Toro y Moi – “Ordinary Pleasure”
Broken Bells – “Good Luck”
Def – “Casa (Paulo)”
Wilco – “Before Us”
Angel Olsen – “Spring”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
O Terno – “Nada / Tudo”
Blur – “Death of a Party”
King Crimson – “Red”
Beatles – “You Never Give Me Your Money (Take 36)”
David Bowie – “Kingdom Come”
Crime Caqui – “Gostosinha”
La Leuca – “Saliva Salina”
Velvet Underground – “Some Kinda Love”
Em mais um cinquentenário beatle devidamente registrado em uma edição de luxo, o disco Abbey Road recebe o tratamento especial que Sgt. Pepper’s e o Álbum Branco receberam nos anos anteriores, com o lançamento de uma versão remasterizada do álbum que conta com 23 faixas inéditas, entre versões alternativas e faixas que não entraram no disco original.
São três versões: uma quádrupla com três CDs e um bluray com o disco em alta definição, além de um livro de cem páginas cheio de fotos inéditas, uma tripla em vinil com o disco remasterizado e as versões alternativas (sem o livro), além de um CD duplo (e versões picture disc)
Uma boa amostra são estas três versões de “Something”, obra-prima de George Harrison, que vem nas versões demo, cordas e remasterizada. Sente só:
E além das todas as faixas disco em versões diferentes, a nova edição ainda traz versões para “The Ballad Of John And Yoko” (que saiu como compacto), “Old Brown Shoe” (lançada no disco Let it Be, do ano seguinte), “Goodbye” (que John e Paul deram para Mary Hopkin) e “Come And Get It” (que Paul compôs para a trilha de The Magic Christian e depois deu para o Badfinger), além de uma versão preliminar no medley do lado B do disco batizado de “The Long One” – com “Her Majesty” no meio e não no final. Segue a ordem das faixas da nova versão.
CD 1: 2019 Stereo Mix
“Come Together”
“Something”
“Maxwell’s Silver Hammer”
“Oh! Darling”
“Octopus’s Garden”
“I Want You (She’s So Heavy)”
“Here Comes The Sun”
“Because”
“You Never Give Me Your Money”
“Sun King”
“Mean Mr Mustard”
“Polythene Pam”
“She Came In Through The Bathroom Window”
“Golden Slumbers”
“Carry That Weight”
“The End”
“Her Majesty”
CD 2: Sessions
“I Want You (She’s So Heavy)” (Trident Recording Session & Reduction Mix)
“Goodbye” (Home Demo)
“Something” (Studio Demo)
“The Ballad Of John And Yoko” (Take 7)
“Old Brown Shoe” (Take 2)
“Oh! Darling” (Take 4)
“Octopus’s Garden” (Take 9)
“You Never Give Me Your Money” (Take 36)
“Her Majesty” (Takes 1–3)
“Golden Slumbers”/”Carry That Weight” (Takes 1–3 / Medley)
“Here Comes The Sun” (Take 9)
“Maxwell’s Silver Hammer” (Take 12)
CD 3: Sessions
“Come Together” (Take 5)
“The End” (Take 3)
“Come And Get It” (Studio Demo)
“Sun King” (Take 20)
“Mean Mr Mustard” (Take 20)
“Polythene Pam” (Take 27)
“She Came In Through The Bathroom Window” (Take 27)
“Because” (Take 1 – Instrumental)
“The Long One” (Trial Edit & Mix – 30 July 1969)
“You Never Give Me Your Money”, “Sun King”, “Mean Mr Mustard”, “Her Majesty”, “Polythene Pam”, “She Came In Through The Bathroom Window”, “Golden Slumbers”, “Carry That Weight”, “The End”
“Something” (Take 39 – Instrumental – Strings Only)
“Golden Slumbers”/”Carry That Weight” (Take 17 – Instrumental – Strings & Brass Only)
O último show dos Beatles faz 50 anos neste 30 de janeiro e sua gravadora Apple acaba de anunciar que Peter Jackson fará um documentário sobre o primeiro mês que os Beatles passaram no estúdio em 1969, quando gravavam o disco que seria chamado Get Back e que virou o póstumo Let it Be. Estas sessões de gravação deram origem ao filme Let it Be, que nunca mais foi relançado, e ao relançamento Let it Be… Naked, mas desta vez Jackson lidará com 55 horas de material de vídeo e 140 horas de áudio que nunca saíram oficialmente do círculo da banda. “Fiquei aliviado ao descobrir que a realidade é bem diferente do mito”, explicou o diretor neozelandês no comunicado feito pela banda. “É simplesmente um impressionante e histórico tesouro escondido. Claro que há momentos de drama – mas nada perto da discórdia que este projeto foi associado. Assistir a John, Paul, George e Ringo trabalhando juntos, criando canções hoje clássicas do zero, não é apenas fascinante – é engraçado, inspirador e surpreendentemente íntimo.”
O empresário Brian Epstein já vinha tentando fazer que gravadoras de Londres ouvissem a banda com a qual havia começado a trabalhar. Os Beatles vinham da distante Liverpool, mas já tinham um público fiel no norte do país. Para ele, o sucesso local poderia ser reproduzido na capital. Depois de tomar portas na cara da Columbia, HMV, Philips, Oriole e Pye, ele finalmente conseguiu a atenção de um selo. E, no último dia de 1961, o grupo sairia de Liverpool rumo a Londres sob uma tempestade de neve, para serem ouvidos profissionalmente pela primeira vez.
No dia 1° de janeiro de 1962, os Beatles se apresentaram ao vivo por quase uma hora no estúdio da gravadora Decca nesta que se tornou a sessão de gravação mais conhecida da história – pelos motivos errados. Os Beatles, que ainda contavam com Pete Best como seu baterista, tocaram 15 músicas no total. Entre elas, vários clássicos do rock que foram depois eternizados por eles, como “Money (That’s What I Want)”, “Till There Was You” e “To Know Her Is to Love Her”, além de hits como “Take Good Care of My Baby”, “Three Cool Cats”, “Memphis, Tennessee”, “Sure to Fall (In Love with You)” e até “Bésame Mucho”. Ainda apresentaram três composições da dupla de compositores e vocalistas da banda, John Lennon e Paul McCartney: “Like Dreamers Do”, “Hello Little Girl” e “Love of the Loved”.
A banda saiu animada da sessão, mas logo recebeu más notícias: a gravadora os dispensou, dizendo que “grupos de guitarra estão fora de moda” e que “os Beatles não tinham futuro no showbusiness”. Meses depois, Brian conseguiu contatos na gravadora EMI e, depois de ter sido dispensado por rigorosamente todos eles, finalmente chegou aos ouvidos de George Martin, que tocava um selo de comédia chamado Parlophone e achou que valeria dar uma chance para aqueles garotos que Brian vendia tão entusiasmadamente. A partir daí, começa a carreira fonográfica dos Beatles, meses após aquele infame primeiro de janeiro, uma data que todos os envolvidos preferiam ver apagadas da história.
Felizmente a gravação sobreviveu (Brian pagou a Decca pelo registro) e nunca foi lançada oficialmente pelos Beatles (embora algumas faixas aparecessem no primeiro volume da coletânea “Anthology”). Algumas faixas circulam entre pirateiros como uma prova da falta de noção de uma gravadora que perdeu sua chance de entrar para a história, cometendo este é que é considerado o maior erro da música.