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Marty McFly voltou à vida no sábado passado, quando Michael J. Fox, organizador do evento A Funny Thing Happened On The Way to Cure Parkinson’s, empunhou novamente uma guitarra e revisitou o clássico de Chuck Berry que encerra seu filme mais emblemático, De Volta para o Futuro.

Não façam piadas sobre a câmera tremida, por favor, é feio.

Golaço

Uma cerveja em um segundo.

Só no Japão…

Falando nisso, você já ouviu a vozinha do Darth Vader antes de ele ser dublado pelo James Earl Jones?

Aí é dose…


E um dos principais acontecimentos do SWU foi a briga entre o Ultraje a Rigor e o Peter Gabriel. O PAS recapitula:

A turma do Peter Gabriel, gênio por trás do grupo britânico setentista de rock progressivo Genesis, tentou dar um passa-fora na turma do Roger, gênio por trás do grupo brasileiro oitentista de rock new wave Ultraje a Rigor. Atenção para a próxima frase: tentou, mas não conseguiu.

A maioria dos artistas e bandas daqui prefere historicamente abafar o hábito corrente em festivais multinacionais, de os brasileiros serem tratados feito lixo perante os sempre gringos “astros principais”. A discrepância causa boataria desde pelo menos 1985, no primeiro Rock in Rio, quando a moeda corrente jurava que um Whitesnake valia algo como uns dez ou cem ou mil Erasmos Carlos.

O caso mais rumoroso foi o dos preparativos para o Rock in Rio 3, em 2000, quando os maus tratos e as mamatas diferenciadas para nomes estrangeiros motivou a saída em bloco das bandas “subdesenvolvidas” Charlie Brown Jr., Cidade Negra, Jota Quest, O Rappa, Raimundos e Skank. O público brasileiro mais pagapau abaixou o topete e se satisfez com as atrações internacionais da hora. Pouco se reclamou da exclusão do rock nacional do festival que levava rock no nome e Rio no sobrenome, e ainda por cima sobraram garrafadas, palavrões e vaias para o baiano Carlinhos Brown – simplesmente porque ele estava se apresentando, e não porque não tivesse acompanhado os colegas na decisão de dizer um basta às humilhações, ou rebeldia parecida. Afinal, o rock é rebelde ou não é?

(…)

Particularmente, amanheci a segunda-feira (14) orgulhoso do Roger, de quem costumo discordar muito mais que concordar. Não se foi tudo espontâneo, ou se algo de concreto lhe veio à mente ao rejeitar a “proposta” da gangue do Peter Gabriel, de encolher seu show de uma hora para meia hora (para comodidade do playboy gringo, devo supor?). Mas a postura que o autor de “Inútil” teve foi bem diferente daquela de quando era jovem e depreciava a si próprio e a seu próprio país cantando que “a gente faz filho e não consegue criar”, “a gente pede grana e não consegue pagar” (alô, FMI), “a gente joga bola e não consegue ganhar” (nos tempos em que futebol, supostamente, era só o que tínhamos a oferecer).

Ainda na noite de ontem, @roxmo (ou seja, o Roger) escreveu para Peter Gabriel, em inglês, via Twitter: “Hey, @itspetergabriel! Boa sorte no seu voo para casa! Pensei que você fosse um artista; quando você se tornou um cuzão? Ativista mundial, meu cu…”. Que deselegante!, diria Sandra Annenberg. Sim, mas consideremos que nem sempre um roqueiro brasileiro de primeira, segunda ou quinta viagem se expõe assim publicamente, em legítima autodefesa contra as arbitratriedades dos sustentáveis e dos insustentáveis.

O acontecido constrangeu até o amigo de Gabriel, Brian Eno, que twittou o seguinte ao assistir ao vídeo aí embaixo:

Não foi por menos que o próprio Peter Gabriel usou seu site para pedir desculpas à banda brasileira:

I learned this morning that there had been a problem between my crew and Ultraje a Rigor at the SWU festival, that resulted in my production manager stopping their performance and turning off their amps. I deeply regret that this took place and have called Roger Moreira to apologise directly to him and the band.

The storm had put the running order two hours behind schedule and all the artists agreed to cut their set by 15 minutes. I understand from the festival organiser that Ultraje a Rigor were playing more than the time they had agreed and that there were still two more artists to play on our stage. This is why I believe my production manager, who had also had a long battle with water damage to the equipment, was getting very frustrated. In any case, he should not have interrupted their performance.

I strongly believe in treating all artists with equality and respect and I am extremely sorry that we failed to do so last night.

Quem diria, hein…


Foto: NYT

E a polícia de Nova York aproveitou a madrugada dessa terça pra tirar os protestantes do Zuccotti Park.

Mal sabem eles que isso não vai terminar tão cedo…

Só fui pra ver o Sonic Youth, mas tá aí o show da tchurma do Mike Patton.

Esse vídeo aí embaixo, na verdade, é uma animação em time lapse montada a partir de milhares de fotos tiradas pela equipe da Estação Espacial Internacional (a ISS), em outubro desse ano.

Incrível. Vi no Merigo e rola uma bula com as imagens no site da Nasa.

Agora sim!

Só uma piada boba, mas vale como registro de época.

Muitos já devem ter se ligado que, nos próximos dez anos, vamos começar a rever toda a mítica década de 60 em forma de documentários definitivos edição 50 anos. Talvez seja a última grande chance de presença que os protagonistas daqueles dez anos mágicos tem de voltar ao imaginário coletivo. E puxando essa tendência, inevitavelmente, vêm os Beatles, cuja primeira gravação cinquentenária volta às prateleiras de disco – as gravações que o grupo fez em Hamburgo, como banda de apoio do ilustre desconhecido Tony Sheridan. O disquinho tem pérolas com essas:

E isso é só o começo… Os anos 60 começam pra valer a partir de “Love Me Do”, que é do final de 62 (embora alguns localizem esse começo também na Inglaterra, mas no Profumo Affair e outros ainda, claro, no assassinato de Kennedy) – e aí aguente uma saraivada de documentários e caixas de discos e shows e sites especiais e perfis no Facebook e coleções deluxe e capas de discos e peças de teatro e exposições sobre cada um dos discos – compactos inclusive – dos Beatles, só pra começar…

Talvez o cinquentenário dos anos 60 venha ser o último suspiro da mídia física, da cultura enquanto produto táctil à venda – ou pelo menos nos parâmetros dos últimos 50 anos.