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  1. Paulo Rená disse:

    Facebook ou a Internet, como um todo? E olha que eu sou um entusiasta da cultura digital.
    Mas aprofundando na viagem, Matias, você saca de teoria dos sistemas? Teve um cara (entre muitos outros), Luhmann, que abordava a sociedade a partir da seguinte perspectiva: sempre, a qualquer momento e em qualquer lugar, há mais coisas a serem percebidas por um observador do que é possível a esse observador percebê-las; por outro lado, sempre há mais possibilidades de comportamentos a adotar do que uma pessoa pode de fato adotar. Esse emaranhado de informações do mundo pra gente e de ações possíveis da gente pro mundo ele chamava de complexidade.
    A loucura é pensar que mesmo a cada pessoa que se conecta ao mundo da informação abundante, é impossível abarcar todas as informações, porque já o fato de mais informação ser absorvida, esse fato em si é objeto de uma nova informação. Algo como se o Link viesse a se tornar o jornal de tecnologia mais lido no mundo porque publica todas as informações da área, e aí teria mais uma nova informação para publicar: a de que se tornou o jornal de tecnologia mais lido do mundo. Mais informação só gera mais informação. Nunca esgota.
    De certa forma, obviamente, o Crumb foi gênio a ponto de registrar essa loucura informacional num desenho. Mas ninguém nunca estará “ligado em TUDO o que está acontecendo o tempo todo”. Minha questão aqui é lermos a crítica do cartum no sentido de que a distopia não virá apenas quando houver uma rede social total; já nossa busca por mais e mais e mais e mais informação e ainda mais e mais e mais conexão, em si mesma essa busca incessante e fadada à insatisfação pode ser o indício de uma anormalidade coletiva distópica. E ela não se limita a uma rede social específica, porque há dezenas de outras a querendo substituir no posto de preferida, além dos incontáveis outros serviços de totalização da informação, inclusive em áreas de dar calafrios como a segurança pública.