Missa rock

Tava devendo ver a Lupe de Lupe tocando seu Amor – um dos melhores discos do ano passado – ao vivo e consegui resolver isso neste domingo, quando o grupo tocou no La Iglesia, transformando, como sempre, um show de rock pesado com fortes doses de sentimentalismo em uma catarse quase bíblica em que o público se joga em uma roda de pogo enquanto chora amores esquecidos do passado. O repertório da banda é gasolina nessa fogueira e a cada nova música o público se empolga ainda mais, berrando letras quilométricas sobre frustrações da vida e como seguir em frente como se suas vidas dependessem disso. Além de quase todo o Amor (tocaram três das quatro músicas de dez minutos que compõem o disco), passaram por músicas de outros sete discos, com as guitarras fulminantes de Vitor Brauer e Jonathan Tadeu e a cozinha redondíssima formada pelo baixista Renan Benini e pelo novato Mauro Novaes, o tempo todo surpreendendo o público com músicas que eles não acreditavam estar vendo ao vivo. A base instrumental da banda é o rock da virada dos anos 90 para os anos 2000, quando o pós-grunge e o hardcore melódico começam a se misturar num mesmo gênero musical, mas o grupo tempera com sua poética essencialmente brasileira, com pitadas de clássicos do pop moderno, indo de Dorival Caymmi a Legião Urbana, passando por Mos Def, todos entrando em citações breves ao final de diferentes músicas. A cruz em cima do palco do La Iglesia só aumentava a sensação de missa meio indie meio emo que tomou conta do fim do dia das mães, que ainda contou com o Corinthians ganhando do São Paulo, para a felicidade da banda. E minha também, afinal… #vaicorinthians
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