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Universo particular

, por Alexandre Matias

Mari Holtz não poderia ter feito uma estreia mais autoral, quando subiu ao palco do Centro da Terra para mostrar seu espetáculo Ser-Viva nesta terça-feira. E não estou falando apenas do fato de ter feito um show apenas com seu próprio repertório e sim que ela soube passar a essência da sua personalidade misturando erudição, carisma, improviso e risco enquanto contava, quase como numa sessão de terapia aberta ao público, de seu amadurecimento simultâneo como pessoa e como artista desde que começou a cantarolar melodias enquanto tocava o piano ainda criança para livrar-se de um ocasional tédio infantil (título de sua primeira canção, que abriu o show). Foi cantando sentimentos e sensações, às vezes com letra, às vezes apenas cantarolando scats de voz enquanto tocava, outras deixando apenas seus dedos ditarem a atmosfera do momento e fazendo uma única inserção alheia, quando cantou “Yatra-Tá” de sua musa Tânia Maria, norte magnético de sua apresentação e de sua curta carreira até aqui. Com trocas cênicas de figurino (que funcionavam mais como guias de sua apresentação do que como acessórios), ela foi lentamente conduzindo o público que lotou o teatro a um universo particular seu, conseguindo inclusive fazer com que o público cantasse junto no bis uma música que nunca tinha ouvido antes daquela apresentação. Muito bem!

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