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Bob Dylan toca pela primeira vez ao vivo uma música que gravou há quase seis décadas!

Dylan não para! O mestre reiniciou sua eterna turnê nesta quinta-feira com um show na cidade de Troutdale, Oregon, em seu próprio país e entre versões de músicas alheias, “I Can Tell” (de Bo Diddley), “Axe and the Wind” (de George “Wild Child” Butler) e “I’ll Make It All Up to You” (de Jerry Lee Lewis) e clássicos próprios de diferentes épocas (desde hits como “Rainy Day Women #12 & 35”, “When I Paint My Masterpiece” e “All Along the Watchtower” a canções memoráveis como “Man in the Long Black Coat”, “Crossing the Rubicon” e “I Contain Multitudes”), ele ainda teve a manha de estrear uma música que nunca havia tocado ao vivo: “Baby, Won’t You Be My Baby”, gravada em 1967, quando sofreu um acidente de moto e retirou-se da vida pública, pra se enfurnar numa série de gravações ao lado da The Band, que só chegariam ao público oito anos depois, no disco que batizou aquelas sessões, The Basement Tapes. Mas “Baby, Won’t You Be My Baby” não saiu no disco de 1975 e só viu a luz do dia em 2014, quando, no décimo-primeiro volume de sua série em que oficializa suas gravações piratas, The Bootleg Series, liberou a íntegra daquela temporada ao lado da banda que ajudou a revelar. Você sabe de algum artista que levou quase 60 anos pra tocar uma música ao vivo? Lenda-viva não é só um título de efeito: Dylan é o cara, Como ele proíbe a entrada de câmeras e celulares em seus shows, não temos o registro em vídeo, mas algum devoto entrou com um gravador e fez uma foto pra eternizar esse momento.

Ouça abaixo:  

Todo o show: Bob Dylan ao vivo no Orpheum Theater, em Omaha, nos EUA (21.3.2026)

Vestido com um moletom da Nike e com a cabeça coberta o show inteiro com o capuz do abrigo: assim Bob Dylan deu início à mais uma perna da turnê que vem fazendo há tempos ao redor de seu excelente Rough And Rowdy Ways, lançado há seis anos. O primeiro show do mestre em 2026 aconteceu no Orpheum Theatre, em Omaha, nos EUA, neste sábado, e além de revisitar ao vivo sua “Man In The Long Black Coat” (o que não fazia há treze anos) e fazer uma versão para “I Can Tell”, de Bo Diddley, ele também tocou pela primeira vez em sua carreira “Nervous Breakdown”, que o pioneiro do rock’n’roll Eddie Cochran gravou em 1958. Felizmente gravaram o show inteiro (apenas em áudio) e podemos desfrutar por aqui.

Ouça abaixo:  

Bob Dylan ♥ Pogues

Bob Dylan é foda. Ao passar pela capital irlandesa na terça-feira passada com sua turnê, o maior de todos (já que João morreu) reverenciou um dos principais filhos daquela terra ao cantar “A Rainy Night In Soho”, dos Pogues. Na plateia do 3Arena em Dublin estava a viúva de Shane McGowan, líder banda que morreu há dois anos, Victoria Mary Clarke, que logo após a apresentação, que encerrou lindamente o show de Dylan, twittou a felicidade de ouvir a versão da música do marido no dia de aniversário de casamento dos dois. Não foi a primeira vez que ele tocou essa música ao vivo (tocou em maio quando dividiu o palco com Willie Nelson em seu Outlaw Music Festival Tour), mas ouvi-la na terra-natal da banda tem um gosto especial… Felizmente um herói registrou esse momento.

Assista abaixo:  

A trilha sonora da história de origem de Bob Dylan

Mais uma vez Bob Dylan mergulha em seu passado e sincroniza um volume de sua extensa Bootleg Series – em que oficializa gravações piratas em coletâneas com vários discos – com um filme lançado sobre um período de sua carreira. A primeira vez foi há dez anos, quando transformou o sétimo volume da série na trilha sonora do documentário que Scorsese dirigiu sobre sua fase elétrica, No Direction Home. Agora ele aproveita o sucesso do cinebiografia Um Completo Desconhecido para lançar a coletânea que mais volta no tempo em sua própria história, ao anunciar a caixa Bootleg Series Volume 18: Through The Open Window, 1956-1963, que reúne gravações do tempo em que ainda era um adolescente roqueiro em Minnesota até se tornar o farol da cena folk de Nova York no início dos anos 60. A nova seleção chega para público no mês que vem (já em pré-venda, claro) e reúne 139 faixas, sendo que 48 delas nunca foram lançadas, incluindo a íntegra da apresentação que Dylan fez no Carnegie Hall nova-iorquino no dia 26 de outubro de 1963. Dividida em três versões – uma com oito CDs e duas com os melhores momentos da caixa principal, que vem ou como CD duplo ou caixa com quatro LPs -, a nova compilação traz gravações caseiras, apresentações em pequenas casas de shows, jam sessions e versões prematuras de alguns de seus maiores clássicos, além de um livro com 125 páginas que traz um ensaio escrito pelo historiador e crítico Sean Wilentz e fotos raras. Para anunciar o novo lançamento, ele antecipa a música “Rocks And Gravel (Solid Road)”, que ficou de fora de seu segundo disco, Freewheelin’ Bob Dylan. Abaixo você confere como ficaram as duas caixas, todas as músicas escolhidas e a íntegra da nova canção:  

Dylan segue desafiando os mestres da guerra

Bob Dylan segue usando seu repertório para comentar os acontecimentos recentes como tem feito em seus shows deste ano – e não foi diferente neste fim de semana, quando abriu os três shows de sua Outlaw Tour, que vem fazendo ao lado de de seu compadre veterano Willie Nelson, entre outros artistas, com a desafiadora “Masters of War”, tocando-a pela primeira vez ao vivo desde 2016. A faixa foi composta nos anos 60, quando a crise dos mísseis em Cuba e a guerra do Vietnã atormentavam os cidadãos estadunidenses, e segue atual mais de 60 anos depois, à luz das ameaças que o presidente de seu país vem fazendo a outras naçoes, da guerra na Ucrânia e da situação cada vez mais trágica em Gaza.

Assista abaixo:  

Bob Dylan volta ao estúdio – pela primeira vez depois dos 80 anos!

Por falar em Bob Dylan, o mestre esteve num estúdio de gravação pela primeira vez desde a pandemia — ainda mais, pela primeira vez desde que ultrapassou os 80 anos, há quatro anos — quando passou dois dias no estúdio White Lake, perto de Nova York. Ainda não há nenhuma informação sobre o que ele gravou nos dois dias que esteve lá, mas o estúdio fez questão de soltar um comunicado marcando a passagem (veja abaixo). Seria o primeiro disco de estúdio de Dylan desde o maravilhoso Rough and Rowdy Ways, que ele gravou nos dois primeiros meses de 2020 e lançou ainda no primeiro semestre daquele ano nefasto. Chega mais, Bob!  

Jeff Tweedy ♥ Bob Dylan

Em mais uma versão que compartilha com os seguidores de sua newsletter Starship Casual, o senhor Wilco Jeff Tweedy aventura-se por um dos grandes momentos de Bob Dylan (a imortal “Forever Young”) depois de fazer shows na turnê Outlaw, em que Dylan, ao lado de outros gigantes ancestrais, como Willie Nelson e Lucinda Williams, tem cruzado os EUA. Assistir a shows ímpares de seus grandes ídolos inspirou Jeff a refletir sobre envelhecimento e mortalidade ao regravar o clássico e a escrever sobre este momento, que traduzo abaixo: