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Noites Trabalho Sujo | 26.06.2015 | Despedida da Babee :~

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Uma era chega ao fim. Nossa querida Babee está em um momento de transição – quer dedicar-se mais às artes plásticas (já viu? É demais e preferiu abandonar a melhor sexta-feira de São Paulo para repensar a vida. Mas ela não podia deixar as Noites Trabalho Sujo sem um último encontro conosco, por isso a edição dessa semana é a última oportunidade de ver nós quatro tocando ao mesmo tempo. A partir de julho as Noites Trabalho Sujo continuam comigo, Luiz Pattoli e Danilo Cabral num novo formato, por isso vamos celebrar a última edição do atual lotando a pistinha do Alberta #3! E dar um beijo de despedida na Babee – que volta, ah volta – tira um sabático da nossa bolha noturna de alto astral.

Noites Trabalho Sujo | Despedida da Babee :~
com Babee, Danilo Cabral, Luiz Pattoli e Alexandre Matias
Sexta-feira, 26 de junho de 2015
Alberta #3. Avenida São Luís, 272. Centro.
A partir das 22h.
R$ 35 / R$ 25 (com nome na lista pelo noitestrabalhosujo@gmail.com)

Na pauta do Ecossistema da Música, gerenciamento de carreira

Gerenciamento de carreira musical 1

Nesta quinta-feira acontece o segundo curso do Ecossistema Singles, a versão do curso Ecossistema da Música no Século 21 em que eu convido um professor para dar uma aula em uma noite sobre um assunto só – ao contrário do curso completo do Ecossistema em que converso com duas pessoas por dia durante duas semanas consecutivas. E depois da ótima aula sobre assessoria de imprensa com a Piky, chamei a Helô Aidar, da Ponmelo Produções Artísticas, que cuida das carreiras do Arnaldo Antunes, Tom Zé e Tulipa Ruiz, para falar sobre como gerir uma carreira de um artista de música, principalmente os primeiros passos. O curso acontece quinta dia 25 e as inscrições estão quase no fim lá no site do Espaço Cult.

Gerenciamento de carreira musical

O curso tem como objetivo mostrar o que é necessário para se gerir uma carreira musical do ponto mercadológico e econômico.

1) A produção é a alma do negócio

Como funciona o trabalho feito a partir da concepção da obra musical e qual é o papel de cada profissional nesta nova etapa da carreira do artista.

● O que é produção?
● A necessidade de se ter um produtor
● A dificuldade em se autoproduzir
● As diferenças entre RP, assessor de imprensa, produção na estrada e venda de shows

2) A consolidação de uma carreira

Como fazer o trabalho persistir? Como firmar um cenário que permita que o artista continue lançando discos e fazendo seus shows com alguma constância?

● Como lançar um artista atualmente
● Mídia física ou digital?
● Download gratuito: uma faca de dois gumes?
● Lançar-se no exterior
● A formalização da profissão e a criação de uma empresa

Depois do sucesso dos cursos O Ecossistema da Música no Século 21, o jornalista Alexandre Matias e o Espaço Revista Cult vêm apresentar um novo formato para quem quer entender as transformações no mercado na música. A versão Singles do curso Ecossistema traz aulas dadas em um dia por um professor, sempre com foco em uma determinada área.

As inscrições podem ser feitas lá no site do Espaço Cult.

Japan Pop Show em vinil!

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Japan Pop Show, o ótimo disco de 2008 do jovem mestre Curumin é o novo lançamento do clube do vinil da revista gaúcha Noize, Noize Record Club. O disco conta com participações de nomes como BNegão, Tommy Guerrero, Lucas Santtana, Marku Ribas, Fernando Catatau e os rappers Lateef e Gift Of Gab (do Blackaalicious) e a Noize me chamou pra falar um pouco sobre o disco na apresentação em vídeo abaixo, que ainda conta com depoimentos do Emicida, Arnaldo Antunes e Tommy Guerrero.

Noites Trabalho Sujo | 05.06.2015

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E eu volto à cabine da festa pela segunda sexta consecutiva, desta vez para abrir os trabalhos do início da era do frio, no mês de junho. E para desfilar a coleção de hits outono/inverno 2015, convoquei Leticia Ferroni e Anna Molly para disparar beats, grooves, riffs e refrões de levar a pista de dança à loucura. No cardápio, aquela velha coleção de hits de todas as épocas e gêneros musicais, do rock clássico ao R&B, do gangsta rap ao indie rock, da dance music à música brasileira, além de músicas deste ano que você nem conhece mas já sabemos que você gosta.

Noites Trabalho Sujo
com Alexandre Matias, Leticia Ferroni e Anna Molly
Sexta-feira, 29 de maio de 2015
Alberta #3. Avenida São Luís, 272. Centro.
A partir das 22h.
R$ 35 / R$ 25 (com nome na lista pelo noitestrabalhosujo@gmail.com)

Noites Trabalho Sujo: a madrugada toda com Alexandre Matias

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Hoje eu mesmo encerro o mês de maio das Noites Trabalho Sujo em um long set por toda a madrugada. O motivo é nobre: nessa sexta-feira também entra no ar a nova versão do Trabalho Sujo, dando início às comemorações de 20 anos do site, completos em novembro. Nesta primeira noite, vamos àquela viagem por épocas, gêneros musicais e diferentes países, passeando por hits guardados em áreas especiais dos nossos corações e mentes além de músicas novinhas que você nem sabe se vai gostar. Vamo lá!

Noites Trabalho Sujo
Com Alexandre Matias (long set)
Sexta-feira, 29 de maio de 2015
Alberta #3. Avenida São Luís, 272. Centro.
A partir das 22h.
R$ 35 / R$ 25 (com nome na lista pelo noitestrabalhosujo@gmail.com)

Por que faço o Trabalho Sujo

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Desde que o Trabalho Sujo era uma ideia eu já me acostumei ajustá-lo de acordo com a situação.

Chego agora a essa nova fase pensando no que o site pode ser nos próximos anos sendo que ele nunca foi planejado para ser um site, um conceito que mal existia quando o Trabalho Sujo nasceu. Fora que não dá pra saber o que esperar dos próximos anos – quem sabe? As mudanças que aconteceram na minha vida nos últimos 20 anos mostraram que não adianta fazer muitos planos nem tentar agarrar o controle da vida, é melhor deixar levar com o fluxo, ser levado pela corrente da vida, que não é só sua. O fim dOEsquema e o novo layout do Sujo é uma forma de organizar um pouco a casa e as ideias antes do aniversário de 20 anos que acontece em novembro. Não sei o que vou fazer em novembro, mas me parece uma boa meta de tempo.

Algumas novidades vão ficar mais evidentes com o tempo, mas já antecipo umas de cara. Aos poucos o Leitura Aleatória (aquela coleção diária de links) vai voltar, Facebook e Twitter passam a funcionar de forma diferente em relação a postagem de conteúdo do Trabalho Sujo e externo (o Instagram é uma conta cada vez mais pessoal, tô quase pensando em botar o cadeado na porta e não replicar pro Facebook); haverá uma newsletter e seções específicas com periodicidade a definir; além de explorar mais a relação do site com eventos ao vivo. Ah, o 4:20 acabou (por isso aquele monte de “The End”) pois ter cumprido seu papel e disseminado a hora mágica para o mundo. É como as fotos da tapioca: continuo comendo-as todas as manhãs, mas depois que eu lancei o hype não preciso insistir mais nisso, né? E ainda tem uma coluna pra você mandar suas dicas pra cá.

O Sujo começou depois de uma demissão. Tinha sido demitido do jornal que trabalhava, o Diário do Povo, e estava naquela encruzilhada entre retomar o curso de Ciências Sociais na Unicamp, fazer um fanzine e continuar publicando de alguma forma em algum jornal – o vírus do jornalismo havia me infectado e quem conhece sabe como é essa cachaça. Antes de ser demitido eu publicava num caderno voltado para o público adolescente chamado Diário Pirata (justo esse nome!) que fazia sucesso na cidade por ser a única publicação em Campinas que não falava ou com adultos ou com crianças – e a equipe liderada pela gênia Adriana Villar aproveitava-se dessa zona cinzenta para inventar pautas e abordagens que gostaríamos de ler, uma das minhas primeiras grandes lições da profissão: só faça uma matéria que você queira ler.

Havia acabado de comprar meu primeiro computador, um trambolho Compacq comprado numa promoção da Fenasoft de 1994, e brincava com versões dos programas que os jornais usavam pra diagramar e ilustrar suas páginas, os arcaicos Aldus PageMaker e Corel Draw. Meu primeiro fanzine começou a ser rascunhado digitalmente, usando um scanner de mão e fotos que já vinham no computador para ilustrar matérias sobre diferentes assuntos. O nome havia surgido numa névoa matutina dessas e vinha com sobrenome: o subtítulo “Porque alguém tem de fazê-lo” margeava tanto a versão original de um zine que nunca existiu quanto as primeiras edições do Trabalho Sujo de fato.

Um dos motivos do sucesso do Diário Pirata era a literal ausência de concorrência – o principal jornal da cidade, o Correio Popular, não tinha nada que se parecesse com o Diário Pirata – e anos depois quando começou a sua versão (chamada de… “Geração”) não chegava aos pés do trabalho que fazíamos na redação da Vila Industrial. E foi ali que o editor-chefe do jornal – ou em algum terceiro tempo no Bar Azul ou no City Bar – ficou sabendo que eu iria vender uma coluna para o correio. E depois me chamou na redação para outra daquelas grandes lições do jornalismo que carrego pra vida: ele fechou o caderno não por falta de interesse, mas porque tinha de cortar papel, e ao saber que eu toparia trabalhar como frila – minha proposta original para o Correio -, me convidou para trazer aquela coluna para o jornal. E me deu a contracapa do caderno de cultura das segundas-feiras. Eu simplesmente reempacotei meu fanzine para um formato de página de jornal e, diagramando no PageMaker e editando no Corel, levei a coluna num disquete para a redação, que ainda não tinha internet. Descia à sala de produção para escanear fotos e aplicá-las na página e aos poucos fui me ficando familiarizado com todo o lado industrial do jornal. Até então só sabia o que acontecia até que o texto chegava à página. Como frila, passei a frequentar a gráfica.

Assim começou o Trabalho Sujo que, em menos de seis meses, já teve que aprender a se adaptar, quando o Correio simplesmente comprou o Diário e passou a sucatear o antigo concorrente, levando a linha editorial para o pior estilo espreme-sai-sangue. Consegui manter o Sujo a duras penas, pois ele saiu da contracapa de cultura para dar espaço à nova colunista Sônia Abrão (é…) e foi para o alto da página dois, em cima dos quadrinhos e do horóscopo, em versão preto e branco. A fase trevas do Diário durou um ano e aos poucos sua autoestima foi sendo retomada, mesmo sempre abaixo da do ex-concorrente e atual “casa grande” de uma tentativa de império dos jornais do interior que mal conseguia chegar às cidades vizinhas. Nesse meio-tempo me tornei ilustrador do jornal (pois era o único na redação que sabia usar o Corel Draw), contratado e fazendo o Trabalho Sujo na paralela, sem receber a mais por isso. Em pouco tempo, tornei-me editor de arte do jornal, quando fiz um novo projeto gráfico para o Diário (que morreu em 2012 com o logotipo que eu havia feito) e ajudei o jornal a criar seu primeiro site. E ali plantei também a primeira versão digital do Trabalho Sujo, que devia ter um link do tipo http://www.diariodopovo.com.br/suplemen/TrabSujo/index.htm. A versão em papel tinha voltado a ganhar espaço e como o Rio Fanzine n’O Globo passava a ocupar a página dupla central da edição de domingo. Eu que diagramava e escrevia tudo, sempre, mas nessa época já tinha colaboradores fiéis como o grande Roni César, comparsa de editoria de arte e ilustrador de primeiríssima, e o mestre Sérgio Carvalho, o Serjão, até hoje um dos meus fotógrafos favoritos.

Em 1999, o Sujo foi para a contracapa de sábado e, no meio daquele ano, fui chamado para ser o editor de cultura do Correio Popular. Pra evitar problemas de autoria, em vez de levar o Trabalho Sujo para o Correio, simplesmente fechei a coluna impressa e abri o site no Geocities, onde começava a publicar textos que escrevia para o Correio e para outros veículos – na época eu já colaborava com O Globo, o Estadão e a Gazeta do Povo de Curitiba -, mas aos poucos fui entendendo a lógica daquela nova mídia. E antes de eu mudar para São Paulo já havia transformado o Trabalho Sujo do Geocities em meu site pessoal. Depois veio o Gardenal, veio OEsquema e aquela história que eu tava contando e, aos poucos o Trabalho Sujo também foi mudando.

De lá pra cá passei pelas redações da Conrad, da Trama, do Estadão e da Editora Globo sempre levando o Sujo como uma atividade paralela, um misto de hobby e missão, mas ao mesmo tempo ele ia ressaltando qualidades e manias que sempre fiz questão de prezar. Ao assumir o próprio domínio do Trabalho Sujo, o site segue como coluna de novidades e notícias, misturando opiniões e nichos diferentes para tentar acompanhar as transformações que estão acontecendo atualmente. Mas também começa uma produção ainda mais autoral, de produzir conteúdo específico pra cá e levar o site como meu principal veículo. Vai ser um processo lento porque ele requer uma baita organização em vários aspectos, mas o primeiro passo é esse novo site, que ainda tem uma série de coisinhas pra resolver e ajustes para serem feitos, além de outras novidades que prefiro ir apresentando com o passar do tempo.

O Trabalho Sujo é um trabalho em andamento e pode assumir outros formatos em encarnações futuras e por mais que ele seja um projeto individual, ele não funciona sozinho. Essa mudança estética e organizacional de agora, por exemplo, só aconteceu graças ao nobre auxílio dos mestres Jairo e Cauê: Jairo foi editor de arte do Estadão na época em que eu estava no Link e sempre que podíamos fazíamos páginas juntos; é dele esse logo Ralph Steadman que marca o site em diferentes plataformas; Cauê eu conheço das internas da internet como um dos caras que mais manjam de WordPress que eu conheço; é ele quem me ajudou na migração e adaptação de um tema inteiro para esse site que você está vendo agora.

E claro, você, leitor. Conheci algum dos meus melhores amigos desta forma: lendo textos deles e delas ou elas e eles lendo meus textos, pois esse contato por escrito é mais superficial que do o contato por rádio ou por vídeo, mas provoca uma intimidade e aproximação que conecta cabeças. Estou no fundo escrevendo como uma longa terapia em fluxo de consciência, organizando ideias e teorias em textos sobre produtos de cultura pop pra que consiga exprimir melhor o que está acontecendo ao nosso redor. Essa conexão, que antes só acontecia no papel, agora pode acompanhar o leitor em qualquer situação. E acho que essa é a graça disso que estamos fazendo aqui – seja nesse início de renascença dos blogs (o que é o Medium senão isso?), nas redes sociais ou nos aplicativos em que adicionamos uns aos outros – e que me faz crer que possa ser a saída pra essa profissão que a maioria lamenta. Falta paixão e sobra estatística, eu quero mais o jornalismo-arte.

Vamo pra festa?