
Foi bem bonito o encontro inédito que o baterista Pedro Fonte e a violonista Tori apresentaram nessa terça-feira, no Centro da Terra. Os dois reuniram seus repertórios e se acompanharam no espetáculo O Instante do Derretimento, em que o carioca e a sergipana puderam entrelaçar instrumentos, cantos e canções acompanhados do baixista baiano Toro. A apresentação ainda contou com a aparição surpresa do trombonista Antônio Neves – que também tocou trompete no show -, formalizando uma novidade que parecia já ter anos de convivência. Que sigam essa jornada juntos!
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Linda linda a segunda apresentação que Luiza Brina fez de sua temporada Aprendendo a Rezar no Centro da Terra. Dessa vez acompanhada apenas de seu violão e da MPC conduzida pelo produtor de seu próximo disco, Charles Tixier, ela descortinou canções inéditas emendando uma na outra, borrando o final de uma com o começo da outra apenas com seu belo violão, que casa perfeitamente com sua voz tocante. Tixier, por sua vez, em vez de simplesmente disparar samples e trechos da orquestra que os dois reuniram para acompanhar a cantora mineira em seu álbum vindouro, optou por uma versão minimalista, tocando percussões sintéticas que apenas ajudavam a criar uma calma macia o suficiente para Brina deixar suas canções deslizar.
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O Oscar é um jogo de cartas marcadas, a voz da indústria e é bem provável que seus filmes e cineastas favoritos nunca foram agraciados com a estatueta, mas a premiação tem seus momentos, como este discurso do inglês Jonathan Glazer, autor do excelente Zona de Interesse, que ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro. Pra mim é o melhor filme da temporada e não apenas por mostrar a Segunda Guerra Mundial de um ponto de vista apenas sonoramente explícito ou por sua visão de vídeo-arte para um assunto tão delicado, mas mais especificamente por usar o Holocausto para metáfora para outros tempos, inclusive agora. E isso não diz respeito apenas ao genocídio em Gaza ou à ascensão do neonazismo, como o diretor fez questão de frisar em seu discurso, mas sobre todos nós que vivemos no conforto de nossos lares, vizinhos de torturas, tragédias, massacres e todo tipo de violência, fingindo que não perguntamos se aquele escapamento que estourou na rua não pode ser um tiro – esteja você em qualquer lugar do planeta. Se há um filme para ser visto atualmente, este é Zona de Interesse.
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As divas Kylie Minogue e Madonna dividiram o palco pela primeira vez quando a primeira participou do show que a segunda fez em Miami nesta quinta-feira. Além de cantar juntas o refrão de “Can’t Get You Outta My Head”, as duas ainda uniram vozes para cantar o hino de Gloria Gaynor “I Will Survive”. Bonito.
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Faz quase um mês que o Air está circulando a Europa tocando a versão ao vivo para seu disco de estreia, o perfeito Moon Safari, mas nesta quinta-feira a dupla formada por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel tocou no Olympia, clássica sala de shows de sua cidade-natal, Paris, e uma boa alma registrou a íntegra do show com sua camerinha… E que viagem que foi isso, porque além de todo o disco que está completando 25 anos, eles ainda tocaram um bis com músicas dos discos Walkie Talkie e 10,000 Hz Legend, além da hipnótica “Highschool Lover”, da trilha do filme Virgens Suicidas. S’il te plaît, viens au Brésil!
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E depois de muita espera, Stop Making Sense, o filme dos Talking Heads que a A24 restaurou e distribuiu nos cinemas chega às salas brasileiras. As sessões acontecem neste mês, a princípio apenas no dia 9, mas como os ingressos se esgotaram muito rápido, foram abertas novas sessões nos dias 27 (22h) e 31 (16h), no IMS de São Paulo, e no dia 27 (20h) no Estação Net Botafogo do Rio de Janeiro. Os ingressos para as novas sessões começam a ser vendidos neste sábado, dia 9, apenas pelo site Ingresso.com. Continue

Por motivos de Centro da Terra não consegui ver o show do Bikini Kill desde o começo, mas que bordoada! A banda parece ter saído direto dos anos 90 de tão intacta que está – desde o vigor das músicas ao timbre de voz de Kathleen Hanna até a presença de palco de todas as instrumentistas. Claro que todos os olhos se firmam na sacerdotisa hipnótica do rock enquanto mulher, mas o resto da banda – a baterista Tobi Vail, que por vezes assumiu o vocal, a estonteante baixista Kathi Wilcox e a virulência da guitarra de Sara Landeau (única integrante que não fazia parte da formação original) – faz jus à reputação de grupo, de gangue, expandindo sua coletividade para o resto do público, grande parte dele formado por fãs extasiadas por estarem realizando o sonho de uma vida. O primeiro show do Bikini Kill no Brasil não só foi pautado pelo lema da banda – garotas na frente, gritado em inglês pelas fãs o tempo todo – quanto pelos sermões puxados por Hanna, falando sobre gênero, dando esporro nos caras que poderiam estar ameaçando quem não fosse homem, rindo com as fãs ao lembrar histórias da banda e feliz por estar tocando a primeira vez no país, enquanto as quatro desciam a lenha de forma simples e sem rodeios, colocando o dedo na tomada por nós, pecadores. O Áudio estava lotado como eu não via há muito tempo (e cheio de gente conhecida) e esse é outro grande feito da noite: um evento independente, bancado por duas pequenas forças da cena que tornaram essa noite possível: a Associação Cecília e o Girls Rock Camp. Uma noite histórica.
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A casa cheia nesta terça-feira foi conduzida para outras dimensões a partir do violão e do alaúde de Juliano Abramovay. Sua pesquisa musical que contempla a mescla entre música brasileira e músicas do leste do Mediterrâneo no espetáculo Amazonon teve diferentes nuances a partir dos músicos convidados. Seja sozinho no palco ou com alguns de seus parceiros, ele ia modelando o clima da noite à medida em que recebia novos instrumentistas no palco, seja a excelente cozinha formada pelo baixista Ricardo Zoyo e o baterista João Fideles, o clarinete hipnótico de João Barisbe (com quem gravou o disco Aló no ano passado), a voz transcendental de Yantó, os sopros do catalão Oscar Antoli (que revezou-se entre o clarinete e o balcânico kaval) e, meu momento favorito da noite, o cello e a voz da holandesa Chieko. A condução de Juliano, que pontuava ocasionalmente as peças instrumentais (parte de sua autoria, parte alheia), esbarrava em sua natureza de professor de conservatório, dando uma dimensão ainda maior à viagem no tempo e espeço que proporcionou aos presentes.
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Delicada e didática, Luiza Brina começou sua temporada Aprendendo a Rezar no Centro da Terra nesta primeira segunda de março explicando tanto o conceito de seu próximo disco, Prece, que disse que sairá ainda no mês que vem, gravado com uma orquestra composta por 22 mulheres, quanto da própria ideia que faz para o conceito de oração, título de cada uma das vinte faixas que comporão o novo trabalho. Para a primeira noite, veio sozinha para o palco, de violão e peito abertos, para demonstrar músicas de outros autores que lhe fazem as vezes de conexão com o sublime, uma vez que, a princípio sem religião, entendeu que sua crença está na própria música. Assim, ela passeou por canções de ídolos nacionais (como Seu Humberto do Maracanã, Vander Lee, Caetano Veloso, Alzira E e versões deslumbrantes para “Estrela” e “Eu Preciso Aprender a Só Ser” de Gilberto Gil) e latino-americanos (como Edgardo Cardozo, Jorge Drexler e Silvana Estrada), além de cumprimentar seus contemporâneos como Luiza Lian, Luizga, Flávio Tris e Castello Branco (que vai passar pela temporada) para demonstrar o que quer dizer quando chama uma canção de prece. Foi bem bonito.
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Cada apresentação de seu Mateus Aleluia é um convite à reflexão – e não foi diferente neste domingo, quando apresentou-se pela segunda vez no fim de semana na Casa Natura Musical. Com sua fala mansa e pausada e seu timbre de voz grave e profundo, ele conduziu a apresentação com seu violão ao lado do percussionista Day Brown, o contrabaixista Alexandre Vieira e o flautista Rodrigo Sestrem, cada um deles temperando com seu instrumento a elegia do mestre baiano. Aleluia costurava uma filosofia ecumènica (de saudações a entidades afrobrasileiras até à celebração judaica “Hava Nagilla”) com suas canções atemporais, da ancestral “Deixa a Gira Girar”, imortalizada por seus Tincoãs, com a qual abriu o show, à “Fogueira Doce”, faixa-título de um de seus discos mais recentes. Por toda a apresentação, ele temperava esse percurso com uma pregação existencial que por vezes incitava o público à dança ou à celebração e por outras emudecia todos os presentes ao fazer verter lágrimas em uma missa humanista. “Toda a cultura vem de um culto”, comentou ao frisar o quanto estávamos em pleno trabalho espiritual travestido como show de música. Ver seu Mateus ao vivo é sempre uma experiência transcendental e uma bênção plena. Aleluia!
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