Paulo Henriques Britto + Elizabeth Bishop

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

— Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

Encerro essa minitrip com a tradução que surge no link “Traduções“, do site do Paulo – Uma Arte, de Elizabeth Bishop, parece ter sido posta como uma homenagem ao ato de traduzir, a tal labuta quieta. E, nesse sentido, o currículo do poeta como tradutor é invejáve: quase todos meus autores favoritos (Pynchon, Auster, Roth, DeLilo), Anthony Burguess, John Updike, Douglas Adams, Edmund Wilson, Raymond Chandler, Patricia Highsmith, William Faulkner, um bando de beats e até o Tarantula da Brasiliense. Nada mal mesmo.

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  1. Zani disse:

    Paulo Henriques Britto é foda, em 2008 ele foi na Letras (USP) e LOTOU o anfiteatro para falar de poesia. Também traduziu coisa pra caralho, perto de 100 livros. O/