Trabalho Sujo - Home

Video

E essa ótima versão que a dupla Kills fez para a faixa-título do segundo disco da Billie Eilish? Alison Mosshart e Jamie Hince voltaram a tocar juntos em 2023 depois de um tempão separados e ao mostrar as músicas do disco lançado naquele ano, God Games (o primeiro desde Ash & Ice, de 2016), em versão acústica na rádio norte-americana Sirius FM, despertaram o interesse da gravadora inglesa Domino em lançar um EP desta natureza. E embora a interpretação que os dois fizeram para a excelente “Happier than Ever” tenha sido o que chamou a atenção do selo, eles resolveram gravar uma versão elétrica, que compartilharam nesta terça-feira, ao anunciar o lançamento do EP Happier Girls (já em pré-venda) que será lançado nessa sexta-feira. Ouça abaixo: Continue

Gosto de sonho

“São Paulo tem a melhor plateia da turnê”, disse Colin Caulfield, baixista do Diiv, que apresentou-se neste domingo no Cine Joia. Entre camadas pesadas e oníricas de microfonia e sussurros adocicados, a banda nova-iorquino apresentou-se pela segunda vez no país desfilando as músicas de seu disco mais recente, o excelente Frog in Boiling Water. Liderada pelo guitarrista e vocalista Zachary Cole Smith, a banda ainda conta com o segundo guitarrista Andrew Bailey e o baterista Ben Newman na formação, todos trabalhando nessa mistura de ruído com gosto de sonho que caracteriza o som do grupo, que localiza-se entre o noise, o shoegaze e o dream pop, com altas doses de guitarras pós-punk que ecoam do Cure ao Sonic Youth. Sem trocar muitas palavras com o público, a banda preferiu colocar imagens no telão, que misturavam infomerciais com sites com teoria da conspiração, trechos de telejornais e registros de redes sociais, marcas e logotipos, além de textos que explicavam, de forma irônica, o que a banda estava fazendo. O som do Joia, que normalmente pena quando recebe este tipo de artista, estava jogando bem a favor e, mesmo não estando muito alto (talvez exatamente por isso), deixava tanto a banda se ouvir quanto o público identificar cada instrumento e as contribuições de cada músico para o a carga sonora do grupo. Ao final da apresentação, pouco antes de anunciar a última música, o grupo engatou “Blankenship” e fez a plateia jogar-se numa imensa roda de pogo, a maior que já vi no Cine Joia – além de puxar um coro “olê olê olê Diivêêêêê Diivêêêêê”, o que encantou a banda a ponto do baixista fazer o comentário do início do texto. Noitaça!

Assista abaixo: Continue

Porta aberta

E ainda deu tempo de passar no novo endereço do Porta, que saiu da Rua Fidalga e foi parar no quarteirão entre a Inácio Pereira da Rocha e a Cardeal Arcoverde, na fronteira entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena, do lado do Ó do Borogodó e em frente ao cemitério. Depois de dois anos criando público e alimentando uma cena underground, alternativa e também pop, Paula Rebellato e os irmãos Bruno e Raphael Carapia mudaram de endereço para uma casa espaçosa, de pé direito alto, com direito a mezzanino, vitrais coloridos e isolamento acústico perfeito, abrindo a casa pela primeira vez neste sábado, sem cobrar ingresso, para orgulhosos mostrar o novo espaço que estão inaugurando. A noite começou com os shows do Rádio Diáspora e das Mercenárias, mas só consegui chegar a tempo de ver a última apresentação da noite, a banda Madrugada, que conta com Paula e Raphael na formação e que agora tem dois bateristas – Yann Dardenne e Cacá Amaral – e cujo groove é completo com o baixo de Otto, irmão de Yann. A anestesia kraut a que o grupo submeteu as mais de cem pessoas que se espremiam na nova casa, numa verdadeira coluna social da cena indepnedente de São Paulo, coroou uma noite em que o novo estabelecimento mostrou a que veio. Viva o Porta!

Assista abaixo: Continue

Depois do show catártico de lançamento de seu Novella no mês passado, quando reuniu o maior público para uma apresentação somente sua na Áudio, Céu fez um show irrepreensível ao apresentar-se no Sesc Vila Mariana neste sábado. Ao contrário do show anterior, em que pode passear pelo repertório de toda sua discografia e contou com participações especiais, desta vez a noite focava no disco recém-lançado e abria exceções apenas alguns hits dos quase vinte anos da carreira da cantora paulistana. O fato de ter feito uma série de shows internacionais antes de lançar o disco no Brasil a colocou em sincronia perfeita com a banda que já a acompanha há quase dois anos, com Thomas Harres na bateria e disparando efeitos, Leo Mendes no cavaquinho e na guitarra, Sthe Araújo nas percussões e o fiel escudeiro Lucas Martins no baixo, os dois últimos dividindo os vocais com Céu – e cantando muito! – sem se sentirem intimidados pela voz da dona da noite. Com um vestido preto longo chiquérrimo e de cabelo preso, esta mostrava completo domínio do palco, ainda mais com o auxílio de duas feras do backstage – o som perfeito do mestre Gustavo Lenza e o jogo de luzes mágico de Franja, cada vez mais conversando com o ritmo da banda. Mesmo com o foco em Novella, o show teve momentos dedicados a outras joias de sua coroa, como um momento dedicado ao disco Tropix e quando “Bubuia” transformou-se em “Cangote”, ambas pinçadas de seu melhor disco, Vagarosa. Seu disco de estreia, que ela lembrou que completa duas décadas no ano que vem, também foi visitado, primeiro quando “Mora na Filosofia” de Monsueto invadiu o hit “Malemolência” e depois quando ela desenterrou “Mais Um Lamento” no bis. Os dois únicos lapsos que aconteceram durante a noite (quando Céu cantou antes da hora na introdução de “Contravento” e quando Thomas não disparou os efeitos no início de “Reescreve”) não chegaram a macular a apresentação, primeiro por terem sido discretos e rapidamente corrigidos (e com bom humor) como pareceram sublinhar a natureza humana do novo disco, que Ceú fez questão de frisar logo no início do show. A noite terminou com “Rotação” e Céu despediu-se do palco certa de que é dona de um dos melhores shows do Brasil.

Assista abaixo: Continue

A edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo no Picles firmou-se em duas vertentes distintas do espectro do rock. A primeira atração foi o power blues do Orange Disaster, que, com duas guitarras, vocal e bateria, começaram a noite rasgando riffs e fazendo o chão tremer. A guitarra-baixo de Carlão Freitas dispara riffs que funcionam como chamados de guerra para os delírios noise do segundo guitarrista, Vinícius Favaretto. Juntos – e propulsionados pela bateria pesada de Davi Rodriguez – eles deixam o púlpito da noite à disposição do vocalista Julio Cesar Magalhaes, que com o visual mais antirrock possível (apesar da camiseta com um pentagrama), dispara sermões apocalípticos que conversam bem com os dias de pior qualidade do ar de São Paulo que temos atravessado. O clima de blues bad vibe descende de formações cruas como Jon Spencer Blues Explosion e Pussy Galore e fez o público grudar no palco. E o Vini no final ainda puxou um cowbell antes de entrar no meio do público. Foi demais.

Depois foi a vez do Antiprisma subir no palco do Picles e o clima pesado dissipou para dar lugar à trama delicada criada a partir do encontro das guitarras e vocais do casal que conduz o grupo, Elisa Moreira e Victor José, que vão do folk ao indie rock sem muito esforço, conduzindo tanto as velhas quanto as novas canções (do disco que o grupo lança ainda esse ano) do susurro à microfonia usando o rock clássico como régua. Ao lado deles, a dupla que forma o grupo Retrato (Ana Zumpano na bateria e Beeau Goméz no baixo), que completa a formação ao vivo do Antiprisma, fecha a cozinha da banda com cumplicidade e sutileza, sem nunca tirar o foco dos dois que deram o tom da segunda apresentação da noite. Depois, eu e Bamboloki começamos anunciando a pista com o tema de Beetlejuice (culpa dela!) para depois permabular pelo rock dos anos 80, o funk brasileiro do início do século, pepitas de dance music e indie rock e um ar meio freak entre o glam rock e o pop brasileiro. Quem foi sabe…

Assista abaixo: Continue

Quer um disco novíssimo pra ouvir sem parar? O trio de Los Angeles Julie apareceu um pouco antes da pandemia se abater sobre o planeta em 2020 com o hit shoegazer “Flutter” e demorou quatro anos para lançar seu disco de estreia – e a espera valeu à pena. Formado pela baixista e vocalista Alex Brady, pelo guitarrista Keyan Pourzand e pelo baterista Dillon Lee, o grupo amadureceu seu som para sair do quartinho do shoegaze e abraçar outras frequências sonoras dos anos 90, conversando tanto com o folk elétrico do Sebadoh, o pop noise do Nirvana, as explosões de guitarras dos Smashing Pumpkins e, claro, os vocais soterrados e sussurrados, além das paredes de guitarras do My Bloody Valentine. My Anti-Aircraft Friend foi lançado nessa sexta e ecoa nostalgicamente a última década do século passado, mas sem prender-se apenas no saudosismo, apontando para o indie rock do futuro, como se a escalada musical daquele tempo não tivesse sido – como aconteceu com todos os gêneros de música popular – virada do avesso pela internet. Ouça abaixo e me agradeça depois: Continue

Imagina que você chega em casa e recebe um cartão preto que vem com algumas letras impressas em relevo, entre elas a sequência I-XI-MMXXIV. Ao passar uma lanterna de luz negra sobre os caracteres aleatórios soltos assim da fileira de algoritmos romanos completa-se a frase Songs of a Lost World – e se você é fã do Cure, mata a charada na hora, pois a sequência de numerais traduz-se em 1-11-2024 vem logo após o tão aguardado novo disco da banda, cujo título – Songs of a Lost World – conhecemos há tempos, indicando que o lançamento do disco será no primeiro dia de novembro deste ano. Um cartaz semelhante aos cartões distribuídos para alguns seletos fãs – que o receberam pelo correio – apareceu na entrada do pub Railway, na cidade de Crawley, ao sul de Londres, onde o líder da banda Robert Smith viveu dos seis anos de idade até montar o Cure, cujos primeiros shows foram exatamente neste pub. Dá uma sacada abaixo… Continue

De novo o Dylan…

Mais uma vez Bob Dylan pega todos de surpresa, inclusive seu colega de turnê John Mellencamp. Ao apresentar-se em Cuyahoga Falls, no estado de Ohio, nos EUA< em mais uma noite do festival itinerante Outlaw Festival, Dylan, que apresenta-se entre shows de Willie Nelson, Robert Plant com Alison Krauss e John Mellencamp, desenterrou mais uma música que estava fora de seu setlist desde 2018, a clássica "All Along the Watchtower", música que estreou ao vivo há meio século. A aparição da música, no entanto, não vem do nada: Dylan está a cada novo show fazendo comentários sobre o que está acontecendo nos Estados Unidos a partir do uso de canções que aos poucos vem reintroduzindo em suas apresentações - e se nas músicas novas incluídas nos shows comentava o filme que estão fazendo sobre ele e o fato de ter sido citado em uma playlist de Barack Obama, nesta quinta-feira ele apenas fez uma brincadeira com Mellencamp, que tocou antes de Dylan e mostrou justamente uma versão para a mesma música de Bob, que foi imortalizada na voz de Jimi Hendrix. Imagina a cara do colega quando ouviu o mestre tocando a música que ele havia acabado de tocar…

Assista abaixo: Continue

Varanda intensa

Bem bonito o show de lançamento do disco de estreia do Varanda, Beirada, que aconteceu nesta quinta-feira no auditório do Sesc Vila Mariana. O grupo de Juiz de Fora optou por apresentar o disco na íntegra, com poucas intervenções entre as músicas, para reforçar a unidade narrativa do disco recém-lançado e o fato de mostrá-lo para um público que assistia sentado à banda, com todos os olhos vidrados no palco, trouxe uma inevitável nervosismo no início da noite, que foi sendo vencido à medida em que o show discorria. Normal, afinal a banda saltou de apresentações em pequenas casas de show para um espetáculo quase teatral, em que o humor e a informalidade que normalmente atravessam os shows do grupo, o que acabou mexendo na intensidade das primeiras músicas, mas sem deixar que elas perdessem sua beleza natural. A química entre os quatro aos poucos foi falando mais alto e logo eles superaram essa instabilidade inicial e é bonito ver como, mesmo sem precisar trocar olhares, o baixo melódico de Augusto Vargas, a guitarra indie e noise de Mario Lorenzi e a bateria precisa de Bernardo Mehry (contando com a presença do quinto elemento Fiôra nos teclados e violões) tecem a cama perfeita para que a vocalista e estrela da banda, a maravilhosa Amélia do Carmo soltasse sua voz e deixasse sua alma levitar ao mesmo tempo – hipnotizando o público como uma sacerdotisa. As participações especiais foram cruciais para essa escalada, primeiro quando convidaram Manu Julian, vocalista do Fernê e dos Pelados, para dividir “Cê Mexe Comigo” – que foi saudada por Amélia, ao final de sua vinda como “a voz de uma geração” – e depois quando Dinho Almeida subiu no palco para fazer não apenas a música que gravou no disco do grupo, “Desce Já”, como a seguinte “Relâmpagos”, proporcionando o melhor momento da noite ao deixar a banda completamente à vontade. Logo depois encerraram o repertório do disco, mas continuaram com um longo bis que reuniu as faixas que ficaram de fora no álbum – e aí a noite já estava ganha. Lavaram a alma do público e a deles mesmos, entregando uma apresentação intensa e elétrica, deixando aquele famoso gostinho de “quero mais”.

Assista abaixo: Continue

Todo mundo falando da volta do Oasis tocando músicas velhas, mas a principal banda do britpop segue em atividade e começou a mostrar músicas novas nos shows mais recentes. Na semana passada, ao tocar em um festival em Helsinque, na Finlândia, o Pulp pela primeira vez ao vivo mostrou uma música que compôs com o ex-integrante Richard Hawley em 2022, que inclusive subiu no palco com a banda para tocar “A Sunset”. Foi só a primeira das novidades. Depois de mais de 12 anos sem tocar na América do Norte, o grupo começou sua turnê no continente e aos poucos vem mostrando mais músicas novas: no domingo, em Chicago, nos EUA, mostrou uma música chamada “Spike Island” e na terça, em Toronto, no Canadá, apresentou mais outra inédita, esta “My Sex”. Assista às novas músicas abaixo: Continue