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A trilogia M83

E com o clipe de “Wait”, o M83 de Anthony Gonzalez encerra a trilogia de ficção científica feita com a dupla de diretores franceses Fleur & Manu. Abaixo, os três clipes que foram feitos esse ano, na ordem: “Midnight City”, “Reunion” e “Wait”. Grande feito, vale conferir:

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Que tal Yoko Ono cantando a versão lenta de “Firework“?

Não parece, mas é piada: o vídeo original é esse.

Minha coluna na edição de segunda do Link foi sobre a contribuição de Oscar Niemeyer para nossa concepção de futuro.

A contribuição de Oscar Niemeyer para o futuro
Amplitude: Prédios parecem suspensos pelos pilares

No início do documentário belga Oscar Niemeyer – Un Architecte Engagé Dans Le Siècle (Um Arquiteto Engajado no Século, 2001), de Marc-Henri Wajnberg, um disco voador sobrevoa o Rio de Janeiro. A espaçonave circular é branca e de concreto e paira tranquilamente sobre a antiga capital brasileira, passando pelo Cristo Redentor, o Maracanã, as praias, o Pão de Açúcar até entrar na Baía de Guanabara e pousar em Niterói.

Uma rápida cena mostra o então quase centenário arquiteto contemplando a cidade por uma janela, como se estivesse pilotando o tal disco – que, na verdade, é o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Não foi a primeira nem a última vez que os traços do arquiteto foram associados a um futurismo muito próximo da ficção científica do meio do século 20, período em que Niemeyer começou a despontar no mundo como um prodígio do modernismo brasileiro.

Nasci na cidade que foi imaginada por este que é um dos grandes brasileiros do século passado. A ideia de Brasília não é de Niemeyer. Suas origens remontam à visão de um santo italiano, São João Bosco, que em agosto de 1883 sonhou que havia visitado a América do Sul (onde nunca havia estado) e, depois de visitar vários pontos do continente, viu uma cidade no meio do planalto central, entre os paralelos 15o e 20o, que, segundo um anjo que lhe servia de guia, seria a “terra prometida”.

A profecia ajudou o presidente Juscelino Kubitschek a cumprir sua promessa de tirar a capital brasileira do Rio de Janeiro. Mas a ideia de criar uma cidade do nada não partiu apenas de sua imaginação. JK teria se inspirado no faraó egípcio Akhenaton que, no século 14 antes de Cristo, mudou a capital de seu governo para uma cidade criada artificialmente, Akhetaton, a Cidade do Sol.

Duas visões do passado, dois artistas do futuro: o urbanista Lucio Costa foi escolhido para colocar o plano da cidade no papel (com o formato de um avião) e Oscar Niemeyer, o nome eleito para populá-la. E em vez de replicar outras cidades, o arquiteto resolveu imaginar como seria uma metrópole do século seguinte. Do milênio seguinte.

E assim ergueu palácios com colunas que pareciam suspendê-los no ar. E o amplo horizonte da nova capital passava a acolher uma catedral ecumênica, sem torres, aberta para a luz. Todos os ministérios reunidos como pilares monumentais em uma ampla esplanada. Uma praça que reúne as sedes dos três poderes numa mesma perspectiva horizontal. Construções austeras e pesadas eram reimaginadas por completo. Assim, prédios arredondados que se misturavam a ângulos retos e edifícios de concreto pesado ganhavam leveza graças às suas curvas. Somados às avenidas sem sinais de trânsito, às ruas sem esquina e às superquadras imaginadas por Lucio Costa, eles criaram uma cidade literalmente imaginada.

Muitos autores descreveram cidades imaginárias em livros, filmes, quadrinhos, animações. Poucos conseguiram tirá-las da imaginação. Niemeyer pertence à seleta categoria dos que executaram a cidade que pensaram. E talvez esteja dentro de um nicho ainda menor: os que imaginaram cidades do futuro.

Pois a capital de nosso país é uma cidade do futuro. E Oscar Niemeyer, eterno nesta Brasília, talvez seja, além de todos os epítetos e hipérboles que já carrega, nosso maior artista de ficção científica.

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Torno públicos os parabéns que dei ao Filipe Serrano e à Tatiana de Mello Dias, os novos editor e editora-assistente da melhor publicação de tecnologia e cultura digital do Brasil. Conheci ambos no início de suas carreiras – Filipe era estagiário no Link quando entrei, em 2007, e depois virou repórter, editor-assistente e agora chega ao comando do caderno. Tati foi minha estagiária na Trama e foi a primeira repórter que contratei quando virei editor, em 2009. É uma felicidade vê-los chegar a tais posições e um alívio saber que o caderno que acalentei por tantos anos está nas melhores mãos possíveis. Boa sorte aos dois!

E essa versão vinil de luxo do clássico do Nick Drake?

De chorar.

O Sonho Não Acabou é um bom documentário feito por uma turma de estudantes de jornalismo sobre um tema batido (o rock brasileiro dos anos 80 – seria esse gênero a nova bossa nova de toda uma geração?), mas específico (o ponto de vista de São Paulo). O filme é apenas correto, mas conta com bons depoimentos e destrincha bem o cenário do indie rock paulistano daquela época (uns vão dizer “pós-punk”, outros “rock alternativo”…) que, por um acaso do destino, viu-se projetado ao topo da indústria fonográfica da época, no susto – e chega a conclusões interessantes, como a constatação pós-apocalíptica – e teatral – de Ciro Pessoa de que o Restart é só o fim de um processo (“pop-punk-rock”, como ele diz, “são truques de composição”) e a triste realidade que, desde o Acústico, os Titãs viraram “MPB”. Mas por que ninguém entrevista o Paulo Ricardo? Veja abaixo:

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Agora foi: morreu o cara que imaginou a cidade em que nasci. Todo o respeito para um dos maiores artistas do Brasil.

Abaixo, o Roda Vida com o arquiteto em 1997 e a íntegra do documentário A Vida é um Sopro:

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Outro mestre que se vai, com a singular característica de que sua obra mais popular também é a mais importante, como se Abbey Road ou Revolver tivessem provocado a beatlemania ou se Kind of Blue, In a Silent Way e o Bitches’ Brew fossem um mesmo disco. Time Out é o nome da obra-prima do quarteto do pianista que faria aniversário no dia seguinte à sua morte e é um dos melhores discos de todos os tempos. Ponha os fones, aperte o play e celebre a existência do mestre Brubeck.

E um aviso: se você ainda não tem esse disco em vinil, espere que logo logo vai aparecer uma versão deluxe de chorar…

Toquei essa música há uns dois Vida Fodona e esqueci de sublinhá-la aqui. Bem boa.

Vi no Pitchfork.

Sério, vá assistir. Mas não leia nada, vá de cabeça vazia e coração aberto.

E é tão curioso o fato de que os três melhores filmes que vi esse ano (Drive, Cosmopolis e agora Holy Motors, o melhor dos três) usarem o carro como metáfora/cenário/ícone…

Push the Sky Away vem aí:

O disco inteiro, só em fevereiro do ano que vem (ou um pouco antes, quando vazar), mas o primeiro single, a soturna “We No Who U R” acabou de dar as caras:

Abaixo, logo depois da lista com as músicas do disco (“Higgs Boson Blues” é genial!), um vídeo mostra como foram as gravações, do disco que já esta em pré-venda:

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