Máquina do Tempo: 26 de outubro
Na Máquina do Tempo do site Reverb visitamos outros 26 de outubro para ver os nascimentos de Milton Nascimento e Belchior, os Beatles fumando um no Palácio de Buckingham e a morte de Rogério Duprat – chega mais.
Na Máquina do Tempo do site Reverb visitamos outros 26 de outubro para ver os nascimentos de Milton Nascimento e Belchior, os Beatles fumando um no Palácio de Buckingham e a morte de Rogério Duprat – chega mais.
Mas importante é virar.
Velvet Underground – “Cool it Down”
Ryan Adams – “Style”
Siba – “Mel Tamarindo”
Beatles – “Sexy Sadie”
Hüsker Dü – “Never Talking to You”
Glue Trip – “Time Lapses”
Luiza Lian – “Pomba Gira do Luar”
Spoon – “I Ain’t the One”
Stephen Malkmus & the Jicks – “Difficulties / Let Them Eat Vowels”
LCD Soundsystem – “Other Voices”
Edgar – “Print”
Kiko Dinucci – “Vazio da Morte”
Otto – “Caminho do Sol”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
O cinquentenário do disco mais conturbado dos Beatles vai ser comemorado com o lançamento de uma edição deluxe de um dos discos duplos mais clássicos da história. Lançado em novembro de 1968, o disco flagra a fragmentação da maior banda de todos os tempos em registros secos e diretos, sem as firulas e detalhes dos dois álbuns anteriores. A capa espartana e o título direto – The Beatles, álbum branco é um apelido – são algumas pistas de que as coisas não andavam bem dentro do núcleo-duro da banda. Também pudera: sofreram o primeiro fracasso (com o filme Magical Mystery Tour), perderam o empresário Brian Epstein de forma violenta, criaram uma gravadora que não dava dinheiro – e marcava os dez anos em que os três fundadores da banda (John, Paul e George) conviviam continuamente. O peso bateu em Ringo, o primeiro beatle a sair dos Beatles, que ficou fora do grupo por uma semana durante as gravações do álbum.
O novo Álbum Branco vem em vários formatos: disco duplo em vinil, disco triplo em CD e uma caixa com seis CDs e um blu-ray – e um livro com fotos da época da gravação e textos sobre o período. Mas entre as pérolas que a nova edição traz, temos a íntegra das fitas que o grupo gravou na casa de George Harrison em Esher, talvez a última vez que os Beatles se sentiram como um grupo. Lá, gravaram uma série de demos de músicas que se tornariam o Álbum Branco ou que iriam usar em suas futuras carreira solo. Estas faixas estão reunidas em um único disco, chamado de Esher Demos, seguindo a ordem do disco. Além destas gravações, também há dois discos com versões alternativas para todas as faixas do álbum, reunindo 50 canções. Como, por exemplo, esta versão acústica para uma das melhores músicas de George, “While My Guitar Gently Weeps”.
Eis a relação das faixas dos seis CDs – mais informações na própria página dos Beatles.
CD 1
“Back In The U.S.S.R.”
“Dear Prudence”
“Glass Onion”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”
“Wild Honey Pie”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill”
“While My Guitar Gently Weeps”
“Happiness Is A Warm Gun”
“Martha My Dear”
“I’m So Tired”
“Blackbird”
“Piggies”
“Rocky Racoon”
“Don’t Pass Me By”
“Why Don’t We Do It In The Road?”
“I Will”
“Julia”
CD 2
“Birthday”
“Yer Blues”
“Mother Nature’s Son”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey”
“Sexy Sadie”
“Helter Skelter”
“Long, Long, Long”
“Revolution 1”
“Honey Pie”
“Savoy Truffle”
“Cry Baby Cry”
“Revolution 9”
“Good Night”
CD 3
“Back In The U.S.S.R. (Esher Demo)”
“Dear Prudence (Esher Demo)”
“Glass Onion”
“Ob-La-Di Ob-La-Da (Esher Demo)”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill (Esher Demo)”
“While My Guitar Gently Weeps (Esher Demo)”
“Happiness Is A Warm Gun (Esher Demo)”
“I’m So Tired (Esher Demo)”
“Blackbird (Esher Demo)”
“Piggies (Esher Demo)”
“Rocky Raccoon (Esher Demo)”
“Julia (Esher Demo)”
“Yer Blues (Esher Demo)”
“Mother Nature’s Son (Esher Demo)”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Esher Demo)”
“Sexy Sadie (Esher Demo)”
“Revolution (Esher Demo)”
“Honey Pie (Esher Demo)”
“Cry Baby Cry (Esher Demo)”
“Sour Milk Sea (Esher Demo)”
“Junk (Esher Demo)”
“Child Of Nature (Esher Demo)”
“Circles (Esher Demo)”
“Mean Mr Mustard (Esher Demo)”
“Polythene Pam (Esher Demo)”
“Not Guilty (Esher Demo)”
“What’s The New Mary Jane (Esher Demo)”
CD 4
“Revolution 1 (Take 18)”
“A Beginning (Take 4)/Don’t Pass Me By (Take 7)”
“Blackbird (Take 28)”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Unnumbered Rehearsal)”
“Good Night (Unnumbered Rehearsal)”
“Good Night (Take 10 With A Guitar Part From Take 7)”
“Good Night (Take 22)”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”
“Revolution (Unnumbered Rehearsal)”
“Revolution (Take 14 Instrumental Backing Track)”
“Cry Baby Cry (Unnumbered Rehearsal)”
“Helter Skelter (First Version Take 2)”
CD 5
“Sexy Sadie (Take 3)”
“While My Guitar Gently Weeps (Acoustic Version Take 2)”
“Hey Jude (Take 1)”
“St Louis Blues (Studio Jam)”
“Not Guilty (Take 102)”
“Mother Nature’s Son (Take 15)”
“Yer Blues (Take 5 With Guide Vocal)”
“What’s The New Mary Jane (Take 1)”
“Rocky Raccoon (Take 8)”
“Back In The U.S.S.R. (Take 5 Instrumental Backing Track)”
“Dear Prudence (Vocal, Guitar & Drums)”
“Let It Be (Unnumbered Rehearsal)”
“While My Guitar Gently Weeps (Third Version Take 27)”
“You’re So Square) Baby I Don’t Care (Studio Jam)”
“Helter Skelter (Second Version Take 17)”
“Glass Onion (Take 10)”
CD 6
“I Will (Take 13)”
“Blue Moon (Studio Jam)”
“I Will (Take 29)”
“Step Inside Love (Studio Jam)”
“Los Paranoias (Studio Jam)”
“Can You Take Me Back (Take 1)”
“Birthday (Take 2 Instrumental Backing Track)”
“Piggies (Take 12 Instrumental Backing Track)”
“Happiness Is A Warm Gun (Take 19)”
“Honey Pie (Instrumental Backing Track)”
“Savoy Truffle (Instrumental Backing Track)”
“Martha My Dear (Without Brass And Strings)”
“Long Long Long (Take 44)”
“I’m So Tired (Take 7)”
“I’m So Tired (Take 14)”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill (Take 2)”
“Why Don’t We Do It In The Road? (Take 5)”
“Julia (Two Rehearsals)”
“The Inner Light (Take 6 Instrumental Backing Track)”
“Lady Madonna (Take 2 Piano & Drums)”
“Lady Madonna (Backing Vocals Take 3)”
“Across The Universe (Take 6)”
No dia 22 de outubro da Máquina do Tempo do site Reverb o Led Zeppelin lança seu segundo disco, Axl Rose começa a mostrar Chinese Democracy e Paul McCartney explica que não morreu – leia mais lá no Reverb.
O Sepultura lança o clássico Chaos A.D., os Beatles gravam “Hello Goodbye” e um festival de blues mexe com a Inglaterra – é o passeio da Máquina do Tempo do site Reverb pelo dia 19 de outubro, acompanha lá.
O Sonic Youth lança seu disco mais emblemático, John e Paul tocam juntos pela primeira vez, a BBC entra no ar e Rod Stewart entra no Faces – eis o passeio da Máquina do Tempo do site Reverb neste 18 de outubro – dá só uma sacada lá.
Morre Geoff Emerick, o engenheiro de som que ajudou os Beatles a moldar sua sonoridade e a se aventurar no estúdio de gravação. Estive com ele no fim do semestre passado, em Porto Alegre, quando ele me contou sobre algumas das inovações que fez ao lado do grupo – e contei lá no Reverb.
Vou à capital gaúcha assistir à masterclass que Geoff Emerick, o engenheiro de som dos Beatles, irá dar no Audio Porto – mais informações no site deles.
Conversei com o engenheiro de som dos melhores discos dos Beatles, que vem ao Brasil para dar uma masterclass neste fim de semana, em Porto Alegre, para uma matéria para a revista Trip. Um trecho da conversa:
“Os Beatles não eram meus ídolos, porque eu vi eles acontecendo”, lembra-se. “Eles gravaram ‘Love Me Do’ dois dias depois que eu comecei a trabalhar em Abbey Road. Era só um trabalho, mas eu vi o crescimento deles como parte do meu trabalho. Nós não éramos conhecidos mas reconhecíamos uns aos outros no estúdio, sabe? Até que eu comecei a trabalhar com masterização e eu passei a trabalhar diretamente com eles a partir do álbum Revolver, de 1966. Eu assisti à carreira deles do começo até o final.”
Ele explica que, embora estivessem cansados de fazer shows, o que fez o grupo se dedicar principalmente aos discos foi seu senso de aventura, mais do que a estafa e a exaustão dos dias de turnê. “Quando gravamos o Revolver eles ainda estavam fazendo shows, mas eles não conseguiam reproduzir o que fazíamos no estúdio nos palcos. Eles até tentavam, mas era um desastre”, ri. “Quando começamos a gravar Sgt. Pepper’s, em 1967, John Lennon dizia que, agora que eles não iriam mais fazer shows, a gente não precisava se preocupar com a sonoridade ao vivo daquelas novas músicas — e isso deu um rumo completamente diferente para eles. E todos olharam pra mim e eu não tinha nenhum equipamento, não havia plugins, era só um gravador de dois canais e uma câmara de eco, sabe? O desafio era criar a partir daquilo, a partir do nada. Metaforicamente eu só tinha cola e fita adesiva, eram esses os recursos que eu tinha para criar o que eles queriam.”
Ele também conta de sua relação com seu chefe direto na época, o mítico produtor George Martin (1926-2016). “Muito se fala da relação dos Beatles com George Martin como se ele fosse o diretor da escola — e de fato ele era. No começo, eles ficavam nervosos quando ele vinha falar com eles. Aos poucos, isso foi diminuindo, mas a gente se entendeu a partir disso e muito rápido, principalmente por termos o mesmo tipo de senso de humor. Então desenvolvemos uma cumplicidade que bastava olhar no olho um do outro para saber o que estava certo ou errado, trocávamos olhares e sorrisos mais do que palavras. Líamos a mente um do outro e muita gente comentava sobre isso durante as sessões de gravação: ‘Você e o George não se falam durante as gravações?’ A gente não precisava, não tinha muita discussão.”
Geoff lembra da dinâmica dos Beatles em ação. “A parte mágica daquilo era que Lennon e McCartney eram opostos completos. Quando os dois começavam uma música, um deles escrevia algo num papel — uma estrofe, um refrão — e falava para o outro que não tinha uma ideia de como terminar aquela parte. Era essa combinação entre os dois que faziam as coisas acontecerem, além de George e Ringo trabalharem cada vez mais pesado para soarem melhor.”
Leia a íntegra lá na Trip.
2017 também foi um ano de prestar antigas contas: visitar a terra-natal de meus primeiros ídolos, faróis do meu interesse por música e cultura. O encontro com o velho entreposto comercial britânico que fez John, Paul, George e Ringo quererem sair de sua própria cidade aconteceu na mesma semana em que seu disco mais emblemático completava 50 anos e foi farto material para a introspecção pessoal e reencontro com meus próprios interesses, depois de 42 voltas ao redor do sol. Além de visitar as casas que os quatro cresceram e os míticos Strawberry Fields e Penny Lane, ainda pude me calar ao silêncio literalmente sepulcral (ao lado do túmulo de ninguém menos que Eleanor Rigby) do quintal da igreja em que John viu Paul tocar pela primeira vez e aceitá-lo em sua banda. “Ah look at all the lonely people”, cantei calado para mim mesmo. A viagem também me presenteou com uma visita-relâmpago a Manchester, outra cidade-símbolo da minha formação, o reencontro com a querida Megssa e seu marido Gordon, que ainda contou com um show do Fall de lambuja. Uma semana que me fez renascer.