu instrumento sempre em dupla com velhos camaradas das seis cordas, na temporada Abriu o Fuzz. A cada segunda-feira, Held reúne como outros guitar heroes – e ele só reuniu cobras. Na primeira (dia 6), ele convida Fernando Catatau, na segunda (dia 13) ele vem com Lúcio Maia, na terceira (dia 20) é a vez de chamar Kiko Dinucci para concluir a saga na última segunda do mês (dia 27) ao lado de Edgard Scandurra. Às terças começamos com o encontro das vozes e violões de Ítallo França, Marina Nemesio, Tori e João Menezes, que reúnem-se na primeira terça (dia 7) pela primeira vez para celebrar seus próprios repertórios, na apresentação que chamaram de De Banda, que também pode ser entendido como o embrião de um grupo. Na segunda terça-feira do mês (dia 14), Kiko Dinucci sobe sozinho com sua guitarra no palco do teatro do Sumaré para mostrar, pela primeira vez, o repertório de seu próximo álbum, previsto para o segundo semestre e batizado de Medusa. Nesta apresentação, que ele chamou de Pré-Medusa, ele mostra as novas canções e o clima elétrico-etéreo do sucessor de Rastilho. A última terça-feira do mês fica a cargo da poeta Heloiza Abdalla, que finalmente materializa no palco seu livro Ana Flor da Água da Terra, lançado há dez anos. Poemas que tornam-se música com a presença de improvisadores como Sandra X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano). Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Ponto de partida

O trio Saravá está pronto pra decolar, como mostrou nessa terça-feira no Centro da Terra em sua apresentação batizada de Última Parada, que, como revelaram, também será o nome de seu disco de estreia. Reunindo um time de colaboradores que o transformou em uma big band de rock clássico, a banda tocou o ainda não-lançado disco de estreia na íntegra e com as faixas na mesma ordem que estarão no álbum. E mesmo com vários integrantes a mais é perceptível o equilíbrio do trio, com as composições líricas e delicadas do guitarrista Joni Gomes e as mais pesadas e vigorosas do baixista Roberth Nelson caminhando sobre uma base firme e virtuosa (sem precisar ser exibicionista) do baterista Antônio Ito. Além dos três, a banda ainda contou com quatro músicos de apoio em quase toda a apresentação, com os teclados de Lukas de Vasconcellos Pessoa (da Monstro Enigma), a guitarra-base de Arthur Jé (da banda Monolitos), o violão de Leo Bergamini a as percussões de Rafa Sarmento (ambos da Devolta ao Léu) e três vocalistas que por vezes se apresentavam sozinhas (Luzia Reis, Olívia Mônaco e Bru Cecci – esta última também da Devolta) ou cantavam juntas como um coro de vocais de apoio, mostrando toda a epicidade setentista que paira sobre o disco ainda não-lançado. Depois destas faixas, o grupo ainda tocou músicas de sua primeira fase – quase sempre com participações especiais, Luzia presente na maioria das canções quase como uma quarta integrante da banda – e encerrou com “Sob o Sol”, música novíssima que tocou pela primeira vez ao vivo nesta noite, reunindo todos os convidados num grand finale – que ainda teve o grupo tocando uma música do Devolta ao Léu no bis. Que o disco não demore!

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Saravá: A Última Parada

Às vésperas de lançar seu primeiro álbum, o trio paulistano Saravá, formado por Joni Gomes (guitarra, violão e voz), Roberth Nelson (baixo e voz) e Antônio Ito (bateria e voz), apresenta-se pela primeira vez no Centro da Terra, quando o toca disco ainda inédito na íntegra, além de mostrar canções que não estarão no disco no espetáculo Última Parada. A novidade do show, além do repertório, é que ele contará com várias participações especiais, como Arthur Jé (guitarra e violão), Lukas de Vasconcellos Pessoa (teclados), Leonardo Bergamini (violão), Rafael Sarmento (percussões) e vozes de Bru Cecci, Luzia Reis e Olívia Mônaco, além de cenografia e projeções de Júlio Bezerra e iluminação de Beeau Gomez e Ana Zumpano. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Dois universos da canção

Mais uma noite com Sophia Chablau no Centro da Terra, esta anunciada como um dos grandes momentos de sua temporada Guerra, uma vez que reunia dois universos distintos da canção contemporânea brasileira, quando ela chamou Dora Morelenbaum e Juçara Marçal para a mesma noite. Ela começou acompanhada da dupla com a qual montou o power trio que atravessa as noites deste mês de março, com ela mesma na guitarra e vocais, Marcelo Cabral no baixo e eletrônicos e Theo Ceccato na bateria, chutando a vibe punk rock logo de cara com uma canção inédita e dedicando sua “Quantos Serão No Final?” à escola iraniana que foi bombardeada pelos EUA no início do mês. Depois, sozinha com seu instrumento, passeou por outras inéditas (como uma que compôs para os bares da marquise da Alfonso Bovero, vizinhos do teatro, e outra em inglês). Depois, ainda só à sua guitarra, chamou a primeira convidada da noite, quando dividiu com Dora os vocais de sua “Cinema Total”, de outra inédita, composta na semana passada para a própria cantora carioca, batizada ainda no rascunho como “Corpos Jogados”, de “Petricor”, da própria Dora, e de “Vem Comigo” de Sophia gravada por Dora, as três últimas acompanhadas por Cabral (que fez um solo fabuloso na última). Os dois deixaram Sophia sozinha de novo no palco, que passou por sua “Segredo” e por outra inédita, antes de chamar a segunda convidada da noite. E ao chamar Juçara para o palco (bem como Theo e Cabral), começaram passeando pela “Lembranças Que Guardei”, que Ju compôs com Kiko Dinucci e Fernando Catatau, para depois entrar em uma parceria inédita das duas (batizada temporariamente de “Sumiu Sumi”), de “Meninos de Itaquá” (que Sophia já havia mostrado nas noites anteriores e confessou ser inspirada no Delta Estácio Blues de Juçara) e outra inédita das duas, “O Céu Já Não”, que encerrou a noite em grande estilo. Showzaço que só pecou por não juntar Dora e Juçara numa mesma canção, mas que seguiu mantendo o alto nível da temporada.

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