
Uma sexta em plena quinta-feira! Essa foi a vibe do último Inferninho Trabalho Sujo do semestre, que contou com duas atrações musicais desnorteantes, cada uma à sua maneira. A noite começou com o quarteto indie-prog-jazz Cianoceronte, ainda mais azeitados do que da última vez que os vi ao vivo, justamente quando estrearam o novo baterista Demian Verano. Com o novo integrante completamente sincronizado com os outros três (a tecladista e vocalista Eduarda Abreu, o baixista Victor Alves e o guitarrista Bruno Giovanolli), a banda nem precisa trocar olhares para acompanhar as trocas de andamento e tempo que seu som quase todo instrumental propõe, numa apresentação que ainda contou com a participação do saxofonista Gabriel Gadelha. Showzão.
Depois foi a vez da dupla Desi & Dino fazer sua estreia oficial, segundo os próprios. Juntos, Desirée Marantes e Dinho Almeida reuniram eletrônicos e pedais para, cada um com seu instrumento, puxar vibes espaciais e oníricas: Dinho com a guitarra cheio de efeitos e o vocal completamente à solta e Desi com seu violino hipnótico, empilhando camadas de drone com melodias improvisadas. Os dois colocaram a plateia do Picles – que, mais uma vez, reunia boa parte da cena independente cheia de curiosidade – em um transe bem específico, por poucos minutos que abriam portais nas cabeças dos presentes. Puro delírio. Depois pude receber de volta a querida Francesca de volta à nossa pistinha e foi uma noite daquelas, quem foi sabe. E te prepara porque o julho do Inferninho Trabalho Sujo, comemorando um ano na ativa, vai pegar fogo! Aguarde e confie.
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Jadsa subiu no palco do auditório do Sesc Pinheiros nesta quarta-feira com uma banda enxuta e já dando os passos decisivos para o que deverá ser seu segundo disco, Big Buraco. Ela começou a experimentar este conceito numa temporada que fizemos ano passado no Centro da Terra, quando chamou, como ela mesma lembrou, Fernando Catatau, Alessandra Leão, Juçara Marçal, Marina Melo, Josyara, Marcelle, Kiko Dinucci e Giovani Cidreira em diferentes noites para começar a desbravar o conceito sobre um buraco enorme que carregamos e que precisamos preencher durante nossas vidas. Desde então vem experimentando novas formações e desbravando ainda mais esse abismo espiritual interior enquanto vem gravando estas experiências no que deverá ser este disco, desta vez com a produção do maestro carioca Antonio Neves – e o motivo desta apresentação no meio da semana foi celebrar o encontro dos dois no mesmo palco em que o próprio Neves fez seu primeiro show, ainda com 14 anos de idade. Ao lado dos dois, outra dupla singular, uma cozinha precisa reunida como braços direitos de cada um, do lado de Jadsa o percussionista e manipulador de efeitos Felipe Galli e do lado de Antonio o monstruoso baixista Paulo Emmery. Mas as separações se desfazem logo na primeira música e aos poucos os quatro se amalgamam em uma só entidade, que vai para um universo diferente do disco de estreia da baiana, Olho de Vidro. Neves não tocou no seu instrumento principal, o trombone, dividindo-se entre a guitarra, a bateria e o trompete, deixando Jadsa brilhar com sua voz e guitarra em momentos que iam do reggae à MPB, do jazz à psicodelia. A apresentação culminou na única faixa não-inédita da noite, “Um Choro”, que Jad compôs para o EP que Juçara Marçal lançou como continuação de seu soberbo Delta Estácio Blues.
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“Sem motoboy São Paulo para”, encerra uma voz, em português, o clipe da nova música de Manu Chao, “São Paulo Motoboy”, faixa que usou para reforçar o lançamento de seu próximo álbum, Viva Tu, que anunciou no início do mês. É o primeiro disco de inéditas do cantor francês em 17 anos e a nova música foi feita influenciada pelo impacto destes trabalhadores na vida da cidade que visitou por duas vezes no último ano. O clipe e a música, ambos com texto em português, registra o drama paulistano destes trabalhadores que sustentam a economia da cidade ganhando mal, trabalhando muito e arriscando a própria vida cotidianamente, enquanto a música narra esse cotidiano sobre uma base conhecida dos fãs do compositor sem pátria, “King of Bongo”, só que um vocal bem mais tenso que a música original, como pede o tema. É o segundo single do novo disco de Chao (o primeiro foi a faixa-título, lançada há um mês), que será lançado no dia 20 de setembro e ainda conta com participações do caubói norte-americano Willie Nelson e do francês Laeti.
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“Eu não sou Jesus, mas tenho as mesmas iniciais”, apresentava-se Jarvis Cocker, vocalista do Pulp, pela metade dos anos 90 quando tornou-se um dos grandes nomes do pop britânico – e embora não tenha precisado usar estas credenciais, lá estava ele, domingo passado, dividindo os vocais com Jim Reid, do Jesus & Mary Chain, na última noite do festival italiano Medimex, na cidade de Taranto. Jarvis foi chamado para participar do show da clássica banda indie escocesa e assumiu os vocais no grande hit da banda, a irresistível “Just Like Honey”, num momento épico para o indie britânico. Quem dera…
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Clara Castro e Nathan Itaborahy fizeram bonito ao misturar suas carreiras solo num mesmo espetáculo nesta terça-feira no Centro da Terra, quando, acompanhados pelos músicos Lucas Gonçalves e Douglas Poerner visitaram diferentes fases de suas respectivas carreiras, além de apontar as novas composições que devem se materializar nos novos discos de cada um ainda no próximo semestre. Apenas o baixista Douglas Poerner manteve-se em seu instrumento e os outros músicos revezaram-se pelo palco a cada nova fase do show: os dois começaram mostrando músicas de Nathan, com este na guitarra, Clara ao violão e Lucas na bateria. Clara ainda passou pela flauta e pela bateria (sempre fazendo vocais) até assumir suas canções, quando Lucas foi para a guitarra e Nathan para a bateria. Entre o rock, o funk e a MPB, com algumas doses de jazz, música caipira e blues, os dois esbanjaram carisma em canções por vezes melancólicas mas em sua maioria ensolaradas – e ainda contaram com a participação da poeta e MC Laura Conceição em uma das faixas. Agora é colocar os dois shows – e discos! – na rua!
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Desfrute este momento: domingo passado Alanis Morissette convidou sua filha Onyx para o palco da Bridgestone Arena, na cidade norte-americana de Nashville, por onde passava a turnê que está fazendo em conjunto com a Joan Jett, e depois de fazer o público cantar parabéns para a menina (era seu aniversário), colocou-a no centro das atenções para cantar seu grande hit “Ironic”. Vê-la cantando com tanta força não só nos dá mais esperança sobre as novas gerações, como derreteu o coração da cantora canadense em público, para delírio de todos. Depois ela publcaria em seu Instagram: “O momento raivoso da garota do aniversário 💫✨ cantando ‘Ironic’ juntas 😭😭😭😭😭😭😭😭🎂🥹🥹🥹🥹 Te amo tanto Onyx, você é minha filha dos sonhos”. Haja amor.
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Para encerrar sua autoproclamada Temporada do Medo no Centro da Terra, a dupla Test praticamente não esteve no palco na última segunda-feira do mês, quando em vez de encarar mais uma vez o público em outra versão deformada de seu Disco Normal, preferiu chamar dois trios formmados de baixo, vocal e bateria para encarnarem o Test Fantasma. A única aparição física do guitarrista João foi no início da apresentação, quando subiu pelo alçapão do teatro para o palco, ainda com as luzes acesas, para logo em seguida assumir a iluminação da noite, enquanto seus convidados iam chegando pouco a pouco, começando por Sarine, que pilotava uma das baterias, seguido por Berna, que assumiu o baixo elétrico um pouco antes de Flavio Lazzarini assumir a segunda bateria e Alex Dias erguer seu contrabaixo acústico, tocando as mesmíssimas músicas que o Test tocou nas três noites anteriores, só que com novos arranjos, igualmente extremos. Logo depois os dois vocalistas da noite – Tomás Moreira e Chris Justino – começaram a urrar as letras das canções, fazendo a apresentação ganhar camadas de improviso e ruído que ficaram em algum lugar entre a formação da apresentação anterior – que já teve muita interferência eletrônica, desta vez capitaneada por Berna, Sarine e Flavio – e o épico formato Test Big Band, em que o grupo ultrapassa a dezena de cabeças no palco. O baterista Barata, por sua vez, assistiu à toda apresentação em uma das poltronas do teatro e só subiu ao palco depois que a noite terminou, quando foi cumprimentar os músicos convidados, provando que a banda pode existir sem mesmo ter a presença de seus dois integrantes. Um fecho brilhante para uma temporada intensa.
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Sexta passada, Bob Dylan deu início ao festival em movimento pelos EUA Outlaw Music, turnê que também traz shows de Willie Nelson (que, por motivos de saúde, não pode comparecer aos shows de abertura) e do ex-vocalista do Led Zeppelin Robert Plant – ressuscitando sua parceria com a cantora Alisson Krauss -, além de nomes mais novos (como John Mellencamp e as cantoras Brittney Spencer e Celisse, que tocam em diferentes datas da turnê de trinta datas). As primeiras apresentações ocorreram na cidade de Alpharetta, no estado da Georgia, e Dylan surpreendeu todos ao mudar radicalmente seu repertório: não houve nenhuma música de seu disco mais recente, Rough And Rowdy Ways, e em vez disso preferiu tocar músicas da década de 50 que o inspiraram, fazendo versões para músicas Willie Dixon (“My Babe”), Chuck Berry (“Little Queenie”), dos Fleetwoods (“Mr. Blue”), Hank Williams (“Cold, Cold Heart”) e Sanford Clark (“The Fool”), que nunca havia tocado ao vivo em sua vida. Da própria lavra, preferiu priorizar seu disco de 2012, Tempest, ao tocar “Early Roman Kings”, “Long and Wasted Years”, “Pay in Blood” e “Scarlet Town” (e colocando camisetas da turnê deste disco à venda no dia do show) e ainda puxou “Beyond Here Lies Nothin'”, faixa de abertura de seu disco de 2009, Together Through Life. As únicas faixas próprias do século passado foram “Simple Twist Of Fate” (de 1975), “Under The Red Sky” (de 1990) e “Things Have Changed”, gravada para a trilha sonora do filme Garotos Incríveis, de Curtis Hanson, lançado no ano 2000. Como na turnê que vinha fazendo do disco anterior, Dylan tocou mais piano e gaita do que guitarra e ao ser realizado no formato festival, permitiu que fãs registrassem em vídeo as apresentações (praticamente impossível anteriormente, menos por restrições ao público e mais por tocar na penumbra). Ele também trouxe mudanças na formação da banda, ao chamar o guitarrista Donnie Herron, que não tocava em sua banda há quase 20 anos, e o baterista Jim Keltner, que o acompanhou em sua fase gospel, no século passado. Mesmo octagenário, o velho não para de mudar – e fica aquele fiapo de esperança que ele possa vir ao Brasil em um futuro próximo.
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“Pra ser honesto, foi amor à primeira vista, como parceiro, músico e amigo”, lembra o octegenário Marcos Valle de seu encontro com o músico e produtor norte-americano Leon Ware, que faleceu em 2017. “Imediatamente, eu e Leon sabíamos que tínhamos que escrever algo juntos – era muito natural.” Às vésperas de lançar mais um disco solo, este batizado de Túnel Acústico, Valle pinça uma faixa composta ao lado do saudoso parceiro quando se conheceram, no final dos anos 70, e que ainda seguie inédita até hoje para lançar no início do próximo semestre. A demo de “Feels So Good”, que nunca foi lançada, foi encontrada em uma prateleira na casa de Marcos Valle quando seu autor entregou ao amigo e produtor Daniel Maunick para refazê-la. Tirou o vocal cantarolado que ocupava a segunda parte, cuja letra foi escrita e cantada por Valle neste ano, acrescentou vocais (a cargo de Paula Alvi), percussão (dele mesmo e Ian Moreira), deixando os vocais de Ware e os teclados de Valle gravados num estúdio em Los Angeles em 1979, quando o brasileiro ainda morava nos EUA. A deliciosa “Feels So Good” foi mostrada nessa sexta-feira pela gravadora inglesa Far Out, que lançará o single em uma versão limitada de 500 discos de vinil (já à venda), tornando-se a quarta faixa composta e tocada pela dupla – e juntando-se a “Rockin’ You Eternally” e “Baby Don’t Stop Me” (esta com Laudir De Oliveira do grupo Chicago) lançadas no disco de Ware de 1981 e a faixa-título do disco Estrelar, que Marcos Valle lançou em 1983. “Foi uma deliciosa parceria que eu prezo muito, muito”, continua Valle, ao falar sobre a nova música, “sinto muita falta dele e estou muito feliz que temos essa nova música juntos.
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O sumo-sacerdote do noise Thurston Moore veio lançando singles desde o início do ano e agora acaba de formalizá-los no lançamento de mais um álbum, o nono lançado com seu nome e sexto desde o fim de sua banda, o fundamental Sonic Youth. Flow Critical Lucidity reúne as três músicas que lançou desde o ano passado — “Isadora” (cujo clipe foi dirigido pela Sky Ferreira) “Hypnogram” e “Rewilding” – a outras cinco faixas, uma delas lançada nesta quinta-feira. Enquanto as três primeiras carregam sua assinatura musical clássica, misturando o vocal quase falado a melodias dissonantes sobre ritmos marcados, a nova, composta em parceria com Lætitia Sadier, do Sterolab, conduz a musicalidade para outro hemisfério: hipnótico, repetitivo e delicado, com os vocais de Thurston superpondo aos de Laetitia – e dando ao disco, que já está em pré-venda e será lançado no dia 20 de setembro, uma nova coloração. Veja a capa, o nome das músicas e ouça a faixa na íntegra abaixo: Continue