Dylan regravando os próprios clássicos em altíssima fidelidade – e, até então, para poucos

Em 2022, o guitarrista norte-americano T Bone Burnett revelou um experimento em áudio que vinha fazendo desde o ano anterior, quando criou uma plataforma de áudio que captasse o som de forma mais fiel possível ao mesmo tempo em que resumisse sua gravação a uma cópia única daquele registro, tirando a música gravada do mercado de massas e colocando-a no mesmo patamar das artes plásticas, em que a reprodução não tem o mesmo valor da obra original: “Não é o equivalente a uma pintura, é uma pintura: a resina laca é pintada em espiral num disco de alumínio”, explicava o texto de apresentação da nova mídia, que ele chamou de Ionic Original. Para começar estes trabalhos, chamou o velho camarada Bob Dylan para regravar alguns de seus clássicos, que foram depois leiloados logicamente custando muito caro. As músicas escolhidas para a regravação foram “Masters Of War”, “Gotta Serve Somebody”, “Simple Twist Of Fate”, “The Times They Are A-Changin'” e “Blowin’ In The Wind”, que ele gravou com o próprio Burnett na guitarra, Greg Leisz no bandolim, Stuart Duncan no violino, Dennis Crouch e Don Was nos baixos. Destas gravações, apenas “Blowin’ In The Wind” havia surgido online e a lenda dizia que alguém que foi ao leilão conseguiu gravar escondido na cabine de audição que havia disponível para quem quisesse fazer seus lances. Acontece que há cerca de um mês outras faixas – e talvez outras ainda possam surgir – começaram a aparecer online e há quem diga que estão sendo disponibilizadas pelo próprio comprador. E é bom demais, como tudo que Dylan tem feito desde que completou 80 anos, do maravilhoso Rough and Rowdy Ways (lançado em 2020) ao show online Shadow Kingdom (2021), passando pelos registros obscuros dos shows recentes, em que ele proíbe celulares, mas os fãs sempre dão um jeito de gravá-lo, mesmo que se esconda de capuz atrás do piano. O cara é foda.
Ouça as músicas abaixo:
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