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Vida Fodona #655: Ao vivo sem público

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Sigo entendendo essa nova lógica.

Van Mccoy & The Soul City Symphony – “The Hustle”
Tops – “Way to Be Loved”
Letrux – “Coisa Banho de Mar”
Maria Beraldo – “Da Menor Importância”
Secos & Molhados – “Sangue Latino”
R.E.M. – “Electrolite”
Talking Heads – “Heaven”
Purple Mountains – “Margaritas at the Mall”
Tatá Aeroplano – “Trinta Anos Essa Noite”
Josyara + Giovani Cidreira – “Anos Incríveis”
Bob Dylan – “I Contain Multitudes”
Céu – “O Morro Não Tem Vez”
Spoon – “Rainy Taxi”
Lupe de Lupe – “Midas”
Bonifrate – “Antena a Mirar o Coração de Júpiter”
Tom Zé – “Profissão Ladrão”
Pulp – “Bar Italia”

Vida Fodona #652: Festa-Solo (22.6.2020)

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Segunda-feira é dia de Vida Fodona ao vivo no twitch.tv/trabalhosujo, às 21h – este foi o programa da semana passada.

Feelies – “Everybody’s Got Something To Hide (Except Me And My Monkey)”
Thurston Moore – “Hashish”
Can – “Vitamin C”
Ultramagnetic MCs – “Give The Drummer Some”
Zapp & Roger – “More Bounce to the Ounce”
Dr. Dre + Snoop Dogg – “The Next Episode”
Usher + Ludacris + Lil’ Jon – “Yeah”
Christina Aguillera – “Genie in a Bottle”
Flight Facilities + Giselle- “Crave You”
Dexy’s Midnight Runners – “Come On Eileen”
Malu Maria – “Diamantes na Pista”
Bárbara Eugenia – “Perdi”
Chromeo – “6 Feet Away”
Angel Olsen – “New Love Cassette (Mark Ronson Remix)”
Beastie Boys – “Gratitude”
Cream – “Swlabr”
Mutantes – “Mágica”
Paul McCartney – “Check My Machine”
Erasmo Carlos – “Mané João”
Tim Maia – “O Caminho do Bem”
Bob Dylan – “False Prophet”
Neil Young – “Homegrown”
Norah Jones – “To Live”
The Band – “Orange Juice Blues (Blues For Breakfast)”
Supercordas – “6000 Folhas”
Boogarins + O Terno – “Saídas e Bandeiras No. 1”
Maria Bethania – “Estácio, Holy Estácio”
Paulinho da Viola – “Falso Moralista”
Gilberto Gil – “Back in Bahia”
Itamar Assumpção – “Prezadissimos Ouvintes”
Lô Borges – “Canção Postal”
Chico Buarque – “Caravanas”
Criolo + Milton Nascimento – “Cais”
Josyara – “Mansa Fúria”
Metá Metá – “Trovoa”

Vida Fodona #650: Festa-Solo (15.6.2020)

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Toda segunda-feira, às 21h, tem Vida Fodona ao vivo no twitch.tv/trabalhosujo.

Mundo Livre S/A – “Manguebit”
Bonsucesso Samba Clube – “Pensei Se Há”
Eddie – “Sentado na Beira do Rio”
Karina Buhr – “Eu Menti Pra Você”
Mombojó – “Antimonotonia”
Beck – “Mixed Bizness”
Talking Heads – “Crosseyed and Painless”
B-52’s – “Planet Claire”
Yoko Ono – “Walking On Thin Ice”
ESG – “Erase You”
Saskia + Edgar – “Tô duvidando”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Sade – “Paradise”
Massive Attack – “Unfinished Sympathy”
Primal Scream – “Higher than the Sun”
DJ Shadow – “What Does Your Soul Look Like, Pt. 4”
Warpaint – “Above Control”
Cure – “One Hundred Years”
Legião Urbana – “Andrea Doria”
Bob Dylan – “Subterranean Homesick Blues”
Yma – “Par de Olhos”
Chromatics – “The Page”
Captain Beefheart & His Magic Band – “Ella Guru”
Cornelius – “Crash”
Bruno Schiavo – “Amores Incríveis”
Mutantes – “Jogo de Calçada”
Haim – “Want You Back”
Gregory Isaacs – “Night Nurse”
Gilberto Gil + BaianaSystem – “Sarará Miolo”
Daft Punk + Julian Casablancas – “Instant Crush”
Hall & Oates – “Kiss on My List”
Sam Cooke – “You Send Me”
Shuggie Otis – “Strawberry Letter 23”

“O que você está olhando? Não tem nada pra ver aqui”

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Quando Bob Dylan começou a mostrar Rough And Rowdy Ways, nem sabíamos que era um álbum que viria. A sombra da pandemia pesava sobre o ocidente quando um de seus maiores artistas cantava um épico inesperado: os quase dezessete minutos de “Murder Most Foul” recontava o assassinato do presidente norte-americano John Kennedy como um divisor cultural, o fim da inocência estadunidense e o início da queda no abismo em que nos encontramos hoje, citando músicos e canções como testemunhos destas transformações. Ele depois lançou a bucólica “I Contain Multitudes” e parecia que estava apenas mostrando umas músicas novas para nos reconfortar, uma melhor que a outra. Até que o groove quadrado de “False Prophet” anunciou a vinda do novo álbum, que só por conter estas três músicas já mostrava que seria um dos melhores discos do mestre.

E é verdade. Por mais que ele ressoe como os últimos discos que lançou (a trilogia que gravou como intérprete formada pelos álbuns Shadows in the Night, de 2015, Fallen Angels, de 2016, e o triplo Triplicate, de 2017), Rough… conversa diretamente com todos seus discos neste século, especialmente os três primeiros do século, “Love and Theft” (2001), Modern Times (2006) e Together Through Life (2009). Neste trio de discos do início do século 21, ele comentava a nova modernidade à partir da modernidade que conheceu, voltando para os anos 50 de sua adolescência. Já a trilogia de canções que foram gravadas por Sinatra volta ainda mais no tempo, para os anos 20, 30 e 40, fazendo a ponte entre o terreno onde plantou suas Basement Tapes, a música folk americana do início do século, e a era de ouro do rádio em seu país.

O novo disco retoma o andamento do século e parece caminhar entre inferninhos do sul dos EUA, estradas desertas ao por do sol e salões de velho oeste trazidos para a era da eletricidade e da gasolina. São blues rasgados e rocks que chacoalham cadeiras e cabeças mas não os quadris (“False Prophet”, “Goodbye Jimmy Reed”, “Crossing the Rubicon”), baladas pensativas (“I’ve Made Up My Mind to Give Myself to You” é de chorar, “Black Rider” parece um presságio), delírios solitários e canções de cortar o coração (a já citada “I Contain Multitudes” e “Mother of Muses”, em que sua voz, que nos acostumamos com o timbre velho e calejado, está deslumbrante). Só esse conjunto de canções já colocaria Rough… entre os melhores discos de Dylan e seu melhor disco desde Time Out of Mind, de 1997.

As duas faixas do final, no entanto, encerram a discussão. Além da imbatível “Murder Most Foul”, ele ainda nos presenteia com a gigantesca e contemplativa “Key West (Philosopher Pirate)”, única faixa com refrão no disco, que espreguiça-se também pelo século 20, citando canções e situações, perguntando se estamos procurando a imortalidade. “O que você está olhando? Não tem nada pra ver aqui”, resmunga irônico, em “False Prophet”, “você não me conhece, querida…”, explica como se estivesse mostrando onde devemos ficar – à vontade, ouvindo-o.

O panteão da música pop celebra Little Richard

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A passagem de Little Richard – autoproclamado “o arquiteto do rock’n’roll” – fez toda a geração do rock clássico dos anos 60 vir a público reverenciá-lo. Dois gigantes, Paul e Dylan, escreveram textos emotivos saudando sua importância em suas contas no Twitter. Disse Paul:

“De ‘Tutti Frutti’ a ‘Long Tall Sally’, de ‘Good Golly, Miss Molly’ a ‘Lucille’, Little Richard entrou gritando na minha vida quando eu era adolescente. Devo muito ao que faço a Little Richard e seu estilo; e ele sabia disso. Ele dizia: “Ensinei a Paul tudo o que ele sabia”.

Tenho que admitir que ele tem razão. No começo dos Beatles, tocamos com Richard em Hamburgo e pudemos conhecê-lo. Ele nos deixava ficar em seu camarim, onde testemunhávamos seus rituais antes do show, com a cabeça debaixo de uma toalha sobre uma tigela de água quente fumegante e de repente, ele levantava a cabeça em direção ao espelho e dizia: ‘Não posso evitar, porque sou muito bonito’. E era. Um grande homem com um adorável senso de humor e alguém que fará falta pela comunidade do rock and roll e muito mais.

Agradeço a ele tudo o que ele me ensinou e a gentileza que demonstrou ao me deixar ser seu amigo. Adeus, Richard e a-wop-bop-a-loo-bop”

Depois disse Dylan:

“Acabei de ouvir as notícias sobre Little Richard e estou muito triste. Ele era minha estrela brilhante e a luz que guiava de volta quando eu era apenas um garotinho. O espírito dele era o que me levou a fazer tudo o que fiz.

Fiz alguns shows com ele na Europa no início dos anos 90 e ficava muito tempo com ele em seu camarim. Ele sempre foi generoso, gentil e humilde. E ainda era explosivo como intérprete e músico, você ainda pode aprender muito com ele.

Na presença dele, ele sempre foi o mesmo Little Richard que eu ouvi pela primeira vez e fiquei impressionado ao crescer e eu sempre fui o mesmo menino. Claro que ele viverá para sempre. Mas é como se parte de nossas vidas fosse embora.”

Veja outras homenagens de nossos ídolos ao seu ídolo:

https://twitter.com/BrianWilsonLive/status/1259138765420990464

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Without a doubt – musically, vocally and visually – he was my biggest influence. Seeing him live in my teens was the most exciting event in my life at that point. Goosebumps, electricity and joy came from every pore. His records still sound fresh and the opening few seconds of “Tutti Frutti” are the most explosive in music history. I was lucky enough to work with him for my “Duets” album in 1993. He was shy and funny and I was SO nervous. The track we recorded “The Power” is a favourite in my catalogue. We also played live at the Beverly Hilton and I felt like I’d died and gone to heaven. He influenced so many and is irreplaceable. A true legend, icon and a force of nature. #RIP Little Richard Love, Elton x #LittleRichard

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Bob Dylan de novo: “I go where only the lonely can go”

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A voz rouca e calejada parece vir do além, mas Bob Dylan sabe que está em algum muquifo decadente de nosso inconsciente: “Mais um dia que não termina, mais um barco que se vai”, ele rosna no início de seu novíssimo blues sujo “False Prophet”, “Mais um dia de raiva, de amargura e de dúvida”. O novo single, ilustrado por essa estranha presença da morte em trajes de gala com um olho só, não é apenas a terceira faixa maravilhosa que lança em 2020, esse trio de jóias inéditas que começou com o épico de quase 17 minutos “Murder Most Foul” e seguiu com a introspectiva “I Contain Multitudes” faz parte do primeiro álbum de inéditas que Dylan lança em oito anos, anunciado junto com a nova canção.

Depois de três discos – incluindo um álbum triplo – vagando por canções que, em sua maioria, foram imortalizadas por Frank Sinatra (Shadows in the Night, de 2015, Fallen Angels, de 2016, e Triplicate, de 2017), o mestre volta-se para sua própria lavra e anuncia que as três músicas que lançou nesse mórbido 2020 fazem parte de Rough and Rowdy Ways, que já está em pré-venda e será lançado no dia 19 de junho. “False Prophet” segue aproximando o tom do álbum de nossos dias isolados ante a peste: “Eu não sou nada como minha aparição fantasmagórica sugere/ Não sou um falso profeta / Só disse o que disse / Estou aqui pra trazer a vingança para a cabeça de alguém.” A capa do novo disco e a letra da nova música seguem abaixo:

roughandrowdyways

Another day that don’t end
Another ship goin’ out
Another day of anger, bitterness, and doubt
I know how it happened
I saw it begin
I opened my heart to the world and the world came in

Hello Mary Lou
Hello Miss Pearl
My fleet-footed guides from the underworld
No stars in the sky shine brighter than you
You girls mean business and I do too

Well I’m the enemy of treason
Enemy of strife
Enemy of the unlived meaningless life
I ain’t no false prophet
I just know what I know
I go where only the lonely can go

I’m first among equals
Second to none
Last of the best
You can bury the rest
Bury ’em naked with their silver and gold
Put them six feet under and pray for their souls

What are you lookin’ at
There’s nothing to see
Just a cool breeze that’s encircling me
Let’s go for a walk in the garden
So far and so wide
We can sit in the shade by the fountain-side

I search the world over
For the Holy Grail
I sing songs of love
I sing songs of betrayal
Don’t care what I drink
Don’t care what I eat
I climbed the mountains of swords on my bare feet

You don’t know me darlin’
You never would guess
I’m nothing like my ghostly appearance would suggest
I ain’t no false prophet
I just said what I said
I’m just here to bring vengeance on somebody’s head

Put out your hand
There’s nothing to hold
Open your mouth
I’ll stuff it with gold
Oh you poor devil look up if you will
The city of God is there on the hill

Hello stranger
A long goodbye
You ruled the land
But so do I
You lost your mule
You got a poison brain
I’ll marry you to a ball and chain

You know darlin’
The kind of life that I live
When your smile meets my smile something’s got to give
I ain’t no false prophet
No I’m nobody’s bride
Can’t remember when I was born
And I forgot when I died

Mais uma inédita de Bob Dylan

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Depois do épico “Murder Most Foul“, Bob Dylan lança mais uma faixa inédita, “I Contain Multitudes”, que segue a linha da canção anterior com muitas citações e referências, embora num espaço menor de tempo – quase cinco minutos, ao contrário da anterior, com mais de dezesseis. Citando os Rolling Stones, Edgar Allen Poe, Chopin, Indiana Jones, Anne Frank, David Bowie e Beethoven, ele volta-se para si mesmo para falar do alto de sua experiência e discordâncias. “Pintei paisagens e pintei nus”, canta como se referisse às duas canções mais recentes – a primeira uma apoteótica descrição do século passado e esta nova em que despe-se entre um cello pensativo, um violão bucólico, uma guitarra steel idílica: “Sou um homem de contradições, eu sou um homem de muitos humores, eu contenho multitudes”, canta numa voz deliciosamente familiar, “seu velho lobo ganancioso, eu lhe mostrarei meu coração, mas não por inteiro, só a parte odiável.” Como não amar este homem?

A música nova do Dylan emocionou Nick Cave

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Preso em isolamento da quarentena, o bardo australiano Nick Cave tem conversado mais ativamente com seus fãs através do fórum de seu site, respondendo a perguntas em textos aprofundados. Um dos temas recentes foi a música mais recente de Dylan, “Murder Most Foul”, um épico de tirar o fôlego que o poeta norte-americano revelou logo no início da quarentena. Disse Cave:

Muitos já escreveram sobre a nova música de Bob Dylan, “Murder Most Foul” – e o interesse é justificável. É uma desconcertante mas bela canção e, como muitas pessoas, fiquei extremamente comovido por ela.

No coração desse épico de dezessete minutos, está um terrível evento, o assassinato de JFK – um vórtice sombrio que ameaça puxar tudo, exatamente como nos EUA em 1963. Girando em torno do incidente, Dylan tece uma litania de coisas amadas – principalmente música – que alcançam a escuridão, na libertação. Na medida em que a música se desenrola, ele lança a linha de vida após linha de vida, de forma insistente e semelhante a um mantra, e somos erguidos, ao menos momentaneamente, livres do acontecimento. A cascata incansável de Dylan feita de referências de músicas aponta para o nosso potencial como seres humanos de criar coisas bonitas, mesmo de frente a nossa própria capacidade de malevolência. ‘Murder Most Foul’ nos lembra que nem tudo está perdido, pois a música em si se torna uma tábua de salvação lançada em nossa situação atual.

A instrumentação é amorfa, fluida e muito bonita. Liricamente, ele tem toda a ousadia perversa e divertida de muitas das grandes músicas de Dylan, mas além disso há algo em sua voz que parece extraordinariamente reconfortante, especialmente neste momento. É como se tivesse percorrido uma grande distância, através de trechos de tempo, cheios de uma integridade e estatura conquistadas, que acalma o caminho de uma canção de ninar, um cântico ou uma prece.

Quanto sobre ser a última vez que ouviremos uma nova música de Bob Dylan, eu certamente espero que não. Mas talvez haja alguma sabedoria em tratar todas as canções, ou, nesse caso, todas as experiências, com certo cuidado e reverência, como se encontrássemos essas coisas pela última vez. Digo isso não apenas à luz do novo coronavírus, mas de que é uma maneira eloquente de levar a vida e apreciar o aqui e agora, saboreando-o como se fosse a última vez. Tomar um drinque com um amigo como se fosse a última vez, comer com sua família como se fosse a última vez, ler para seu filho como se fosse a última vez, ou de fato, sentar na cozinha ouvindo uma nova música de Bob Dylan como se fosse a última vez. Ela permeia tudo o que fazemos com maior significado, colocando-nos dentro do presente, nosso futuro incerto, temporariamente preso.

Ave Nick Cave.

Vida Fodona #630: Calminho

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Ma non troppo.

Sara Não Tem Nome – “Agora”
Damien Rice – “Chandelier”
Bob Dylan – “Murder Most Foul”
Tatá Aeroplano – “Alucinações”
Thiago França – “Dentro da Pedra”
Mauricio Takara e Carla Boregas – “Traçado Entre Duas Linhas”
Atønito – “Veloce”
Dlina Volny – “Do It”
Dua Lipa – “Love Again”
Baco Exu do Blues + Lelle – “Preso Em Casa Cheio de Tesão”
Bivolt – “110v”
Childish Gambino + Ariana Grande – “Time”
Flume + Toro y Moi – “The Difference”
Breakbot + Delafleur – “Be Mine Tonight”

Bob Dylan encerra o século 20

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“Saudações a meus fãs e seguidores, agradeço a todo o apoio e lealdade em todos estes anos. Esta é uma canção que gravamos há algum tempo e não foi lançada, acho que devem achá-la interessante.
Mantenham-se seguros, mantenham-se alertas e que Deus esteja com vocês.”

Sem poder fazer o que mais gosta – shows – devido à epidemia do coronavírus e pressentindo a nuvem pesada que a praga vem formando no horizonte, Bob Dylan lançou sua canção mais extensa (dezesseis minutos e cinquenta e seis segundos) neste fim de semana, canção que imediatamente coloca-se no panteão de suas músicas mais importantes. Aos 78 anos, ele apresenta “Murder Most Foul”, um épico em que narra o assassinato do presidente norte-americano John Kennedy como epicentro do século passado, quando o país em que nasceu começou a ruir. Citando inúmeras canções e artistas pelo nome, ele recria o assassinato de JFK e suas consequências imediatas ao mesmo tempo em que enumera referências e citações, indo de Woodstock ao free jazz, dos Beatles a Robert Johnson, de Nat King Cole aos Beach Boys, costurando títulos de canções e sobrenomes numa rapsódia tensa e apocalíptica, mas ao mesmo tempo reverente e respeitosa, como uma missa de sétimo dia para o século passado.

Sorte nossa de viver no mesmo tempo que um autor deste porte.