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Indie paulistano em dois tempos

Duas instâncias do novo indie rock paulistano passearam pelo Inferninho Trabalho Sujo nesta quinta-feira, no Picles. A noite começou com Isabella Sartorato subindo pela segunda vez no palco da festa e a evolução desde a primeira apresentação, em novembro do ano passado, quando fez seu primeiro show autoral da vida, pode ser traduzida pelo fato de que ela não só está lançando seu primeiro single (a grudenta “Os Meninos”, com a qual encerrou o show) como deixou de assinar com seu próprio nome, batizando a banda que a acompanha (formada, nesta ocasião, pelo baterista João Vítor Aredes, pelo baixista Fran Nogueira e pelo guitarrista João Di Pierro), com o nome que seus amigos se referem a ela, Isinha. E além da presença de palco que ela vai afiando aos poucos e de sua exímia condução musical do grupo através de seu instrumento (que ela domina), ela vai mostrando as pérolas pop que atravessam seu repertório e misturam indie rock, rock pesado com nu metal e música pop sem que isso soe indigesto como a descrição. A salada musical pode ser resumida pelas versões que ela escolheu para tocar no bis, quando deixou a guitarra de lado para cantar “Territorial Pissings” do Nirvana e “Meiga e Abusada” da Anitta.

Depois foi a vez da Celacanto voltar ao palco do Picles mais uma vez para comemorar o aniversário de seu disco de estreia, Não Tem Nada Pra Ver Aqui, e é muito bom ver como a banda formada por Miguel Lian (guitarra e vocal), Eduardo Barquinho (guitarra e acordeão), Matheus Costa (baixo) e Giovanni Lenti (bateria) está cada vez mais entrosada e como estão perdendo o pudor de tocar alto, o que abre uma nova dimensão para a amplitude musical de suas canções. Com o público cantando várias músicas junto, o quarteto ainda mostrou algumas músicas novas que estão trabalhando para um lançamento futuro, mas que ainda não está em seu horizonte prático. Showzão.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Isabella Sartorato e Celacanto @ Picles (23.6.2026)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo vai acontecer no Picles e ainda demora um tempo pra acontecer, mas já deixa anota aí na agenda porque dia 23 de abril vamos reunir a banda de indie-prog Celacanto com o trabalho indie pop de Isabella Sartorato, que deve ter novidades até a semana do show. Os ingressos já estão à venda e se você já reservar o seu online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar! Depois dos shows, eu e Francesca incendiamos a pista do sobrado mais freestyle daquele canteiro de obras chamado Pinheiros. Os ingressos já estão à venda. Vamos!

Pessoal do Ceará, Meio Século Depois @ Bona (6.5)

Depois de passar pelo Ceará no mês de aniversário de Fortaleza, o show Pessoal do Ceará – Meio Século Depois, em que Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam o clássico cearense Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, de 1973, volta a São Paulo para mais uma apresentação, desta vez no Bona. Os três visitam o repertório do cancioneiro daquele estado nos anos 70 acompanhados da banda Ondas dy Calor (formada por Allen Alencar, Davi Serrano, Xavier e Igor Caracas), regida pelo diretor musical Klaus Sena e comigo na direção. Os ingressos já estão à venda.

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Como Assim? e Earl Greys @ Aurora (19.4)

O fim do Estúdio Aurora também encerra um ciclo para a Como Assim?, banda que montamos eu, Pablo, Carlão e Mateus durante a baixa pandemia em 2021, usando o estúdio, que estava parado por motivos de quarentena e isolamento social, como ponto de partida para um passatempo que aos poucos cresceu e tornou-se público, fazendo até shows primeiro no Aurora e depois além. Por isso não tinha como não encerrar essa fase fazendo mais uma apresentação no próprio Aurora, ao lado dos nossos velhos camaradas do Earl Greys. O show acontece no próximo domingo, dia 19, no próprio Aurora e não espere música autoral: enquanto os Earl Greys passeiam por décadas de pop britânico, nós sintonizamos a rádio na madrugada voltando da noite entre a Alpha FM e a Kiss FM. O Aurora fica na Rua João Moura, 503, sala 12, em Pinheiros, a noite começa a partir das 18h e os ingressos já estão à venda. Onde vamos ensaiar? Quando será o próximo show? Não temos a menor ideia, mas por enquanto venha comemorar o morto com a gente!

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lara Zanon e Joni @ Redoma (1º.5)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo acontece na sexta que vem no Redoma, quando a cantora Lara Zanon mostra seu primeiro álbum, Venusa, com influências de Fiona Apple e Hayley Williams, antes de seu lançamento. E para começar a noite, ela chamou seu amigo Joni, que vem do R&B, para fazer o show de abertura. Como sempre, discoteca antes, entre e depois dos shows. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A no Bixiga e a casa abre a partir das 21h. Quem vem? Os ingressos já estão à venda.

Pessoal do Ceará, Meio Século Depois – agora no Ceará!

A segunda apresentação do espetáculo Pessoal do Ceará, Meio Século Depois acontecerá em Fortaleza neste sábado, dia 18, quando Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam mais uma vez visitam o clássico Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, composto e gravado por Ednardo, Rodger Rogério e Teti em 1973. Como no show que dirigi em São Paulo em fevereiro, esta apresentação, que acontece no Centro Cultural Belchior que fica na Rua dos Pacajus, 123, na Praia de Iracema, com ingressos gratuitos, também contará com a participação do grande Rodger Rogério. Quem vai? O show começa às 19h30.

Desaniversário | 4.4.2026

Começamos abril já com o pé na pista de dança, quando eu, Claudinho, Clarice e Camila nos reunimos mais uma vez para fazer todo mundo se esbaldar na Desaniversário de abril, que acontece neste sábado, dia 4, no Bubu. Como sempre, começamos cedo (às 19h) para terminar cedo (meia-noite), assim todo mundo aproveita o fim de semana direitinho. O Bubu fica na marquise do estádio do Pacaembu. Vem dançar com a gente!

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Belladona e Tiny Bear @ Redoma (27.3)

Esta semana não tem Inferninho, mas na próxima sim quando mais uma vez volto ao Clube Redoma no Bixiga trazendo dois artistas em ponto de bala. O trio noventista Belladona toca pela primeira vez na festa, abrindo para a reincidente Tiny Bear, que está prestes a lançar seu primeiro álbum. O Redoma fica em frente à pracinha do Bixiga, no número 825-A da Rua Treze de Maio, a casa abre às 21h e os ingressos já estão à venda!

Extremos aparentes

Caio Colasante começou mais uma edição quentíssima do Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita com suas canções solo cada vez mais definidas, não importe com quem toque. O ex-guitarrista da banda Os Fonsecas que também acompanha o duo de hip hop Kim & Dramma veio cercado de velhos comparsas, como o baterista Thalin (outro ex-Fonsecas que vem firmando seu trabalho solo, baseado no rap, com quem Caio também tem tocado) e o percussionista Bruno “Neca” Fechini (dos Tangolo Mangos, onde Caio também teve uma breve participação como guitarrista temporário) e trouxe dois novos nomes para sua banda, o baixista do Saravá Roberth Nelson, e o guitarrista da Mundo Vídeo Vítor Terra. E mais do que compositor e guitarrista, Caio tem uma verve maestro que faz com que todos que toquem com ele o sigam em arranjos que parecem simples, mas que tem uma complexidade específica que vem de suas referências musicais, que vão do rock progressivo, ao jazz fusion e, principalmente, pela MPB dos anos 70 e 80, coroada pela influência do principal mestre do músico, o saudoso mestre Jards Macalé. Ele ainda tem uma certa timidez nos vocais, mas nada que a prática não o deixe mais à vontade, por isso é bom ficar de olho no que ele vem fazendo.

Depois do Caio Colasante, foi a vez do Tutu Naná mais uma vez apavorar no palco do Inferninho. Depois de exibir pela primeira vez o ótimo clipe de “Sobre as Aves”, o grupo fez a microfonia e o barulho tomar conta da Porta Maldita, sempre sobre vocais sussurrados, efeitos eletrônicos e percussão absurda, fazendo a aparente contradição entre suas principais influências – o noise e a MPB – cair por terra assim que o som começa. Além de tocar músicas do recém-lançado EP batizado com o mesmo nome do clipe que apresentaram, também mostraram pela primeira vez em público sua versão para “Caxangá”, de Milton Nascimento. A química entre os integrantes talvez seja sua principal arma secreta, com a guitarra fulminante de Akira Fukai misturando-se com o baixo melódico de Jivago Del Claro, as viradas de tempo absurdas de Fernando Paludo (um misto de Milton Banana com Keith Moon) e os vocais e flauta transversal de Carolina Acaiah, que vem se soltando cada vez mais nos efeitos, fazendo a bruxaria eletrônica pairar sobre o furacão eletroacústico do grupo. Pra variar, outro showzaço.

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Infernizando Curitiba

Foi demais a primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo, que aconteceu neste sábado, no ótimo e novíssimo Macro Bar e Pista, uma casa ampla com três ambientes – uma área externa, uma pista ampla e uma área superior para shows – que funcionou lindamente pra marcar a chegada da festa à capital paranaense. A noite começou com a discotecagem em vinil da Márcia Manzana, que preparou um set só tocando versões alternativas de músicas conhecidas, e logo emendou com o primeiro show da noite, quando a banda 3x, projeto guitarreiro do rapper Respx, que não deixou ninguém parado, bebendo de diferentes fontes da história do rock – do punk ao emo, passando por hardcore e rock de garagem -, com atenções divididas entre os dois vocalistas, o elétrico Respx e a carismática Niko, que começaram esquentando a noite do melhor jeito possível.

Depois foi a vez da Feralkat, liderada por Natasha Durski, que hipnotizou o público com camadas de ruído lento e paisagens sonoras etéreas, construindo um universo onírico entre o trip hop e o shoegaze. Pilotando três sintetizadores, além de tocar guitarra, ela funcionou como um respiro entre os shows elétricos das duas bandas roqueiras que tocaram antes (3x) e depois (Wi-Fi Kills) de seu show. E além de pinçar uma ótima versão para “The Rip” do Portishead, ainda mostrou sua canção-assinatura, que acaba por sintetizar a vibe da banda a partir de seu título, “Lyncheana”.

O último show da primeira edição do Inferninho em Curitiba trouxe a new wave fulminante do Wi-Fi Kills, liderada pelo sensacional Klaus Koti, que também apresenta-se como uma banda de um homem só chamada O Legendário Chucrobillyman. Tocando guitarra e sintetizadores, Koti fez seu grupo passear por canções sobre inteligência artificial e Corel Draw (!), sempre no limite entre o ritmo e o ruído, e não escapou de tocar uma versão para uma música de uma banda que é um dos seus alicerces musicais, quando tocou “Uncontrollable Urge”, do Devo. O público foi ao delírio – deixando tudo mais fácil pra minha discotecagem que segurou o povo até às quatro da manhã. Quando é a próxima? Quero mais!

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