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O equilíbrio do Varanda

A banda mineira Varanda deu um salto considerável em seu último disco, fugindo de músicas fáceis e grudentas para convidar seus ouvintes para ambiências sonoras e dramáticas que reforçam algo que estava apenas nas entrelinhas do primeiro álbum. E se o disco de estreia Beirada tinha algo de cronista e indie pop, no disco de título interminável (que eles mesmos sugeriram a redução para apenas Às Vezes Um Sonho), eles deixam o pop em segundo plano para mergulhar nos devaneios vocais e cênicos da vocalista Amélia do Carmo e na psicodelia indie cada vez mais pesada do trio instrumental formado por Augusto Vargas (baixo), Mario Lorenzi (guitarra) e Bernardo Merhy (bateria). Ao apresentar o disco ao vivo dentro da sessão Estéreo MIS, que o Museu da Imagem e do Som abre para novos artistas nesta sexta-feira, o quarteto reforçou essa mudança de tom ao tocar o disco na íntegra – embora fora da ordem – e escolher poucas canções do primeiro álbum para o novo repertório (entre elas “Vida Pacata” e “Cê Mexe Comigo”, esta cantada em uníssono pelo público que encheu o auditório do museu). O conjunto musical apresentado é mais envolvente e descritivo do que as faixas do disco anterior e o clima do novo álbum exala mineirice ao mesmo tempo que soa mais assertivo, sem a insegurança confessa de sua primeira fase. Some isso à segurança de palco (mesmo com inevitáveis perrengues, como uma corda arrebentada e a mão machucada do baterista, que impediu um bis), à química entre seus integrantes e ao desafio proposto de expandir-se esteticamente para soar ainda mais autoral e temos um momento que é tão importante para a banda quanto para seu meio. Não por acaso encerram o show com “Relâmpagos”, do primeiro disco, canção que parecia apontar o rumo do futuro próximo da banda, mas não consigo me desprender de “Labirinto”, em que eles equilibram sua força indie (o início entre o Gang of Four e o Franz Ferdinand) e sua sensibilidade MPB que acabam sendo a chave para que eles sejam uma das principais bandas da cena indie brasileira atualmente.

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Mostra John Waters no MIS de São Paulo

E essa mostra maravilhosa em homenagem aos 80 anos do John Waters que entra em cartaz no MIS de São Paulo a partir do dia 21 de abril? Tirando os primeiros filmes dele nos anos 70 e o mais recente (O Clube dos Pervertidos, de 2004), tem todos os outros: Multiple Maniacs (1970), Pink Flamingos (1972), Problemas femininos (1974), Viver desesperado (1977), Polyester (1981), Hairspray – e éramos tão jovens (1988), Cry-Baby (1990), Mamãe é de morte (1994), O preço da fama (1998) e Cecil bem demente (2000). Os ingressos já estão à venda. Puro delírio!

Confira a programaçao completa abaixo:  

Janis no MIS!

Aproveitando o aniversário de Janis Joplin neste dia 19, o MIS de São Paulo acaba de anunciar a exposição Janis, que reúne mais de 300 itens da cantora psicodélica, entre fotografias, figurinos, manuscritos e outros itens cedidos pela família da própria. A exposição começará só no dia 16 de abril, mas os ingressos já estarão à venda a partir desta semana.

Raul Seixas no MIS!

Finda a exposição sobre Ney Matogrosso, o MIS de São Paulo já anuncia sua próxima viagem: Raul Seixas! A primeira grande exposição dedicada ao rei do rock brasileiro conta com inúmeros itens do acervo pessoal do grão-mestre kavernista e supervisão familiar de Kika Seixas (ex-companheira de Raul) e Vivi Seixas (DJ e filha do maluco beleza). Ainda não há previsão de data de lançamento da mostra, mas o anúncio feito pelo museu oficializa o homenageado, figura imprescindível e única na história da música brasileira, infelizmente ainda visto como personagem menor, maldito ou picareta. A exposição vem corrigir essas impressões toscas e trata-o como o merece: um clássico nacional.

Assista ao teaser abaixo:  

Embicando pro fim do Foi Mal

O fim de semana começou com mais um show dos Pelados, desta vez no palco do Museu da Imagem e do Som, lentamente encerrando o ciclo de seu disco de 2023, o ótimo Foi Mal, que chegou à sua versão em vinil justamente nesta apresentação. Talvez por isso a banda tenha abandonado de vez as músicas do disco anterior, focando apenas em músicas do disco mais recente (à exceção de “Medo de Ficar Pelado”, que o público até tentou puxar, e “Ser Solteiro é Legal”, que o guitarrista Vicente Tassara prometeu para um show próximo) e algumas do próximo disco, que já está gravado, entre elas uma que canta que “as cores da Enel desbotam no papel” no refrão e a já conhecida “Modrić”. E entre as músicas aquele clima de turma que sempre baixa nos shows, com as piadas infames da Manu Julian e do Lauiz (comemorando “aniversário”) e fazendo o público, que assistia ao show sentado, levantar-se das cadeiras para vê-los de pé. E se eu não vejo a hora de ver esse disco novo na rua, imagino a banda…

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Pop delicado

Yma está nos devendo seu segundo disco há tempos, mas enquanto isso vai afiando ainda mais sua apresentação ao vivo. Nessa sexta-feira ela apresentou-se no MIS e mostrou como tem tratado seu pop delicado e melancólico cada vez mais à vontade no palco ao mesmo tempo em que está completamente entrosada à sua banda, formada por Uiu Lopes (baixo), Leon Perez (teclados), André Luiz (guitarra), Marco Trintinalha (bateria) e Vinícius Rodrigues (sax). Foi o primeiro show dela desde sua apresentação no Lollapalooza e, embora ainda calcado no disco de estreia Par de Olhos, já trouxe músicas de sua fase de transição, como “Aquário” e “Meredith Monk”, que gravou com Jadsa em seu projeto paralelo Zelena, além de uma música inédita, composta em francês. A apresentação terminou com uma homenagem a uma amiga gaúcha que não pode comparecer ao show pela tragédia que aconteceu no Rio Grande do Sul, a quem a cantora dedicou a bela e triste “Pequenos Rios”. Foi bem bonito.

Assista abaixo:  

Bahia na tomada

Jadsa e João Milet Meirelles começaram a revelar a próxima fase do duo Taxidermia nessa sexta-feira, no auditório do Museu da Imagem e do Som, mas ainda com os dois pés em sua primeira fase, ainda trazendo o clima de apocalipse industrial – que parece começará a dissipar-se a partir do disco de estreia, Vera Cruz Island, anunciado essa semana. Com imagens feitas por Gabriel Rolim, luz da Cris Souto e som da Alejandra Luciani, a dupla baiana encarou-se de frente para mostrar uma música de rua que soa tanto periférica quanto central, cutucando feridas e atordoando expectativas com bordoadas eletrônicas, samples acelerados, beats implacáveis, sussurros, versos e berros inquisidores, colocando uma sensação baiana na tomada e eletrificando sentimentos e sensações na marra. Além de tocar “Clarão Azul”, o primeiro single do novo álbum, que é uma uma boa amostra do que vem por aí.

Assista abaixo:  

Link – 23 de novembro de 2009

• O processo • Prêmio Sergio Motta valoriza portfólio • LabMIS: um laboratório público de mídias digitais • Locast, projeto do MIT com PUC-RS, fomenta mídias cidadãs • Google lança código-fonte de seu sistema operacional • Para Tim O’Reilly, ganha quem compartilha • Do Napster à eleição iraniana, Webby Awards escolhe seu top 10 • Festival leva ‘cinema ao vivo’ ao Sesc Pompeia • Romances escritos no celular provocam mudanças no japonês • Escrita digital também muda o português • Sem estoque de e-readers • Fórum da Cultura Digital reúne 600 participantes em quatro dias em SP • Censura, jornais, blogs e liberdade de expressão • ‘Call of Duty: Modern Warfare 2’ bate recordes e vira fenômeno da cultura pop • Apple inventa nova alternativa para o mercado de games • De alumínio, Dell Adamo é luxo para poucos mortais • Regretsy: Artesanato de gosto duvidoso • Myna edita sons no seu navegador • Picnik dá um tapa na foto na nuvem • Aparelho coloca HDTV no monitor • Ozzy e Jack Black se encontram depois da morte em ‘Brutal Legend’ • Tudo sobre pendrives • Vida Digital: Nós 3 •