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A Apple TV postou um vídeo enigmático nessa terça-feira em suas redes sociais em que um corredor vazio é filmado com uma pequena luz vermelha que, inevitavelmente alguém descobriu, soletra a palavra “tomorrow” (“amanhã”, em inglês), em código morse. Então é bem provável que nesta quarta-feira tenhamos notícias sobre a segunda temporada de Ruptura – afinal a estética do vídeo, por mais espartana que seja, tem tudo a ver seriado de Ben Stiller. Provavelmente teremos o primeiro trailer e a data de lançamento da tão aguardada nova temporada.

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“Temos tudo a postos”, escreve o diretor Drew DeNicola sobre seu novo projeto, o filme Sun Ra: Door of the Cosmos, descrito como um documentário sobre o Omniverso de Sun Ra e as raízes do afrofuturismo, ao lançar uma página de financiamento coletivo para finalizar sua produção. “Com o inestimável apoio e colaboração dos produtores de arquivo Irwin Chusid e Michael D. Anderson, do Sun Ra Estate, apresentaremos músicas, poesias e trechos nunca antes ouvidos de entrevistas de Sun Ra ao longo de décadas. Ao construir relacionamentos com cineastas e fotógrafos, já garantimos e licenciamos acordos muito favoráveis ​​através de acordos de participação nos lucros para apresentar a incrível variedade de material de arquivo ao longo das décadas. Temos uma lista de entrevistas essenciais para reunir pessoas cuja referência remonta aos anos 50 e 60. Temos uma equipe pequena e ágil, pronta para sair e se encontrar com essas pessoas para criar uma história oral completa e cheia de nuances para o filme. Isso, é claro, envolve custos de viagens, aluguéis e suporte à produção.” Diretor do excelente Big Star: Nothing Can Hurt Me, lançado em 2013, DeNicola prepara um filme sobre o monstro sagrado do jazz cósmico com a benção de Marshall Allen, o centenário baluarte e atual maestro da Sun Ra Arkestra, força criativa musical que carrega os ensinamentos seculares do visionário músico norte-americano. O filme tem menos de dez dias para conseguir atingir sua meta a partir de sua página no Kickstarter e terá sua trilha sonora, repleta de material inédito, lançada pela clássica gravadora californiana de hip hop Stones Throw. Assista ao trailer do documentário e saiba mais sobre o financiamento coletivo neste link.

Quando os Killers lançaram o single “Boy”, no ano passado, receberam críticas pelo fato da música parecer um pouco demais com “A Little Respect”, clássico dance dos ingleses Erasure. A música, embora não tenha entrado em seu disco mais recente, Pressure Machine (de 2021), foi uma das primeiras composições que deram origem à nova fase da banda que culminou nesse álbum e Brandon Flowers absorveu as acusações de plágio ao incluir uma versão para o hit dance dos anos 80 em seu repertório, misturando-a com a parte final da canção de 2023. A homenagem subiu um degrau ainda maior quando, nesta sexta-feira, em Londres, o grupo de Las Vegas recebeu ninguém menos que o vocalista do Erasure, Andy Bell, para cantar justamente “A Little Respect” na O2 Arena, além de dividir os vocais com Flowers na excelente “Human”, do clássico e subestmado álbum de tecnopop de arena que é o terceiro disco da banda norte-americana, Day & Age, de 2008.

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Ainda passando nos festivais e sem data de estreia comercial, eis o trailer do documentário generativo Eno, dirigido por Gary Hustwit. O cineasta norte-americano é autor de uma trilogia de documentários sobre design que começou por investigar tipografia (Helvetica, 2007), seguiu pelo design industrial (Objectified, de 2009) e terminou com o desenho das cidades (Urbanized, 2011) e resolveu contar a história do não-músico mais importante da história da música do século 20 ao desenhar um programa que ajudasse-o a editá-lo continuamente, gerando inúmeras versões aleatórias geradas por inteligência artificial a cada nova exibição. Uma leitura futurista e ímpar, bem como é característico a esse personagem, que começou mixando a banda glam Roxy Music ao vivo (tocando sintetizador e a própria mesa de som no palco, como um integrante do grupo) para abraçar a carreira de produtor e provocador criativo, inventando a música ambient enquanto ajudava diferentes ícones da música pop a se reinventar – de David Bowie aos Talking Heads, passando pelo U2, Devo, Coldplay, Peter Gabriel, Laurie Anderson, Grace Jones, Damon Albarn, entre muitos outros. O documentário de Hustwit mistura cenas dessa história a diferentes trechos de entrevistas com seu objeto de estudo, fazendo com que Brian Eno seja a única voz e, portanto, o narrador do filme. O salto criativo do filme, no entanto, veio quando o diretor associou-se ao programador e artista digital Brendan Dawes, que criou o software Brain One (Cérebro Um – e também anagrama óbvio do nome do protagonista) para recortar diferentes partes da entrevistas ilustradas com cenas de arquivo do próprio Brian editadas em tempo real. Há marcos pré-estabelecidos no filme e segundo seu diretor 75% dele é visto por todos os espectadores. Os 25% restantes é que são publicados aleatoriamente e em ordens que, como no filme, não seguem cronologia, cogitando diferentes surpresas a cada vez que você assiste ao filme. Embora ainda não tenha previsão de estreia nos cinemas para além dos festivais, o teaser criado para Eno dá uma boa ideia do que poderemos ver…

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A cada quase dez anos, o diretor Richard Linklater se juntava aos atores Ethan Hawke e Julie Delpy para contar a história de uma paixão que atravessou décadas entre o norte-americano Jesse e a francesa Céline. A série de filmes Antes – composta pelos títulos Antes do Amanhecer, de 1995; Antes do Por do Sol, de 2004; e Antes da Meia-Noite, de 2013 – foi interrompida pela pandemia, mas não por seus protagonistas. Há quatro anos, Rob Stone, professor de estudos cinematográficos da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, resolveu fazer um estudo com o efeito Kuleshov, que, ao justapor imagens alternadas à de um rosto imóvel, faz com que o público perceba emoções diferentes a partir do contraponto entre o rosto e a imagem mostrada. Ele misturou cenas de duas entrevistas online feitas pelos dois protagonistas dos três filmes feitas separadamente, as emparelhou com a música “Come Here”, de Kath Bloom (trilha de uma das melhores cenas do primeiro filme) e as transformou em uma vídeo-chamada característica do período pandêmico que atravessamos no trágico 2020, criando um quarto filme chamado Antes do Fim, que dá pra ser visto abaixo. Também traduzi e publiquei logo em seguida a descrição que o professor faz do vídeo: Continue

Vibe boa

Yann Dardenne, Otto Dardenne, Thales Castanheira e Martin Simonovich ainda não sabem se sua atual banda é formada só pelos quatro ou se terá mais integrantes nem sequer qual é o nome deste novo projeto, mas usando o epíteto Protoloops – e contando com uma ajudinha dos amigos – colocaram em pé uma transformação musical que vêm acalentando desde antes da pandemia, quando começaram a desconstruir o projeto anterior que tinham – a banda psicodélica Goldenloki – em algo que soasse brasileiro, eletrônico e dançante, mas sem perder o gostinho lisérgico que é característico de quando tocam juntos. E assim apresentaram o espetáculo inédito Protoloops nesta terça-feira no Centro da Terra, mostrando poucas faixas já fechadas, que flertam com a bossa nova internacionalista de Sergio Mendes e Marcos Valle, com os experimentos político-eletrônicos do Stereolab e uma dance music de fim de século que abraça tanto a lounge music como o drum’n’bass. E a partir dessa vibe boa, reuniram outros amigos – como o videoartista Danilêra, que trouxe TVs e mais TVs para o palco do teatro, trazendo um clima retrô VHS para a noite, a dupla ténica Retrato (Beeau Gomez no som e Ana Zumpano na luz), as vozes de NIna Maia e Marina Reis, o violão de Felipe Vaqueiro e os synths Valentim Frateschi, todos comparsas de vida e com links diretos com seu próprio selo, o Selóki Records, enquanto revezavam-se entre instrumentos elétricos, acústicos e eletrônicos, forjando uma nova sonoridade à medida em se sentiam mais à vontade no palco. Uma noite astral.

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O silêncio quase eclesiástico feito pelo público que encheu o Centro da Terra neste primeiro de julho tornou a apresentação de Lucca Simões ainda mais fluida e reverente, mesmo que estes adjetivos pareçam se contradizer. O músico começou tocando sozinho para depois chamar aos poucos os outros convidados da noite, primeiro Gabriel Milliet, tocando flauta transversal, seguido de Eduarda Abreu, só ao piano, com quem fez números em dupla. Depois chamou Lucas Gonçalves (no baixo) e Chico Bernardes (na bateria) para um primeiro número como trio para finalmente chamar Eduarda de volta e terminar a noite como um quarteto, mostrando as músicas que deverão entrar em seu primeiro álbum, com todo esmero e delicadeza que as canções precisavam. Afinal seu autor é, ao mesmo tempo, um vocalista quase tímido e um guitarrista sutil e discreto, o que culminou no segundo momento solo da noite, quando tocou a única versão do repertório, uma lindíssima leitura instrumental de “Você é Linda”, de Caetano Veloso. Todos os convidados eram sensíveis o suficiente para entender a leveza do repertório e da performance do autor, deixando-o à vontade sem que precisassem rechear sua sonoridade, tornando os vazios presentes. O único momento mais cheio do show foi quando Lucca chamou o público para cantarolar o refrão de uma canção que acaba sendo a síntese de sua musicalidade: “Devagar e sempre, sempre a caminhar”. Foi bem bonito.

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E só pra não passar a deixa do Glastonbury desse fim de semana, segue o LCD Soundsystem tocando uma das melhores músicas desse século, “All My Friends”, pra começar bem esse segundo semestre de 2024. E bem que alguém podia trazer os caras pra cá de novo, né? Faz tempo já…

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De cair o queixo o ritual rítmico que o grupo Aguidavi do Jêje promoveu neste fim de semana no Sesc Vila Mariana. Pude ver a apresentação de domingo desta orquestra percussiva baiana que já tem 20 anos de atuação e só agora conseguiu apresentar-se pela primeira vez em São Paulo. Também pudera, só no palco são 16 cabeças atracadas ao ritmo do terreiro de Bogum, um dos mais longevos do país, que há quase 200 anos teve papel central na histórica – e pouco difundida – Revolta dos Malês, um dos principais levantes dos africanos escravizados na história do Brasil e palco para a gravação de seu primeiro álbum, homômino, lançado no ano passado, motivo de sua vinda para São Paulo. O grupo é um asombro percussivo cujo único instrumento harmônico – o violão de seu maestro e fundador, Luizinho do Jêje – é tocado de maneira percussiva e funciona como batuta para essa orquestra de ritmos. Entre os músicos, além do filho de Luizinho Kainã do Jêje (que toca uma bateria de atabaques chamada atabaqueria e acompanha artistas como Caetano Veloso e Ivete Sangalo), ainda temos músicos que acompanham diferentes artistas baianos de todas vertentes, de Bel Marques a Baco Exu do Blues, passando por BaianaSystem, Carlinhos Brown, Timbalada, Orquestra Afrosinfônica, entrre outros. O coletivo é um dos muitos filhotes espirituais deixados pelo mestre Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz – Luizinho era percussionista do Quinteto Letieres Leite e já tocou com Olodum, Mateus Aleluia, Virgínia Rodrigues, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Margareth Menezes, Daniela Mercury, entre outros. À esquerda do palco, ele rege com seu violão e canto, as vozes e peles vibradas por seu time, um grupo de músicos de idades distintas e dividido em grupos por instrumentos, embora entre agogôs, pandeiros, caxixis e berimbaus a predominância seja de atabaques. O ataque dos couros do grupo é único na música brasileira e sua força hipnótica de timbres ancestrais atrelada ao canto uníssono de 16 homens foi um dos espetáculos mais impressionantes que vi nos últimos tempos. Mágico.

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Outro grande encontro aconteceu no festival Glastonbury, desta vez no sábado, quando duas divas inglesas da pista de dança, donas de álbuns excelentes lançados no ano passado dividiram vocais no palco, quando Jessie Ware recebeu Romy para, juntas, lançarem ao vivo a irresistível “Lift You Up”, um house fino que faz a ponte entre as vertentes dance de ambas, cuja versão de estúdio já está disponível nas plataformas digitais neste domingo. Senso de marketing afinadíssimo com o senso estético, uma musicaça lançada do jeito certo.

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