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Bob Dylan sempre em movimento

Bob Dylan segue se movimentando. Ele acabou de completar 85 anos e aos poucos está mudando sua atual turnê enquanto a percorre, como se trocasse o pneu com o carro em movimento. Primeiro trocou pela primeira vez o nome da excursão, antes chamada Rough and Rowdy Ways Tour por conta de seu disco mais recente, lançado em 2020, e que era a base do show, e que agora foi rebatizada para Long Hot Summer Tour, cuja inspiração pode ter vindo do filme de 1958 de Martin Ritt (inspirado em um romance de William Faulkner, com Paul Newman, Joanne Woodward e Orson Welles no elenco e batizado no Brasil de O Mercador de Almas) ou do próprio aquecimento global que derrete o hemisfério norte neste 2026. A mudança no título mexeu com o setlist das apresentações, quando Dylan diminuiu o número de músicas de Rough and Rowdy Ways para desenterrar pérolas das Basement Tapes que gravou com a The Band no final dos anos 60. A principal mudança, no entanto, aconteceu há pouco, quando substituiu, sem anúncios nem comentários, o guitarrista Doug Lancio, com quem vinha tocando desde 2021, pelo jovem prodígio do jazz Julian Lage, que, embora não tenha sido oficialmente efetivado na banda, proporcionou outra mudança no repertório, quando Dylan trouxe alguns de seus clássicos, como “All Along the Watchtower”,“When I Paint My Masterpiece” e a recente inclusão de “I Shall Be Released”, como se estivesse testando o novato antes de jogá-lo em suas músicas mais densas. E isso quer dizer que ele está aprontando alguma…

Assista-o tocando All Along the Watchtower na apresentação que fez no Rady Shell, em San Diego, no último dia 21, já com Lage (à esquerda do palco) na guitarra:  

Bob Dylan cantando “I Shall Be Released” em 2026… em vídeo!

Na semana passada, Bob Dylan desenterrou o hino “I Shall Be Released” ao apresentar-se na cidade de Eugene 18 anos depois de tocá-lo pela última vez – sorte que alguém conseguiu levar um gravador para registrar esse momento. O show em Los Angeles, na terça passada, teve um gostinho ainda melhor pois, além de voltar a tocar uma das músicas mais importantes de seu repertório (e não são poucas, sabemos!), conseguimos ter o registro em vídeo deste momento (apesar do baixista Tony Garnier se mexer logo no começo da música e ficar exatamente na frente de Dylan, sentado ao piano).

Assista abaixo:  

“I Shall Be Released” ao vivo pela primeira vez em 18 anos!

Ao apresentar-se em mais um show de sua turnê pelos EUA, Bob Dylan presenteou o público que foi vê-lo em Eugene na terça passada com uma volta ao hino “I Shall Be Released”, que ele não tocava ao vivo desde 2008. Pelo jeito essa turnê vai trazer vários clássicos desenterrados…

Ouça abaixo:  

Bob Dylan toca pela primeira vez ao vivo uma música que gravou há quase seis décadas!

Dylan não para! O mestre reiniciou sua eterna turnê nesta quinta-feira com um show na cidade de Troutdale, Oregon, em seu próprio país e entre versões de músicas alheias, “I Can Tell” (de Bo Diddley), “Axe and the Wind” (de George “Wild Child” Butler) e “I’ll Make It All Up to You” (de Jerry Lee Lewis) e clássicos próprios de diferentes épocas (desde hits como “Rainy Day Women #12 & 35”, “When I Paint My Masterpiece” e “All Along the Watchtower” a canções memoráveis como “Man in the Long Black Coat”, “Crossing the Rubicon” e “I Contain Multitudes”), ele ainda teve a manha de estrear uma música que nunca havia tocado ao vivo: “Baby, Won’t You Be My Baby”, gravada em 1967, quando sofreu um acidente de moto e retirou-se da vida pública, pra se enfurnar numa série de gravações ao lado da The Band, que só chegariam ao público oito anos depois, no disco que batizou aquelas sessões, The Basement Tapes. Mas “Baby, Won’t You Be My Baby” não saiu no disco de 1975 e só viu a luz do dia em 2014, quando, no décimo-primeiro volume de sua série em que oficializa suas gravações piratas, The Bootleg Series, liberou a íntegra daquela temporada ao lado da banda que ajudou a revelar. Você sabe de algum artista que levou quase 60 anos pra tocar uma música ao vivo? Lenda-viva não é só um título de efeito: Dylan é o cara, Como ele proíbe a entrada de câmeras e celulares em seus shows, não temos o registro em vídeo, mas algum devoto entrou com um gravador e fez uma foto pra eternizar esse momento.

Ouça abaixo:  

Todo o show: Bob Dylan ao vivo no Orpheum Theater, em Omaha, nos EUA (21.3.2026)

Vestido com um moletom da Nike e com a cabeça coberta o show inteiro com o capuz do abrigo: assim Bob Dylan deu início à mais uma perna da turnê que vem fazendo há tempos ao redor de seu excelente Rough And Rowdy Ways, lançado há seis anos. O primeiro show do mestre em 2026 aconteceu no Orpheum Theatre, em Omaha, nos EUA, neste sábado, e além de revisitar ao vivo sua “Man In The Long Black Coat” (o que não fazia há treze anos) e fazer uma versão para “I Can Tell”, de Bo Diddley, ele também tocou pela primeira vez em sua carreira “Nervous Breakdown”, que o pioneiro do rock’n’roll Eddie Cochran gravou em 1958. Felizmente gravaram o show inteiro (apenas em áudio) e podemos desfrutar por aqui.

Ouça abaixo:  

Bob Dylan ♥ Pogues

Bob Dylan é foda. Ao passar pela capital irlandesa na terça-feira passada com sua turnê, o maior de todos (já que João morreu) reverenciou um dos principais filhos daquela terra ao cantar “A Rainy Night In Soho”, dos Pogues. Na plateia do 3Arena em Dublin estava a viúva de Shane McGowan, líder banda que morreu há dois anos, Victoria Mary Clarke, que logo após a apresentação, que encerrou lindamente o show de Dylan, twittou a felicidade de ouvir a versão da música do marido no dia de aniversário de casamento dos dois. Não foi a primeira vez que ele tocou essa música ao vivo (tocou em maio quando dividiu o palco com Willie Nelson em seu Outlaw Music Festival Tour), mas ouvi-la na terra-natal da banda tem um gosto especial… Felizmente um herói registrou esse momento.

Assista abaixo:  

A trilha sonora da história de origem de Bob Dylan

Mais uma vez Bob Dylan mergulha em seu passado e sincroniza um volume de sua extensa Bootleg Series – em que oficializa gravações piratas em coletâneas com vários discos – com um filme lançado sobre um período de sua carreira. A primeira vez foi há dez anos, quando transformou o sétimo volume da série na trilha sonora do documentário que Scorsese dirigiu sobre sua fase elétrica, No Direction Home. Agora ele aproveita o sucesso do cinebiografia Um Completo Desconhecido para lançar a coletânea que mais volta no tempo em sua própria história, ao anunciar a caixa Bootleg Series Volume 18: Through The Open Window, 1956-1963, que reúne gravações do tempo em que ainda era um adolescente roqueiro em Minnesota até se tornar o farol da cena folk de Nova York no início dos anos 60. A nova seleção chega para público no mês que vem (já em pré-venda, claro) e reúne 139 faixas, sendo que 48 delas nunca foram lançadas, incluindo a íntegra da apresentação que Dylan fez no Carnegie Hall nova-iorquino no dia 26 de outubro de 1963. Dividida em três versões – uma com oito CDs e duas com os melhores momentos da caixa principal, que vem ou como CD duplo ou caixa com quatro LPs -, a nova compilação traz gravações caseiras, apresentações em pequenas casas de shows, jam sessions e versões prematuras de alguns de seus maiores clássicos, além de um livro com 125 páginas que traz um ensaio escrito pelo historiador e crítico Sean Wilentz e fotos raras. Para anunciar o novo lançamento, ele antecipa a música “Rocks And Gravel (Solid Road)”, que ficou de fora de seu segundo disco, Freewheelin’ Bob Dylan. Abaixo você confere como ficaram as duas caixas, todas as músicas escolhidas e a íntegra da nova canção: