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Sopranos em vinil

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A trilha sonora da série Sopranos é um dos pontos altos de sua narrativa – não apenas da produção, já que seu criador, David Chase, que escolhia pessoalmente as músicas, resolveu reservar parte do orçamento para conseguir os direitos de músicas que custariam caro para uma simples série de TV – coisa que Sopranos está longe de ser. São muitos os momentos em que a musica certa invade uma cena completando-a perfeitamente, como esta, logo no início da segunda temporada:

Por isso imagino o desafio da loja canadense SCR Vinyl em selecionar apenas 14 músicas para compor uma versão em vinil duplo com a trilha sonora da série, que ela começou a vender no fim do mês passado. Eis as músicas que entraram:

Lado A

Alabama 3 – “Woke Up This Morning”
R.L. Burnside – “It’s Bad You Know”
Frank Sinatra – “It Was A Very Good Year”

Lado B

Bob Dylan – “Gotta Serve Somebody”
Little Steven & The Disciples Of Soul – “Inside Of Me”
Cream – “I Feel Free”
Them – “Mystic Eyes”

Lado C

Bruce Springsteen – “State Trooper”
Bo Diddley – “I’m A Man”
Elvis Costello & The Attractions – “Complicated Shadows”
Nick Lowe – “The Beast In Me”

Lado D

Los Lobos – “Viking”
Wyclef Jean – “Blood Is Thicker Than Water”
Eurythmics – “I’ve Tried Everything”

E das tantas músicas boas que ficaram de fora (“Goin’ Down Slow” do Howlin’ Wolf, “Blur” do Aphex Twin, “Moonlight Mile” dos Stones, “One of These Days” do Pink Floyd, “The Blues is My Business” da Etta James, “I (Who Have Nothing)” do Ben E. King, “I’m Not Like Everybody Else” dos Kinks, “Kid A” do Radiohead, “My Lover’s Prayer” do Otis Redding e “Don’t Stop Believing” do Journey – como é que não entrou?) a ausência que mais sinto é a de “You Can’t Put Your Arms Around a Memory”, do Johnny Thunders.

Que música. Que série.

De Volta para o Futuro em vinil

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E prepare-se para ouvir falar pacas de De Volta para o Futuro nos próximos dias – pois dia 21 de outubro deste ano é o dia em que teoricamente Marty McFly chega, pela primeira vez, ao futuro, na primeira continuação do filme. E entre as novidades está essa incrível caixa de vinis, com as trilhas sonoras dos três filmes pela primeira vez empacotadas num box organizado por uma loja de camisetas online, a Mondo Tees. A caixa reúne os três discos com as trilhas escritas por Alan Silvestri e foram reunidas como o plutônio que o Doutor Brown roubou para conseguir viajar no tempo.

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Na caixa, os discos têm essas capas:

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Dá pra comprar também os discos em versão individual – aí eles têm capas diferentes, mas igualmente estilosas.

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As artes são do ilustrador inglês Matt Taylor e dá pra fazer a pré-venda a partir do dia 21 no site da Mondo Tees.

A segunda vinda de Frank Zappa

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A viúva de Frank Zappa, Gail, passou o bastão da administração do espólio do mestre falecido em 1993 para o filho Ahmet e agora ele fechou um acordo com a gravadora Universal para abrir o baú do velho Frank e começar uma nova safra de múltiplos lançamentos.

“Os fãs de Frank Zappa terão mais música e mais acesso – quando eles quiserem e do jeito que eles quiserem”, disse o filho do músico à revista Rolling Stone. “Com a Universal como parceria, quero trazer à vida projetos como o musical Joe’s Garage, o lançamento do filme The Roxy Movie e da performance de 200 Motels no Disney Hall sob a batuta de Esa-Pekka Salonen e outros tantos projetos desse calibre. Não poderia estar mais excitado em relação ao futuro”.

O primeiro lançamento é a reedição masterizada em vinil do clássico de Zappa e dos Mothers of Invention de 1974, One Size Fits All. Será o primeiro relançamento em vinil supervisionado pela família do músico, que desde 2012 conseguiu ter de volta todas as fitas maters de Zappa e vem trabalhando nesses novos lançamentos. O primeiro vinil segue o centésimo lançamento oficial de Frank Zappa, o disco Dance Me This em que ele trabalhava na época de sua mmorte e que foi lançado no mês passado. Além disso, há um documentário sobre Zappa, dirigido por Alex Winter, programado para 2017.

A história não tão secreta do Pavement

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Lembra que o Pavement havia deixado no ar que haveria novidades da banda esse ano? Nem show, nem lançamento inédito – o que a banda acaba de anunciar é que irá revisitar sua discografia mais uma vez, desta vez com foco apenas nas faixas que não entraram nos discos originais em versões em vinil. É uma série chamada The Secret History que não é tão “secret” assim, pelo menos no que diz respeito ao primeiro lançamento, anunciado para agosto, que vem com essa capa.

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O Volume I dessa Secret History reúne o material lançado à época do primeiro disco da banda, o clássico lo-fi Slanted and Enchanted. O problema é que são exatamente as mesmas faixas que já haviam aparecido na versão Slanted and Enchanted: Luxe & Reduxe, lançada em 2002, que consiste em seis faixas que não entraram no disco original, duas Peel Sessions em 1992 (em junho e em dezembro), o EP Watery, Domestic (e três faixas que sobraram deste) e as treze faixas do show da banda na Brixton Academy, no dia 14 de dezembro de 1992. Nem mesmo os primeiros EPs da banda (Slay Tracks (1933–1969), Demolition Plot J-7 e Perfect Sound Forever) apareceram.

Funciona como uma boa desculpa para manter em catálogo as faixas extras do box set lançado há quase 15 anos (putamerda) e pra quem ja tem o disco original e não quer comprá-lo de novo só pra ter as músicas a mais. Mas é meio decepcionante por outro lado, já que, pra começar, a banda tem mais material dessa época que poderia ser lançado oficialmente e, pra complicar, nunca vimos o quinto disco da banda nos box sets originais, que foram lançados a partir deste Luxe & Reduxe. Ao contrário dos quatro primeiros discos do Pavement, o dark Terror Twilight nunca foi lançado em versão deluxe, sem muita explicação por parte da gravadora Matador.

Vamos torcer pra que essa edição Secret History consiga nos trazer algumas músicas inéditas de fato – nem que em apenas seu último volume. Se este sair, já estamos no lucro.

Eis as faixas desse Volume I, que será lançado apenas como vinil duplo, com download digital.

1. Sue Me Jack
2. So Stark (You’re A Skyscraper)
3. Summer Babe (7” Version)
4. Mercy Snack: The Laundromat
5. Baptiss Blacktick
6. My First Mine
7. Nothing Ever Happens
8. Here (Alternate Mix)
9. Greenlander
10. Circa 1762 (Peel Session 1)
11. Kentucky Cocktail (Peel Session 1)
12. Secret Knowledge Of Backroads (Peel Session 1)
13. Here (Peel Session 1)
14. Rain Ammunition (Peel Session 2)
15. Drunks With Guns (Peel Session 2)
16. Ed Ames (Peel Session 2)
17. The List Of Dorms (Peel Session 2)
18. Conduit For Sale [Live Brixton 1992]
19. Fame Throwa [Live Brixton 1992]
20. Home [Live Brixton 1992]
21. Perfume V [Live Brixton 1992]
22. Summer Babe [Live Brixton 1992]
23. Frontwards [Live Brixton 1992]
24. Angel Carver Blues Mellow Jazz Docent [Live Brixton 1992]
25. Two States [Live Brixton 1992]
26. No Life Singed Her [Live Brixton 1992]
27. So Stark (You’re A Skyscraper) [Live Brixton 1992]
28. Box Elder [Live Brixton 1992]
29. Baby Yeah [Live Brixton 1992]
30. In The Mouth A Desert [Live Brixton 1992]

Japan Pop Show em vinil!

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Japan Pop Show, o ótimo disco de 2008 do jovem mestre Curumin é o novo lançamento do clube do vinil da revista gaúcha Noize, Noize Record Club. O disco conta com participações de nomes como BNegão, Tommy Guerrero, Lucas Santtana, Marku Ribas, Fernando Catatau e os rappers Lateef e Gift Of Gab (do Blackaalicious) e a Noize me chamou pra falar um pouco sobre o disco na apresentação em vídeo abaixo, que ainda conta com depoimentos do Emicida, Arnaldo Antunes e Tommy Guerrero.

Air em vinil

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Começou com o lançamento do single “Playground Love” no Record Store Day deste ano e vai continuar na primeira edição em vinil para a trilha sonora do filme The Virgin Suicides, de Sofia Coppola, que é o gancho para o relançamento de toda a discografia da dupla francesa Air em vinil. A edição do Virgin Suicides, que chega às lojas em junho nos formatos digital, CD duplo, vinil duplo e em uma caixa de discos, que trará o disco prensado em vinil vermelho e outro vinil picture com uma apresentação ao vivo que a dupla fez da trilha sonora em janeiro do ano 2000, em Los Angeles, e três registros que fizeram na rádio KCRW no mesmo período – além de poster, CD duplo, um livrinho de 16 páginas e um sete polegadas com o single recém-relançado. Além deste disco, na mesma época serão lançados os discos Premiers Symptômes (1997), Moon Safari (1998), 10,000 Hz Legend (2001), Talkie Walkie (2004), e Pocket Symphony (2007).

Tudo tanto #008: Sobre a volta do vinil

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A minha coluna na revista Caros Amigos do mês passado foi sobre a renascença do vinil na era digital e o Clube do Vinil que a revista Noize inventou.

O clube do vinil
Sucateado no Brasil graças a uma conjunção de fatores econômicos e tecnológicos, o velho LP vive uma nova renascença e uma revista gaúcha lançou até um clube do disco

Das transformações que o meio digital provocou no mercado fonográfico sem dúvida a mais lamentável foi o sucateamento do vinil. Isso aconteceu com força aqui no Brasil e mesmo antes da popularização da banda larga – que permitiu a troca desenfreada e gratuita de arquivos digitais – na virada do milênio. Os velhos LPs pararam de ser fabricados no país porque o truque chamado CD chegou ao Brasil em um momento específico que fez a nova mídia tornar-se uma mina de ouro para as gravadoras multinacionais instaladas aqui.

O CD foi inventado nos anos 80 com a promessa de ser uma revolução audiófila. O som digital, dizia-se à época, era superior ao analógico em vinil. O disco prateado trazia outras vantagens: armazenava uma duração maior de músicas e barateava uma série de etapas do negócio, embora ninguém alardeasse isso. Menor, mais leve e mais barato de ser fabricado que o vinil, o CD permitia que custos logísticos (como transporte e armazenagem) caíssem bastante. Mas a desculpa “audiófila” foi suficiente para encarecer o preço do produto final, que, no Brasil, chegou a custar 150% – em média – a mais do que o preço do LP no início dos anos 90.

A novidade obrigou fãs – lentamente transformados em ouvintes e, depois, consumidores – a comprar novamente discografias inteiras em detrimento de uma subjetiva melhoria de qualidade. E com a substituição, a tragédia: coleções inteiras de vinis foram desfeitas em nome do avanço tecnológico sobre a fruição musical.

Historicamente fazia sentido: os discos de acetato foram substituídos pelos de vinil, que criou a era do álbum e trouxe o LP para o topo da cadeia do mercado, superpondo-se aos compactos. Depois veio a fita cassete que adicionou a portabilidade ao negócio – era possível escolher que música ouvir tanto em aparelhos de som portáteis e no carro (antes só dava para ouvir rádio). O Walkman (inventado pela Sony no iníco dos anos 1980) e as boomboxes (aparelhos de som portáteis com entrada para dois cassetes) mudaram hábitos e locais de audição de música. Era natural que outras tecnologias viessem mudar a nossa relação com a música. Aí veio o CD.

No Brasil, a popularização do CD aconteceu num momento específico: o auge do Plano Real inventado no governo Itamar Franco. A mudança econômica abriu uma onda desenfreada de consumo em que o CD player tornou-se um dos itens mais procurados por novos consumidores. Grandes gravadoras multinacionais, de olho em um público que em outras épocas nunca havia comprado disco, nem pestanejaram e colocaram todo o foco de seu negócio em artistas de rápido consumo, vendidos apenas em CD.

Foi a otimização de um processo iniciado nos anos 80, com o rock brasileiro e continuado com a lambada, quando testou-se mudanças de cenário a partir da massificação de novos artistas em torno de um novo gênero. O mesmo processo foi azeitado no início dos anos 90 com a triade sertanejo-axé-pagode veio que consolidou esse modus operandi, que fazia gravadoras mirar em artistas que vendiam muito rápido e traziam outros tantos artistas menores no vácuo. Eram discos que tinham uma ou duas músicas massificadas através do rádio como se fossem jingles (e eram, se você pensar que uma música, naquela época, era vista como um comercial para a venda de um produto, o disco), que vendiam CDs a rodo e sem a menor preocupação da criação de catálogo. Os executivos das gravadoras nos anos 90 só queriam saber de números e a qualidade musical da produção fonográfica da época cai ao mesmo tempo em que recordes de vendas de discos eram quebrados a cada ano.

Um dos efeitos colaterais disso foi o sucateamento das fábricas de vinil, que durante os anos 90 começaram a minguar e a ficar com os mercados de nicho que ainda lidavam com LPs, como o de música religiosa. O tocadiscos desapareceu dos lares brasileiros e junto com eles coleções inteiras foram parar em sebos de discos, muitas vezes vendidos a preço de banana quando não jogados fora.

Enquanto isso os vinis seguiam sendo vendido no exterior, embora numa proporção cada vez menor e, ironicamente, sendo comprados por um público cada vez mais interessado na qualidade sonora do LP, a mesma que, em tese, seria melhor no CD.

O LP começou o século 21 no Brasil literalmente no lixo. Coube primeiro a uma geração de novos fãs de música e velhos DJs a tarefa de manter o disco girando. A renascença do vinil começou a acontecer no exterior na metade da década passada, na medida em que a música digital ultrapassou o CD como formato. Velhos fãs sentiam a falta do elemento táctil no disco, novos fãs se encantavam com capas enormes e com o ritual de parar para ouvir música. A onda motivou a reabertura da última fábrica de vinis a fechar no Brasil, a Polysom, que começou a oferecer seus serviços para gravadoras que queriam reeditar clássicos e novos artistas que se ouvir em vinil.

Uma novidade específica pode alavancar ainda mais este cenário por aqui. A revista gaúcha Noize, que completa oito anos neste mês de março, deu uma guinada em sua linha editorial e criou um modelo de compra de discos chamado Noize Record Club. É isso mesmo: um clube do disco em que o assinante paga para receber discos de bandas brasileiras – em vinil – em casa.

“Há dois anos, já fazemos cada edição com um tema específico”, explica Rafael Rocha, um dos sócios da revista. “Com o clube, transferimos esses temas para o tema do disco do mês, que rege as matérias no editorial. Batemos muito em cima da reformulação da experiência de se escutar música. Com uma publicação inteira feita em cima do tema do disco, acreditamos que além de fazer o público parar para escutar música,estamos entregando uma nova forma de encarar o disco.”

O Clube foi lançado no fim do ano passado e já trouxe discos do grupo Apanhador Só e da Banda do Mar, de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. O processo de curadoria é interno e leva em conta “a exclusividade em cima dos títulos que serão lançados”, continua Rafael. Para saber mais informações, basta entrar no site do clube: http://www.noize.com.br/recordclub/