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O equilíbrio do Varanda

, por Alexandre Matias

A banda mineira Varanda deu um salto considerável em seu último disco, fugindo de músicas fáceis e grudentas para convidar seus ouvintes para ambiências sonoras e dramáticas que reforçam algo que estava apenas nas entrelinhas do primeiro álbum. E se o disco de estreia Beirada tinha algo de cronista e indie pop, no disco de título interminável (que eles mesmos sugeriram a redução para apenas Às Vezes Um Sonho), eles deixam o pop em segundo plano para mergulhar nos devaneios vocais e cênicos da vocalista Amélia do Carmo e na psicodelia indie cada vez mais pesada do trio instrumental formado por Augusto Vargas (baixo), Mario Lorenzi (guitarra) e Bernardo Merhy (bateria). Ao apresentar o disco ao vivo dentro da sessão Estéreo MIS, que o Museu da Imagem e do Som abre para novos artistas nesta sexta-feira, o quarteto reforçou essa mudança de tom ao tocar o disco na íntegra – embora fora da ordem – e escolher poucas canções do primeiro álbum para o novo repertório (entre elas “Vida Pacata” e “Cê Mexe Comigo”, esta cantada em uníssono pelo público que encheu o auditório do museu). O conjunto musical apresentado é mais envolvente e descritivo do que as faixas do disco anterior e o clima do novo álbum exala mineirice ao mesmo tempo que soa mais assertivo, sem a insegurança confessa de sua primeira fase. Some isso à segurança de palco (mesmo com inevitáveis perrengues, como uma corda arrebentada e a mão machucada do baterista, que impediu um bis), à química entre seus integrantes e ao desafio proposto de expandir-se esteticamente para soar ainda mais autoral e temos um momento que é tão importante para a banda quanto para seu meio. Não por acaso encerram o show com “Relâmpagos”, do primeiro disco, canção que parecia apontar o rumo do futuro próximo da banda, mas não consigo me desprender de “Labirinto”, em que eles equilibram sua força indie (o início entre o Gang of Four e o Franz Ferdinand) e sua sensibilidade MPB que acabam sendo a chave para que eles sejam uma das principais bandas da cena indie brasileira atualmente.

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